2 de agosto de 2013

Passeios.


     Na terça e hoje, de manhã, fui passear com uns amigos por alguns jardins da cidade. Já os conhecia, é certo, embora não os visitasse há anos. Gosto de jardins. Gosto do contacto com a pouca natureza que uma cidade, para mais capital de país, permite ter. Lisboa é pequena comparativamente a outras metrópoles europeias, porém, é bastante poluída e o tráfego urbano é intenso. A cidade não tem os espaços verdes que deveria, exigindo-se mais de uma urbe de primeiríssimo mundo.

    Estivemos, na terça, no Jardim Botânico da Faculdade de Ciências de Lisboa. É um lugar agradável, bem cuidado. Tem trilhos cobertos por árvores altas, produzindo-se uma sombra confortante (deliciosa em dias quentes e abafados como aqueles que vivemos). A brisa fresca faz com que nos queiramos sentar a apreciar o chilrear dos pequenos pássaros que povoam o jardim. Há recantos meio que ignorados, mas especiais, incluindo um laguinho onde, segundo me disseram, há rãs (pena não ter visto nenhuma). Fiquei impressionado com a parte dos cactos e com as palmeiras gigantes que se erguem num dos caminhos principais, tudo devidamente catalogado para que leigos, como eu, possam desfrutar em pleno daquelas belezas naturais. Não só é interessante apreciar como retirar alguns conhecimentos de botânica. Não poderíamos, claro está, ignorar o borboletário. Tem espécimes incríveis. Alguns exemplares raros. Lepidópteros de várias cores e tamanhos. Houve um que não parava de voar em torno de mim, vermelho e amarelo, lindíssimo. Também pude ver uma borboleta amarela-clara, enorme, que sobrevoava o tecto do recinto fechado. Vimos os ovos e as larvas a movimentarem-se nas plantas. Já fora, observámos aracnídeos em redomas de vidro. Um grupo de escuteiros, turistas, estava visivelmente encantado. De faces rubras, as moças, sob o sol escaldante de uma cidade do sul da Europa. Sem tom crítico, é toda uma outra educação.

    Hoje, fui ao Parque Monteiro-Mor, no Lumiar. Gostei bastante. Situado em redor do palácio do mesmo nome, pareceu-me bem mais extenso (e desértico) do que o anterior. Ah, é óptimo para namorar sem ser incomodado. Tem algumas fontes e bastantes bancos, alguns em tronco de árvore, onde se passam bons momento de repouso. É recomendável levar calçado confortável porque, realmente, tem caminhos sinuosos, e os hectares da propriedade propiciam a que se ande e ande (falo por experiência; penei dos pés). Ao longo do parque, há pequenos riachos e pontes para atravessarmos até à outra margem, tudo envolto num verde luzidio e fresco. Uma pequena maravilha às portas de Lisboa, meio negligenciada, diga-se. De salutar a quantidade significativa de jardineiros que zelavam pela limpeza e manutenção. São locais vulneráveis à acção humana, necessitando de cuidados constantes. A natureza é tão frágil, agravando-se ao estar rodeada de humanidade por todos os lados. Natureza à qual pertencemos. De referir que ambos os parques tinham imensas flores, dando cor e alegria, perfumando o ar. No passeio de hoje vi brincos-de-princesa, entre outras de que não me recordo do nome (pese embora tivessem a plaquinha, mea culpa).

   O preço de qualquer um dos dois é simbólico: dois euros. Sim, convém referir que não é gratuito. Compreende-se. Há salários a pagar, dos trabalhadores, bem como todas as despesas inerentes. Vale a pena, se continuarem a manter a qualidade.

      A vontade é a de ficar por lá todo o dia. E ainda há quem perca tempo em centros comerciais, tss tss.

30 comentários:

  1. Que legal Mark! SP também deveria ter mais jardins e natureza.. aqui é bem industrializado, sabe :s aí fica difícil respirar com tanta poluição. Deve ser bem bonito aí, rs :)

    Abraços e continue se divertindo nessas férias!

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    1. Pois, imagino que, em São Paulo, o ar deva ser irrespirável. Uma cidade com mais de 10 milhões de habitantes (curiosamente, a maior cidade de língua portuguesa). :) Lisboa não tem culpa. LOL A culpa é da autarquia (o poder local). Desde que tenho consciência de mim e do que me rodeia, vários políticos têm utilizado Lisboa para outros vôos... Enfim. :)

      Obrigado! Não senti a menor falta de praia nestes dias. ^^

      abraço.

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  2. Lisboa tem Jardins muito bonitos. Também gosto do Jardim "Tropical" que fica em Belém por trás dos pasteis... Vale bem a pena ;)

    Bons passeios :D

    Abraço

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    1. Oh, esse jardim... belas recordações. :)

      Obrigado! :D

      abraço.

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  3. Sinto-me envergonhado por não conhecer nenhum desses passeios...

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    1. Oh, ainda estás a tempo! Aposto que irás gostar. :) O Jardim Botânico da Faculdade de Ciências fica entre o Rato e o Príncipe Real, é bastante acessível com o metro; o Parque Monteiro-Mor também tem metro pertinho (estação do Lumiar).

      São dois lugares muito agradáveis. Ficaria feliz se levasses lá o Déjan. :) No último, nomeadamente, poderão namorar à vontade. Não se vê 'vivalma'.

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    2. este entra-se pelo teatro da politécnica, bem, não se entra teatro adentro, mas quantos turistas por lá entram a perguntar se ali é o jardim botânico :)
      é lindo, mas há muito tempo que lá não vou.
      o do lumiar não conheço, para mim, o lumiar fica tão longe, que tontice e com o metro lá é um pulo.
      o da estrela, claro, não podes perder.
      bjs.

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    3. Eu entrei mesmo pelo portão. :) Tens de voltar lá. Está muito bem cuidado (não ia há carradas de anos).

      O Parque Monteiro-Mor vale muito a pena. :)

      beijinho.

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  4. O Jardim Botânico da Universidade de Lisboa é bastante interessante, e vasto, mas confesso que fiquei desiludido. Não tem o encanto romântico (entenda-se novecentista) do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra. O borboletário é um ex-libris.

    Nunca tinha ouvido falar de Monteiro-Mor, e fiquei com curiosidade.

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    1. Não conheço o de Coimbra (mas adoraria!). :)

      Monteiro-Mor é óptimo. Pesquisa na net. Não está tão bem cuidado como o Jardim Botânico da Faculdade de Ciências. É mais "natural" ainda.

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    2. Tens que visitar o de Coimbra: é fascinante!
      Pelos "nossos" jardins momentos salutares connosco se deparam quando, na generalidade, a população fica presa aos paredões austeros de uma vila/cidade qualquer.
      Abraço

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    3. Eu tenho de visitar Coimbra, também. Até fico envergonhado, mas só estive em Coimbra uma vez, salvo erro, e para pernoitar. :(

      Uma falta enorme!

      abraço.

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  5. Sou miserável. Não conheço nenhum dos dois... Acho que só conheço mesmo o da Estrela e Gulbenkian =/
    A ver se parto à descoberta =)

    Abraço, Mark

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    1. O da Gulbenkian é fofinho. :D

      abraço, Inefável. :)

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  6. Mark, quando tiveres oportunidade, devias também conhecer o Jardim da Tapada da Necessidades em Alcântara e o da Tapada Real na Ajuda. Mas para mim o do Monteiro Mor é o melhor de todos.

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    1. Olá Anónimo. Obrigado pelo teu comentário! :) Podias ter escolhido um nome, pareces-me simpático (temos aquela ideia de que os anónimos são meio, digamos, sombrios). :D

      Eu conheço o da Tapada Real da Ajuda (também não vou há anos). O Jardim da Tapada das Necessidades é que não conheço. :|

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  7. O parque Monteiro Mor é gratuito ao domingo de manhã, tal como o acesso aos museus. Pertinho de casa, era hábito ir até lá :)
    Lisboa tem várias espaços verdes de grande dimensão e no Lumiar tens um dos 3 maiores da cidade (de acesso gratuito), a Quinta das Conchas. Mas claro que espaços verdes nunca são demais.
    E passear pela cidade é ótimo, por isso ando a planear uns passeios na cidade (para um pequeno grupo) e para os quais será convidado a seu tempo :).
    Hugs

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    1. Estive nos museus em criança, pela última vez. :)

      Sim, é verdade, a Quinta das Conchas (nunca lá entrei).

      Hum, parece-me bem. Aguardo o convite. :D

      abraço, Sad. :)

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  8. É bom de te ver a passear e a descobrir o prazer de caminhar por lugares assim, em salutar convívio com a natureza! Por certo sentiste que estavas num outro mundo, tão diferente do habitual, entre livros e leis! ;)

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  9. de caracóis xD cute!

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  10. Lisboa não precisa de mais espaços verdes, as pessoas é que deviam sair mais vezes de dentro dela. Tal como escreveste, Lisboa é pequena. Pequena demais para se ficar uma vida toda dentro dela.

    Mas entendo-te. Eu moro no campo, falta de verde não existe e mesmo assim os habitantes querem jardins e relva. Uma parvoíce...

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    1. Lisboa precisa de mais espaços verdes. Se fores a uma cidade do norte da Europa (nunca lá estive, mas sei), verás bastantes espaços verdes, bem mais do que em Lisboa. E são países com menos população do que Portugal (na sua maioria)! Concordo, isso sim, no "sair". De facto, há bastante "verde" fora da cidade. Contudo, tens de ver que há pessoas que não têm possibilidades de sair de cá, ou porque não têm carro, ou porque não têm dinheiro para os transportes... Nem tudo é assim tão linear.

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  11. O primeiro é praticamente em frente a minha casa e volta e meia vou lá. É um jardim muito belo com as suas árvores seculares e borboletário é um sítio meio mágico. O segundo não conheço mas a descrição aguçou-me e apetite, já apontei na agenda. Com metro perto, então ainda melhor. :)
    Curiosamente sempre morámos em frente a grandes jardins, a nossa primeira casa era em frente à Gulbenkian e nesta, para além do Jardim Botânico, temos o Jardim do Príncipe Real, que embora diferente também tem uma vida interessante. :)
    Em termos de Jardins lisboetas, a Estufa Fria também é um espaço interessante, fresco e bom para namorar ;)
    Abraço Mark.

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    1. Não sabia que moras por ali. Não moro muito longe! :)

      É lindíssimo. O borboletário é uma relíquia.

      O Parque Monteiro-Mor é delicioso! Vocês têm de ir. É tão natural (bem mais do que o Jardim Botânico).

      O Jardim do Príncipe Real é óptimo, também, na sua simplicidade. A Estufa Fria é aquele clássico. :D

      abraço, Arrakis.

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    2. Querem ver que são vizinhos de prédio e não sabem?

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    3. Ahah, boa tarde Alex. :)

      Não, eu não moro naquela zona. Moro é um pouco acima. :)

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  12. acho incrível o blog tipo diário. super interessante. detalhe: amo mariah carey. haha :)

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    1. Obrigado, Antônio, mas o meu blogue não é bem tipo diário, ahah. :) Na verdade, por vezes escrevo sobre o meu quotidiano (na etiqueta "Diário"). Também escrevo acerca de política, música, actualidades do dia-a-dia, enfim, tudo o que me ocorra no momento. :)

      A Mariah é a minha Diva. Uma das minhas inspirações. :)

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