17 de março de 2016

Nicolau Breyner (1940 - 2016).


   O Nicolau era aquele homem a quem assentava perfeitamente o epíteto de "gajo porreiro". Um bon vivant, estroina, na melhor acepção do adjectivo. Magnânimo actor, versátil, adaptável a todos os registos, desde a televisão ao cinema, passando pelo teatro, que o aborrecia pela monotonia. Produtor, realizador...

   A sua morte, precoce e imprevista, consternou. Ouvi o que a Ana Bola disse, colega de carreira, e concordo inteiramente. O Nicolau incluía-se naquele restrito grupo de pessoas a que não concebemos sequer a ideia de que possa morrer. Temo-las diariamente nas nossas vidas. São-nos familiares. Pertencem ao imaginário colectivo. Assim era com Nicolau Breyner. O seu sorriso perpassou mais de quatro décadas, invadindo-nos os serões, presente nas incontáveis séries que realizou e em que participou.

    Ganhou o afecto e um lugar cativo no coração das pessoas. Os seus colegas são unânimes em reconhecer-lhe o trato fácil, a amabilidade, a atenção, a generosidade. Dificilmente encontramos alguém tão consensual na sociedade portuguesa. Após a divulgação da notícia que dava conta do seu falecimento, multiplicaram-se as mensagens de pesar, transversais aos mais diversos quadrantes da vida pública. Do Presidente à senhora que o atendia no restaurante, todos lamentaram a partida súbita de um amigo, do homem bom.

   O público perdeu um grande artista. Alguém ainda cheio de projectos, no auge da sua maturidade e criatividade. Nicolau, furtivamente, deixou cair o pano antes dos aplausos finais. Roubou-lhes a cena. Não assistiu às homenagens que agora lhe prestam, mas estou em crer que morreu sabendo o quão era estimado pelos portugueses.
      Sentiremos a sua falta.

10 comentários:

  1. foi de facto um acontecimento estranho, na senda do que disse a Ana Bola

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    1. Eu ouvi as suas declarações à SIC Notícias. Disse que o Nicolau é daquelas pessoas às quais não admitimos a morte. Mas elas morrem.

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  2. Era um senhor do espectáculo. Ficámos mais pobres.

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    1. É... Vamos perdendo as referências.

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  3. Definitivamente um exemplo de simplicidade, essencialmente isso. E bondade, suponho! E estes são os exemplos que devemos reter, e sobretudo seguir, mais do que simples homenagens...

    Um abraço

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    1. Concordo plenamente. Pelo que consta, era um homem de trato fácil, generoso com os colegas, inclusive com os iniciantes. Sem vedetismos.

      um abraço, e obrigado, Daniel.

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  4. Mark, como ator era excelente, como pessoa não sei, mas o que é certo é que quando alguém parte desta vida, é vista quase sempre com outros olhos, como se a morte fosse algo que transcende qualquer tipo de defeito.

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    1. Sim, sim. A mãe reparou no mesmo. Morre-se, "vira-se santo". Bom, o Nicolau lá teria os seus defeitos, como todos; mas, a julgar pela unanimidade, eu diria que foi, à partida, uma pessoa revestida de alguma bonomia. Até uma das suas ex-mulheres, a Sofia Sá da Bandeira, aquela sobre quem se disse isto e aquilo, lhe dedicou um poema.

      E nunca se ouviu nada sobre o Nicolau. Deixou, se tanto, uma boa impressão no público e em quem com ele privou de perto.

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Um pouco da vossa magia... :)