8 de maio de 2014

A Queda do Império Romano e as suas consequências.


   O Império Romano surgiu com o fim da República, no século I a. C. As conquistas territoriais alcançadas por Roma, mais do que planeadas à exaustão, resultaram de felizes acasos. Os romanos não tinham consciência do importante papel que desempenhavam até às guerras com Cartago, entre 264 e 146 a. C., quando Roma se torna a senhora do Mediterrâneo ocidental. O objectivo, posto isto, direccionou-se para o Mediterrâneo oriental. Um dos grandes trunfos de Roma residiu, primordialmente, na generosidade das suas leis que previam a extensão da cidadania romana aos outros povos do Império, conferindo-lhes assim um sentimento de lealdade e de pertença. Aos poucos, esta realidade foi se estendendo a todas as partes do território do grandioso império. Aliás, o Império Romano foi original ao se expandir primeiro e só depois se organizar politicamente. Concediam a sua cidadania consoante  o grau de aceitação e integração dos novos espaços no seio do império. A palavra "império" deriva da congénere latina imperium, que designava o poder supremo de comandar o exército e administrar a justiça. Durante a vigência da República, esse poder era confiado pelo Senado a um magistrado, por seis meses, de modo a que resolvesse graves crises políticas ou guerras internas, civis. Daí se explica que Júlio César tenha atingindo uma enorme importância, abrindo portas a que o seu sobrinho, Octávio César Augusto, se tornasse o primeiro imperador de facto.

   A ordenação do espaço imperial é feita através do modelo urbanístico. Com as necessidades que surgiam pelo facto de ser a capital de um império, Roma cresceu e tornou-se urgente adaptá-la às novas circunstâncias, reformando-se os templos, os fóruns, os locais de lazer. No apogeu, Roma chegou a ter um milhão de habitantes, o que, com a queda do Império, só aconteceria de novo no século XIX, com a Revolução Industrial e a importância de Londres. Problemas de abastecimento de água, de construção de vias, de esgotos, são prontamente resolvidos pelos romanos. Roma torna-se, com efeito, na primeira cidade cosmopolita global, exportando o seu modelo para as restantes cidades imperiais que se espelham no seu sucesso e procuram imitar.
  Para manter e unir o Império, a construção de vias calcetadas foi uma prioridade, trazendo mais-valias económicas, simplificando as trocas comerciais e permitindo uma melhor circulação do exército e dos delegados que transmitiam as ordens do imperador. Augusto, percebendo estas vantagens, aposta no crescimento da rede viária, procedendo ainda à ordenação do território, sujeitando as províncias de mais difícil obediência a si mesmo - as províncias imperais - que requeriam a permanência do exército. Uma dessas províncias era a Lusitânia. As pacificadas são entregues ao Senado, que progressivamente vai perdendo o seu ascendente no exército. Octávio fez questão de manter as instituições republicanas, dando-lhes, porém, um modo mais eficaz de governação - surge o Principado. Augusto obteve assim o que Júlio César sempre quis mas não conseguiu - autoridade suprema. Augusto torna-se o Princeps Senatus, podendo convocar o Senado e vetar as suas leis. Tem a tribunicia potestas, que torna a sua pessoa sagrada e inviolável, e a auctoritas, que lhe permite convocar Comícios, anular decisões do Senado e propor novas leis.

   Roma atingiu tal grau de sucesso e ventura graças à eficácia do disciplinado exército, sem dúvida (que propiciaria a queda, séculos depois...), mas também devido às oportunidades que cada povo subjugado percebeu que teria ao sujeitar-se a Roma. Os romanos foram pioneiros com o seu direito codificado, lógico, formal. Duas auras sagradas eram objecto de culto: a cidade-mãe e o próprio Imperador (o carácter sagrado do imperador vivo era algo estranho aos romanos; foi importado pelos políticos romanos das realidades persa e egípcia, sobretudo). A extensão da cidadania, gradualmente concedida, foi outro dos factores que explicam a aventura bem sucedida de Roma - a romanização. A cidadania plena permitia participar na vida política, quer através dos diversos cargos públicos, quer através das magistraturas, somando-se vantagens de cariz fiscal (adquirir e alienar bens), a capacidade de ser sujeito de direito privado e, assim, apresentar-se em juízo, evitando as penas mais degradantes como a crucificação, e ainda o acesso ao casamento. Já na nossa era, em 212 d. C., o imperador Caracala concede a cidadania a todos os homens livres do Império.

  Os romanos foram sensíveis a outras culturas. Não podemos falar de total originalidade. Dos etruscos, herdaram as suas ideias de urbanismo, o célebre arco de volta perfeita, o realismo das suas esculturas; dos gregos, os modelos literários, a filosofia, os deuses, os ideais estéticos, o racionalismo; do Oriente, onde entraram, o luxo, a monumentalidade e até mesmo o Cristianismo. A construção de estradas permitiu divulgar o modo de vida romano, o latim, o direito e os seus valores, que os soldados levavam por todos os perímetros do gigantesco espaço imperial. A assimilação do mundo grego, a principal fonte de inspiração dos romanos, é facilitada pelos escravos gregos que desempenhavam o papel de pedagogos das crianças das famílias com mais posses. Houve uma helenização das elites, que não tinham quaisquer problemas em entender o grego antigo.
   Eram pragmáticos, o que é visível nas suas pontes, aquedutos e vias terrestres. Criaram redes de esgotos e de abastecimento de água, canalizada nas domus (casas da elite), que dispunham de latrinas privadas. Gostavam de termas e de espectáculos, dos quais é testemunha o que ainda resta do Coliseu de Roma. Teatros, anfiteatros, circos e estádios eram comuns. Uma das suas preocupações incidia ainda na uniformização da rede escolar. Os vários imperadores foram exigindo que todos os municípios e cidades providenciassem escolas e professores. Daqui se afere a importância da literatura na sociedade romana.


  Como todos os impérios, Roma haveria de cair. O Cristianismo tem sido apontado como um dos factores determinantes na queda do maravilhoso Império Romano. A palavra de Cristo, na acção evangelizadora de S. Paulo, defendia que o Homem foi criado à imagem e semelhança de Deus Único, Pai, Criador de toda a alma vivente, o que era incompatível com a mística sagrada e adorada dos imperadores. Mais. A palavra de Jesus chegou a todos que se sentiam oprimidos. Eles existiam e eram importantes aos olhos do Pai. A esperança na vida eterna alimentou o desejo dos mais desfavorecidos e dos escravos a um tratamento igualitário e justo. As vias romanas, bem apetrechadas, ajudariam na difusão das palavras dos apóstolos. O Cristianismo difundiu-se de tal modo que, paulatinamente, chegou à elite e se apoderou do Império, a ponto de os imperadores se converterem. Era o princípio do fim. No ano 330, Constantino transferiu a capital do Império para Constantinopla. A parte ocidental do Império fica vulnerável e desprotegida. Após o Édito de Milão, que concedera liberdade religiosa aos cristãos, em 313, Teodósio I oficializa o Cristianismo como religião oficial, já no ano de 391. Quatro anos depois, não conseguindo administrar tão grande império, divide-o em dois pelos seus dois filhos: Honório com o Império Romano do Ocidente; Arcádio com o Império Romano do Oriente. Em 476, a parte ocidental cairia com a tomada de Roma pelos bárbaros Ostrogodos. Ainda assim, cada rei bárbaro que se apossava de pedaços do extinto Império Romano do Ocidente haveria de se converter ao Cristianismo. Resultava a Igreja como única representante e entidade sobrevivente da ordem romana deposta.

   Com o fim da Antiguidade Clássica, assistiríamos ao desmembramento das instituições romanas. A sociedade antiga desagregou-se, formando-se o sistema feudal sob a tutela da omnipresente Igreja Católica. Dá-se a ruralização. As cidades decrescem quase ao ponto de desaparecerem. A sociedade divide-se tripartidamente entre nobreza, clero e povo. O espaço uno, com boas vias de comunicação, estradas, comércio dinâmico, dá lugar a uma miríade de entidades políticas que se guerreiam entre si. Os hábitos de higiene e de culto do corpo são terminantemente proibidos pela moral cristã, favorecendo o aparecimento de graves epidemias que serão frequentes ao longo de toda a Idade Média, a verdadeira Idade das Trevas, tempo de gárgulas e animais assustadores que povoavam o imaginário colectivo, de superstições alimentadas pela Igreja. Um retrocesso histórico-cultural.

   Os historiadores não são unânimes quando se referem a este período da história mundial. Há quem defenda a Idade Média, encontrando-lhe benefícios. Houve avanços, seguramente, o Homem tende à evolução, mas o embate fortíssimo da queda de Roma verificar-se-ia por séculos. Parece-me que se perdeu imensuravelmente mais do que se ganhou. Imaginar o que teria sido caso Roma se mantivesse ad aeternum é um puro juízo hipotético. Suponho que estaríamos melhor. O hiato de mil anos ou mais atrasou o desenvolvimento da humanidade. Só na Idade Moderna, com o Renascimento, começaríamos a vislumbrar alguma luz, ténue. Muito ainda se teria de percorrer até chegarmos à Revolução Industrial que, efectivamente, iniciaria uma nova página, não esquecendo a Glorious Revolution (1688), a Revolução Francesa (1789) e a Independência dos Estados Unidos da América (1776) como ponto de partida para o que temos hoje.

   Facilmente se constata de que teríamos chegado ao Novo Mundo muito antes do século XV. A Europa estaria unida numa única realidade política, talvez com a mesma língua. As inovações tecnológicas teriam surgido mais cedo. Veneraríamos uma imensidão de deuses. A homossexualidade não teria sido punida. Não saberíamos o que foi a Inquisição, tampouco o que é a missa e os sacramentos cristãos. A moral religiosa não teria toldado o espírito dos homens. Não nos esqueçamos, contudo, de que os romanos escravizavam, inferiorizavam a mulher, faziam guerras. Mas isso está na essência humana (ainda bem que Rousseau que não me lê).

    Está em causa se ganhámos com o aparecimento de Cristo ou se, por sua vez, perdemos. Um misto de ambos, quem sabe. Pudéssemos fazer a História de "ses".

26 comentários:

  1. Muito interessante. Eu acredito em Deus e em Jesus, daí que eu acho que foi bom pra humanidade que ele tivesse aparecido na Terra. Deus deu ao mundo seu filho pra nos salvar. Isso eu acredito. Depois o que fizeram com a palavra de Jesus que eu acho errado. Muito se matou com a palavra de Deus nas bocas, isso da Inquisição e as guerras religiosas que ainda hoje tem por aí, muçulmanos contra cristão, judeus contra muçulmanos etc.

    Abraços!

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    1. Convicções religiosas não se discutem. :)

      De facto, as guerras "santas" (que de santas têm pouco) são um dos males das religiões, sejam elas quais forem...

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  2. O legado do Império Romano é de uma vastidão incomparável. Tenho verdadeira paixão em assistir tudo relacionado a esta época.

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    1. Sim, é um legado que subsiste na nossa língua, cultura, direito, tanto aqui como no Brasil. :)

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  3. Uhauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

    Escreves maravilhosamente bem, que dá gosto o que se aprende :)

    Obrigado pelas tuas partilhas

    Abraço amigo

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    1. Obrigado, Francisco.

      Eu é que agradeço a tua atenção e as tuas palavras.

      um abraço!

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  4. Uma história feita de "ses" não seria apenas uma história. Se ganhámos mais do que perdemos ou se era inevitável escrever essa história, certamente que as opiniões se dividem, mas serão sempre "ses".

    Parabéns por mais este belíssimo post sr. Mark :)

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    1. Sim, e a História não se faz de "ses", se bem que pense muito em como estaríamos caso Roma não soçobrasse... Os romanos eram tão evoluídos. A Europa mergulhou no caos durante a Alta Idade Média. Só recuperaria muito, muito mais tarde.

      Obrigado, Sérgio. :)

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  5. excelente texto, como é hábito.
    a história uma paixão, o direito, um dever? estás a tempo de mudar :).
    bjs.

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    1. Vou tentar conjugar. História não dá segurança nenhuma. É um interesse e um hobby. Como futuro, não pode ser.

      beijinho, Margarida, e obrigado.

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  6. "Às coisas destes eu não ponho limites nem prazos: foi um império sem fim que lhes outorguei. E até a intratável Juno, que agora atormenta mares e céus e terras, modificará para melhor os seus desígnios, e juntamente comigo favorecerá os Romanos, senhores das coisas, gente togada. Assim achei por bem. Virá um tempo, com a passagem dos lustros, em que a casa de Assáraco reduzirá à servidão Ftia e a ilustre Micenas e dominará Argos vencida. De bela estirpe há-de nascer o troiano César, que delimiterá o seu poder com o Oceano, a sua fama com os astros, Júlio, nome tomado do grande Julo. Este hás-de tu acolher um dia no céu, tranquila, carregado com os despojos do Oriente; este será também invocado com votos. Então, postas de lado as guerras, se hão-de tornar brandos os ásperos séculos, a branca Fé, Vesta, Quirino com o irmão Remo ditarão a justiça. Serão fechadas as sinistras portas da guerra, férreas e de junturas solidamente apertadas. O ímpio Furor, sentado no interior sobre as armas cruéis e com as mãos amarradas atrás das costas por cem nós de bronze, estrebuchará, hórrido, com a boca a espumar sangue."

    Profecia de Júpiter, canto I da Eneida.

    Abraço :-)

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    1. Obrigado, Ine. Muito apropriado.

      um abraço. :)

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  7. Não tenho muito para comentar. Gostei bastante, e este é um dos períodos históricos que mais gosto. Sou latinista, e a cultura romana muito me diz.
    Não sei se conheces (ou se gostas do estilo), mas sugiro-te os romances históricos de João Aguiar "Voz dos Deuses" e "Hora de Sertório". Num deles, é abordada a questão da homossexualidade no Império Romano.

    *Um abraço :)

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    1. Nunca os li, mas já ouvi falar do autor. Obrigado, Horatius.

      Quanto a mim, pelo contrário, já é das eras que menos me diz. :) Não sou especialmente "chegado" à Antiguidade Clássica.

      um abraço e obrigado pela atenção. :)

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    2. Mark António Costa (para mim terás sempre este nome, por muito que não queiras!), não gostar de antiguidade clássica, sobretudo no que concerne a período romano, é um pecado quase mortal! LOL

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    3. Está à vontade. Nada contra o nome. Só que o "Costa" remete-me para o presidente da Câmara de Lisboa. Lol

      Pois é, mas realmente nunca liguei muito a este período, nem à Idade Média, embora goste substancialmente mais desta última. Prefiro as Idades Moderna e Contemporânea. :)

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    4. Sim, como és lisboeta como ele, combina bem o nome xD
      Também gosto de Idade Média, mas os romanos são um pratinho. Adoro!!!

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    5. Sim, sim, são interessantes de estudar. Foram uma sociedade importantíssima. Estão presentes em tudo. O legado é vasto e complexo. :)

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  8. Mais uma excelente lição de História! Darias um bom professor, não tenhas a menor dúvida, ahahah!

    =P

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    1. Não, não daria, João. Ser professor envolve um requisito essencial que me falta: vocação. Não teria paciência e nem jeito para ensinar. :)

      Acresce um pormenor: não queria nada ser professor em Portugal, terminando os meus dias numa qualquer escola ou colégio, a "aturar" a indisciplina de crianças e jovens a quem os pais não souberam educar.

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  9. Caramba, eu aqui escrevia quase um testamento...
    Primeiro porque adoro História e depois e principalmente porque de momento ando completamente entusiasmado com a História de Roma, com a leitura dos fabulosos livros sobre os "imperadores" do escritor Allan Massie.
    Ele escreveu sobre cinco pessoas: Júlio César, Marco António, Augusto, Tibério e Calígula.
    Há ainda um outro livro dele editado em português, mas no Brasil e que eu ainda não tenho que se chama "Os Herdeiros de Nero".
    Curiosamente e tendo comprado os livros dele todos na mesma altura na Feira do Livro de há dois anos, quando iniciei a sua leitura, foi com "Calígula", e depois numa sequência inversa, mas que tem o seu interesse, li sucessivamente "Tibério" e depois "Augusto". Claro que como leio bastante, não é meu hábito ler o mesmo autor sucessivamente, pelo que desde "Calígula" até hoje, já vão longos tempos...
    Mas, após a leitura de "Augusto", livro que Massie divide em duas partes distintas, a primeira começa com Augusto ainda Octaviano, com 19 anos e a sua vontade de ser herdeiro de César e termina com a morte de Marco António e Cleópatra; e a segunda, uma profunda reflexão do próprio sobre a sua ida, a sua acção, a sua família e o seu envelhecimento.
    Claro que a sua ligação com Marco António é tão importante que fui incapaz de criar um novo hiato e comecei de imediato a ler "António", a única personalidade sobre quem ele escreve, que na realidade nunca governou Roma, mas que a seguir ao assassinato de César teve um papel primordial nas guerras civis que se seguiram e principalmente até ao aparecimento de Octaviano. Eles tinham entre si uma relação de amor/ódio, (que nunca se provou ter sido também de carácter sexual quando Octaviano era muito jovem), e que se desenvolve paralelamente.
    É fascinante ver como Massie analisa em cada um dos dois livros a "versão" dos mesmos acontecimentos históricos vistos sob a óptica de cada um deles.
    Um dia se puderes lê estes livros.
    Depois faltar-me -há ler "César", não o primeiro imperador de Roma, já que como bem dizes o primeiro "princeps" foi Augusto, mas o primeiro "ditador" como ele era e a seu gosto conhecido.
    Tenho pena que Massie não tenha prosseguido com as vidas de Cláudio e Nero, pelo menos, mas sabendo-se do êxito do livro "Eu, Cláudio" de Robert Graves, percebe-se que seria uma concorrência difícil escrever sobre esse "incrível" imperador.
    E não sei como disse antes o que está nos "Herdeiros de Nero".
    Ainda de Massie, mas noutro contexto histórico gostei muito de "O Rei David".

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    1. Gosto mais das individualidades romanas em si do que propriamente da Antiguidade Clássica - Roma. A dinastia Júlio-Claudiana é a minha favorita, sobretudo por Tibério, Calígula e Nero, os dois últimos personagens muito controversas ao longo dos séculos. É difícil sabermos como realmente foram e agiram - os historiadores não eram imparciais e a distância temporal impossibilita uma análise verossímil.

      Marco António e Cleópatra são aquele casal romântico eternizado. Por cá temos Pedro I e Inês de Castro. Não sei se houve essa relação homossexual com Octaviano. É provável, já que a homossexualidade era bem tolerada na sociedade romana, embora houvesse aquela dicotomia activo - passivo, na moral, que se arrastou até hoje.

      Sim, Júlio César foi ditador, mas não tinha a conotação que a palavra ganhou com o tempo. Ditador, em Roma, era o magistrado que governava em condições excepcionais, tendo para isso amplos poderes.

      Não sabia da existência desses livros. Muitíssimo obrigado pela sugestão, João.

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  10. Sim, eu sei que o termo "ditador" na república romana não é o mesmo que agora significa, mas ainda bem que o explicaste totalmente.
    Olha, adquiri hoje mesmo o "Eu, Cláudio" do Robert Graves.

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    1. Esses livros que enumeraste devem ser interessantíssimos.

      Um reparo a mim mesmo: eu escrevi "verossímil" no anterior comentário como poderia ter escrito "verosímil". Ambos são aceites. "Verossímil" é mais frequente no Brasil e, por isso, devia ter optado pela forma comum em Portugal. Fica a advertência a mim mesmo para a próxima vez que empregar a tal palavra.

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  11. Adoro História, embora tenha um talento natural para a História de Arte, ou da Arquitectura especificamente. Adoro o período Romano, mas também confesso que tenho um carinho pela Idade Média, mais propriamente pelo Românico. Não sei, talvez apele ao meu lado mais romântico de donzelas salvas por cavaleiros. Ou talvez ainda, pelo misticismo, obscurantismo ou o secretismo com que se associa esta etapa da nossa história colectiva. Talvez por isso também, adore Óbidos porque me transporta para essa época medieval. Agora sobre os se's... pois bem, sabes Mark que quando vivemos de hipóteses, ou de formular conjecturas acabamos por cair no erro de pensar que as coisas seriam diferentes para melhor. Não sei se seriam. Talvez sim, ou talvez não. Ainda hoje, já somos tão evoluídos e já sabemos tanto, mas ainda assim temos atitudes como aquelas que a Rússia demonstra e providencia (perseguição à "comunidade LGBT") e a Nigéria que não tem pudor nenhum em matar, queimar pessoas "só" porque são gays. Obviamente que conheço muita gente e algumas correntes de pensamento que afirmam "que houve um enorme retrocesso civilizacional" com a entrada da idade média em cena, mas na nossa vida, já sabemos que por vezes temos que dar um passo atrás, para conseguirmos dar dois para a frente.

    Bom domingo e parabéns por este excelente texto. Foi um dos que mais gostei.

    Grande abraço

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    1. A Idade Média tem o seu interesse. O lado dos castelos é realmente mágico. :) Foi uma idade algo obscura. A Europa retrocedeu imenso, mas lá está, não sei até que ponto foi necessário recuar para poder avançar, bem visto, e já sabemos que as maiores inovações têm lugar em períodos de crise.

      A Rússia é um atraso. Sempre o foi. Nos inícios do século XX ainda vivia o absolutismo régio dos czares, já a maioria da Europa estava sob a égide de regimes liberais. A Nigéria é um país cheio de problemas. A par da comunidade LGBT, há uma enorme e flagrante intolerância religiosa entre cristãos e muçulmanos.

      Obrigado pela tua opinião, Namorado.

      um abraço grande!!

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Um pouco da vossa magia... :)