10 de agosto de 2010

Presença Ausente



Hoje, ao olhar para a janela, desejei que entrasses com toda a força dentro do meu mundo. Senti a falta da tua voz, como um pedaço de lembrança que se soltou do interior do meu ser. Conseguia escutar o som dos teus passos. Olhei para tudo o que estava ao meu redor como se fosse a última vez que visse as mesmas coisas, as mesmas cores; sentisse os mesmos cheiros, os mesmos odores do quotidiano. Pensei que vinhas libertar-me do meu mundo cristalino, mas, por vezes, sufocante. O dia ainda não tinha acabado. Havia tanto para viver e tantos raios de sol quente para desfrutarmos em cada centímetro da nossa pele... Chegarás amanhã?
Afinal, tudo não passou de uma doce ilusão. Estava no meu quarto. A meu lado, o mesmo caderno de apontamentos diversos, a mesma caneta de pompom vermelho e suave. Do outro lado da cama, as mesmas almofadas coloridas. O Simba fitava-me com o seu olhar de desilusão. O dono estava ali, despido dos seus sonhos e das suas vontades. Ah, como era bom se o pudesse personificar, dando-lhe um folêgo humano, tornando-o no meu melhor e mais fiel amigo. Sempre o tive sob uma visão antropomórfica. Porém, não passa de um leão fofo de pelúcia.
Adormeci de tarde. Adormeci demais. Perdi-me mais um pouco. Recuperei, despertei e vivi, para voltar a me perder novamente.

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