7 de agosto de 2011

My Prince.


Todas as crianças têm o seu imaginário povoado por histórias de encantar, contos e historietas que nos fazem sonhar e estimulam a nossa imaginação.
A minha infância foi cheia de livros coloridos e por colorir, dezenas de filmes de animação e histórias que o pai e a mãe me liam ao adormecer. Dormia, então, abraçado ao meu Simba e sonhava com cada parágrafo que me fora lido anteriormente. Passava os dias, no colégio, a aguardar o próximo capítulo, o desenvolvimento da história que ficara por concluir na noite anterior. Os dias ganhavam uma nova dimensão. Fantasiava com os heróis que conhecia e tentava encarnar as suas vidas e os seus papéis. Para além do gosto acrescido pela leitura, ter tido acesso ao direito de sonhar, direito inalienável de qualquer criança, levou-me a desenvolver capacidades que ficam adormecidas para sempre na vida de cada um. Uma criança que não é estimulada torna-se um adulto apático, vulgar e comum. Hoje, é raro o momento em que não estou a pensar em algo construtivo e criativo. Mil ideias viajam na minha cabeça e é-o assim desde a mais tenra idade.
Sonhava com os príncipes da Disney. Os heróis de cada filme, que no derradeiro momento colocariam o fim merecido ao vilão e desposariam a doce e amável princesa. Os meus príncipes favoritos eram o Eric, da A Pequena Sereia e o Filipe, da A Bela Adormecida, com uma acentuada preferência pelo Eric, não fosse a A Pequena Sereia o meu filme de animação preferido de todos os tempos. Gostava das características físicas do Filipe, mas sentia uma empatia pelo Eric. Sonhava, no fundo, que também eu poderia encontrar alguém assim, com as mesmas características, acreditando - inocente criança - que a vida se assemelha aos contos de fadas. Tudo me levou a procurar, já mais crescido, no básico e no secundário, alguém como os heróis com quem sonhava.
Aprendi que não existem. Vivem nas nossas cassetes e dvd's e, mais tarde, na nossa memória. Alguns conseguirão tornar as suas vidas o mais parecidas possíveis com um conto de fadas. Nem todos. Outros, terão de aguardar pelo melhor que já não vem, o real, quando a imagem se apaga e a vida regressa.

4 comentários:

  1. também vibrava com os desenhos animados da disney mas eu gostava mais do toy story, tarzan, hércules etc :D
    abc

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  2. Olá Mark;

    Quero te dizer que sou um leitor assíduo do teu blog e da tua escrita. É de salutar um miúdo como tu, e trato-te assim porque tens idade para ser meu filho, que passe tanta sensibilidade e emoções nas palavras que escreve. Mas gostava de te dizer que sinto uma tristeza nos teus textos, um sofrimento eu diria mesmo que escondido. O que escreves é triste, pesado e denso. Tudo acaba sempre com uma tristeza atroz. Isso faz-me encantar pela tua escrita e por ti.
    Não assino porque se o fizesse condicionava aquilo que escrevi e assim sinto-me mais à vontade para dizer o que me vai na alma.
    Um abraço deste leitor que te acompanhará sempre com atenção.

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  3. Mark,

    concordo com o Anónimo, salientando o quanto é bela essa mesma sensibilidade. Não deixes que a mesma, nas páginas da tua vida, seja violentada. Leio-te e há tanto de um passado meu...
    Mas os heróis existem. Quando consegues ajudar alguém em dificuldade foste um herói, por exemplo. E acredita que o prazer é grande.

    O pai... Estás muito pouco tempo com ele, não é verdade? Existem palavras por dizer... Há que quebrar o gelo. Força!

    Abraço.

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Um pouco da vossa magia... :)