11 de janeiro de 2011

Desassossego


Desde sábado que não tenho estado muito bem. Este caso do homicídio do Carlos Castro marcou-me imenso. Eu já sou muito sensível a situações análogas, embora os contornos macabros do crime tenham sido decisivos para o meu estado actual. Volta e meia, o caso surge-me no pensamento: estou a estudar, lembro-me; estou a comer, lembro-me; estou a falar com alguém, lembro-me.
Há várias coisas que continuam por esclarecer. O que terá levado aquele rapaz com cara de ingénuo a assassinar cruelmente um homem idoso? Sim, idoso (relembro que tinha sessenta e cinco anos, o que no nosso quadro legal corresponde ao início da terceira idade). Mesmo que tenha sido aliciado pelo Carlos com promessas de mundos e fundos, não há nada, relembro, nada, que justifique um homicídio, salvo o caso de legítima defesa contemplado na lei portuguesa e, creio, norte-americana.
Outra questão: é gay, não é gay? Parece-me relevante. Segundo o que ouvi, a amputação do membro sexual de alguém revela repugnância por um acto de cariz sexual praticado. O furar a vista poderá significar o querer cegar alguém devido ao facto de saber de uma possível relação homossexual entre ambos, neste caso, a própria vítima.
Da parte da família e dos amigos do indivíduo, sinto uma preocupação em limpar a sua imagem de uma possível homossexualidade. Desde o padre que fala, passando pelo treinador da equipa de basquetebol que, veja-se!, disse que o rapaz é heterossexual porque, e passo a citar, "envolveu-se com duas raparigas em cinco dias". Se o caso não fosse tão grave, eu dava uma risada. O senhor deve desconhecer a bissexualidade ou até mesmo o armário!... Terra pequena, todos se conhecem, qual seria a melhor opção? Compreendo que a família o defenda. Se fosse o meu irmão, defendê-lo-ia até morrer, mas a populaça? Haja paciência! Foi um ser humano que sucumbiu a uma hora de tortura, um portátil na cabeça, órgãos sexuais amputados e um olho furado!
As recentes declarações do rapaz em sua defesa não me merecem qualquer comentário. Fica à consciência de cada um.
Espero que a justiça americana seja célere como é hábito e que julgue equitativamente este caso, não caindo na vergonha que é a justiça portuguesa.
Em relação ao Carlos, mais uma vez, tenho uma imensa pena do homem, fosse o que fosse ou tivesse a língua que tivesse. Não consigo imaginar o sofrimento daquele ser humano.
O caso mexeu comigo e, pese embora o facto de ser macabro, a imaginação humana é fértil e esta história dará, com toda a certeza, um bom livro ou um bom filme. Deixemos isso nos E.U.A, que eles são especialistas.
Espero recuperar nos próximos dias. Eu sinto-me bem e isto não é uma novidade em mim. Quando a Amália morreu era pequenino e lembro-me de matutar na sua morte durante mais de uma semana. Sucedeu o mesmo com o Michael Jackson.
Sou mesmo assim.

5 comentários:

  1. Confesso que violencia me assusta mto...
    Me sinto inseguro, mas... é a vida
    Abraços

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  2. Embora seja lícito à família tentar tudo para diminuir a sua culpabilidade, há coisas que não encaixam de maneira nenhuma e algumas perfeitamente ridículas, como é o caso da missa com vigília...
    E gostei de ouvir na TV, à partida para NY do seu amigo Cláudio Montez, que conheço pessoalmente e que foi acompanhar as duas irmãs de CC, para, se tiverem dúvidas sobre o romance entre os dois, para verificarem o computador e o telemóvel do CC pois aí estarão provas do envolvimento entre os dois.
    Enfim, deixemos-nos de hipocrisias!

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  3. Eu por acaso custou-me mais ver aquele animal/monstro que começou a ser julgado ontem que matou a pancada um bebe de 6 meses que era SÓ o seu filho. Mas isso sou eu...

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  4. O Carlos Castro cometeu um erro quando acolheu aquele rapaz e acho que no fundo ele sabia que o rapaz só estava com ele por interesse. Enfim, é uma lição que fica.

    Não penses mais nisso. Abraço

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  5. Ro Fers: Portugal está cada vez mais inseguro...

    Pinguim: Sim, a vigília e o apoio da Igreja é mais do que ridículo: é imoral. Apoiar um alegado homicida? Enfim...
    Sim, soube que o Cláudio Montez até pretende pedir uma autorização para falar com o indivíduo. Quer vê-lo cara a cara. É de homem!

    Fernanda: Tudo nos escandaliza, mas este caso chocou-me particularmente. As nossas emoções não têm explicação.

    Francisco: Sim, ele permitiu que tudo terminasse assim, infelizmente.
    Obrigado pelo conselho. És um querido. :)

    lots of love para todos ^^

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