31 de outubro de 2017

Catalunya, once again.


   Longe de estar encerrado, o capítulo Catalunha continua a merecer a nossa atenção. Eu, como todos os jovens da minha geração, não tive lutas. Os nossos pais tiveram-nas: o 25 de Abril, a Guerra do Vietname, a independência de Timor... Sempre senti esse vácuo. A necessidade de um combate político. Recordo-me, em adolescente, de adoptar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo como uma causa, mas perdi os anos de combatividade acesa. O instituto haveria de ser aprovado pelo parlamento, em 2010.

   Vi no processo independentista catalão uma oportunidade de dar sentido a uma juventude fútil. Quis ver nascer um novo país. Pareceu-me que quem defendia acerrimamente a autodeterminação dos povos não poderia ficar indiferente aos anseios catalães. Mas uns houve que só viram a autodeterminação pela metade, talvez temendo um processo semelhante ao da Jugoslávia, quando a Carta das Nações Unidas, quando a prevê, não faz distinção entre povos subjugados. Como se os povos africanos, nomeadamente, merecessem mais a liberdade. Alguma incoerência, submissão a Espanha e manifesta má vontade com a causa catalã.

   A Europa,  pelo efeito-contágio expectável, apressou-se em não reconhecer a independência da Catalunha, declarada há poucos dias. O Governo espanhol fez circular uma minuta pelos países amigos, para que todos repudiassem o golpe dos revoltosos. A aplicação do artigo 155, a sujeição das instituições catalães ao governo central e a convocação de novas eleições, para finais de Dezembro, fazem crer que o pior já passou. Com o afastamento de Puigdemont, que provavelmente quererá evitar mais confrontos, Madrid tem o caminho livre para impor a sua ordem constitucional.


   Continuo a não acreditar na passividade dos catalães que querem poder decidir o seu futuro. Tão-pouco acredito nas manifestações pela união, fomentadas por Madrid com espanhóis de todo o país fazendo-se passar por catalães. Não será a Constituição espanhola a segurar a obstinação daquele povo, se essa for a sua vontade maioritária.

6 comentários:

  1. Estou aqui em dúvida se esta é a vontade da maioria dos Catalães.

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    1. Pelo que li, a sociedade catalã está dividida.

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  2. Não sei, Mark. Este assunto tem sido tratado pelas partes de uma forma ligeira. É pah, organizem-se, porque já não há paciência.

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    1. Não acho que tenham sido assim tão ligeiros. Os independentistas ousaram, e Madrid também não esteve com meias medidas. Mas concordo: organizem-se (se for para o lado da independência da Catalunha, melhor).

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