17 de agosto de 2015

Neblina.


     Nada como a tempestade para nos fazer sentir pequenos. Metaforicamente. O desconforto interior, os anseios de vaidade. De que discurso superior vale? Dura realidade. O trilhar em direcção ao vazio, observando quem vem e vai em percursos rotineiros, certeiros, verdadeiros. Quem sou, para onde vou, como estou. Quem me quis, quem me diz o que fiz.

     Mamã, conforta que o mundo é mau. Ela sabe. A manhã dói, a dor maior, que a tarde traz o sol que aquece a pele, negrume corrói. Perdi-me de mim, dos sonhos que não vivi, feitos de cetim, da cor de carmim. Que aroma a alecrim!

    Se um dia cá voltasse, reescreveria as linhas do tempo. Dir-lhes-ia o momento, construiria cada fragmento, contornaria o mal por dentro. Sair-me-ia bem em tudo quanto fizesse, assim o quisesse. Alegria que nunca aparece.

        Sorriria todos os dias, se Mo permitirias. Correria pelo prado, oh meu triste fado!, que ser inacabado.

        E a ilusão dissipou-se no ar. Acordem-me quando ela voltar.

16 comentários:

  1. Bem, que texto tão profundo e tão poético! ^^
    Por mais que nos custe, viver em ilusões só nos faz mal. é preferível acordamos para a dura realidade e seguirmos em frente, do que vivermos num paraíso ilusório. Dói, mas à medida que avançamos, a dor vai diminuindo até desaparecer completamente. Ou pelo menos até deixar de ter a importância que tinha inicialmente.

    Um grande e forte abraço, meu querido. Já sabes que se precisares de alguma, coisa, eu estou sempre à distância de um monitor, telm, etc.

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    1. Digamos que não há nada que faça esquecer o quão de trágico tem a vida. É tão... injusto.

      um abraço, Mikel, e um beijinho para a senhora tua avó.

      Obrigado!

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  2. Que beleza ... puro lirismo com grande profundidade e sabedoria ...

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  3. Gostei. Bem bonito seu texto. Poético. Não conhecia esse seu lado :)

    Abraços!

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    1. Como diria Nietzsche: «É preciso muito caos interior para parir uma estrela que dança.»

      Ficou como ficou.

      Obrigado, Ty. abraço!

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  4. Não sabia que tinhas dotes de poeta, Mark. Que agradável surpresa, que belo texto!

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    1. Dote algum. Os poetas sentir-se-iam ofendidos. :) Mas muito obrigado, Goody.

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  5. Adorei o texto! E com o português com "sotaque" de Portugal, se assim posso dizer, ficou melhor ainda... Rs

    Abraço!

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  6. Mark eu gosto da neblina, não apenas porque é fresca e dá lugar a um outro "estado" mas porque é apenas uma fase, pois ninguém vive totalmente sob o efeito dela :D

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  7. Gostei muito deste teu texto :) e escreveste versos giros... Estás a ficar poeta :)

    Grande abraço amigo

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    1. Obrigado, amigo.

      um abraço grande. :)

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Um pouco da vossa magia... :)