2 de outubro de 2014

Aulas.


     Tive a minha primeira aula de mestrado na segunda-feira. À noite. O entusiasmo não encontrou onde se instalar em mim. Entrei naquela faculdade há quatro anos e ainda por lá estou, embora numa nova fase. Os professores dizem que somos todos colegas, os emails da faculdade e as cartas que recebo já trazem o Drº atrás. Algo mudou. Não necessariamente para melhor.

   Divido o espaço com poucas pessoas conhecidas. Conheço um por outro. O número de mestrandos é limitadíssimo por turma. Como sempre, sento-me no meu lugar e presto atenção às aulas. A avaliação é substancialmente diferente. Assenta, sobretudo, em exposições orais e trabalhos escritos, vulgo relatórios. Ora, eu não me sinto à vontade para participar em debates. Não que seja tímido. Sou reservado.
     Estas são as regras do jogo. Para me sair bem, tenho de aderir e cumpri-las. Assim será.

     O horário não é tão agradável quanto pensava. Haverá dias em que sairei depois da hora de jantar. Pela noite, tenhamos ou não uma actividade diária, é natural que o corpo se ressinta, que o cansaço surja. Por volta das vinte, só quero estar em casa, encostar-me na poltrona a ler ou a escrever, ao meu ritmo. Daí que o costume de esfregar os olhos feito um bebé, que não perdi, se tenha acentuado. Estar no mestrado tem as suas vantagens. Só me permito escrever o que me apetece e, é raro, às vezes falto a algumas aulas. Sou um homem, não sou mais um menino que precisa da matéria para os testes.

   Entretanto, há quem utilize as aulas para olhar para os colegas do lado, como um indivíduo que está permanentemente de olhar fixo em mim. Consigo senti-lo. E mesmo que já o tenha enfrentado com a minha expressão número cinco de desconforto, o rapaz insiste. É tão patético, com uma pastinha que o meu pai não usaria (creio que nem o avô!) e um blazer azul céu (?), completando o quadro deprimente. Nem abordo a camisa azul-escuro com bolinhas (?). Não é feio, mas é atrevido, e eu eu não gosto de gente atrevida que não se sabe impor limites. E odeio que façam da faculdade um bar barato de promiscuidade (mal) dissimulada. Só me faltava isto!...

      O regresso a uma rotina (de um ano apenas...). O segundo diz respeito à dissertação. A seu tempo.

18 comentários:

  1. Não me leves a mal, mas tive que sorrir com essa tua descrição de assédio sexual em tons de azul...
    Não sejas tão formal; isso não quer dizer que dês o "troco" desejado, mas afinal até faz bem ao ego.

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    1. Não me faz nada ao ego, João, além de me incomodar...

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  2. Que bom que começou as aulas! Eu lembro de você falar que estava entediado de ficar sem fazer nada :)
    Como é o mestrado aí? E por quê de noite?
    KKKKK ah deixa o cara. Ele gostou de você :D

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    1. O mestrado tem aulas diferentes das aulas de licenciatura. A duração de cada bloco lectivo é maior e não é todos os dias. Envolve muita participação oral e a elaboração de trabalhos. São dois anos: um de aprendizagem e outro de preparação da tese. :)

      À noite porque a maior parte das pessoas começa a trabalhar, então, é compreensível que seja em horário pós-laboral. :)

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  3. Bom regresso às aulas e que seja um ano lectivo com muitas coisas boas :)

    Abraço amigo

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    1. Obrigado, Francisco.

      um abraço. :)

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  4. aulas à noite é um universo diferente. para quem trabalha de dia e tem uma rotina, à hora do jantar, o corpo ressente-se. terás de te habituar.
    quanto a esse teu colega, não ligues. essa descrição não é muito abonatória dele, talvez se ele se vestisse de outra forma... :) estou a brincar. ele também está no mestrado - a embalagem não faz o conteúdo :) - é porque o mereceu. mas se ele não te agrada, finge que não o vês.
    bjs.

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    1. Posso estar enganado, mas o sujeito parece-me um pedante (não que eu não o seja em certa medida; ele aparenta ser "insuportavelmente" insuportável).

      À noite é cansativo.

      Ele é muito atrevido. Olha, e olha, e olha... Eu sinto-o. Sei lá, podia ser um nadinha mais discreto. Não que eu esteja disponível seja lá para o que for.

      um beijinho, Margarida.

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  5. como é que sabes que ele olha para ti? olhas para ele, não? coitado do rapaz..

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    1. Pois, também. Já ouviu falar em visão periférica? Então, dê uma "checada". :)

      Coitado? Coitado de mim. :'(

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  6. Mark a espalhar magia na faculdade :D
    Olha, só para dizer que sempre achei essa coisa do "Dr." e dos títulos bastante pedante, usando uma expressão tua...

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    1. É... em Portugal, o grau académico é usado quase como um título nobiliárquico, muito diferente do que se passa nos países anglo-saxónicos. Diferente até da realidade da nossa vizinha Espanha.

      ... eu diria a espalhar mel para esta abelha feroz. Que pretendo substituir por repelente. ;)

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  7. Boa sorte para as aulas, Mark ;)

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  8. O mestrado marca sempre uma grande ruptura com a licenciatura, o modelo de ensino é normalmente diferente, os colegas são por vezes mais velhos, o horário é habitualmente pós-laboral... é apenas um ano, vai passar mais rápido do que os olhares indiscretos do teu colega. ;)

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    1. O mestrado profissionalizante é menos diferente, uma vez que também tens provas de avaliação. Este é que, de facto, nem testes tem.

      Humm, esse. Agora olha menos. Pudera! Mostrei todo o meu desconforto.

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  9. Tens que aprender também a relaxar também Mark, a vida não é assim tão séria :) Ou melhor não pode ser, porque é demasiado curta! Conselho aqui do "atrevido"! LOL

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    1. Eu sou sério q.b. Sou reservado, eu diria. :)

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Um pouco da vossa magia... :)