14 de novembro de 2017

No Panteão.


   Sendo sincero, não imaginava que o Panteão pudesse ser arrendado, e chegam ao cúmulo de especificar partes do monumento e respectivos preços. Quem sabe se o fundador da Web Summit tem razão e é um problema cultural? Problema ou não, um panteão não é o local mais apropriado para se organizar jantares. É um monumento fúnebre, que encerra os grandes vultos nacionais. Exige-se o mínimo de respeito. A foto das mesas corridas entre os cenotáfios provoca aqui qualquer reacçãozinha de desaprovação e desagrado. É de mau gosto. Se querem jantar num local imponente, arrendem uma sala de jantar de um palácio. E temos tantos e tão bonitos.

    Não está tanto em causa apurar os responsáveis. Sê-lo-ão o anterior executivo, que emitiu o despacho que permite estas jantaradas, e a actual Direcção-Geral do Património Cultural que, podendo recusá-los, permitiu-os. A DGPC está sob tutela do Ministério da Cultura, que não revogou ou alterou o despacho (o Governo é o órgão superior da Administração Pública, por imperativo constitucional, da qual a DGPC faz parte). E há registos de jantares em 2013, quando Costa era presidente da Câmara Municipal de Lisboa, aparentemente sem conhecimento deste. Em suma, queremos saber o que o Estado - porque falamos de organismos estatais e de pessoas que ocupam cargos públicos - pensa sobre o respeito devido aos nossos mortos.

    Creio que o assunto tem mais do que dignidade para ser tratado aqui. Agora, todos se indignam e consideram ofensivo. E como sempre, em Portugal, apressamo-nos, mui diligentemente, a alterar esta lei, regulamento ou portaria depois das polémicas. Se não tivesse este mediatismo, estimulado pelas fotos e vídeos postos a circular, as jantaradas na Igreja de Santa Engrácia continuariam, entre os túmulos e os cenotáfios, profanando-se a memória dos nossos antepassados históricos.


E por falar em jantar, se ainda não decidiu, tem até ao dia 2 de Dezembro para o fazer. Pode participar no nosso jantar de Natal, seguindo esta hiperligação ou clicando no gadget do lado direito do ecrã. Terá lugar num espaço acolhedor, com bom ambiente e rodeado de gente viva e simpática!

6 comentários:

  1. Já não há paciência para este tema amigo :(

    Abraço amigo

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  2. Este mundo de hoje é simplesmente inacreditável ... enfim ...

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    1. Como dizemos em Portugal, só me falta ver um burro andar de bicicleta.

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  3. O que me custa nesta "estória" é que só agora é que as coisas tenham vindo a público.
    Se não tivessem, será que esta situação continuaria a ser olhada com "coisa de fino e bom recortado gosto"? Degustar belos consommés ou um "vol-au-vent" à sombra de um Garret, de um Arriaga ou de uma Sophia? Será que necessitarão desta parafernália para se excitarem? Realmente há gente para tudo, mas para dar resposta a esta última situação há tanta escolha hoje em dia, basta consultar os locais adequados e, seguramente, não seria necessário insultar o povo desta nação ao "dessacralizar" o espaço daqueles que foram escolhidos como eleitos pelo seu valor.
    Será que os responsáveis pela gestão, quer dos espaços quer do património, ainda não se tinham apercebido do mau gosto e do absurdo da situação.
    O problema está sobretudo na cultura e educação (quero dizer, na falta delas) dos arrivistas que chegaram ao poder com uma mão na frente e outra atrás, gulosos, cheios de cupidez, ufanos da posição que ocupam, e que se permitem este tipo de atuação, abandonando o cargo com bolsos bem recheados (esta classe política serve-se, não serve) e, ao que parece, de consciência tranquila de boa tarefa cumprida - aí chega a falta de civismo e de padrões de comportamento desta sociedade que a minha geração permitiu que se desenvolvesse- "mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa".
    Estas situações, segundo quaisquer padrões de respeito e bom gosto, deveriam ser consideradas tão anormais e de mau gosto que nem legislação deveria ser necessária para a regulamentar, mas parece que eles, os responsáveis, saem debaixo das pedras, nascem quais cogumelos neste campo mal amanhado da política, sem qualquer sentido de decoro e ideia do que deveria ser ou não admissível. E a situação está longe de ter chegado ao fim ... parece que é só o início.
    Um bom final de semana
    Manel

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  4. Concordo com o Francisco. O Governo já tomou uma decisão: não se irá repetir. Para mim é o que basta. Enquanto se discute e se faz piadas parvas sobre o assunto, aumentam os combustíveis, as portagens, os impostos e o povo prefere discutir os disparates.

    Abraço cordial

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