16 de setembro de 2026

Tenerife.

    

   Voltei. Foram dez dias muito bem aproveitados. Quem me conhece através daquilo que escrevo, sabe que eu programo o plano de férias antes de elas ocorrerem. Não vou às escuras, à aventura, nem seria capaz. Naturalmente, posso fazer pequenos ajustes ou descobrir outra actividade para encaixar nos dias que tenho disponíveis, alterando o programa, antecipando ou atrasando passeios e visitas, mas acabo por fazer tudo o que programei e, geralmente, ainda algo mais. Nas férias de Verão (porque eu e o meu marido dividimos as férias em quinze dias no Verão e quinze dias no Inverno), procuro fazer praia (uns dias bastam), conhecer vilas e lugares interessantes na região e, havendo, algo cultural ou diferente. Desta vez, em Tenerife, fizemos quatro dias de praia (não necessito mais), conhecemos as vilas mais interessantes da ilha (La Laguna, La Orotava, Garachico e Icod de los Vinos), uma excursão de barco, visitámos o Teide -o ponto mais alto de Espanha e o terceiro maior vulcão do mundo- e acrescentámos uma actividade nova no último dia, para aproveitar o dia de regresso, uma vez que o vôo era às 20h, logo, tínhamos todo o dia para desfrutar: fomos ao Loro Parque, um dos maiores zoológicos do mundo.

    O Teide é obrigatório. Ir a Tenerife sem ir ao Teide parece-me uma oportunidade desperdiçada. Não recomendo uma excursão paga com a Volcano Teide porque, no nosso caso, foi dinheiro deitado fora. A parte mais didáctica, por assim dizer, ficou aquém das minhas expectativas, e o teleférico não lhes recomendo de todo; embora devolvam o dinheiro, a possibilidade de que esteja fechado é bastante elevada (segundo dizem, por questões de segurança - para eles, quatro gotas e um ventinho representam uma tempestade e uma ameaça terríveis). Isto, claro, se comprarem os bilhetes com antecedência. 


O Teide


     A excursão de barco vale a pena, uma vez que a costa da ilha é bonita. O Alcantilado de Los Gigantes, a baía das Mascas, talvez um mergulho (que não fizemos). No nosso caso, foi uma oportunidade diferente, mas recomendo-lhes algo minimalista (um iate com 20 pessoas, no máximo), senão torna-se massificado e stressante.


O Alcantilado de Los Gigantes


    O Loro Parque, “descobri-o” pesquisando na internet, por forma a preencher as últimas horas. Há anos que não ia a um zoológico. Passámos ali o dia, até que chegasse a hora do vôo. Diverti-me. A priori, não apoio a existência de zoológicos; não me parece correcto que tenhamos animais expostos para deleite humano, no entanto, eles fazem um trabalho de conservação de espécies ameaçadas que me parece realmente importante. Por outro lado, se os animais dispõem de espaço suficiente e são bem tratados, talvez não seja assim tão negativo, embora, repito, defenda e acredite que o melhor para qualquer animal selvagem é estar no seu habitat. Adorei a parte dos animas aquáticos, peixes e cetáceos, e dos espectáculos com orcas, golfinhos e leões marinhos. O parque é grande, e mesmo com um mapa facilmente deixamos escapar alguma espécie. Reservem umas cinco horas, no mínimo, para ver tudo com a calma que o recinto merece.



    Relativamente às vilas, La Laguna e Garachico (a última, Património da Humanidade pela UNESCO) são imprescindíveis. La Orotava também, de certa forma, se tiverem tempo, e Icod de Los Vinos sobretudo pelo drago (em português, dragoeiro ou sangue-de-dragão) centenário, que tem perto de mil anos e está num parque natural, e cuja entrada é bastante simbólica.


O drago com perto de mil anos


La Orotava


La Laguna

     

    Recomendações finais: a ilha é grande, pelo que recomendo -vivamente- que aluguem um carro, o que fizemos, mas tenham cuidado com as estradas: há muitas curvas, estradas em mau estado e gente bastante imprudente a conduzir. Em Fuerteventura, a nossa viagem do ano passado, encontrámos estradas ainda piores. Tenerife e a Gran Canaria estão mais massificadas pelo turismo. A última recomendação diz respeito à escolha do local de alojamento: o norte de Tenerife é mais fresco, com manhãs de névoa, bastante vegetação e muito mais tranquilo; o sul, pelo contrário, tem dias de sol forte, é um destino de praia e praticamente não tem vegetação, portanto, dependendo do que procuram, uma estadia mais de senderismo e montanha ou praia e vida nocturna, têm o norte e o sul, sempre com a possibilidade, com carro, de atravessar a ilha e usufruir de outras paragens. No nosso caso, por mim (porque o meu marido não gosta de praia), ficámos no sul, mas fomos ao norte quando quisemos. Do norte ao sul, por auto estrada, são cento e poucos quilómetros. Deixo-lhes algumas fotos. E com esta viagem, encerramos as quatro grande ilhas das Canárias: Gran Canaria, Lanzarote, Fuerteventura e Tenerife.



31 de agosto de 2026

Feira do Livro e Férias.

    Há dias, estive na Feira do Livro de Monforte de Lemos, que fica mais ou menos a 60 km de onde moro. Não tem nada que ver com a Feira do Livro de Lisboa, como calculam. Isto é muito pequenino. Eram seis ou sete tendinhas dispostas num espaço reduzido, mas com boa oferta de livros, quer em castelhano, quer em galego. Nós temos milhares de livros. Uma biblioteca impressionante, e começamos a não ter espaço para metê-los. Fomos, aliás, duas vezes: no primeiro dia, 26, e no último, este sábado, 29. Deixámos ali mais de quinhentos euros em livros. Monforte de Lemos, em jeito de curiosidade, é uma vila na qual se diz ter nascido Inês de Castro.

  Agora, vou de férias, para as minhas queridas Canárias, como de costume. Este ano escolhemos Tenerife. Conhecemos a Gran Canaria (onde estivemos três vezes), Lanzarote e Fuerteventura. Tenerife está em falta, das quatro grandes ilhas do arquipélago. Partimos em dois dias. Necessito praia e algum bulício, que me afaste da pasmaceira (outros dirão tranquilidade...) do rural. Até ao meu regresso!


24 de agosto de 2026

As Rías Altas.


   Este fim-de-semana, aproveitando que o meu marido esteve sábado e domingo de folga, rumámos ao norte da Galiza, bem no noroeste de Espanha, na província da Corunha, mais concretamente na zona de Ferrol e Narón (que não são bonitas, propriamente). Porém, a costa é deliciosamente bela. As vilas costeiras, marítimas, da costa galega são de morrer de encanto e beleza. Encanto e beleza naturais. Eu recomendo principalmente Redes, Mugardos e San Andrés de Teixido. A Cedeira também não está mal. Deixo-vos algumas fotos.


O Cabo Ortegal

O Farol do Cabo Ortegal

A vila de San Andrés de Teixido

Redes, em Ares


Mugardos

Mugardos 

Mugardos

18 de agosto de 2026

O mundo gay é um putedo.


   Não resisti. Porque o mundo gay é um mundo de putas que não conseguem ter ou sentir um vínculo por ninguém. Sei-o através de amigos e pela minha própria experiência quando era solteiro. Só querem andar a dar a peida a qualquer um e a fazer mamadas por aí. Não surpreende que as doenças sexualmente transmissíveis não parem de aumentar, porque são tão burras que nem se protegem. A única palavra que têm no dicionário é SEXO.




13 de agosto de 2026

Eclipse.


   Aqui onde eu resido, no noroeste espanhol, o eclipse foi total. Os óculos não chegaram a tempo, mas eu também não me sentiria muito seguro a estar horas a olhar para o sol, daí ter aproveitado para tirar umas fotos justamente quando a lua cobria a estrela a cem por cento. Acho que houve uma histeria colectiva em torno de um fenómeno raro, é certo, mas absolutamente banal. É como disse, não lhe vejo grande importância. Fica a foto. Agora só no século XXII.





10 de agosto de 2026

Miranda do Douro e Zamora.






    Este fim-de-semana fomos a Miranda do Douro e à sua cidade vizinha de Zamora, que fica a 50 km de distância. Da minha casa, quer a uma, quer à outra, são mais de duzentos quilómetros. Saímos no sábado de manhã. Gostei imenso de Miranda do Douro. Pequenina, linda. Muito simpática. Vi tudo arranjado, bem estimado. Come-se bem. Pessoas simpáticas, afáveis. Uma cidade mais do norte de Portugal que acrescento à minha lista de vistas.







  No domingo, depois do pequeno-almoço, visitámos Zamora. Também nos faltava. Eu gostei mais de Salamanca, sou sincero. Domingo está tudo fechado em Espanha. É provável que tenha influenciado na minha primeira experiência pela cidade. Demos uma volta no perímetro urbano e passámos pela Catedral, que estava aberta. Faltou-nos o castelo, que ficará para outra oportunidade, até porque havia que voltar, que o M. entrou hoje, segunda-feira, bem cedo, e não deixaram de ser outros duzentos e tal quilómetros. O bom é que eu adoro conduzir, e portanto, em dois dias, fiz qualquer coisa como 500 km (para mais).


7 de agosto de 2026

Cláudio Ramos.

 

  O Cláudio Ramos é uma pessoa tóxica. Deve ter aprendido bem com Cristina Ferreira. Há dias recebeu uma influencer com excesso de peso, ou obesa, ignoro, e parece que lhe disse que não acreditava que ela se sentisse bem assim. Eu acredito que um tipo que tenha vivido anos no armário, amargurado, e que tem claramente problemas de auto estima, ache estranho que haja pessoas que se sintam bem com o seu corpo e as suas imperfeições. Isso é com ele. O perigo não é esse. O perigo é o poder que esta gente tem de propagar preconceitos e ideias estúpidas e erróneas. Há aquele velho ditado: “cada um que cuide da sua vida”, que também poderia ser “cada um que cuide do seu corpo”. Cláudio Ramos pode, desde logo, cuidar de manter a língua na boca, e resolver os problemas que ele tem, que são muitos, antes de julgar que pode identificar problemas nos outros.


6 de agosto de 2026

Ceuta.


   Como cidadão espanhol -sim, eu não sou apenas um português que vive em Espanha; eu sou espanhol-, tenho uma palavra a dizer sobre a invasão de Ceuta por milhares de marroquinos, apenas há uns dias. Não se trata de nenhuma crise humanitária, como afirmam os extremistas de esquerda, lunáticos, desde o conforto das suas casas. Ceuta é, neste momento, uma cidade perigosa. Os ceutíes têm medo de sair à rua, de fazer a sua vida normal. Comércio e serviços estão fechados. O medo é generalizado. Embora os socialistas afirmem que estão a repatriar os invasores, segundo vários ceutíes -mantenho-me em contacto com alguns-, cada vez são mais, e não se vê um fim à vista. Pedro Sánchez e a permissividade do governo espanhol com o regime autoritário marroquino são os responsáveis pela invasão, que evidentemente foi orquestrada por Rabat para pressionar Espanha no sentido em que abdique dos seus legítimos direitos sobre Ceuta e Melilla, duas cidades tão espanholas como quaisquer outras na península. Exigimos uma posição firme do governo espanhol e a retirada imediata de todos os invasores, sem qualquer ressalva.

1 de agosto de 2026

Heartstopper.


   Comecei, há dias, a ver uma série na Netflix que estou a adorar. Chama-se Heartstopper, e é uma espécie de drama adolescente. Muito simples, é para ver sem grandes expectativas. A história é despretensiosa, mas, e aí está o encanto para mim, toca numa fase da minha vida que foi bastante difícil: a adolescência. A minha foi péssima. Não tive nada daquilo que queria. Faltou-me tudo, desde logo um ambiente são, equilibrado, amigos, boas experiências. Foi um caos, um caos que se repercutirá para sempre, porque nós somos camadas daquilo que vivemos. Esta série compõe aquilo que eu queria ter vivido e não vivi. E há um lado curioso: é que há mais de vinte anos comecei a escrever um género de romance adolescente -quando eu próprio era adolescente- que se parece muito com esta série. Os personagens, as suas características. Parece ter havido uma transmissão qualquer de ideias entre mim e a autora, ou então as minhas aspirações de adolescente são mais comuns do que pensava. Inclino-me para esta última. É uma série LGBT inspirada nuns comics cujo nome é igual.

24 de julho de 2026

A resistir... até quando?

 

   A blogo morreu. Agora morreu de vez. Os mais resistentes desistiram. Eu hesito entre deixar de publicar, isto é, deixar o espaço ao abandono, ou fazer uma última publicação onde me despeça definitivamente, em género de "o fim", "adeus", algo do género. Era o que faziam os que, há uns anos, deixavam os blogues, e pergunto-me se não fizeram bem, no momento certo, quando havia alguma actividade, do que simplesmente, como eu faço, deixar arrastar isto como um moribundo desgraçado que deambula pelos corredores do hospital. Sinto-me numa encruzilhada. Por um lado, tenho carinho a este espaço. Foram -são- 18 anos de palavras, sentimentos, reacções, pensamentos. Por outro lado, fará sentido continuar aqui a deixar publicações de circunstância? Digam-no vocês, se porventura continuarem aí.


20 de julho de 2026

Campeones del Mundo 2026.


   Hoy esta publicación va a ser un poco diferente. La voy a escribir enteramente en castellano, mi segundo idioma. Ayer nos hemos consagrado campeones del mundo por segunda vez, en Nueva York, frente a Argentina, en un partido que dominamos completamente. Fuimos mejor equipo, hemos jugado mejor, hemos generado más oportunidad de marcar un gol, que surgió alrededor del minuto 105. Manuel y yo estábamos en un bar. A él no le importa el fútbol, pero a mí me gusta disfrutar de estas finales en un lugar donde la gente esté a gusto, vibrando con su selección. Hice lo mismo con Portugal en la Eurocopa de 2016.




   Este es mi primer mundial. Mi Mundial con España. Ahora sé lo que es ser campeón del mundo. Si fuera solo portugués, probablemente jamás lo sabría. España lo merece, por su juego, por su calidad, por su determinación en campo. Es un día muy feliz por aquí. La gente está contenta, y eso se ve en las camisetas y las banderas rojas y amarillas que decoran las calles, los balcones y las ventanas. ¡Y viva España!

15 de julho de 2026

Estamos na final. 🇪🇸


   Foi tão bom, tão bom ver a vitória de ontem da Espanha frente à França, e se a França estava a jogar bem neste Mundial. Era uma das favoritas. Dominámos o jogo completamente, tivemos posse de bola e conseguimos cortar todo o ataque francês. Espanha está a fazer uma campanha extraordinária neste Mundial. Começou com o pé errado e lá se pôs direita. Em menos de nada está aí a final do Mundial de 2026, e nós, espanhóis, já lá estamos dentro. Está a ser incrível. Haja algum país que me dê alegrias, porque Portugal só me deu, e ainda dá, tristezas. E em tudo.



10 de julho de 2026

Bonnie Tyler (1951-2026).


   Total Eclipse of the Heart é das minhas canções favoritas de sempre. Holding Out for a Hero e It's a Heartache também, não tendo, porém, tanto impacto em mim. Eu sou muito fã dos anos 80, e a Bonnie é um elemento indissociável dessa década que não vivi conscientemente (nasci no final dos 80) e que aprendi a amar em torno de 2001, na adolescência, quando ainda não era trend gostar dos 80, talvez pela proximidade temporal. Além disso, a Bonnie vivia em Portugal. Era um pouco nossa. Segundo dizem, era acessível, por ter vindo de uma família humilde. Só motivos para lamentar a sua partida precoce. Precoce, sim. O que é morrer com 75 anos? Eu sabia que uma perfuração no intestino é algo gravíssimo, até porque o meu marido mo disse, mas acompanhava a sua recuperação com expectativa. Fiquei animado quando soube que saíra do coma. Não esperava este desfecho, não. Perdemos mais uma grande da velha guarda. Bah. Estou triste.

2 de julho de 2026

Kylian Mbappé.


   Eu não sei quanto a vocês, mas este homem, se eu não fosse casada e ele quisesse, fazia de mim o que queria. 




21 de junho de 2026

Cristiano Ronaldo.


   A selecção portuguesa e a Federação Portuguesa de Futebol estão reféns de um jogador de futebol de 41 anos que está obcecado em bater recordes. Nas redes sociais, não se pode criticar Cristiano Ronaldo que chove uma onda de críticas desproporsitadas e cheias de ódio. Os jogadores da selecção passam por isso, e as suas famílias, porque há quem ache que devemos ficar com uma dívida de gratidão eterna a Cristiano Ronaldo. Acontece que Cristiano Ronaldo é um atleta que envelheceu, como todos envelhecemos; que não tem a rapidez nem a capacidade de explosão de outrora, e que actualmente é um elemento perturbador em campo; mais, é um elefante branco na sala, porque já todos perceberam que não joga nada, que não é útil, antes pelo contrário, mas não há coragem para deixá-lo no banco. E ele, por sua parte, não consegue sair voluntariamente, arriscando-se a ficar como uma má anedota.




    Entretanto, comprei a minha primeira camisola oficial da selecção para apoiar a nossa equipa. Sempre com Portugal, independentemente dos egos de uns e dos medos de outros.

16 de junho de 2026

O Mundial de 2026.


   Já há uns dias que não digo nada. Sei que não tenho nenhum compromisso convosco, nem sequer com o blogue, mas sim comigo, e eu gosto de manter este espaço actualizado. Não há nenhuma novidade relevante. Tenho passado os últimos dias completamente absorto com o Mundial de Futebol. Procuro ver todos os jogos ou os resumos, e isso leva-me tempo. Adoro estas competições, não é novidade. Para já, há uma pequena surpresa: selecções aparentemente fracas estão a impor-se ante adversárias de muito mais nível desportivo e competitivo, o que, lá mais para a frente na competição, imagino que se equilibre. Foi assim, por exemplo, ontem, com o jogo entre a Espanha e Cabo Verde, em que a Espanha não conseguiu furar a muralha que os tubarões ergueram no seu meio campo. Portugal joga amanhã. Vamos ver com que pé começa. Eu, naturalmente, tenho duas selecções: Portugal e Espanha, uma de coração e outra de adopção. E devo ser a única bicha que não vê os jogos pelas pernas dos jogadores.

8 de junho de 2026

A Primeira Comunhão e o Crisma Solene.

 

   Na sexta-feira passada (dia 5 de Junho), fiz a minha Primeira Comunhão e o Crisma, após oito meses de catequese. Não sei se cheguei a referi-lo aqui no blogue: eu fui baptizado com um ano e alguns meses de idade. Fizeram que o meu baptismo coincidisse com o casamento do irmão do meu pai, para organizar as festas juntas. Contudo, os meus pais não eram religiosos; se lhes perguntassem se acreditavam em Deus e na palavra do seu filho unigénito, Jesus, diriam que sim, porém, não frequentavam a igreja, não se confessavam, não iam à missa, não comungavam. Assim sendo, não frequentei a catequese. Fiquei com o primeiro sacramento, o do baptismo, que nos perdoa o pecado original, e nada mais. No ano passado, senti uma espécie de chamamento para terminar o que os adultos responsáveis por mim negligenciaram (neste caso, mais até do que os meus pais, os meus padrinhos, quem assumiram a responsabilidade, ante Deus, de me iniciar e seguir na vida religiosa). Os meus padrinhos de baptismo foram o irmão do meu pai e a sua mulher. Por curiosidade, tenho dois processos em tribunal contra o sujeito, e escrevi ao Vaticano para tentar removê-lo da minha certidão de baptismo.

   Comecei a frequentar a catequese da minha paróquia, aqui em Espanha, em Outubro do ano passado. Éramos poucos de início e menos ainda no final. Umas seis pessoas. De entre elas, eu era o único que não estava ali porque queria ser padrinho de baptismo, ou porque me queria casar, ou porque houvera feito uma promessa ao padre há vinte anos. Era o único que estava ali por fé. Achei que uma catequese ao mês era pouco, mas ainda assim melhor do que nada, e o suficiente para, em Junho, fazer a Primeira Comunhão e o Crisma Solene, o que ocorreu há três dias.



    Foi uma cerimónia bonita. Misturou adultos e jovens. Para a Igreja Católica, quem tem mais de sete anos já é considerado adulto para receber os sacramentos, porque tem idade suficiente para distinguir o bem do mal, portanto, havia ali jovens connosco, adolescentes. Eu fui o único a comungar pela primeira vez. A cerimónia começou às 20h e terminou cerca de 1h30 depois. Levei uma vela personalizada com o meu nome, em tons beige, os mesmos que escolhi para a roupa que vesti: umas calças chino, uma camisa branca, uma gravata em tons beige e um blazer da mesma tonalidade. Os sapatos, castanhos. Escolhi o meu marido como meu padrinho, afinal, se a Igreja não reconhece a nossa união, nada obsta a que possa ser meu padrinho. E assim foi: quando chegou a minha vez, aproximei-me do padre, que me ungiu a testa com um óleo, fez-me o sinal da cruz e abençoou-me. Mais tarde, fui o primeiro a comungar, e tomei o Corpo de Cristo embebido no cálice do seu sangue.

    Pode parecer desnecessário para muitos, para mais sendo eu um homem de quarenta anos, mas para mim foi importante. De certa forma, fazer estes sacramentos com esta idade tem um lado, a meu ver, bastante positivo: muitas vezes, as crianças fazem-no impelidas pela família, sem saber muito bem o que está a ocorrer ali; no meu caso, não. Recebi o Corpo de Cristo e a bênção especial do Crisma, ou seja, fortificando os laços com o Espírito Santo, totalmente consciente, no pleno uso da minha liberdade individual, esclarecido. Nunca é tarde para terminar o que não se terminou. Estamos sempre a tempo de fazer o que somos impelidos a fazer, o que queremos fazer, independentemente dos reveses da vida. E sinto-me muito bem por ter querido receber estes dois sacramentos. Deixo-vos uma foto do momento do Crisma.


3 de junho de 2026

Deus no céu e obras em casa.


   Eu odeio ter obras em casa. Ninguém gostará, digo eu. Há gostos para tudo. Provavelmente haverá quem goste de conversar com os obreiros e de ver as melhorias na casa. Eu gosto da última parte. Todos queremos ver o nosso lar valorizado. No meu caso, o problema é que padeço de TOC (diagnosticado mesmo) e tenho aversão a ajuntamentos de pessoas naquilo que considero ser o meu espaço vital, isto é, a minha casa propriamente dita e o terreno que a circunda. Gera-me uma ansiedade descomunal. Junta-se, ao medo de que me estraguem alguma coisa, a sensação de que não posso controlar o que fazem, a que se soma um desconforto por perturbarem a minha tranquilidade. Se eu pudesse, não fazia nada. Deixava tudo como está. Mas depois vês os vizinhos com as coisas feitas, e sofres; eu sofro, pelo menos, porque sou ligeiramente invejoso. Amanhã vou confessar-me pela primeira vez, antes da Primeira Comunhão e do Crisma, na sexta-feira. Confessarei estes pecados, e outros. Serei uma bicha santa e santificada. Amén.



27 de maio de 2026

Maus avós.

 

   Não tive a sorte de ter uns bons avós, nem do lado materno, nem do paterno. Talvez tão-pouco tenha sido um bom neto. Isso não vem ao caso. O meu avô paterno era um homem particularmente mau: egoísta, grosseiro, mau-carácter. Quando eu tinha em torno de 14 ou 15 anos, disse-me algo que me marcou profundamente, uma das inúmeras barbaridades que ouvi da sua boca:


"A neta sim vai ser alguém na vida; tu não"


   É crudelíssimo ouvir tais palavras de um adulto com o qual mantemos um vínculo familiar tão próximo, e numa idade difícil como o é a adolescência. Com o a neta, referia-se à minha prima. Éramos apenas dois netos, e há tantos avós com montes de netos que conseguem guardar amor por todos da mesma forma. No caso dos meus avós paternos, embora fôssemos apenas dois, o seu coração era tão pequeno que só conseguia albergar amor pela minha prima. Pela casa, havia fotos da minha prima em cada divisão, espalhadas por todo o lado, e nem uma única minha.

   Sucede que o destino é curioso, e aqueles que tinham o dever de cuidar de nós e inclusive de saber mais que nós também se enganam. Hoje sou um tipo com uma vida muito confortável. Mesmo muito confortável. Mudei de país, tenho a minha casa e as minhas coisas. Conforto, dinheiro. E a neta é uma pelintra, miserável, que aos 38 anos vive com a mãe num dos piores subúrbios de Lisboa, Santo António dos Cavaleiros. Parece que o meu avô estava enganado, na sua ignorância, falta de tacto e de discernimento.


26 de maio de 2026

Eu sou a inveja das bichas de Portugal.


   Tenho um marido, médico, que me ama e cuida de mim. Tenho um chalé com jardim e piscina. Tenho mais bens imóveis. Tenho dinheiro numa conta na Suíça. Farto-me de viajar, quer dentro de Espanha, quer no estrangeiro. Tenho dupla nacionalidade. Não preciso trabalhar. Vivo de rendimentos. Compro o que quero, quando quero. Sou ou não sou afortunado? Eu sou a inveja das bichas de Portugal.


25 de maio de 2026

A Pérgola de Jardim (Parte II).




 Agora só falta a relva artificial. Está linda, não?

23 de maio de 2026

A Pérgola de Jardim.


   Chamo-lhe pérgola porque é como lhes chamam aqui, em Espanha. Já vivo aqui há anos. Vou perdendo o contacto com o português europeu, se bem que, mesmo quando morava em Portugal, não sabia o nome destas coisas. Basicamente, são umas estruturas de alumínio, ou outro material (no nosso caso de alumínio), que se instalam e que ficam ali o ano todo, a priori vários anos - e por isso são tão caras. São bastante funcionais, sobretudo no Verão, porque podemos estar no jardim, à noite, a jantar fora de casa, ou simplesmente a aproveitar as noites quentes. No caso da nossa, é ventilada, porque tem um tecto que abre lateralmente -um género de barras-, o que permite que ventile e que se evite o "efeito estufa". Comprámos uma. Ligámos para uma empresa de construção com a qual já trabalhámos antes, que mandou um dos seus homens a montá-la. O meu marido ajudou. São precisas de 2 a 3 pessoas e leva cerca de 3/4 horas. Vai fixa ao chão, claro está, porque é uma estrutura pensada para ficar todo o ano, permanente, e para aguentar ventos e chuvas. Além de nos permitir desfrutar do jardim, é esteticamente bonita, valoriza a casa e gosto de vê-la ali. Vamos, ainda, montar uns móveis de jardim, uns sofás e uma mesa, que ficam dentro da pérgola, e pronto, ficamos com um espaço bonito e funcional no nosso jardim, que estamos a fazer pouco a pouco, muito pouco a pouco, porque é apenas o meu marido quem cuida do jardim -eu não levo o menor jeito-, e ele, infeliz ou felizmente, tem pouco tempo. É agradável ir vendo que a casa vai ganhando jeito, vai ficando como queremos, já que o anterior proprietário, que nunca aqui habitou, era um desastre. 




20 de maio de 2026

Da fama e da glória.

    

   Pus-me a ver uma entrevista do Kiko is Hot no As Três da Manhã da Renascença. Eu acho que todos os que andam aqui, nos meios virtuais, sabem quem é o Kiko is Hot, mas, para quem não sabe, é um tipo que começou a gravar vídeos para o Youtube em 2011, que depressa se tornaram virais. Ainda tudo muito rudimentar, sem microfone nem nada. Lá insistiu e foi persistente. Hoje tem, entre o Insta e o Tik Tok, mais de um milhão de seguidores. Parecem fama e dinheiro fáceis. Não são. Para se ser youtuber (agora está passado de moda) e ter impacto, era preciso ter imaginação com os vídeos, insistir-se muito, e mesmo assim às vezes não era suficiente. Quem conseguia, de facto alcançava fama virtual, e daí dinheiro com as visualizações.  Eu comecei a gravar vídeos para o Youtube antes do boom de youtubers, em 2008. Recebi tanto hate, como o Kiko, de resto, mas, à diferença dele, não insisti. Apaguei tudo e criei este blogue, um espaço mais reservado, que porém nunca me deu nada. Não é que eu quisesse fama ou dinheiro, não; é ver que gente com muito menos capacidades do que eu chegou lá, e eu não. Fiquei pelo caminho. Não só nestes meios virtuais. Em tudo.

  Quando me matriculei na Faculdade de Direito de Lisboa, o meu pai foi comigo. Nesse dia -quem conhece a FDUL sabe como é- estavam imensas "barraquinhas" dos vários partidos políticos ao longo da sua ampla entrada. O meu pai disse-me: "Mete-te na política". Não o fiz. Hoje poderia ser alguém de sucesso, renomado, cheio de dinheiro. Não tenho mais do que aquilo que preciso, contudo, está sempre aqui o "e se?". E se tenho arriscado no Youtube naqueles anos? E se tenho entrado na política como o meu pai me aconselhara? E se?

   Sinto que passei ao lado de uma grande carreira, de uma grande vida, e só me posso culpar a mim mesmo, pela inércia; porque a verdade é que não gosto de fazer nada. Sou demasiado preguiçoso, indolente, e em tudo há que ter determinação; capacidades não me faltam: sei o que valho; sei que, além de inteligente, sou esperto e tenho lábia. Falta-me o resto: determinação, sentido de oportunidade, obstinação, inteligência emocional.

    Agora será demasiado tarde. Ficam a mágoa e a revolta - e a culpa, a quem só posso atribuir a mim.


18 de maio de 2026

Das séries.

 

   Eu gosto de ter algo para acompanhar. Uma série, por exemplo. Já vi muitas ao longo destes anos. Gostei imenso de Guerra dos Tronos, Pose, Walking Dead, Breaking Bad, entre outras. Tenho, além da Netflix, HBO e Amazon Prime, estas duas porque vêm incluídas no meu pacote da Vodafone Casa. Ultimamente não consigo empatizar com nenhuma série. Tenho tentado com várias, algumas até renomadas, como Mad Men, Os Sopranos, etc, e não me prendem ao ecrã. Não me considero muito exigente, mas é certo que tão-pouco consigo gostar da primeira coisa que me põem à frente. Para contornar este "problema" de não ter algo para acompanhar, assinei uma aplicação de novelas brasileiras, a Globoplay. Tenho acompanhado uma novela que vi em 2004 e da qual gostei, Da Cor do Pecado. Há pessoas com preconceito relativamente ao formato novela. Eu não. Só quero ter algo para poder acompanhar e manter-me distraído das redes sociais, que me ocupam demasiado tempo, tempo que poderia aproveitar melhor. Eu sou eclético com os meus gostos, sejam eles quais forem. Se gosto, gosto, pouco me importando com rótulos absurdos.


17 de maio de 2026

Dia Internacional Contra a LGBTfobia.


 Hoje assinala-se o Dia Internacional Contra a LGBTfobia. Se fosse há dez anos, eu não diria nada e provavelmente até me oporia a esta celebração. Actualmente, não. Vejo um ressurgimento do ódio contra as pessoas LGBT, que me preocupa, mais ou menos como sucede com os comentários misóginos e machistas de uns jovens adultos do sexo masculino, e de outros menos jovens. Estamos a regredir em valores e ética depois de décadas de progresso. Não podemos permitir que assim seja. Espanha, o país em que vivo, continua a estar na linha dianteira do combate à LGBTfobia, e orgulho-me disso. Portanto, sim, este dia não só continua a fazer sentido como mais do que nunca tem sentido, verificando a degradação dos últimos dois / três anos no que respeita à situação das mulheres e das pessoas LGBT.

16 de maio de 2026

Vizinhos...

 

   Ter vizinhos é uma chatice. Que o diga eu. Tenho tido problemas com praticamente todos os vizinhos em praticamente todos os lugares onde vivi. A situação é pior nos prédios, porque estamos sujeitos a uma relação de maior proximidade, o que se verifica em ruídos, infiltrações, etc, etc. Mesmo vivendo numa casa, há problemas. As propriedades limitam entre si. No ano passado, quis fazer uma rampa de acesso à minha casa. O vizinho da frente implicou, denunciou-nos ao alcalde (o presidente da câmara), que nos embargou a obra. Ficou tudo assim, em águas de bacalhau, como se costuma dizer. Fê-lo por pura maldade, uma vez que a rampa em nada o prejudicaria. Alegou que não íamos colocar um cano de escoar as águas no cimento, pelo que se juntariam e poderiam afectar a sua propriedade... Tretas! Ele vive em frente. Há uma estrada enorme, por onde passam carros, para cima e para baixo, e além disso não há nenhum ajuntamento de águas ali. Este ano, é com o vizinho do lado, que ainda antes de termos comprado a casa, decidiu escavar toda a terra do seu terreno para aplaná-lo. Naturalmente, di-lo a normativa vigente e o bom senso também, como se precisasse, que quando é assim há que erguer um muro de contenção para não comprometer o muro do vizinho. E ele fê-lo? Claro que não. Agora mesmo andamos a tentar insistir com ele nesse sentido. Sabe dizer-nos que temos de podar as nossas árvores, sabe meter-se nos nossos assuntos, mas parece que se "esquece" daquilo que lhe compete. Enfim.

   O melhor, o melhor é comprar um terreno de vários hectares e construir uma casa bem no meio, e mesmo assim...


14 de maio de 2026

Toma lá, dá cá.


   Eu já estou velhote na blogosfera. Bom, e vou ficando também na vida real, agora que entrei nos 40. Isso agora não interessa nada. Eu sou do tempo em que se visitava um blogue à espera de se receber um comentário e seguidores; do tempo em que nem se liam os posts. Queríamos comentar porque queríamos receber comentários, ou vice-versa; comentávamos porque nos tinham comentado. Não vale a pena negar. Todos que tivemos blogues fizemos isso, e alguns ainda fazem. Eu deixei-me desses fretes há muito. Só comento o que quero; estou-me cagando se me comentam ou não. Isto porque recentemente comentei um blogue novo (novo para mim, que não o conhecia), e comecei a receber comentários vindos do Brasil, de pessoas que claramente só estão à espera que eu lhes deixe comentários. Se vêm por isso, perdem a viagem. Já foi chão que deu uvas. Já dei para esse peditório. 

9 de maio de 2026

O Diabo Veste Prada, 1 e 2.


   Nunca antes escrevera sobre O Diabo Veste Prada. Eu gostei muito do primeiro filme, que vi anos depois de ter estreado. Achei-o divertido, agitado, fresco, com interpretações fantásticas, principalmente da inenarrável Meryl Streep, a minha actriz favorita. Ela encarnou uma Miranda Priestly na perfeição. Autoritária, arrogante, exigente, ácida, mas também capaz de reconhecer o mérito individual. Hoje fui ao cinema ver a sequela, e devo dizer que me desapontou. Pareceu-me que o realizador, ou a realizadora, não faço ideia, procurou desesperadamente dar um sentido à estória. 




    Perdeu-se a acidez mordaz e provocadora de Miranda. Meryl Streep quase cedeu o protagonismo a Emily Blunt. A tentativa de encaixar o papel de Anne Hathaway na prestigiada (mas decadente) revista Runway não foi conseguido, na minha perspectiva. Foi forçado e até, diria mesmo, trivial. Contudo, o que desaponta mesmo é Miranda Priestly, que ficou apagada durante toda a sequência. Este segundo take é mais glamoroso do que o primeiro. Há uma aposta forte nos figurinos, e uma mensagem de inclusão, onde corpos que aparentemente não encaixam e defeitos físicos têm lugar. Contudo, o roteiro é menos forte e demasiado polido, contrastando com o carácter incisivo do primeiro. É um caso claríssimo de um filme que deveria ter ficado arrumado com a longa de 2006. Acontece muito. Não será o último.

7 de maio de 2026

Ter um gato, neste caso, uma gata.


    Em 2022, o meu marido trouxe-nos uma gatinha para casa. Andava perdida por um dos centros de saúde onde ele vai de vez em quando passar a consulta. Uma gatinha já adulta, talvez com um ou dois anos. É a minha Mia - a minha gata. A minha gata é a melhor gata do mundo. 

     A Mia é um anjo, e foi uma bênção na minha vida. Não pula para cima de nada, nunca me estragou nada, e temos aquela ideia dos gatos que destroem tudo numa casa. Nem às plantas se chega. Ela não sai. Está sempre dentro de casa. Jamais me arranhou, ou mordeu. Nem quando lhe dou banho, esporadicamente, porque os gatos não precisam tomar banho com frequência. 




     Ter um gato é muito mais do que lhe dar de comida e água - e a Mia tem o seu bebedouro eléctrico, uma fonte. É dar-lhe amor continuamente - e ela não me deixa um minuto; sempre está comigo. É escovar-lhe o pêlo todos os dias - e por isso há donos de felinos que se queixam da muda do pêlo, porque não sabem cuidar do pêlo dos seus animais. A Mia é uma gata que tem mais do que muita gente. É tratada como uma princesa, porque ela é uma princesa. Tem o melhor que lhe posso dar. E tem uma parte do meu coração, incondicionalmente dela.

6 de maio de 2026

A nova lei da nacionalidade.


  Ao que tudo indica, o Presidente da República promulgou o diploma da nova lei da nacionalidade. Eu não conheço o conteúdo exacto da lei, não saberei muito mais que vocês - estava informado quando cursava Direito. Pelo que li, as regras para a aquisição da nacionalidade portuguesa ficam mais restritas, o que me parece muitíssimo bem. A nacionalidade portuguesa era praticamente vendida. Ainda me lembro de uma imagem na Índia onde se dizia algo como “vende-se nacionalidade portuguesa”. Qualquer um, em menos de nada, tinha o passaporte português, que estava ao desbarato. Segundo sei, o prazo para a naturalização aumenta, bem assim como se exigirá um exame de conhecimentos da realidade social e política portuguesa. Aqui em Espanha é assim. Eu, para ser espanhol, tive de fazer um exame de língua castelhana e outro de conhecimentos socioculturais de Espanha. Beneficiei de um prazo reduzido, é certo, sendo que o meu caso não tem nada que ver com o dessa gentalha que vem do Brasil, de África e sabe-se lá de onde com o único intuito de ter um passaporte português, e por conseguinte comunitário: em primeiro lugar, já era cidadão da UE, por ser português, ou seja, a cidadania espanhola não me veio trazer nenhum benefício do ponto de vista da mobilidade europeia; em segundo lugar, um português é ibérico, peninsular. A integração em Espanha é bem vista pelo Estado espanhol, é fácil, sem obstáculos linguísticos ou culturais de relevo. Espanha e Portugal são muitíssimo semelhantes, e as autoridades espanholas sabem-no perfeitamente. Menos mal que este governo -refiro-me ao português- parece disposto a pôr termo à bandalheira dos governos socialistas, sobretudo o de Costa, que escancarou Portugal à invasão imigrante.

4 de maio de 2026

XVIII Aniversário.


   O aniversário foi ontem, contudo, como decidi publicar a minha apreciação sobre o filme de Michael Jackson (tinha acabado de sair da sala de cinema, e gosto de escrever sobre os filmes e os livros que leio a quente), decidi adiar para hoje a publicação sobre o aniversário do blogue. Dezoito anos. Um miúdo que tenha nascido no dia em que criei este espaço entra hoje na maioridade legal. É extraordinário. Bom, se eu pensar bem, tratando-se de mim, não é algo tão incomum: eu sou de preservar o que tenho, e isso é extensível ao mundo virtual. Há quem crie mil contas em poucos anos. Eu mantenho as mesmas. O meu X, antigo Twitter, começa, também ele, a ficar vetusto.

    Não tenho muito mais a acrescentar nesta efeméride do blogue que ainda não tenha sido dito nos dezassete posts de aniversário dos anos anteriores. É muito tempo, e para um espaço virtual é quase uma vida. São quase dois mil posts, a esmagadora maioria deles -e aqui sinto de facto orgulho- com bastante qualidade, bem redigidos, bem pontuados; milhares e milhares de palavras, ideias, comentários e respostas; bloggers conhecidos, e outros que nunca conhecerei - porque já não vivo em Portugal, mas, sobretudo, porque fechei a porta a isso. Aliás, nem deveria ter conhecido ninguém. Queria deixar uma palavra também para as dezenas de pessoas que, ao longo destes dezoito anos, passaram por aqui para deixar um bocadinho de si: com algumas ainda mantenho contacto, outras perdi-as de vista, muitas preferiria que nunca tivessem passado por aqui e, outras, e com pena o digo, já nem estão entre nós.

     Este blogue venceu o tempo -o principal desafio-, as crises de falta de inspiração, mudanças de casa e de vida, de país, mortes de familiares directos, uma pandemia… é bastante provável que siga comigo uns anos mais, sempre até que me faça sentido. Por último, obrigado aos que ainda estão desse lado e que também fazem com que isto tenha sentido.

Mark

3 de maio de 2026

Michael.


  O filme de Michael Jackson não foi escrito inocentemente. Michael é retratado de forma quase pueril, superficial. O script não é inovador, no sentido em que a fórmula é previsível: um menino pobre, que cresce num entorno difícil, com um pai abusador, que é descoberto por uma caça-talentos e fica famoso. Seguramente que a vida de Michael Jackson daria para muito mais. Sem omitir o que realmente aconteceu, a abordagem poderia ter sido outra.

    Em todo o caso, o mais notório é que o percurso de Michael parou em 1988, com o álbum Bad. Deliberadamente omitiram os anos 90 e os escândalos de pedofilia que atingiram o artista. Não foi ao acaso. Quando descobrimos que o actor que faz de Michael é o sobrinho dele, Jaafar Jackson, desde logo intuímos que a família Jackson está por detrás da estória, controlando-a ao pormenor. O filho mais velho de Jackson foi produtor executivo da larga metragem.





     Tudo foi polémico na vida pública de Michael. O filme não seria excepção. Tornou-se um dos mais vistos de 2026 e já superou em muito os gastos de produção. Eu, embora tenha gostado, considero-o pouco ambicioso, demasiado focado nos anos áureos de Michael e explorando pouco o seu lado mais introspectivo. O personagem como que flutua num limbo de superficialidade, faltando-lhe algo que lhe dê corpo, emoções, veracidade. Supera-se, isso sim, na caracterização, nos figurinos, efeitos, e música, claro está.

29 de abril de 2026

40.


    Quando penso que hoje cumpro 40 anos, sinto um misto de sentimentos. Por um lado, certo orgulho. Não é uma idade longeva, não, e menos ainda no século XXI, mas para uma pessoa que sempre foi enfermiça, desde criança, é um logro. Por outro lado, penso nas pessoas que já não estão, e que nesta data me davam sempre os parabéns: a mãe, o pai, a avó paterna. Cheguei aqui também devido aos cuidados deles, e da minha bisavó Palmira, que perdi mais atrás. Sinto ainda uma responsabilidade qualquer que não sei definir muito bem o que é: ter quarenta anos implica determinado comportamento que não sei se estou preparado para dar. Começo a ser um senhor. Não um senhor de idade. Isso será mais à frente, se lá chegar. Apenas um senhor. Para quem foi toda a vida um miúdo, um rapaz, um jovem, é uma nova fase, uma nova forma de olhar para mim, para quem sou.

  Não sei o que me espera nesta década. Irei tentar vivê-la da melhor forma, com a família que tenho, que se resume ao meu marido. A minha vida tem sido assim, e creio que já o disse: um período de estagnação, um terramoto, seguido de outro período de estagnação e de outro terramoto. Com extinções em massa. A última levou toda a família que conheci durante a minha existência. Há dez anos, eu era uma pessoa, uma pessoa que não existe mais. Nada resta daquele (ainda) rapaz de trinta anos: nem o entorno, nem a casa, nem as dinâmicas. Nada. Essa dúvida sobre o que virá existe sempre, porque a maior parte das pessoas tem uma linha de continuidade nas suas vidas. Eu não. 

  Não adianta antecipar o que desconheço. E entro assim, na ternura dos quarenta, que espero realmente que seja terna e calma. Necessito.

28 de abril de 2026

À consideração.


   E para a próxima vez, se voltar a ser acusado seja do que for, vai sem rascunhos a vermelho por cima, e falo muito a sério. Pouco me importa a protecção de dados e o raio que o valha.




24 de abril de 2026

Mudança de hábitos.


   O meu médico de família (que também é o meu marido) pediu-me uma ecografia abdominal, isto porque tenho esteatose hepática (fígado gordo). Eu já sabia disso, tenho alguns valores hepáticos alterados nas análises sanguíneas. Foi para controlo. Embora tenha mudado alguns hábitos menos bons, como a alimentação, em parte, continuo com o fígado dito “gordo”, então agora a mudança é radical. Eu sou muito sedentário, não ando (desde que conduzo é que não ando mesmo), não me controlo a comer, não faço exercício. Tudo mau, portanto, mas hoje decidi que as coisas vão mudar, e vão mesmo: todos os dias, de manhã, vou fazer uma caminhada de 40 minutos (já comecei hoje); ontem, agarrei em dois sacos do lixo e deitei chocolates, chouriços e bombons, tudo fora; comecei a beber dois litros de água por dia -odeio beber água-, porque a ecografia também detectou micro calcificações nos rins, e tudo o que é arroz, massas e batatas vai ser substituído por saladas e verduras. E isto é MESMO para cumprir. Isso já o interiorizei. Estou bastante determinado em melhorar o meu estado geral de saúde, e até é um bom mote para os 40 anos, que cumpro, se Deus quiser, em menos de uma semana.

22 de abril de 2026

Cristina Ferreira.


  Eu não vejo televisão portuguesa. Não tenho. Em casa tenho Vodafone, e não oferece a RTP internacional. Posso ver televisão portuguesa com apps da RTP, SIC e TVI. Não me compensa. Tenho a primeira, gratuita, e tive as outras uns tempos. São caríssimas e realmente não se justifica. Os ecos do que se passa em Portugal chegam-me pelos jornais online e as redes sociais, que hoje em dia conseguem cobrir bastante bem essa função informativa.

   Ouvi as declarações da Cristina Ferreira no seu programa matinal, sobre um caso de violação, e também não gostei. Não, não gostei, Cristina. Ela não vai ler, bem sei. Porque não é a primeira vez, nem a segunda, e dificilmente será a última, que esta apresentadora faz comentários misóginos ou pouco dignificantes. Não é não, Cristina. É mesmo. Sejam dois, três, quatro ou cinco, ou mais, num acto sexual. Ninguém se põe a jeito. Enganas-te outra vez. As pessoas são livres de ir onde querem e como querem. Ninguém tem o direito de assediar sexualmente, e por maioria de razão de cometer crimes mais graves. É lamentável que uma pessoa com poder -porque aparecer na televisão e comunicar para todo um público é ter poder- tenha tão pouco tino, juízo; que, em temas sensíveis, fale como se estivesse em casa ou numa mesa de café. E, por favor, não mexas mais na porcaria. É só pior.

21 de abril de 2026

Acusações.


   Fui alertado por um anónimo que uma certa macaca andou a caluniar-me e a injuriar-me -sem nunca referir o meu nome-. Eu desconfiei de quem fosse, porque é pessoa de quem não gosto, embora não lhe dê atenção. E li aquilo. E identifiquei-me. Reservo-me o direito de resposta.

     Primeiro, eu seguia o espaço da supracitada pessoa até 2021. Como em todos os blogues que sigo, comentava os seus posts. A partir de determinado momento, comecei a ser censurado. Eu sou uma pessoa sincera e frontal. Também nos espaços blogosféricos que sobram, os do Francisco e do Namorado, eu comento-os, e digo o que tenho a dizer, uma vez que, para mim, a amizade não é dar pancadinhas nas costas e dizer amém a tudo para encher as caixas de comentários. Essa pessoa, porque tem um ego enorme e gosta que lho cocem, deixou de publicar os meus comentários, e depois, de forma até de muito mau gosto, referiu-me explicitamente num post para humilhar-me publicamente. É para o lado que durmo melhor. Jamais utilizei nenhuma linguagem ofensiva ou deselegante no seu espaço, e creio ter anos suficientes na blogosfera que o atestam. Aliás, eu nem costumo usar palavrões no meu vocabulário. 

   Segundo, eu estive num jantar com essa pessoa. Nunca antes a tinha visto. Desde logo não gostei do que vi. Vi uma pessoa fútil, de ego gigantesco, como referi acima, pretensiosa, que queria ser o centro das atenções. Fazia-se acompanhar de um rapaz que, devo dizer, me deu certa pena. Estava calado, no seu canto, para deixar a beesha brilhar. Tudo foi alvo de comentários entre os presentes no dia seguinte. É tudo quanto sei dessa pessoa, mais um boato que me comentaram sobre um comportamento impróprio que teve com outro blogger, e que circulou por toda a blogosfera. 

   Terceiro, desde o momento em que essa pessoa me censurou e procurou humilhar-me, deixei de comentar no seu espaço, de a acompanhar, e é pessoa que -porque não deixo nada por dizer- assumidamente não gosto, mas tão-pouco incomodo. Ela está na sua vida e eu na minha. Refuto, por tanto, as acusações que me faz. Que tenha inimigos que a perturbam, é problema dela. Acho de muito mau tom que me acuse de algo sem ter nenhuma prova. E digo-o com a mais transparente das certezas: nada lhe fiz. É pessoa que não me interessa. Nunca me interessou. Nem quando me tentava seduzir por e-mail. E isto não é uma acusação, porque tenho provas disso.

     Quarto, e para rematar, o ego gigantesco vê-se quando confunde a minha antipatia com qualquer atracção minha por si (o tal crush), que, por favor, não tenho nem nunca tive, e porque não quis. Estou casado, estou feliz, e respeito muitíssimo a pessoa que está ao meu lado, na vida que construímos a dois há quase dez anos. Que apareça a primeira pessoa da blogosfera -com provas- que diga que a tentei engatar.

   Haja algo de bom no meio disto tudo: a blogosfera continua viva, no meio de tanta sujeira.

20 de abril de 2026

Não temos vida fora do virtual.


   Na sexta-feira passada fui fazer o meu DNI (Documento Nacional de Identidad). O equivalente ao Cartão do Cidadão espanhol. Aqui, o DNI faz-se nas esquadras da polícia, chamadas comisarías. Estava eu já há um bom tempo à espera, porque tenho aquele hábito de chegar sempre aos lugares com vários quartos de hora de antecedência, e reparo que sou o único que não está a mexer no telemóvel. Ao meu lado esquerdo, uma família: pai, mãe e dois filhos - todos com os respectivos smartphones; ao meu lado direito, uma senhora de meia idade, de telemóvel na mão. Ao lado dela, uma mãe com dois filhos. O mesmo. 

   Não, não venho aqui armar-me em defensor da velha guarda dos que levam livros para todo o lado, porque não o faço. Eu simplesmente, muitas vezes, deixo o telemóvel no carro porque preciso daquele espaço de tempo, nem que seja uma simples hora, sem estar conectado; sem ouvir as notificações do WhatsApp, do X, do Instagram. E digo-vos que não me causa nenhuma ansiedade. É algo que até me dá prazer, que me desanuvia. Infelizmente, não posso permitir-me (ninguém pode) a ficar assim horas e horas a fio, porque fico com a dúvida de que o meu marido possa precisar de mim, ou que algo se possa passar. Mas é bom. Experimentem. 

   Creio que já não conseguimos ter uma vida fora do virtual. Quando penso nisso, fico desanimado e com pouca esperança, porque estes espaços (não me refiro aos blogues, na actualidade) podem consumir-nos muito tempo e energia, energia que poderíamos utilizar noutras actividades mais proveitosas, além da toxicidade que há.

16 de abril de 2026

Trezentos euros mais “leve”.


   Quem é que ontem gastou 300 euros -ou melhor, mais exactamente 292,46€- na mudança do óleo, da água do limpa pára-brisas e filtros do carro? Fui eu, mas não digam a ninguém. Os carros começaram por ser um luxo. Passaram a ser indispensáveis, e hoje em dia são de novo um luxo, pela manutenção e pela subida do preço dos combustíveis. Eles andam no Irão às turras e nós é que pagamos as favas.

14 de abril de 2026

De macho a macaca.


   Não sei se já repararam que as beeshas estão todas a sair do armário. Eu já sabia disso, mas tenho-me dado conta especialmente com os actores brasileiros: o Reynaldo Gianecchini, o Miguel Falabella, entre muitos outros. São tantas a sair que nem me lembro do nome de todas. Destes dois, por acaso, nunca desconfiei. Andavam bem metidos no fundo do guarda-roupa. E há tantos, mas tantos, num processo idêntico. Passam de machos a autênticas mariconas. Transformam-se verdadeiramente. Não é apenas o “sou homossexual”, ponto final (que nem isso ninguém é obrigado a dizer). Começam a usar trejeitos, a vestir cores garridas, a comportar-se de uma forma estranhíssima, e eu só consigo pensar “coitada desta gente, o que deveriam sofrer”. Viver-se como não se quer deve ser horrível, como também é horrível não conseguirmos esconder o que somos -o meu caso-, o que sempre me acarretou um preço demasiado alto, que paguei, com juros e correcção monetária. Se eu tivesse conseguido disfarçar, teria sofrido muito menos. E isto leva-me a outra conclusão: temos de agradecer aos inúmeros gays que deram a cara e o corpo às balas, durante décadas, para que agora as macacas comecem a sair todas como cogumelos. O Carlos Castro, por exemplo, que foi ridicularizado durante décadas.

12 de abril de 2026

Os ficheiros do caso Carlos Castro.


    Aquando da morte do Carlos Castro, eu deixei a minha primeira reacção no dia seguinte, aqui. Foi algo simples, mas muito sentido. No fundo, foi o que me ocorreu naquele momento. Os anos passaram, e já se passaram quinze anos (parece que foi ontem), e o caso ficou arrumado. É daquelas situações horrorosas que nunca esquecemos completamente. Há dias, o jornal Observador decidiu fazer um podcast sobre o assassinato do cronista, revelando dados inéditos. Eu tive tanta curiosidade em ouvir os seis episódios que os devorei de uma assentada. Recuperei a assinatura digital do jornal só para ter acesso ao conteúdo.

   Agora, como há quinze anos, a minha opinião é a mesma, quer dizer. Nada justifica aquela barbaridade. Estou convencido de que o tipo não era gay, o Renato, e de que se aproximou do Carlos para conseguir algo no mundo da moda, uma vez que ia a castings atrás de castings e não conseguia nada. O Carlos apaixonou-se, obviamente. Um miúdo de 21 anos, atlético. Pensou que seria bom enquanto durasse: ver-se na companhia daquele miúdo aqui e ali fazia-o sentir-se bem. No entanto, naquela tarde fatídica, alguma coisa aconteceu, que nunca foi esclarecida. Dos implicados, um morreu e o outro não quer falar. Na minha opinião, que vale o que vale, houve uma mistura de frustração, com nojo e com algum desequilíbrio mental associado. O pior de tudo é ver que há quem esteja do lado daquele assassino. É o que vou lendo pelas redes: que, “coitadinho”, foi enganado pelo velho; chegam a dizer que nem deveria estar preso. As pessoas perderam realmente a noção do que dizem. Nada justifica um homicídio, e menos ainda naquelas circunstâncias e com aqueles requintes de perversidade. Está preso e bem preso, e que fique assim por muitos anos mais.

9 de abril de 2026

Problemas.


   A minha vida mudou substancialmente com a vinda para Espanha. Foi como se tivessem agitado a garrafa. Deu um giro de 180°. Entretanto perdi a família toda. Isso também não é novidade. Há dez anos tinha uns problemas, e agora tenho outros. Um exemplo: o carro. Há dez anos não conduzia, embora tivesse carta; agora conduzo e tenho carro: despesas, revisões, seguros. Há dez anos não andava cheio de trâmites administrativos e processos judiciais. A minha avó era viva. Não havia partilhas. Agora há. Também é certo que alguns desses processos procurei-os eu, isto é, fui ao encontro dessas chatices por obstinação. 

   Não me queixo. Longe disso. Estou imensamente melhor do que há dez anos, em todos os aspectos (ou quase todos), mas a vida nunca nos dá sossego. Há sempre alguma coisinha a atormentar-nos, a tirar-nos a tranquilidade. E eu nunca estive tranquilo. Creio que não sei o que é isso há décadas. Talvez seja coisa minha. Talvez a maioria das pessoas consiga encontrar algo de paz no meio do caos. Eu não.

8 de abril de 2026

As procissões.


   Ter conhecido Salamanca na Semana Santa permitiu-me ainda assistir a várias das inúmeras procissões que percorreram a cidade. Foram realmente muitas. Eu assisti a três ou quatro. Milhares de pessoas amontoavam-se nas ruas e praças para deixar as procissões passar. E estas -embora, segundo dizem, não tenham a opulência das andaluzas- são bonitas e ornamentadas. É um espectáculo de fé, que atrai pessoas de todo o mundo, sendo um evento de interesse internacional, e o centro histórico de Salamanca é Património da Humanidade pela UNESCO.





6 de abril de 2026

Os cinquenta anos da Constituição de 1976.


  No passado dia 2 de Abril, comemorou-se o quinquagésimo aniversário da aprovação da actual Constituição de 1976. De lá para cá, passou por sete revisões, ou reformas, e embora mantenha o espírito inicial que presidiu à sua feitura, no que respeita aos princípios democrático, de respeito pela pessoa humana, pouco ou nada resta da Constituição económica, por exemplo. Na sua versão original, era uma Constituição quase comunista, inspirada no extremismo de esquerda que se seguiu à Revolução. Quis o bom senso que fosse sendo aperfeiçoada, e a prova provada de que uma Constituição deve ser breve e sucinta, e por isso atemporal, é a nossa: prolixa, demasiado extensa, que obriga o Estado a tudo e mais alguma coisa, e que por isso mesmo, em grande parte dos casos, como nos direitos sociais, é letra morta.

     Sinceramente, não sei se a Constituição precisa de uma oitava revisão. A questão não reside tanto em dotar a Constituição de mais mecanismos e imposições para o Estado e os cidadãos, mas sim de cumpri-la, e em tempo razoável.


5 de abril de 2026

Salamanca.


   Como vos disse na publicação anterior, eu estive em Salamanca em 2005. Foi como se não tivesse estado. Além de estar muito doente naqueles anos (de uma doença que na altura nem sabia que tinha), não fui em turismo. Estive lá porque os meus pais foram visitar uma pessoa do nosso conhecimento, que estava a passar por um momento difícil. A viagem foi muito pouco edificante. Assunto encerrado.


A cidade desde o alto das torres velhas da catedral


    Falemos destes dias, em que agora posso dizer que sim, conheci Salamanca. Uma cidade lindíssima. Das mais bonitas que vi. Monumental, com duas catedrais imponentes. As universidades, que também visitei, uma delas uma das mais antigas do mundo (hermanada, curiosamente, com a de Coimbra). O centro histórico muitíssimo bem cuidado. Adorei os dois dias que estive lá. Aproveitámo-los bem. Com um detalhe: fomos na Semana Santa. A Semana Santa de Salamanca está considerada um evento de interesse internacional. Havia milhares de pessoas nas ruas para acompanhar as várias procissões (também vimos muitas). Uma atmosfera fantástica numa cidade que transpira história e cultura. Adorei conhecer a(s) universidade(s) por dentro, subir às torres da Pontifícia, às torres velhas da catedral; poder ter umas vistas privilegiadas desde o alto. Com um plus: sendo Sexta-Feira Santa, a priori as catedrais estariam fechadas para turismo, mas conseguimos aproveitar alguns momentos entre os actos litúrgicos para as visitar. 


A Universidade Pontifícia e a Casa das Conchas


   Creio que se nota o entusiasmo nas minhas palavras, porque realmente Salamanca surpreendeu-me imensamente. Não esperava algo tão magnânimo. Estivemos algo menos de 48h (porque o meu marido tem plantão neste Domingo de Páscoa), mas posso-vos dizer que, como aqui se diz, “le hemos dado caña”. Não ficou nada por ver, nada entre o emblemático e o imprescindível. Deixo-vos algumas fotos.