19 de março de 2026

Seremos todos um pouco bissexuais?


    Lembram-se da famosa escala de Kinsey? Falou-se muito dela durante uns anos. Para os distraídos, essa escala dizia que entre o estritamente homossexual e o estritamente heterossexual, que são muito poucos, há várias tendências. Que nem tudo se resume a heterossexuais, bissexuais e homossexuais, e que no fundo a grande maioria da população humana é bissexual ou com tendências bissexuais, isto é, que apenas uma ínfima minoria é exclusivamente heterossexual ou homossexual. A mim começou-me a fazer sentido, e explico-vos o porquê.

    Eu nunca me sentira fisicamente atraído por uma mulher. Jamais. A sexualidade humana vai-se definindo durante a adolescência. Eu em tudo ando sempre um pouco atrasado: maturidade, por exemplo. De há uns anos para cá, apercebi-me de que o corpo da mulher me excita. Não a mulher enquanto pessoa, não a personalidade feminina. O corpo. Excita-me, por exemplo, a ideia de estar com uma mulher na cama, de chupar-lhe os seios, de penetrá-la, de lambê-la. Mas sei que não sou bissexual. Duvido que conseguisse ter uma relação com uma mulher. Simultaneamente, sim, seria totalmente capaz de ter sexo com uma; a ideia excita-me imenso. Portanto, sim, a escala de Kinsey faz-me sentido, e demonstra que estas pessoas que dedicam uma vida a estudar certo tema, alguma razão terão. Eu sou homossexual, mas não a 100%. Há uma parte de mim mais bissexual: a dita escala, que é tipo uma palete de cores: entre o branco e o preto (que na realidade nem são cores), há muitas outras no meio. E vocês, sentem alguma atracção exclusivamente física por mulheres, sendo homossexuais? Se houver algum heterossexual a ler, a pergunta é adaptada no mesmo sentido; se, sendo heterossexual, sente alguma atracção física por alguém do mesmo sexo.

4 comentários:

  1. Quando era adolescente, sim, cheguei a ter "brincadeiras" com mulheres e tive excitação. Hoje em dia não sei. Talvez se fosse alguém, que correspondesse a 100% do ideal que tenho da "mulher perfeita", e talvez estivesse para ai virado. O que tenho a certeza é que o corpo masculino excita-me mais que o feminino, mas isto, já sabe. Nem tudo é absoluto.

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    1. Eu nunca tive nenhuma experiência com uma mulher, mas sei que não me importaria; mais digo, é algo que me seduz e excita.

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  2. Olá, Mark.

    Fizeste-me pensar na dinâmica do passivo e do ativo numa relação homoafetiva. Nota que podemos falar de homens ou mulheres homossexuais quanto a esta dinâmica. O meu ponto representa um desvio em relação ao tema de que falas, mas aponta para uma relação, pelo menos nos papéis. Vamos pensar.

    Tome-se o exemplo de um indivíduo gay “versátil”: certas vezes, ou com determinadas pessoas, sentirá desejo de penetrar outro homem, assumindo uma atitude dominante. Proteger, controlar e conduzir; outras vezes, o desejo será complementar. É verdade que estou a tocar no termo “papel”, mas, enquanto lia o teu texto, fui para aqui: papéis mais femininos ou masculinos.

    Certo é que os corpos serão ambos de homem ou de mulher, mas por que raio queremos nós penetrar um homem quando este não tem uma vagina (ou penetrados?

    PS: Identifico-me com ideia de estar com uma mulher, mas não conseguiria desenvolver afeto por ela. Que não me deem também esse castigo ahahahah

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    1. Olá, Diogo (suponho que sejas o Diogo),

      Está muito bem visto. Daí que hoje em dia se fale muito dos gays que prescindem voluntariamente do sexo anal, porque não se identificam, não gostam ou não querem desempenhar nenhum papel heteronormativo. No meu caso, e sem entrar excessivamente em detalhes íntimos, também não é do que mais gosto. Digamos que sinto mais prazer de outras formas.

      As pessoas associam sexo a penetração (vaginal ou anal), mas é incorrecto.

      Um abraço.

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