23 de março de 2026

Só dês um livro a quem o mereça.


   Eu adoro comprar livros. Lê-los, evidentemente, mas comprá-los, mesmo que demore anos a pegar neles, é algo que não posso evitar. Recentemente soube que isto tem um nome qualquer, e que não é necessariamente mau, ou seja, não é um mero vício; digamos que vou comprando livros cujos temas me interessam. É como estabelecer uma espécie de baliza mental; de biblioteca dos meus gostos. Não é acumular. Os livros nunca são demais.



   Esta introdução para dizer que, às vezes, quero livros antigos e descatalogados, que compro a privados através de plataformas como o OLX ou alfarrabistas. O último que comprei foi um sobre Portugal e Castela na Idade Média. Frequentemente, encontro dedicatórias dentro dos livros. Uma recente levou-me a pensar: o que levará alguém a desfazer-se de um livro que lhe foi dado com carinho, mesmo que esse carinho tenha deixado de existir? Afinal de contas, existiu num determinado momento no tempo. E um livro é um presente tão especial, que fico sempre com aquela ideia de que quem dá um livro tem verdadeiro afecto. Por isso, nunca dês um livro a alguém que desconfies que é capaz de se desfazer dele, vendendo-o a outrem que depois o põe à venda numa plataforma qualquer. Um livro é amor, é testemunho de amor, e isso deve ficar, mesmo que o resto já não esteja.


Sem comentários:

Enviar um comentário