Foi há quatro anos que começou a guerra da Ucrânia. Como eu temia, a Rússia não vai ceder um milímetro. Quer não só o território ocupado ilegalmente à Ucrânia como quer ainda determinar a política externa e interna do país vizinho, que considera seu. Aí reside o problema. A questão ucraniana não é circunstancial; é de fundo. Para a Rússia, a Ucrânia não merece ser independente. Quando assim é, não há nenhuma chance de paz duradoura para os ucranianos. Ainda que a guerra termine agora, despoletará de novo em dez, vinte, trinta anos. Será sempre uma bomba prestes a estalar, porque a Rússia não respeita a existência da Ucrânia. Quer integrá-la no seu território, ou sujeitá-la totalmente, como sucede com a Bielorrússia, um Estado fantoche e cúmplice.
Tenho imensa pena pelo povo ucraniano. Nenhuma solução será boa. Só o fim do regime de Putin poderia trazer alguma tranquilidade na região, o que se vê difícil para todos os efeitos.
A Rússia desde o fim da monarquia, nunca mais recuperou. Na minha opinião. E é um país imenso.
ResponderEliminarDepende do que entendes por recuperar. Se te referes a prestígio e riqueza, não é certo. A Rússia dos czares do início do século XX era um país pobre, com um regime absolutista e sem relevância nenhuma. Deu um pulo enorme com a Revolução Bolchevique. Passou de país rural e agrário a superpotência, disputando em pé de igualdade com os EUA, e isso não é pouca coisa.
EliminarPortanto, não consigo perceber a que te referes exactamente. Respondi-te segundo o sentido que intuí das tuas palavras.
Era um país pobre onde a população era perseguida já na fase final da monarquia, sem problemas de consciência, um pouco porque o Czar se desligou da realidade. Daí, até aparecer uma revolução foi um passo, mas ao contrário da francesa, que tinha os ideias da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, a Russa, apenas trocou um regime autoritário por outro, também ele sanguinário. Se é verdade o que escreves que passou a super potência, também não deixa de ser verdade, que o foi à custa de muitas vidas humanas e de muita privação de liberdade e libre escolha. Aliás, ainda hoje assim é. O russos vivem numa autocracia violenta, onde as elites, nos novos Romanovs, usam e abusam do povo. E quando escrevo que "não recuperou", bom, porque a ideia que estava subjacente à queda da monarquia não aconteceu. Apenas se trocou algo mau, por algo igualmente mau (falado apenas das pessoas), uma vez que não existiu a oportunidade efetiva da construção de um regime onde todos pudessem ter voz.
EliminarAh, agora entendi perfeitamente. Ou seja, nunca deixou de ser um país autocrático. É verdade. Já não sei quem é que disse que a Rússia não sabia viver em democracia.
EliminarSabes, a situação nos países muito extensos é mais complicada do que em países pequenos. Países como China, Rússia, Brasil, etc, ou têm bons alicerces democráticos desde o início -como os EUA-, ou então depois é muito difícil deixarem-se governar de forma plenamente democrática. São territórios muito extensos e geralmente muito povoados, e às vezes somos injustos quando fazemos análises comparativas. O Brasil não é a Suíça. Por exemplo. São países totalmente diferentes, com percursos diferentes; são sociedades que não se podem comparar em nenhum sentido, por isso, não podemos exigir ao Brasil que seja tão bom quanto a Suíça, ou tão democrático. Isto é como com as pessoas: analisamos sempre os resultados finais, mas esquecemo-nos de que nem todos tivemos as mesmas oportunidades, e que nem todos partimos da mesma casa de saída.