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31 de agosto de 2026

Feira do Livro e Férias.

    Há dias, estive na Feira do Livro de Monforte de Lemos, que fica mais ou menos a 60 km de onde moro. Não tem nada que ver com a Feira do Livro de Lisboa, como calculam. Isto é muito pequenino. Eram seis ou sete tendinhas dispostas num espaço reduzido, mas com boa oferta de livros, quer em castelhano, quer em galego. Nós temos milhares de livros. Uma biblioteca impressionante, e começamos a não ter espaço para metê-los. Fomos, aliás, duas vezes: no primeiro dia, 26, e no último, este sábado, 29. Deixámos ali mais de quinhentos euros em livros. Monforte de Lemos, em jeito de curiosidade, é uma vila na qual se diz ter nascido Inês de Castro.

  Agora, vou de férias, para as minhas queridas Canárias, como de costume. Este ano escolhemos Tenerife. Conhecemos a Gran Canaria (onde estivemos três vezes), Lanzarote e Fuerteventura. Tenerife está em falta, das quatro grandes ilhas do arquipélago. Partimos em dois dias. Necessito praia e algum bulício, que me afaste da pasmaceira (outros dirão tranquilidade...) do rural. Até ao meu regresso!


30 de janeiro de 2022

Madrid.


    Olá! Voltámos de férias, e irei iniciar hoje uma leva de publicações sobre a nossa semana. Como referi antes, foram curtinhas, é certo, mas bem aproveitadas. Geralmente, faço um roteiro dos locais a conhecer (no Verão, como são férias de praia, por vezes não o faço). Esse roteiro envolve a pesquisa de sítios na internet, publicações de quem já viajou para os mesmos destinos, páginas oficiais de turismo etc. Tudo o que considerar pertinente.


A enorme e agitada Gran Vía


    Madrid, neste caso, não surgiu no plano de férias deliberadamente, antes sim porque necessitámos passar por lá para voar até... Budapeste. Sim, foi esse o nosso destino final, a capital da Hungria, uma das cidades mais belas e visitadas da Europa. Não havendo vôos desde a Galiza, tivemos de ir à capital do Estado, o que de certa forma foi bom para mim, que não conhecia a capital do segundo Estado com o qual tenho um vínculo jurídico.


O Palácio Real, que o Rei não habita pelas suas dimensões


    Estamos a duas horas de Madrid, e agora temos a vantagem do comboio de alta velocidade que liga Ourense, a capital da nossa província, a Madrid em menos de nada. Chegámos no dia 23 pelas 14h, sensivelmente. Madrid é uma das maiores cidades da Europa. Salvo erro, a terceira maior da União Europeia. Conhecê-la numa dia -melhor dizendo, numa tarde!- é impossível. Procurámos visitar os locais mais emblemáticos, inclusive porque teríamos um vôo no dia seguinte às 7h. Para estarmos no aeroporto com duas horas de antecendência, tivemos de nos levantar pelas quatro. Uma tarde em Madrid, no Inverno (ou seja, a anoitecendo cedo) e tendo de madrugar. O que fazer, então?


Pareceu-me uma ideia genial. No Campo Grande, em Lisboa, tentaram o mesmo


     Felizmente, estava uma tarde soalheira. Começámos pela emblemática Gran Vía, talvez a avenida mais famosa da capital espanhola. Descemo-la e fomos dar com o Palácio Real. Antes disso, importa referir, passámos pela Porta do Sol, também ela incontornável. A próxima paragem foi a Porta de Toledo e, por insistência minha, o encantador Parque do Retiro. O bom de Madrid é que, ao contrário de Lisboa, tem um metro cuja cobertura abarca toda a cidade, e funciona bem, muito bem. Não podemos comparar a importância geoestratégica de cada cidade, o seu peso demográfico e as suas superfícies territoriais, mas verão, mais tarde, o que me pareceu o metro de Budapeste. No Retiro, quis muito percorrer o lago num barquinho, um programa que me pareceu romântico, mas o M. não sabe nadar e tem verdadeiro pavor de se afogar!


La Gran Vía por la noche

     Madrid está perto, relativamente, e havemos de voltar (ficaram por visitar o Prado e o Reína Sofía, nomeadamente...). Foi uma passagem curta, por condicionamentos da viagem, que todavia me permitiu ter um panorama da cidade, e adorei-a. Adorei Madrid, do pouco que vi. Adorei a liberdade das suas gentes, liberdade social, sexual. Madrid tem uma atmosfera vívida e brilhante, e essa liberdade reflecte-se no comportamento das pessoas. Uma cidade totalmente gay-friendly, que me reportou ao que encontrámos nas Canárias. A voltar muito em breve.


Todas as fotos foram captadas por mim, e o seu uso se dará com a devida autorização.

22 de janeiro de 2022

Férias.


   Não serão muito longas, mas darão para que o M. possa descansar uns dias e conhecer lugares novos, e eu também, que sou do campo agora, mas feliz. Embora tenha lido por aí opiniões bastante preconceituosas e inclusive ofensivas sobre o campo e as suas gentes, viver aqui é bestial. O sossego, a tranquilidade, o carinho das pessoas, a ausência de stress, de poluição... Sou lisboeta, e admito que a transição demorou, no entanto, hoje em dia estou plenamente integrado e já comentei com o M. que, um dia que daqui nos ausentemos, não quererei ficar longe do campo. A meio termo entre o rural e a cidade. Aqui, inclusive, e são esses os nossos planos, podemos ter uma quinta com animais, árvores de fruto, roseiras... Não é por acaso que vários estudos indicam que há uma tendência crescente para que as pessoas deixem as cidades, onde a qualidade de vida diminui dia após dia, e escolham o campo. Alguém de bom senso trocaria uma propriedade no campo por um apartamento minúsculo na periferia ou na cidade?

  De igual modo, tenho lido comentários sobre mim que roçam quase a injúria e a difamação. Surpreendem-me vindos de pessoas com quem mantive uma relação de amizade por anos. Atrás de um computador, há quem julgue que tudo pode, e sobreponha ao respeito que o outro merece, quando mais não seja em honra de bons momentos que se viveram, a liberdade que não tem de ofender.

   Entretanto, como me tem vindo a ser dito por gente próxima, no meu momento actual, em que nunca me senti tão bem e realizado, deixar que comentários que tudo quando visam é perturbar-me o consigam seria no mínimo irresponsável. Não posso perder tempo e energias com isso, daí que tenha decidido, definitivamente, enterrar todos os machados de guerra. Quanto a mim, está feito. Não poderei retomar qualquer tipo de relação com quem me procurou destratar tanto, em todo o caso, passo uma borracha, como se diz, e sigo em frente.

    Até ao meu regresso!

9 de setembro de 2021

Aquashow.


    Durante a minha estadia no Algarve, um amigo levou-me a um parque de diversões aquático pela primeira vez. Eu não sou nada aventureiro, nada. Ver aquelas atracções todas, com escorregas, montanha russa, pistas etc, encheu-me de medo. Não queria ir, mas com tanta insistência acabei por aceitar. Além disso, e embora não seja nada aventureiro e corajoso, sou tremendamente curioso, e há um lado em mim que quase me obriga a viver certas experiências para ter o que contar.

    O parque fica situado em Quarteira. É enorme, e eles dizem -o meu amigo corroborou- que é o mais completo do país. Está dotado, a par das atracções que o tornam apetecível, de piscinas: tropical, para nadar e uma que, de tempos a tempos, gera ondas artificiais. Dispõe ainda de uma piscina-jacuzzi de água quente com tempo cronometrado, senão muitos (incluindo eu) não sairiam dali.

   Das ditas atracções, umas são pistas individuais sem bóia, ou seja, lançamo-nos sem qualquer acessório; depois há aquelas individuais com bóia e algumas que permitem duas ou mais pessoas numa bóia. Escusado será dizer que eu não me atrevi a entrar em nenhuma individual, por medo, e fiz praticamente todas a dois ou mais (éramos três). E fui à montanha russa.

    O que mais receio me provocou foi a velocidade que as bóias atingem. Impulsionadas pela água (algumas com jactos), aquilo vai por ali afora de modo descontrolado. A bóia gira, inclusive pode-se virar, e nós no meio. Não houve nenhum momento em que me tenha sentido em perigo -é um parque moderno, concorrido, com fiscalização. É aquela sensação de descontrolo e desgoverno, aliados à novidade, que me fizeram ficar apreensivo. Longe vão os tempos daqueles parques aquáticos em Portugal que levaram à morte de duas crianças.

    Em que atracções andei? Pois bem, foram elas: o Riverslide, o Shark Slide, a Montanha Russa, o Thunder Cruise, o Mammothblast e o Lazy River, mais as piscinas. Houve alguns em que, mesmo acompanhado, não tive coragem de me meter. Para mim e para uma primeira vez, foi mais do que poderia esperar (acreditei que nada faria).

     Uma vez que andamos pelo parque, que é extenso, e deixamos os nossos pertences por ali mesmo, nos vários jardins habilitados para o efeito, não levei o telemóvel, por precaução. Assim mesmo, eles têm um staff encarregue de nos tirar fotos (que depois vendem a um preço escandalosamente elevado para o que é). Porque foi um inédito e provavelmente não me meterei de novo em algo assim, comprei as minhas fotos na montanha russa e na piscina de ondas. Duas recordações.

6 de setembro de 2021

Férias (V) - O Algarve e a inquietação.


   Fica desde já prometido que esta é a minha última publicação sobre umas férias que começaram nas Canárias, passaram pela Finisterra e terminaram, como vem sendo habitual desde há uns anos a esta parte, no Algarve, em Vilamoura, onde estive praticamente quinze dias. E já temos planos para uma viagem, no final de Outubro, a Roma, Florença, Atenas ou Amesterdão, que o M. ainda tem quinze dias por gozar. Tenho andado a pensar acerca da cidade a escolher, com ligeira preferência pela capital italiana.

   Cada vez se torna mais difícil para mim ir a Portugal. O único que me liga àquele país é a minha mãe, e eu diria também o meu pai (porque fica bem), se bem que, em verdade, há anos que não lhe ponho os olhos em cima. Falamos diariamente pelo chat. Não necessito de mais.

    O Diesel ficou no apartamento. O M. cuidou dele como pôde, que a vida de um médico com plantões de 48h não lhe permite muito mais. Levava-o a passear quando chegava a casa ou nas horas mortas, uma a duas vezes por dia, o que é pouco. O cãozinho também é outra fonte de preocupações quando me ausento, e a última vez fora há precisamente um ano. Não o deixei de novo no hotel para animais porque o M. me garantiu que ele ficava bem. E ficou. Alguma solidão passou, mas ficou bem, na sua casa, na sua cama.

    Quando estou , a cabeça e o coração ficam cá. A sensação, ao regressar, é a de um dever cumprido, e é assim que encaro todas as minhas idas a Portugal. Não é um prazer. É um dever. Um dever que, espero, só se imporá de novo dentro de um ano. Agora, quero desfrutar de novo da minha casa, do Diesel e do M., que tanto me necessitam e que são, em rigor, a minha família.

19 de agosto de 2021

Férias (IV) - A Finisterra.


   Finisterra, em latim, finis terrae, ou seja, “o fim da terra”. Isso pensavam os romanos quando a baptizaram assim. Julgavam que tinham chegado ao ponto mais a oeste do mundo, mas afinal enganavam-se: esse estava no Cabo da Roca, em Portugal, o ponto mais ocidental da Europa continental.

    A Finisterra é um munícipio galego na província da Corunha, e foi ali que as nossas férias seguiram após termos regressado das Canárias. O avião aterrou em Santiago de Compostela, e no dia seguinte partimos em direcção ao nosso destino. Umas poucas horas de carro.


As águas, límpidas


    O clima daquela região espanhola não poderia distar mais do das Canárias, de forte influência oceânica, que se reflecte na aragem, fresca, e na temperatura da água, gélida. Pude constatá-lo na agreste e perigosa Praia do Mar de Fora, de mar revolto, extremamente impróprio para banhos. A Praia da Langosteira, todavia, é mais conhecida e convidativa.


A Finisterra está intimamente ligada à arte da pesca


    Ficámos hospedados numa casa rural, lindíssima, com piscina e um jardim extremamente agradável. Os seus proprietários eram um casal de dois senhores homossexuais de meia idade. À propriedade, imprimiram-lhe uma faceta antiga na decoração das divisões principais e dos quartos. Sentimo-nos em casa, é um facto. Além disso, tinham uma biblioteca recheada que nos fez as delícias enquanto desfrutávamos daquele sol não tão escaldante quanto o canário. São excelentes anfitriões, e um deles ocupa-se da parte culinária. Os pequenos-almoços, à discrição, eram requintadíssimos. 

    A vila é recomendável a quem quer descansar. Ainda assim, culminando ali o Caminho de Santiago, são de esperar muitos peregrinos.

Todas as fotos foram captadas por mim. Uso sob permissão.

10 de agosto de 2021

Férias (III) - As Canárias.


  Seguindo no nosso roteiro, outra das praias que nos ficou debaixo de olho foi a dos amadores, um pouco depois da praia de Puerto Rico. A Playa de los Amadores é parecida à de Puerto Rico: tranquila, numa baía, onde uma vez mais testei os meus limites. Fui, a nadar, até à zona que delimita a área reservada aos banhistas e a que fica para lá dessa linha marcada por pequenas bóias amarelas.


Esta foto foi tirada por casualidade, e é uma das que mais gosto das férias



   Na sexta-feira, julgámos por bem passar o dia na capital das Canárias, Las Palmas (de Gran Canaria). Las Palmas tem perto de 340 mil habitantes, o que, em Portugal, a tornaria na segunda cidade mais populosa. A sua área metropolitana ascende aos 600.000. Para variar, literalmente, não fizemos praia. Conhecemos a zona histórica, fomos à sua catedral -a Santa Iglesia Catedral-Basílica de Canarias-, que é lindíssima. Conseguimos, a dois minutos de encerrar o elevador que nos leva à torre, subir e apreciar as vistas sobre a cidade. No Patio de los Naranjos, que fica situado ao lado da catedral, visitámos o Museu Diocesano de Arte Sacra. Por último, o Museu Canário, que, honestamente, foi o que me deixou mais na expectativa (ainda na fase anterior à viagem, de pesquisa), pela colecção assombrosa de fósseis humanos, de aborígenes, ou seja, de povos autóctones da ilha que a habitavam aquando da chegada dos exploradores espanhóis e portugueses.


La Plaza Mayor de Santa Ana

  As férias nas Canárias estavam prestes a terminar, mas seguiriam no dia seguinte, após uma breve passagem por Santiago de Compostela, noutro local igualmente encantador. 

Todas as fotos foram captadas por mim. Uso sob permissão.

4 de agosto de 2021

Férias (II) - As Canárias.


   A viagem durou duas horas e meia. Quando chegámos, dirigimo-nos imediatamente ao hotel. Depressa constatámos que se tratava de uma estância predominantemente homossexual pela quantidade de casais compostos por membros do mesmo sexo e bandeiras arco-íris que decoravam janelas e varandas. Demos um pequeno passeio pelas imediações, e desde logo um homem ofereceu-nos uma massagem aos dois. Foi a primeira vez que tal nos sucedeu, e a nossa reacção, em uníssono e imprevista, foi um “no, gracias”. Foi o meu primeiro confronto directo e inequívoco com uma sociedade muito mais aberta do que a portuguesa. Há inclusive, na zona, um centro comercial dedicado exclusivamente ao público homossexual e inúmeras lojas gay; dentro delas, lojas para bears, por exemplo. Vi um pénis em formato de vela, com as cores arco-íris, que tentei adquirir mais tarde, sem sucesso porque a loja estava fechada.


As vistas desde a varanda do nosso quarto


   No primeiro dia, ficámo-nos pela praia do inglês, ou seja, a praia que corresponde à zona do hotel. É uma praia imensamente frequentada, de areia escura. A ilha tem origens vulcânicas. De manhã, deixámo-nos ficar na piscina a relaxar. O hotel dispunha de piscinas de hidromassagem, além de solário, sauna e ginásio. Apenas experimentámos a hidromassagem. À noite, estávamos tão cansados que não saímos.


Uma pomba no areal


    No segundo dia, e uma vez que não estávamos distantes, fomos conhecer as dunas de maspalomas, e o nome já indica que são dunas, mas umas dunas totalmente distintas daquelas que conhecemos na península. São dunas que mais se assemelham a um deserto. Um microssistema com interesse, que termina numa praia. Se visitarem a ilha e eventualmente as dunas, não aconselho a que o façam à hora de maior calor. A temperatura da areia é verdadeiramente escaldante.


As Dunas de Maspalomas


   No terceiro dia, invertemos “o esquema”: começámos pela praia, desta feita na praia de Puerto Rico, uma praia formada por uma baía. As águas eram muito mais calmas que as da praia do inglês. Alugámos o chapéu e as espreguiçadeiras, como de resto fizemos sempre que as praias os tinham, e passámos uma tarde agradabilíssima.


A Praia de Puerto Rico


     No quarto dia, dirigimo-nos bem cedo ao norte da ilha, uma viagem que nos levou três horas, mas que considerámos essencial, até porque nunca havíamos visitado piscinas naturais. Fomos às piscinas naturais de Agaete, um paraíso natural formado pela erosão das rochas de origem vulcânica. O oceano foi esculpindo fossas e transformando-as gradualmente em piscinas. A única acção do homem foi dotar as piscinas de escadas para que os banhistas possam subir e descer.


As encantadoras Piscinas Naturais de Agaete



     Os restantes dias ficam para publicação ulterior.

Todas as fotos foram captadas por mim., Uso sob permissão.

2 de agosto de 2021

Férias (I) - As Canárias.


   Decidi-me a dedicar algumas publicações espaçadas às nossas férias. O M. queria uma viagem não tão distante, mas, por insistência da minha parte, lá aceitou; comprámos as passagens, reservámos os hotéis (dividimos as férias em dois locais, para variar) e esperámos um mês. As férias de um médico são marcadas com antecedência, e de certa forma também me quis assegurar de que tudo corria bem. Para tal, faz-se mister que tratemos dos assuntos atempadamente.

  Fomos ao arquipélago das Canárias, um conjunto de sete ilhas principais e mais alguns ilhéus que pertencem à Espanha. Ficam geograficamente situadas no norte de África, ao largo da costa do Saara Ocidental, um território a sul de Marrocos que até 1975 esteve sob a soberania espanhola. Com tantas ilhas à nossa disposição, por assim dizer, Tenerife talvez fosse a escolha mais evidente, entretanto, a preferência recaiu sobre a Gran Canaria, justamente onde se localiza a capital, Las Palmas de Gran Canaria. Não ficámos na capital, senão no sul da ilha, numa zona turística conhecida como Playa del Inglés.

   Por curiosidade, quando reservámos o hotel, um dos factores que tomei em consideração foi escolher um que não aceitasse crianças, por uma questão de maior tranquilidade. As crianças podem ser um tormento nos espaços de uso comum (e eu sei do que falo). Não sabíamos nós que nos encaminhávamos para uma das principais estâncias gay da Europa, a praia do inglês. Relativamente ao hotel, imaginei que os hóspedes fossem sobretudo gays e lésbicas, que os casais heterossexuais têm filhos, regra geral.


Costa marítima de Agaete


   Como calculam, o clima do arquipélago é subtropical, seco, o que se reflecte na paisagem, árida. As águas são cálidas e agradáveis. As temperaturas oscilam todo o ano entre os 20ºC e os 25ºC, nesse sentido, as Canárias são um excelente destino para quem gosta de fazer praia e não pode tirar férias no Verão. 

    Durante a nossa estadia, tivemos o cuidado de jamais repetir uma praia. Todos os dias fizemos piscina no hotel e reservámos as restantes horas para conhecer um local distinto, uma praia diferente. A ilha está longe de ser uniforme no que respeita às suas características. Se o litoral é seco, com dunas escaldantes, o interior é mais húmido, com bosques e serras que se elevam em altitude. Por uma questão de gestão do tempo, afastámos a ideia de conhecer o interior, cujas paisagens nos remeteram muitíssimo à Galiza. O nosso principal objectivo foi por um lado fazer praia e piscina, que adoro, e pelo outro, considerando esse objectivo, variar o mais possível. Sendo uma ilha, a Gran Canaria tem uma extensão territorial apreciável, 1.560 km2, o que a torna na terceira maior do arquipélago, suficientemente grande para ter autoestradas com três faixas de rodagem e inúmeras carreiras de autocarro. Em termos de comparação, a área metropolitana de Lisboa, conhecida por Grande Lisboa, tem uma área de 1.381 km2, um pouco menos que a Gran Canaria. Conseguem, então, ter uma ideia aproximada da extensão, que é significativa. Geralmente, nós, continentais, ou peninsulares, como lhes chamam os espanhóis aos seus nacionais que vivem em território continental, temos um conceito errado de ilha. Há ilhas maiores do que Portugal: Cuba, a Islândia, a Grã-Bretanha, Madagáscar, e outras muitíssimo maiores, como a Gronelândia, por isso, nada mais errado do que aquele dito jocoso de que numa ilha corremos o risco de cair da cama e acabar no mar.

    Na próxima publicação, começarei então a relatar mais pormenorizadamente a nossa passagem pela Gran Canaria.


Todas as fotos foram captadas por mim. Uso sob permissão.

13 de julho de 2021

Euro 2020, a final, e férias.


    Na minha opinião, as equipas mais estáveis ao longo do torneiro, exceptuando a Dinamarca, eliminada pela Inglaterra nas meias-finais, foram a própria Inglaterra e a Itália. A Itália ganhou todos os jogos, não deixando por isso de sofrer alguns percalços ao longo do seu caminho até à final, o mesmo que se dizer da Inglaterra.

   Esta edição do Euro 2020 teve a particularidade de ser disputada em várias cidades europeias. Por acaso do destino, ou não, a Inglaterra jogou sempre em casa, em Wembley. Somente nos quartos-de-final defrontou a Ucrânia em Roma, goleando-a, a propósito. Sabemos que, nestes torneios, os factores jogar no país de origem e com público favorável nos estádios podem ajudar ao desempenho das selecções ou equipas que têm essa sorte do seu lado. A Inglaterra, à semelhança de Portugal em 2004 e da França em 2016, começou a padecer de um excesso de confiança que a prejudicou. Houve, além disso, um certo desdém e desrespeito dos adeptos ingleses, já de si pouco conhecidos pela moderação, pelos seus adversários, primeiro assobiando a Dinamarca durante a apresentação do hino e de seguida propagando mensagens que davam como garantido a ida da taça para Londres. Apesar do efeito aparentemente galvanizador, há a outra face da moeda: a responsabilidade acrescida. A Inglaterra ficou como que obrigada a ganhar, por um conjunto de circunstâncias que a beneficiavam, ao passo que a Itália, que nas duas últimas grandes competições nem se conseguiu apurar, ainda que tivesse perdido ontem, seguramente que os adeptos reconheceriam o esforço da squadra azzurra de passar da surpreendente ausência das fases finais dos campeonatos da Europa e do mundo para uma disputa do título. O saldo seria sempre positivo. 

    Após a derrota de Portugal e de Espanha, passei a torcer pela Dinamarca, uma selecção que foi colhendo o carinho de aficionados de todos os cantos da Europa também pelo trágico episódio com um dos seus atletas logo no jogo de estreia frente à Finlândia. Não considero que a derrota com os ingleses tenha sido justa, se se pode falar de justiça num desporto, em todo o caso, chegar às meias-finais e morder os calcanhares de selecções teoricamente mais fortes evidencia uma excelente participação dos dinamarqueses.

     Já em 2022, teremos o Campeonato do Mundo de Futebol, no Qatar, para nos animar o Verão. Eu sigo de férias, por quinze dias, rumando a um local a mais de 2.000 quilómetros de distância de onde me encontro. Até ao meu regresso.