Visita molhada, visita abençoada. Não, que nem choveu. Chuviscou. Lisboa consegue ser encantadora nos dias cinzentos, como o de ontem. Fundação Ricardo Espírito Santo - Palácio Azurara pela manhã, com a tarde dedicada ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência (e Jardim Botânico de Lisboa) e ao Reservatório da Patriarcal.
O Palácio Azurara situa-se em Santa Maria Maior, nas Portas do Sol. É um edifício do século XVII, que Ricardo Espírito Santo comprou para aí depositar a sua colecção particular. A entrada não é gratuita. Apreciadores de História, sobretudo daquele período, não o levarão, ao preço, em consideração. Gostei particularmente dos óleos de personagens da nossa história, como os de Dom João V, Isabel Farnésio ou Catarina de Bragança. De igual modo, adorei os exemplares da mais bela faiança que temos, assim como da prataria. O mobiliário, que decora o interior, é também ele riquíssimo. Um dos tesouros, por assim dizer, mais curiosos diz respeito ao estudo de um quadro maior, oferecido a Dom João VI, que se terá perdido no Brasil na sequência da saída da corte. Deixo-vos algumas fotos.


Quando saí, chuviscava. Entretanto, não podia perder a oportunidade de ir ao miradouro das Portas do Sol e ao miradouro de Santa Luzia, a uns metros abaixo. A chuva afugenta alguns turistas. Alguns. Outros, por sua vez, passeiam-se literalmente sob ela, sem guarda-chuva.

O tempo melhorou no decorrer do dia. Dirigi-me, de seguida, ao Príncipe Real. O Museu Nacional de História Natural e da Ciência encontra-se na Rua da Escola Politécnica. O edifício, antigo, albergou a faculdade de ciências até 1985. Antes disso, funcionou até como Real Colégio dos Nobres, até à sua extinção pelos liberais, no século XIX.
O museu está dividido em várias salas, por dois pisos, cada uma delas com uma exposição. Não as contei, se bem que fiquei com a ideia de que são realmente muitas, a ponto de - julgo que terão a mesma sensação - se sentirem perdidos entre os corredores. Gostei muito da exposição sobre o surgimento do planeta e da vida, desde os seres unicelulares aos hominídeos, no contexto do sistema solar e do universo. Gostei de praticamente todas, em suma. Dos fósseis, dos minerais. Áreas completamente distintas da minha, ou das minhas. Eis algumas fotos.
O Jardim Botânico de Lisboa, nas traseiras do museu, reabriu os seus portões ao público. Não iria, à partida, revisitá-lo, no entanto, uma vez que ainda tinha tempo, decidi fazê-lo. É lindíssimo, e encerra espécies únicas. É conhecida a minha predilecção por jardins. Recentemente, estive no Jardim Tropical de Belém, como sabem.
O dia não terminaria sem uma passagem pelo Reservatório da Patriarcal. O reservatório, inutilizado nos anos 40 do século passado, foi projectado para resolver os problemas de abastecimento de água nas zonas mais baixas da cidade. Contempla passagens subterrâneas, algumas das quais com percursos que podem ser efectuados mediante inscrição prévia. O reservatório fica a meio do jardim do Príncipe Real, no subsolo.
Um dia em cheio, com três visitas. Tenho imensos registos fotográficos, que irei partilhando convosco, sobretudo através do Instagram (isto para quem me segue - sabem que, aqui, apenas vos abro o apetite). Como é expectável, já tenho ideias para o próximo domingo. Ou sábado. Até lá!
Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. Uso sob permissão.