26 de dezembro de 2015

Kris Kringle | Mikel


   No desafio apresentado pelo Namorado, e que prontamente aceitei, do "amigo secreto", calhou-me em sorte o Mikel Shiraha. E digo em sorte porque, com efeito, conheço o Mikel. Estivemos juntos em algumas ocasiões. Não saberei, com exactidão, responder a determinadas perguntas do questionário, garantindo apenas que darei o meu melhor. Claro está que a tarefa queda facilitada quando temos algum contacto com o dito amigo secreto. Conheço o Mikel há uns três anos. É um rapaz simpático, atencioso. 
    Vamos lá, então. Uma pequena nota referente ao atraso na publicação: o Natal é um período que envolve algum dispêndio de tempo e de energia; fomos para casa dos avós, entretanto tive os preparativos da Consoada e do Dia de Natal, enfim, não me restando outra alternativa senão adiar. E vem muito a tempo, creio. :)

Cor dos olhos: Sou péssimo nestes pormenores, é uma vergonha, mas eu diria que são castanhos;

Número de sapato: (só tu, Namorado) Gosh, é-me tão estranho responder a isto (risos)... Hm... Err.. 41?;

Cor favorita: Estou convencido de que o Mikel já me disse isto... Não tenho ideia do contexto. Azul?;

Praia ou montanha: Vejo mais o Mikel a fazer montanhismo;

Tipo de música favorita: Pop, sem dúvida;

Data de início da actividade bloguística: Não posso afiançar, dado que o Mikel já teve outras plataformas, se bem que me recordo de uma conversa sua sobre um blogue de Pokémon, em 2004, salvo erro;

Personalidade que o amigo secreto o faz lembrar: Um roteirista. Um autor de seriado ou de novela, por exemplo, que considero, como de resto já lhe disse, uma área em que ele deveria apostar. E o formato novela é digníssimo, saibam. Porque os seus contos, a meu ver, facilmente seriam adaptados a uma série ou a uma novela. Têm acção. Não são narrativas estáticas. 
Na ficção, o Ash. Assenta-lhe bem;

     Espero que tenha feito um bom trabalho. Não vi o meu. Quem sabe e a quem calhei ainda o publica? Se não o fizer, fá-lo-á o Namorado. Justiça lhe seja feita.
      Continuação de boas festas.

24 de dezembro de 2015

Feliz Natal.


   O Natal é uma época de comunhão, de entrega. Uma reunião de família. Evocamos os vivos e tratamos de não esquecer os mortos. Tem um simbolismo especial. Das Consoadas fartas de risos, de sonhos, de magia e brilho. As mesas, ricamente decoradas de iguarias, entre um cálice de Boas Festas em votos que se brindam.

   Que possamos exportar o espírito da quadra para o ano inteiro. Que encontremos, enquanto humanidade, a paz que apregoamos nestes dias. Que façamos da tolerância, do respeito, da compreensão, da entreajuda, os guias, as matrizes, no relacionamento entre os povos. Porquanto o Natal, na celebração de Nosso Senhor Jesus Cristo, perpetua o seu nascimento entre os homens. O Filho Unigénito que veio em nossa redenção, livrando-nos da iniquidade e abrindo portas à vida eterna.

      A todos os que me lêem e seguem, aos amigos, os meus votos de um feliz e Santo Natal.


Mark



21 de dezembro de 2015

Christmas Time Is In The Air Again.


   Acordei bem cedo. Lá fora, a névoa tão característica da quadra. Podemos dizer, com firmeza, que estamos na semana do Natal. 
     Saí à rua. A mãe, despertando com os meus passos, perguntou-me o que iria fazer tão cedo. Sabe que os presentes estão todos comprados e adequadamente arrumados, incluindo o seu e os dos avós. Inquietou-me a ideia de deixar de apreciar a neblina por uma preguiça em saltar para fora da cama.

    Falei com o pai, ontem. Perguntei pela avó. Está triste. Será o primeiro Natal sem o avô em perto de setenta anos, contando o tempo em que estiveram casados e os anos de namoro. Acredito que a data não lhe traga mais do que dolorosas recordações. Quando chegamos a certa idade, pouco sobra do nosso ser vivente, porquanto fomos perdendo pedaços com quem vimos partir. Será o seu caso.

     A minha Consoada e respectivo Dia de Natal serão passados com a mãe e os avós, num jantar e num almoço intimistas. Não há grandes famílias, crianças correndo, embrulhos coloridos aos pés da árvore. Tudo muito sóbrio.
      Peguei na Bíblia. Quero ler passagens do Novo Testamento. Sublinhá-las. É tão humano socorrermo-nos de Deus quando nos sentimos fracos ou incapazes. Li-a em adolescente, naquelas leituras que fazemos por vontade incontrolável em aprender e por curiosidade, mas em que não possuímos, pela natural inexperiência, a capacidade para extrair devidamente os ensinamentos. Acredito que todos os livros religiosos têm as suas verdades, perfilhemos qual religião, ou nenhuma. Deus ter-se-á manifestado em cada um deles, inspirando os homens que os escreveram. Talvez a religião não seja o ópio do povo, como defendeu Marx. Talvez o homem seja o seu próprio ópio. Quando lemos escritos considerados sagrados, não devemos iniciar a empreitada esperando encontrar passagens que mereçam a nossa reprovação; devemos fazê-lo com um espírito crítico, sim, contudo numa leitura honesta, despojando-nos do nosso preconceito. Nada é intrinsecamente bom ou mau. Tudo tem a sua coerência. A Bíblia é um livro lindíssimo. Alguma passagem do Levítico, escrita há milénios, por mais injusta que nos pareça, desmerecerá uma obra de inestimável valor.

     Faltam três dias. O pai comemora o seu aniversário na noite de Natal. Tenciono vê-lo antes. Entretanto, façamos um balanço, pensemos nas nossas prioridades, e estejamos serenos. Para uns, estes próximos dias simbolizarão saudade, remorso; para outros, júbilo, confraternização, esperança. Que venham os doces e os papéis-fantasia espalhados pela carpete da sala de estar.

17 de dezembro de 2015

As Presidenciais (II).


   Estamos a pouco mais de um mês das eleições presidenciais. A bem ver, tentei evitar abordar assuntos políticos até ao Natal. A quadra em si propicia a uma pausa. As famílias juntam-se, muitas nos dois únicos dias do ano, e todos já pensamos nos doces e nos presentes. Não obstante, a vida não pára. E o acto eleitoral que se avizinha reveste-te de uma importância como nunca antes vimos. Eleger um Chefe de Estado, no nosso sistema, implica sufragar alguém a quem a Constituição mune de especiais poderes com relevância prática e constante. Isso pudemos verificar recentemente, com o impasse governativo em que estivemos pela demora do Presidente em empossar um Governo que garantisse a estabilidade social e económica do país.

   Uns candidatos desistiram; outros ficaram pelo caminho. A disputa será, à partida, sem prejuízo de algum que escape à minha menção, por lapso ou visível irrelevância política, entre Marcelo Rebelo de Sousa, Maria de Belém, Sampaio da Nóvoa, Edgar Silva e Marisa Matias, com particular destaque aos primeiros três, mediante que os dois últimos representam facções que dificilmente, sejamos objectivos, lhes permitiria passar sequer a uma segunda volta.

   Como a imprensa adianta, há um favorito. Um favorito da Comunicação Social e de determinados sectores da vida pública. E a esquerda, que tamanhos obstáculos encontra em se unir, já o percebeu. Marcelo é católico fervoroso, é do PSD. Ainda que tente fazer esquecer a sua militância político-partidária, ela existe e faz-se sentir. Será um Presidente interventivo. Mais do que se desejaria ou até mesmo do que a Constituição faz presumir. A sua atitude, nesta campanha, não tem sido particularmente respeitosa para com os demais candidatos, seus adversários. A entrevista concedida na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa foi claramente uma instrumentalização que visou manipular a opinião pública. Um Presidente não tem necessariamente de ser um jurista, constitucionalista. Apresentar-se na sua escola não o torna um político mais confiável. Eu disse político? Como o Senhor Professor rejeita esse vínculo!

     O favoritismo de alguns órgãos de Comunicação Social constatou-se, nomeadamente, nos tempos das entrevistas. Marcelo foi beneficiado no dobro dos minutos permitidos aos demais candidatos. A par de injusto, a observação que no imediato nos merece, é tendencioso e intolerável numa democracia de quarenta anos. A acrescer, Marcelo passou por uma exposição televisiva de mais de uma década, através dos seus comentários políticos, ora na TVI, ora na RTP. Quem precisaria de cartazes espalhados pelas ruas do país?

       A postura do Partido Socialista favorece Marcelo Rebelo de Sousa perante o eleitorado; Marcelo que já reúne o apoio explícito do PSD e do CDS. O Partido Socialista demonstra não querer se comprometer com qualquer um dos candidatos do seu espectro político, o que debilita as candidaturas da esquerda, cujos esforços para sujeitar Marcelo a uma segunda volta carecem de maior empenho e determinação. O risco de uma eleição à primeira volta persiste. E Marcelo não quer sofrer a "síndrome de Diogo Freitas do Amaral", nas célebres eleições presidenciais de 1986, que obteve um resultado expressivo na primeira volta, sendo derrotado na segunda por Mário Soares, que reuniu até o apoio do PCP.

        Na tradição portuguesa, um Presidente eleito para um primeiro mandato é reeleito cinco anos depois. Quem iremos escolher, sentar-se-á em Belém até dois mil e vinte seis. O país não pode ficar refém de alguém que almeja a Chefia de Estado por forma a vingar uma carreira política fracassada. O preço de uma má escolha será, certamente, cobrado, e apenas a nós poderemos imputar essa decisão errada.