Apostando em conseguir abstrair-me da rotina, procuro fazer o que nunca fiz, distrair-me, sair, viver sem me deter nisso. Não temos por que dificultar o que de si mesmo já é complicado. Nesse sentido, tenho passado pouco tempo em casa. Noites há que durmo fora, ora em casa da avó, ora em casa de um amigo.
No domingo fui à FIL, a uma feira de turismo. Participei em alguns passatempos sem qualquer intenção. Num deles ganhei um peluche. Um disparate: construir um avião em papel e tentar fazê-lo passar por um orifício de cartão. Logrando na tarefa, preencher um formulário e inventar uma frase com determinadas palavras. O prémio é uma viagem. Ainda aguardo a resposta. A minha frase não será a mais original. Obrigatório seria incluir "Países Baixos", "França" e o nome da transportadora. Com algo como "moinhos" e "Torre Eiffel", elaborei o que me surgiu estando sob pressão. Não pude pedir ajuda, embora obtivesse umas sugestões através de sms, escapando ao controlo rígido de quem por lá estava.
Tirei fotos, brinquei, foi engraçado. À noite, comprámos algo para jantar e ainda me aventurei em frente a um fogão (?). Os meus dotes culinários são inexistentes, mas não morremos à fome. Verdade seja dita, pouco fiz na cozinha. Ajudei como soube e os livros de receitas têm a sua utilidade. A juntar aos demais ingredientes, uma pequena dose de boa vontade e ânimo dão o toque final. E ficou bom!
Na medida em que estou tranquilo, o estudo torna-se menos penoso. Flui melhor. E tiro sobre mim uma certa responsabilidade exagerada. Não tenho muito mais a provar, tampouco a mim. Passo o tempo estritamente necessário na faculdade, elaborando os relatórios e as apresentações com a dedicação e o zelo que não descuro. Apenas deixo ir.
É caricato o modo como retiro algum encanto, ingénuo até, eu diria, de momentos triviais. Há quem diga que a felicidade está na simplicidade. Eu, que nela não acredito, começo a desconfiar do fundo de veracidade dessa afirmação. Não é descabida.
Não obstante desconfiar dessa felicidade, podemos alcançar a tranquilidade possível. É o objectivo. Tudo o mais são caminhos, relativamente sinuosos, dependendo de nós escolher os certeiros. Ou os que nos levarão à meta com a menor dor. Assim o alcancemos.
Um exercício para o qual não há códigos ou doutrina. Por isso complicado. E essencial.