Precisava ocupar os meus pensamentos com novas imagens, paisagens, conversas. Em casa, a atmosfera estava pesada, meio sombria, pejada de silêncios. E os momentos a sós, perdido em mim, sufocavam-me cada vez mais. Daí que aceitasse, sem grande hesitação, o convite do meu amigo para passarmos um fim-de-semana no Estoril (surpreendente em mim, que sou tradicionalmente indeciso).
Assim foi. Partimos de Lisboa por volta das onze e pouco da manhã. Chegámos ao Estoril, guiámo-nos pelo GPS e demos num instante com o hotel. Simpático, confortável, acolhedor. A cama de casal intimidou-me um pouco. Nada que se não ultrapasse com o espírito aberto.
Fizemos o check-in, deixámos os nossos pertences, e explorámos um pouco a zona. Há imenso tempo que não ia ao Estoril, embora goste ali da linha. Almoçámos num restaurante escondido numa ruela de Cascais. O atendimento foi mais do que duvidoso (esperei uma hora por um bife do lombo com molho de mostarda). Nem por isso se reflectiu no preço....
Passeámos pela marina, umas voltas, e até deu para ambos comermos gelados. Não fosse uma chuva insistente pelo passeio marítimo, já de noite, e teria sido perfeito (inclusive a chuva teve o seu encanto). Ir ao Estoril sem ir ao Casino é como ir a Roma e não ver o Papa. Posto isto, também por lá passámos.
No domingo, tomámos o café da manhã no hotel, cedo, e fomos até Oeiras. Fizemos a Parede, enfim, aquele percurso. Já almoçados, regressámos a Lisboa pela tardinha, não sem caminharmos na areia.
Estes dois dias foram essenciais para que encontrasse algum equilíbrio. A acrescentar às tormentas que vou tendo, minhas, o abalo familiar teve repercussões muito negativas na minha estabilidade emocional e até mesmo psíquica. Temo um esgotamento a poucos anos. Sinto-me desgastado.
Não foi um Dia de São Valentim. Foi um fim-de-semana animado e calmo. Sem pretensões a nada, nem cargas simbólicas. E diverti-me, sorri.
