11 de junho de 2014

Olá!


   Olá a todos! Eu sou a (...), err, não tenho nome. :( Pois é, o desnaturado do meu dono nunca me baptizou. Ele é um chato. Eu gosto dele. Às vezes, diz assim umas coisas esquisitas em voz alta quando está a estudar. Que chatice. :s Gosto de morar aqui! Mudam-me a aguinha todos os dias, dão-me banho debaixo da torneira, ai, sabe tãaaoo bem. Também me dão de comer. Eu como muito. :$ Adoro camarões e, de vez em quando, dão-me almôndegas e carne de panela, yummy! :D


   Vim para cá era muito pequenina. Não sei em que ano nasci, mês ou dia. :| A mãe do meu dono diz que fui um presente para ele, que era pequenito. Em Novembro de 1995. Disse à senhora que me deu, a babá do Mark, que não me queria porque as tartarugas morrem muito e não tinha tempo para mim! Bah, ainda cá estou, vês? :D Dou pouco trabalho. Desde que me mudem a água diariamente, mais do que uma vez no Verão, me alimentem e me deixem caminhar para tomar banhos de sol, não aflijo ninguém. (:


   Desculpem a minha cara nas fotos, mas não gosto destas coisas. Sou envergonhada, ou envergonhado? :s Pois, além de não ter nome, não sei o meu sexo. O meu dono também não sabe. Eu já o ouvi comentar que está desconfiado. Acha que sou fêmea porque leu num site que as fêmeas são maiores. Mas... os machos têm garras bastante compridas e as minhas são. :s Está num impasse. Bom, isso pouco me importa. Sou feliz à mesma. :D

   Há dias, ele mostrou-me umas fotos da tartaruga da Margarida, a Batá. Humm, fiquei louca (louco?). Aquele focinho lindo, aquele rabo que me deixou, ai, nem digo! Se formos duas fêmeas, oh, serei lésbica? Até a queria conhecer. :) O meu dono não se deve importar (aos sábados, ele põe música no quarto, baixo, porque a mãe dele sofre de enxaquecas, e dança assim 'a modos que', pois, também deve dar p'ráquele lado...). Espero que a Margarida seja liberal. :D

    Beijinhos a todos!!

8 de junho de 2014

Before Sunrise.


   Não sou especialmente ligado a cinema. Gosto de um filme por outro. Frequentemente, vejo as estreias meses após a apoteose. Sou incapaz de correr movido pela vontade incontrolável de ver um filme. Na adolescência, as idas ao cinema significavam convívio com colegas. Era um meio de passar o tempo, de socializar entre as aulas, naquela época em que precisamos de alguma dose de afirmação perante os pais e os educadores. 

  Abri uma excepção à Maleficent, a que ainda não assisti, mas irei. Combinei com um amigo, ontem. Ele preferia de tarde. Muito em cima da hora. À noite, bom, teve um jantar e acabou por cair o acordo. Não passará desta semana. O peso do clássico, na minha infância, é um bom motivo. Espero não sair defraudado.

   Há dias, encostei-me no sofá da sala de estar e liguei a tv. Aos anos que não o fazia. A televisão perdeu todo o interesse. Os conteúdos estão acessíveis na internet. Cada vez mais será um meio de comunicação obsoleto, a menos que apostem na interactividade. Os espectadores já não se conformam à oferta dos servidores. Ver o que nos impingem, passo a expressão, não faz sentido na segunda década do século XXI. Sem nada para ver, liguei num dos canais temáticos, TVCine 2, e dei com um filminho - não dava nada por ele - que me prendeu a atenção. De mil novecentos e noventa e cinco, não é recente. O título, Before Sunrise. Aposto que a maioria de vós terá visto. Assim mesmo, aborda a história de um rapaz, norte-americano, e de uma rapariga, francesa, que se encontram a bordo de um comboio com destino a Viena. Entretanto, conhecem-se, comunicam, e vivem uma tarde e noite de paixão, sabendo que no dia seguinte cada um partirá rumo à sua vida, prevendo-se que não voltarão a estar juntos.

   Lendo a sinopse na internet, depois, soube que foi muitíssimo bem recebido pela crítica e consta em algumas listas como um dos filmes mais românticos de sempre. É, de facto, lindíssimo. A atmosfera vienense, o desempenho dos actores, a inocência daquele contacto tórrido e momentâneo enterneceu-me. Uma cena em particular mexeu comigo. Deitaram-se num jardim e decidiram não avançar para uma relação sexual. Ela temeu entregar-se a um rapaz que não voltaria a ver. Sofreria ao imaginar o seu corpo unido ao de outra mulher. Ele aceitou, dizendo-lhe que o sexo não é tudo e que preferia trocar carícias e afagos. Em dois jovens adultos, achei bastante expressivo. "É filme", dirão.

   A realidade é substancialmente diferente. A facilidade com que hoje em dia se tira a roupa é de pasmar. Os sentimentos são relegados. Primeiro o prazer da carne, sujo, depois os afectos. É tão... minimalista da capacidade de abnegação e de amar do ser humano.

   O filme tem duas sequelas. Temo vê-las. As continuações nunca saem bem. Li críticas favoráveis, apesar disso, prefiro não arriscar. Fico com as imagens que gravei no meu disco rígido.

    A ficção ajuda a encarar a verdade.

    Deixo-vos com uma das cenas.



5 de junho de 2014

Desgoverno.


  A teoria da separação de poderes remonta a Locke e a Montesquieu, mais tarde, implantando-se progressivamente nos ordenamentos jurídicos dos Estados democráticos. O poder limita o poder, numa balança de pesos e contrapesos que assegura, dessa forma, o equilíbrio. Claro em todos os tempos houve tentativas de interferência do poder executivo, sobretudo, no poder judicial, e o vice-versa aconteceu nos Estados Unidos da América, mas é fenómeno raro e circunscrito. Em boa verdade, os juízes limitam-se a aplicar a justiça ao caso concreto, considerando as diferenças que separam o sistema romano-germânico da common law. O propósito mantém-se. Fazer justiça, seja punindo o agente, prevenindo a prática do mesmo crime, pacificando os cidadãos, em políticas de prevenção.

   O que temos assistido nos últimos dias, em Portugal, não faz parte dos moldes de um Estado de Direito Democrático. O Governo, a maioria parlamentar, decidiu enfrentar o Tribunal Constitucional, pondo em causa o repúdio deste a algumas medidas do Governo que constavam do Orçamento de Estado de 2014, nomeadamente, não só, os cortes salariais na função pública. Os acórdãos do Tribunal Constitucional têm força obrigatória geral e efeitos retroactivos, a menos que seja exceptuado, como foi, ou seja, a declaração não abrangerá os valores já retidos, vigorando a partir de agora. O equilíbrio das contas públicas é o motivo que pesou na decisão do TC.

   Não acatando de bom grado o que o poder judicial proferiu, a maioria pediu um pedido de aclaração do acórdão, todavia, não terá qualquer impacto prático, vinculativo que é o acórdão do Tribunal Constitucional. A figura do pedido de aclaração deixou de constar do novo Código de Processo Civil, o que também inviabiliza esta manobra, que perde assim as bases legais que a sustentavam. Trata-se de uma afronta. Passos Coelho desconhece o que é o equilíbrio de poderes e o respeito que se lhe impõe às decisões de um órgão de soberania, de que o TC faz parte. Este governo não gosta da Constituição. Certamente queria uma mais liberal, economicamente falando. As pessoas passaram a números. Tudo tendo em vista a satisfação do FMI e da União Europeia, nem que para isso se atropele de um modo absolutamente reprovável e indigno os direitos dos cidadãos. O Tribunal Constitucional não governa nem se imiscui nas competências dos poderes legislativo e executivo; o TC aprecia a constitucionalidade das normas, o conforme ou desconforme à luz da nossa Lei Fundamental. É a maioria parlamentar que atenta sistematicamente a Constituição, pretendendo governar ao arrepio da Lei. Não se entende este pedido de aclaração. O Tribunal Constitucional foi explícito e objectivo na fundamentação que deu.

   Agravando o que de si é já incompreensível, Passos Coelho veio a público com ataques velados aos juízes, exigindo um escrutínio mais apurado na escolha dos magistrados. Há uma lei que regula a escolha dos juízes, e esse escrutínio a que alude o Primeiro-Ministro existe e é controlado pela Assembleia da República. Dez magistrados são eleitos pelo parlamento, por dois terços dos deputados, e três são cooptados pelos restantes magistrados, perfazendo o número de treze juízes que compõem o TC. Eleitos pela AR na lógica de contrapoder. Há sistemas em que os juízes são simplesmente cooptados pelos seus pares, mas isso poderia legitimar arbitrariedades dos magistrados. Assim, o parlamento elege quem fiscalizará as leis emanadas por si, com independência total. O poder judicial não depende do poder legislativo.

   Havendo uma lei, como disse anteriormente, que regula todo este processo, compete ao parlamento modificá-la. O que me quer parecer, e no seguimento do que afirmou o PCP, é que Pedro Passos Coelho pretende chamar para si as competências do judicial, ou, se tanto, que os magistrados decidam de acordo com a sua vontade política, mesmo que isso implique uma incompatibilidade com a CRP.

   No meio disto, onde está o árbitro? Como se explica este silêncio ensurdecedor do senhor Presidente da República, que não dá uso ao seu poder moderador, à sua magistratura de influência, podendo, no seio dessa prerrogativa presidencial, enviar uma mensagem à Assembleia da República ou até alertando o Primeiro-Ministro, nas reuniões semanais, do perigo que representa este impasse? Vou mais longe: estando em causa o regular funcionamento das instituições democráticas, e isso já se começa a vislumbrar, com um governo que intimida o poder judicial, está aberta a porta de uma demissão do Governo, inclusive a dissolução da Assembleia da República. Há atitudes que não são permitidas numa democracia madura como a portuguesa.

   É tempo de mudança. A maioria perde o controlo e a razão, atacando tudo e todos em regime de total impunidade. A sua queda nas próximas eleições, se não antes, será o culminar de uma erosão de anos. Que se deixe o povo falar.

2 de junho de 2014

Feira do Livro.


   Acertei com um amigo e fomos à Feira do Livro neste último sábado. O que saiu comigo no dia da final da champions league. Sugestão sua. A dita feira é certame que não acompanho. Odeio sentir-me como sardinha em lata ou simplesmente andar no meio de multidões. Fui ainda sensível ao seu argumento de que poderia encontrar alguns livros que me interessassem. Bom, por que não?

   Não poderia supor que estivessem tantas pessoas presentes. Mau dia, fim de semana. De facto, a oferta é estimulante e mais que muita. Encontra-se de tudo. Comprei alguns livros, embora não tenha notado diferenças significativas nos preços, sobretudo nos novos. Os descontos nos jurídicos e nos históricos, o que mais me suscitava o interesse, eram irrisórios. Não saí de mãos vazias. Comprei uma biografia de D. João II, de Mário Domingues. É autor que aborda as personagens históricas de um ponto de vista objectivo, sem descurar aqueles floreados que tão bem ficam em qualquer livro do género. Recaiu ainda o meu interesse num pequeno livro do senhor professor Paulo Otero acerca da democracia totalitária. Há tempos que o procurava. A maior loucura, no entanto, ficou-se por um livro sobre os descobrimentos e a expansão portuguesa, numa edição da Universidade Lusíada, de quase seiscentas páginas. Caro, mesmo numa lógica de feira.

   De seguida, a minha atenção foi ao encontro dos romances que vi quase à borla. Trazer um clássico por dois euros, diga-se, é irrecusável. Trata-se do romance de D. H. Lawrence, Filhos e Amantes. Gostei do prefácio e da polémica que causou. Ainda revolvi à procura de outro que me agradasse, mas comprar por comprar não faz sentido. E tenho imensos livros na fila de espera.
    Ele adquiriu os diários de Al Berto.


   Andámos por ali (aquilo não tem nada de mais para ver). Entrámos em algumas barraquinhas. Assistimos a um furto em plena praça pública. Alguém, certamente não muito esperto, resolveu subtrair um livro, colocando-o na mala, esquecendo-se de que instalaram aqueles alarmes laterais que encontramos à saída das lojas. O crime não compensa e é bastante vexatório (risos). Comemos um gelado e sentámo-nos num banquinho de jardim, à sombra. Estava uma tarde bastante agradável. Clima ameno. Já nos conhecemos há uns anos. Fomos colegas de colégio. Entretanto, aproximámo-nos há semanas. É parecido comigo. É sossegado, meio introvertido.

    Terminámos a tarde sentados na relva, falando do futuro e discutindo as aquisições.