30 de maio de 2014

The End (or not...).


   E pronto, hoje terminaram as aulas. Oficialmente, se tanto. Recebi um teste e a respectiva nota: dispensei o exame final. Boa. Ontem, recebi duas notas. Também dispensei. De cinco disciplinas, falta-me saber os resultados de duas. Oportunamente, os professores marcarão uma aula para que se proceda à entrega. Entretanto, acredito que as notas irão sendo lançadas na plataforma virtual.

   A sensação de dever quase cumprido é maravilhosa. A verdade é que a manutenção da minha estadia naquela faculdade apenas depende de mim. Chegou a altura dos palpites. A mãe avança para o mestrado científico ou profissionalizante, dentro da área, claro está. Invoca um argumento plausível, é facto: em equipa vencedora não se mexe, logo, continua. O senão é a minha felicidade pessoal, como lhe fiz chegar. A avó acha que devo me meter em algo relacionado com jornalismo, decidindo-se pelas, segundo ela, "aptidões como orador". É, com efeito, a visão de uma avó babada, porque sou sobejamente melhor na parte escrita do que na oral. O avô ainda vem com a História!... O pai ligou-me, há dias, e pelo meio lá me disse que advogar seria excelente. Realmente, cada um pensa de um modo distinto. Não ajudam em nada. A última palavra cabe-me, mas não rejeito, de todo, opiniões que me ajudem a decidir ou, pelo menos, a reflectir melhor. Sou inexperiente e péssimo - como referi inúmeras vezes - a tomar decisões. Preciso sempre de um empurrão.

   Às duas cadeiras que ainda estão em aberto, um dos professores fez uma análise individual à situação de cada um. Disse que tem os testes corrigidos, no entanto, mantém as dúvidas no que diz respeito a alguns alunos, onde me inclui. Salientou o elemento escrito, bom, com o revés da participação oral, quantitativamente medíocre. Falo pouco nas aulas, o que me prejudica, a mais neste regulamento de avaliação que majora a importância das intervenções. Vai "pensar", palavra sua. Espero que pense bem e com celeridade - esta indecisão, vai não vai, é um suplício!

   Inscrevi-me a todos os exames, por procedimento protocolar, vá, e garantia - não sabia se os contornaria. Terminando esta etapa, há que estudar para as orais de melhoria. Quero dar o melhor pela média, o que puder, e o que não puder peço um milagre. Como nunca deixei uma disciplina para trás, recebo umas bonificações percentuais que dão sempre jeito. Para o mercado de trabalho, o diploma será impecável, posso dizê-lo com segurança. Uma opção seria parar e fazer algo com a mãe ou seus conhecidos... Ganhar experiência, descansar um ano, desgastado que estou cognitivamente, assumo.

    Os meus colegas querem marcar um jantar de fim de curso. Não, não! Não os posso ver mais (risos). Muitos acompanham-me desde Setembro de dois e mil e dez. Preciso de dar um tempo à relação, visto que estou a um passo de me ver livre do cheiro pestilento a cerveja entranhada - ontem realizaram mais uma edição da inominável festa da cerveja. No dia seguinte, o cheiro é indescritível. Foi a última vez que o senti, yay!

27 de maio de 2014

Rescaldo.


   Terminado o acto eleitoral e analisados os resultados deste plebiscito europeu, retiramos, desde logo, duas ilações evidentes: a abstenção, que se supunha elevada, foi a maior de sempre, demonstrando, inequivocamente, por um lado a normal relativização, errada, das eleições para o parlamento europeu e, pelo outro, o descrédito acentuado na classe política portuguesa. Não estamos no Verão, não havia qualquer competição desportiva, finda que está a época, logo não há causas de justificação.

    Em segundo lugar, a inércia do centrão favoreceu o recrudescimento dos fenómenos extremistas na Europa, seja da extrema direita, mais visível, ou da extrema esquerda, como sucedeu na Grécia. Pela primeira vez, uma parte do parlamento europeu estará confiada a eurocépticos convictos, o que compromete os desígnios das instituições europeias no sentido do reforço da União. A abstenção verificou-se por todos os Estados-membros.

    A nível interno, retira-se uma conclusão: a penalização da direita, tão invocada, foi uma miragem. De facto, a vitória do PS neste escrutínio é tudo menos confortável, daí que não entenda a urgência de António José Seguro quando clama por eleições legislativas antecipadas. Pretende governar sem maioria parlamentar ou crê que teria maioria absoluta ou relativa? Parece-me insensato. Temerá que o país recupere de alguma forma, o que prejudicaria o discurso fatalista do PS? O problema do Partido Socialista, ou os problemas, na minha humilde opinião, resumem-se a: falta de carisma do seu líder; insuficiência das alternativas credíveis ao programa da direita e o estigma do memorando do triunvirato que remonta aos tempos de Sócrates. É um grande partido, com uma conjuntura que lhe é favorável, e não consegue conquistar o eleitorado, aumentando, por essa via, a vantagem nas intenções de voto. Uma das soluções, a meu ver, seria o avanço de António Costa, socratista, para a liderança, que Sócrates, embora seja um estadista, estará preocupado com outros vôos...

    Nos partidos mais pequenos, destaca-se um bom resultado para o PCP / PEV, e uma surpresa: Marinho Pinto capitalizou o seu discurso populista, convertendo-o em votos para o MPT, que ganhou assim dois eurodeputados. O Bloco de Esquerda foi um dos derrotados da noite, na senda do que já vai acontecendo. O partido começa a desvanecer-se. Não tem uma massa de apoio sólida como o PCP. Os portugueses continuam a demonstrar um bom senso surpreendente que, aliado à tradicional tolerância, não deixa crescer os movimentos radicais, representados, à extrema direita, pelo PNR, uma nulidade política.

   É precipitado falar-se de legislativas. O povo está descontente e rejeita o programa da coligação governamental, mas não o faz categoricamente. Fá-lo por meias palavras. E o governo não está moribundo. É maior o demérito do próprio Partido Socialista do que o empenho do governo em agradar ao eleitorado. Não ficaria admirado se nas próximas legislativas o PSD ficasse bem colocado.
     Cavaco Silva não dissolverá a Assembleia da República e aqui devo concordar com a decisão do Presidente da República. A derrota da Aliança Portugal não foi expressiva e, sendo-o, há que separar as águas. Este governo cumpre um mandato legitimado e longe vão os tempos em que os governos careciam da confiança política do Presidente da República, afastando-se assim a demissão do governo, além de que as eleições para o parlamento europeu são uma realidade distinta das legislativas. Passos Coelho poderia interpretar estes resultados como uma derrota pessoal e das suas políticas e pedir voluntariamente a demissão. Não o fará. O regular funcionamento das instituições democráticas, conceito amplo e indeterminado, que dá azo a especulações de toda a ordem, não está ameaçado.

    A oposição deve esmerar-se para que se apresente como força antagónica que mereça a confiança das pessoas. Continuando neste caminho, fenómenos como o abstencionismo manter-se-ão, enfraquecendo a representatividade parlamentar que emana dos cidadãos.

25 de maio de 2014

O dia de Espanha.


   Um amigo convidou-me para sair. Estive para recusar, antevendo a confusão. Combinámos nos Restauradores, junto ao obelisco. Fui de metro, podendo ir a pé. Não o fiz já supondo que as ruas estivessem intransitáveis de tanto espanhol. Felizmente, podia-se estar nas carruagens do metro. Nada que a hora de ponta não produza. Nas Picoas, entrou uma professora que tive no ano passado. Viu-me, cumprimentou, e disse-me que há dias estivera reunida com a regente, ex-juíza do Constitucional, falando-lhe de mim, entre outros, em relação às notas dos testes dos seus actuais alunos. Foi uma das minhas cadeiras preferidas do curso. Tenho saudades.

  Sentámo-nos no degrau do memorial e ficámos à conversa. Grupos de espanhóis dirigiam-se na nossa direcção, rumando ao Rossio e à Praça do Comércio. Barulhentos e rudes como os portugueses. Merecem-se. Deus, que me puseste num país incivilizado!

    A maior surpresa do dia viria, contudo, do próprio metro. Os letreiros que anunciam a chegada do comboio estavam em castelhano. Dei uma valente gargalhada cá para mim! Os portugueses continuam a confundir cordialidade com subserviência. Por que cargas d'água colocaram a informação em castelhano? É assim tão díspar do português que leve os espanhóis a não entenderem a mensagem? Numa final da Liga dos Campeões Sport Lisboa e Benfica e Futebol Clube do Porto, em Madrid, tenho quase a certeza de que não teriam essa atenção em língua portuguesa. Não sei, digo eu...

   Pusemos os assuntos em dia. Falámos nos meus estudos, nos dele. Já está licenciado e com mestrado. À pergunta sobre o que pretendia fazer pós-licenciatura, respondi-lhe com um assertivo não sei. Começa a ser preocupante, isto sou eu que penso. O Verão servirá para esclarecer as dúvidas. Em dois mil e dez, por esta data, também não sabia o que escolher. Quando a hora chegar, eu decidirei.

    A meio, dois espanhóis sentam-se ao nosso lado, à direita do meu amigo. Depois de comerem e fazerem aqueles ruídos pré-históricos com a boca, um deles olha para mim e pisca-me o olho. De imediato, disse ao meu amigo. "O que queres que faça?" - riu-se. Pedi-lhe para sairmos. Bom, descemos a Augusta em direcção à praça. Montaram umas tendas para que eles pudessem ver o jogo. É incrível como uma cidade se movimenta em torno de uma competição desportiva. Fico fora de mim. O relevo que se dá a... isto! Conseguimos entrar na Ribeira das Naus, descobrindo que aquilo até está agradável. Terminaram as infindáveis obras de requalificação. Há uns espaços com relva, onde nos detivemos por instantes. Adoro sentar-me na relva fresca.

    Depressa esfriou. Como se fazia horas de jantar, decidimos voltar para casa. A estação do Rossio estava nojenta, com um cheiro nauseabundo a urina e cerveja, pavoroso. Ele fez questão de me acompanhar até à minha estação de metro, que é noutra linha, sentindo a relutância em ir sozinho até casa. Iria, claro, mas aqueles espanhóis bêbados não me inspiravam qualquer confiança. São estas atitudes que valem por mil palavras. Caiu-me mesmo bem. Dois rapazes intimidam mais do que um, além de que ele é dos Anjos, nascido e criado, logo, deve ter experiência em enfrentar gente de aspecto duvidoso (risos). Estou sempre a gozar por ele ser de lá. Na brincadeira, naturalmente. É uma zona péssima, Almirante Reis, medo!

    Hoje, já cumpri o meu dever cívico, em itálico porque estou a ser irónico. Votei em consciência. Dei o contributo que considero importante neste momento. A Aliança Portugal está cá para baixo. Espero que os penalize (risos). Agora há um LIVRE, que não faço a menor ideia do que seja. Mais um partido da esquerda. A esquerda tanto se fragmentou no passado e continua. Só ajuda à direita, una, coesa.

       Veremos o que sai daqui. Mais do mesmo.

21 de maio de 2014

Testes.


   Ontem, tive uma avaliação escrita. Extensa e controvertida. Há professores que têm o dom de complicar. Não se espera facilidades, ainda assim, saberiam colocar a matéria leccionada de forma a que conseguimos tudo resolver em noventa minutos, sem pressões.

  Leio o teste com atenção, sublinho a caneta ou a marcador amarelo fluorescente as partes importantes. Começo, desde logo, a escrever tópicos e artigos ao lado de cada período ou parágrafo que considero relevante. Nisto, é natural que perca uns vinte minutos. Tento encontrar as questões e esquematizá-las, poupando o máximo de tempo possível. Nem sempre é evidente o que pedem. Rasuras na folha de ponto, medito, artigos que desaparecem dando lugar a outros, minutos que passam... Por norma, deixo o telemóvel na prateleira imediatamente por baixo da parte superior da bancada. Os testes têm lugar, regra geral, nos anfiteatros.

   Quarenta minutos antes do fim, dou início à tarefa de transpor os esboços para a folha. Escrevo sem parar. São exigentes com o português jurídico. Atribuem um, dois valores de ponderação global. Avisam o tempo que falta. Aumenta o nervosismo. A meio, percebe-se que algo está mal. O raciocínio revela alguma falta de lógica. Volta-se atrás para se detectar o problema. Quando os casos práticos não têm perguntas dirigidas, um erro destes pode ser fatal, comprometendo a resolução correcta. Os códigos e leis avulsas avolumam-se. Volta e meia, a confusão de papéis é mais que muita, dificultando o que se quer encontrar.


   Na hora de entregar, a balbúrdia. Atropelam-se. Alguns professores ameaçam não receber mais se a demora persistir. Incomoda-me aqueles colegas que ficam a comentar o que fizeram e deixaram de fazer. Foi o que aconteceu. Acabara, estava com uma dor de cabeça monumental, só queria pegar nas minhas coisas, arrumá-las na mala e desaparecer. Como temos de pedir licença para passar e uma rapariga não se despachava a assinar o cabeçalho, ouvi o que não queria. Pela unanimidade em torno, confirma-se o que temia. A nota será tudo menos razoável. Dificilmente conseguimos resultados altos nas provas escritas. É nas orais que provamos o que sabemos. Uma nota elevada neste elemento é meio caminho.

  Não sofro por antecipação. A verdade é que me correu mal. E sempre há a possibilidade de elas estarem redondamente equivocadas. Cá fora, uma veio me perguntar o que colocara aqui e ali. Ficou a falar para "o boneco", em sentido literal, porque continuei a andar e deixei-a para trás. Não suporto. O que ganham ao saber o que outros fizeram? Angústia?

   Gosto de estudar, mas odeio as avaliações, a carga emocional inerente. Lido mal com esse factor. Desta sexta a oito, tudo saberei. Medo.