31 de dezembro de 2011

2012...




... aproxima-se. 2011 não foi um ano próspero; pessoalmente, foi um ano razoável. Já passei por melhores, mas também já tive piores (sendo que 2006 é oficialmente o meu annus horribilis, record que ainda não foi batido posteriormente, felizmente!). Habituei-me a não criar expectativas: geralmente - para todos nós - são infundadas e infrutíferas. Quantas e quantas vezes planeamos e delineamos objetivos que não se concretizam? Deixei-me de resoluções. Aliás, há uma que subsiste: viver cada dia, dia-a-dia, e não mais do que isso. Afinal, passando as doze badaladas, não há nada que faça distinguir 2011 de 2012. Evolução na continuidade (onde já ouvi isto?...).
Em todo o caso, Feliz Ano de 2012 para todos vós. Sejam felizes. ^^


29 de dezembro de 2011

Às vezes é bom ser "vulgar".

Estava eu, de tarde, com a avó e uns primos numa pastelaria, quando o primo começa a folhear um qualquer jornal desportivo. O futebol nunca foi um tema que me interessasse, por vários motivos: não aprecio a modalidade (nem os jogadores...), não entendo quase nada do que a futebol diz respeito e nunca tive uma cultura familiar que me iniciasse neste gosto tão português! (risos)
Curiosamente - ou talvez por apatia - resolvi, depois do primo acabar de ler, de eu mesmo folhear com indiferença as páginas daquele periódico comum. Ao fazê-lo, dou com uma foto deste rapaz:




Bom, quanto a vós nada poderei dizer, mas quanto a mim, este rapaz é... o tal. E, do tal entende-se aquele que me diz alguma coisa, o ideal. Não fazia a mínima ideia de quem era (risos) e se o visse na rua ser-me-ia um total desconhecido. Afinal, até parece que é do Sporting (clube da minha simpatia). Será hetero, evidentemente, mas, enfim, até isso já me é habitual. Gostar de heteros tem sido uma constante na minha vida.
Fiquei fã.


28 de dezembro de 2011

I guess I need you, baby.


Quando me sento no mesmo banco de madeira de outras memórias, vejo o que gravaram em cada ripa desgastada pelo tempo e pelos fenómenos meteorológicos. Amo-te, desta vez inscrito bem fundo, perpetuado, pelo menos até o velho banquinho ser substituído por outro. Escrevi por cima, passando o dedo por entre cada letra escrita na vertical. Tentei adivinhar, imaginar, em que altura terá sido escrito, por quem e em que circunstâncias. Como seriam as pessoas? O que sentiriam? Estava eu, naquele momento, sentado em cima dos seus sentimentos. Não bem sentado - o termo não será o correto. Estando sentado, não teria visto a palavra.

Abstraí-me. Abri o caderno e desfolhei as páginas de matéria que ainda não estudei para os exames. Não me apetece fazê-lo. Anoitecera e a luz não era a suficiente para conseguir manter a atenção. Sim, é uma desculpa. O vento também é uma boa desculpa para justificar o facto das minhas mãos se manterem gélidas, mesmo depois de as unir em torno da boca, exalando um ar quente que não as aqueceu.
Não quero escrever, não quero ler, não quero pensar. Quero sentir a leveza do nada, de quando cerramos os olhos e cada poro da pele consegue ver para além do tato. A pele vê, ouve. Eu soube-o, senti-o. Escutei o vento. Disse-me para não me preocupar.
Conquanto tivesse os botões do casaco apertados, senti frio. O botão de cima estava solto. Lembrei-me das palavras da mãe e apertei-o. Não, definitivamente as mãos não aqueceram. O vento trouxe-me o aroma do perfume novo recebido do Natal. Que mais? Não me diz nada.
Quando procuramos um refúgio que não encontramos, um calor que não há, uma palavra que não ouvimos. Quando nos procuramos e não nos encontramos, difícil se torna encontrar um outro alguém.
Quando a noite caiu sobre mim, também ela não mais me encontrou.


26 de dezembro de 2011

In the morning sun.


Acordei de manhã cedo, e mesmo ainda de pijama, dirigi-me ao exterior da casa da avó e fiquei a observar a cor da manhã. O ar, gélido do orvalho matinal, fazia fumo a cada expiração. O céu no horizonte sobrepunha o azul claro, quase branco no limiar que a minha vista podia atingir, sob o amarelo tímido dos pequenos raios de sol que surgiam.
Um inseto subia as calças do pijama. Trepava incessantemente, que prontamente retirei e coloquei na folha de uma planta, viva de pequenas gotículas de água.
Passou um homem em frente à porta de entrada. Carregava sacos, com pedaços entrelaçados de embrulhos natalícios, laços que caíam pelo caminho, restos de sonhos que se despiam do manto do cinismo social. O seu ar, distante, de mais um Natal que findara, de um pouco mais de ilusão que dera a familiares e amigos. Desembaraçou-se do saco como quem deixa um fardo. Como um embrulho e um laço vermelho fazem toda a diferença!...
Agora o sol estava mais forte. Tocava-me nas costas sobre o casaco do pijama. Senti uma corrente de ar frio trespassar-me o peito desnudo. Os botões cimeiros não estavam por entre as casas. Uma fileira de insetos, encarrilados com um sentido, movia-se agora para a rua, atravessando espaços que poderia percorrer só com a passagem do dedo. Se deixasse um pouco de doce de morango caseiro - restante de ceia - conseguiria mudar o seu trajeto. Seria o seu deus. Nietzsche tivera razão: todo o Homem quer um pouco da divindade.
Podendo mudar o percurso das horas, alterando o sentido do relógio, mandaria as badaladas soarem mais tarde. Pararia os ponteiros com uma caneta, sustendo-os indeterminadamente. Perpetuaria os momentos, mas se o fizesse, não teria o prazer de um novo amanhã. Não havendo amanhã, também não haveria sol, não sentiria os raios na pele nem tampouco veria a fileira de insetos atraídos pelas feromonas comuns à espécie. Isso seria mau. Fico-me com o sol da manhã; o tempo que espere por mim.