Nos teus olhos vejo a alegria, a esperança, um íman que me atrai para retribuir o olhar. Deitado, unindo-me aos meus pensamentos, consigo ver com total nitidez o brilho do teu olhar, as rugas de expressão do teu rosto, na área circundante aos olhos, quando olhas sob um raiar forte num dia de sol. Vejo-te sentado naquele paredão tão nosso, com as pernas a balouçar por entre uma brisa de final de tarde. Os teus ténis, usados e gastos pelo tempo, revelam a humildade que há em ti, uma amostra selvagem do que viveste, do que és, do que sentes.
Sentas-te, de pernas abertas, apoias os braços no teu corpo sólido e deixas-te ficar, inerte, a meu lado. Nunca sei o que dizer. Contemplo, apenas, a magia que sinto e vejo nos teus olhos.
Consigo ser tão teu sem o ser.