Quando ouvi a nova canção da Madonna, perguntei-me: "Onde estarão as influências portuguesas?" Não as há, é verdade. Há quem garanta que o álbum as terá. Não sei. É claro que Madonna não foi indiferente ao último ano e meio que passou em Lisboa. Acredito que o álbum contenha, quando mais não seja, um cheirinho a Portugal. Ela assumiu, inclusive, que a ideia do Madame X nasceu aqui. Os serões nas casas de fado tê-la-ão inspirado.
É de lamentar que, depois da polémica com o cavalo, na quinta, a artista se tenha decidido a deixar, zangada, o país. Não sou dos que considera que Madonna tenha dado muito a Portugal, como ela julga. A bem dizer, Portugal já estava na moda antes de Madonna. A própria, estou em crer, foi mais uma das conquistadas pela nossa paz social, pelo clima e pela beleza das nossas paisagens naturais e monumentos. Quando ganhámos o Europeu de 2016, por aí, começámo-nos a tornar apetecíveis para os estrangeiros. Mas não nos afastemos do seu próximo trabalho.
É de lamentar que, depois da polémica com o cavalo, na quinta, a artista se tenha decidido a deixar, zangada, o país. Não sou dos que considera que Madonna tenha dado muito a Portugal, como ela julga. A bem dizer, Portugal já estava na moda antes de Madonna. A própria, estou em crer, foi mais uma das conquistadas pela nossa paz social, pelo clima e pela beleza das nossas paisagens naturais e monumentos. Quando ganhámos o Europeu de 2016, por aí, começámo-nos a tornar apetecíveis para os estrangeiros. Mas não nos afastemos do seu próximo trabalho.
Ao olhar para o alinhamento das músicas do disco, deparei-me com colaborações brasileiras (Anitta, e um Faz Gostoso), um toque cabo-verdiano e, depois, aquele reggaeton latino-americano misturado com a pop. É, de resto, assim que se apresenta Medellín, a faixa que inaugura Madame X, ainda a ser lançado. A canção já está disponível no YouTube e nas plataformas digitais de streaming, como a Apple Music. Já a adicionei à minha biblioteca pessoal.
Não se deixem levar pela primeira impressão. De facto, ao ouvi-la, pela primeira vez, odiei-a. Camille Paglia, uma célebre feminista norte-americana, acusou, há uns bons anos, Madonna de se ter rendido ao marketing. Com efeito, a rainha da pop já não é o que era. Os tempos também mudaram, verdade seja dita. Madonna foi a primeira artista a criar um pop de massas, a mostrar um lado sensual e erótico da mulher, no despontar dos 80. Não sendo particularmente bonita ou boa cantora (como Cher frequentemente lembrou, talvez por algum despeito…), Madonna soube vender bem o produto. Vender-se bem. Ela vende o que tem como ninguém, e deu certo. Deu certo até hoje. Longe dos lugares cimeiros das tabelas nos anos 80 ou 90, Madonna é Madonna. Sempre se fala nela, sempre se ouve o que ela manda cá para fora. Nos últimos anos, e o último álbum seu que comprei foi o Hard Candy, em 2008, Madonna tem procurado resgatar um público mais jovem, colaborando com artistas como Justin Timberlake, Timbaland, Nicki Minaj, etc. Ela sabe, porque é perita no assunto, que o mercado musical é particularmente mau com as mulheres. Os homens, com a idade, ficam charmosos; as mulheres, ficam trapos. Às cantoras internacionais, quando atingem certa idade, resta uma de duas: ou viram lendas, e todos as admiram mas já ninguém compra um produto novo que lancem, ou caem no esquecimento.
Voltando a Medellín, é uma canção imprópria para se ouvir por mais de duas vezes, correndo o risco, o incauto, de ficar viciado num ritmo que nos faz querer dançar até amanhã, de refrão pegajoso que se gruda à nossa pele e de lá mais não sai. Conta com a participação - que há quem diga até em doce excessiva - de Maluma, um cantor colombiano (e giro, até), que veio a Portugal a convite de Madonna. Andou pela noite lisboeta na companhia da diva, tirou fotos na Praça do Comércio, e, pelo visto, divertiu-se. Menos mal que nos queda Portugal. Deixo-a aqui.




