Neste sábado, como vos havia dito, ultrapassei a barreira administrativa da cidade de Lisboa. Não o fiz sozinho, contudo. Um amigo, de Coimbra, acompanhou-me.
Temi que chovesse, pela nebulosidade, o que não se verificou. A neblina, que me acompanhara em Dezembro, aquando da minha visita à Pena, é que, afinal, se fez sentir. Já terão uma ideia de por onde andei, não é? Sim, estive na deslumbrante vila de Sintra, com a sua serra característica, inserida naquele microclima que lhe confere uma misticidade única. Mais concretamente na Quinta da Regaleira, uma estreia para mim.
O meu amigo tem carro próprio. Apanhou-me no Oriente, e seguimos de imediato. Pusemo-nos lá em menos de nada. A região de Lisboa tem óptimas acessibilidades rodoviárias entre a periferia. Como imaginam, estacionar na zona histórica da vila exige alguma paciência e algum engenho.
A Quinta da Regaleira, também conhecida pela sua outra designação, Palácio do Monteiro dos Milhões, andou de mão em mão até ser adquirida pelo proprietário que lhe mandou imprimir as feições actuais que conhecemos, António Augusto de Carvalho Monteiro, incumbindo, para o efeito, o arquitecto Luigi Manini. Estávamos no dealbar do século passado.
Envolta em bosques, numa aura de mistério, a entrada não é gratuita, mas o preço é mais do que razoável tendo em conta tudo aquilo que nos é permitido ver, e muito é. A par dos frondosos jardins e do palacete, há fontes, quedas d'água, labirintos e túneis, trilhos sinuosos, poços e grutas.
Beneficiando da ampla publicidade que Sintra goza, a Regaleira é alvo da curiosidade de muitos turistas. Aventurarmo-nos nos seus túneis e caminhos implica estarmos rodeados de senhores e senhoras de meia-idade, estrangeiros, que se passeiam e procuram registar, em fotografia, os melhores momentos no palácio.
Os poços são incríveis. Húmidos e lúgubres, com goteiras, bem assim como os labirintos, que nos levam até ao lago, às quedas d'água, que já referi, e a outros recônditos enigmáticos.
O Poço da Iniciação é uma das principais atracções da Quinta. Diz-se que, por lá, a Maçonaria organizava reuniões e rituais secretos.
Saltitar de pedrinha em pedrinha, no lago, também é bastante engraçado. Não temam, porque as pedras não são escorregadias. A profundidade não vai além dos 80 cm.
O palacete deve ser visitado. É evidente que a vegetação nos arrebata e nos consome a maior parte do tempo que despendemos na visita. Não deixem de passar também pela capela, de estilo revivalista manuelino e renascentista. Um encanto.

Muito mais haveria para vos mostrar, mas o dia não acabou em Sintra. Poderão ainda, como sabem, acompanhar todas as fotos que irei publicando através do Instagram e do Facebook. De tudo o que já pude visitar na vila, a Regaleira é, de longe, o que melhor guardarei na memória. É um local magnífico, apaixonante. Excede, em meu entender, o Palácio da Pena.
O meu amigo é de rotinas fixas e de horários que se cumprem. Propôs-me irmos almoçar a Carcavelos, a um restaurante que frequenta assiduamente quando anda por estas bandas. Aceitei, claro. Tive de me antecipar e fazer a reserva, enquanto ele arranjava lugar para estacionar. Segundo me disse, os grelhados são a grande especialidade. A julgar pela espetada de porco preto que comemos, deliciosa, seguida de um doce da casa soberbo, compreende-se a fama. Satisfeitos, passeámos pela localidade do concelho de Cascais, junto à praia.
Acabámos a conversar no Parque das Nações, pelas 19h, animados e de espírito cheio. O dia havia sido longo e proveitoso. Só pensava em regressar a casa para acompanhar o jogo de preparação de Portugal frente à Bélgica.
Para o sábado que se adivinha, e antes, então, do interregno por conta do Mundial de 2018, que pretendo acompanhar, tenho em mente o que farei. Será, tal como a Regaleira, uma novidade. Devo dizer que se trata de um local que há muito quero conhecer. Curiosos? Falta pouco para que tudo saibam.
Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. Uso sob permissão.






















































