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5 de junho de 2018

Cultural Sunday... on Saturday [take 21].


   Neste sábado, como vos havia dito, ultrapassei a barreira administrativa da cidade de Lisboa. Não o fiz sozinho, contudo. Um amigo, de Coimbra, acompanhou-me. 
   Temi que chovesse, pela nebulosidade, o que não se verificou. A neblina, que me acompanhara em Dezembro, aquando da minha visita à Pena, é que, afinal, se fez sentir. Já terão uma ideia de por onde andei, não é? Sim, estive na deslumbrante vila de Sintra, com a sua serra característica, inserida naquele microclima que lhe confere uma misticidade única. Mais concretamente na Quinta da Regaleira, uma estreia para mim.



   O meu amigo tem carro próprio. Apanhou-me no Oriente, e seguimos de imediato. Pusemo-nos lá em menos de nada. A região de Lisboa tem óptimas acessibilidades rodoviárias entre a periferia. Como imaginam, estacionar na zona histórica da vila exige alguma paciência e algum engenho.



   A Quinta da Regaleira, também conhecida pela sua outra designação, Palácio do Monteiro dos Milhões, andou de mão em mão até ser adquirida pelo proprietário que lhe mandou imprimir as feições actuais que conhecemos, António Augusto de Carvalho Monteiro, incumbindo, para o efeito, o arquitecto Luigi Manini. Estávamos no dealbar do século passado.
   Envolta em bosques, numa aura de mistério, a entrada não é gratuita, mas o preço é mais do que razoável tendo em conta tudo aquilo que nos é permitido ver, e muito é. A par dos frondosos jardins e do palacete, há fontes, quedas d'água, labirintos e túneis, trilhos sinuosos, poços e grutas.



   Beneficiando da ampla publicidade que Sintra goza, a Regaleira é alvo da curiosidade de muitos turistas. Aventurarmo-nos nos seus túneis e caminhos implica estarmos rodeados de senhores e senhoras de meia-idade, estrangeiros, que se passeiam e procuram registar, em fotografia, os melhores momentos no palácio.

   Os poços são incríveis. Húmidos e lúgubres, com goteiras, bem assim como os labirintos, que nos levam até ao lago, às quedas d'água, que já referi, e a outros recônditos enigmáticos.


   O Poço da Iniciação é uma das principais atracções da Quinta. Diz-se que, por lá, a Maçonaria organizava reuniões e rituais secretos.


   Saltitar de pedrinha em pedrinha, no lago, também é bastante engraçado. Não temam, porque as pedras não são escorregadias. A profundidade não vai além dos 80 cm.


   O palacete deve ser visitado. É evidente que a vegetação nos arrebata e nos consome a maior parte do tempo que despendemos na visita. Não deixem de passar também pela capela, de estilo revivalista manuelino e renascentista. Um encanto.







Muito mais haveria para vos mostrar, mas o dia não acabou em Sintra. Poderão ainda, como sabem, acompanhar todas as fotos que irei publicando através do Instagram e do Facebook. De tudo o que já pude visitar na vila, a Regaleira é, de longe, o que melhor guardarei na memória. É um local magnífico, apaixonante. Excede, em meu entender, o Palácio da Pena.

    O meu amigo é de rotinas fixas e de horários que se cumprem. Propôs-me irmos almoçar a Carcavelos, a um restaurante que frequenta assiduamente quando anda por estas bandas. Aceitei, claro. Tive de me antecipar e fazer a reserva, enquanto ele arranjava lugar para estacionar. Segundo me disse, os grelhados são a grande especialidade. A julgar pela espetada de porco preto que comemos, deliciosa, seguida de um doce da casa soberbo, compreende-se a fama. Satisfeitos, passeámos pela localidade do concelho de Cascais, junto à praia.


   Acabámos a conversar no Parque das Nações, pelas 19h, animados e de espírito cheio. O dia havia sido longo e proveitoso. Só pensava em regressar a casa para acompanhar o jogo de preparação de Portugal frente à Bélgica.

   Para o sábado que se adivinha, e antes, então, do interregno por conta do Mundial de 2018, que pretendo acompanhar, tenho em mente o que farei. Será, tal como a Regaleira, uma novidade. Devo dizer que se trata de um local que há muito quero conhecer. Curiosos? Falta pouco para que tudo saibam.

Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. Uso sob permissão.

28 de maio de 2018

Cultural Sunday... on Saturday [take 20].


   Este sábado, fui até Belém. Há por lá um museu que há muito queria visitar. Entretanto, fui protelando e protelando, colocando outros na minha lista de prioridades. Em abono da verdade, esta seria a semana em que me aventuraria para fora dos limites de Lisboa. Acabei por não o fazer por alguns contratempos, contudo, é certo que o farei neste sábado que se aproxima. E por onde andei? Museu do Combatente, que adorei, e Torre de Belém, numa revisita após dez anos.

    O Museu do Combatente, no Forte do Bom Sucesso, não é de entrada gratuita. Está dividido em pequeno blocos. É óptimo para passear em dias soalheiros, como o de ontem, porque dispõe de um magnífico terraço repleto de arsenal bélico desactivado. No primeiro bloco, pelo qual fui aconselhado a começar, encontrarão centenas de aviões em miniatura, feitas pelo Engenheiro José Maria Sardinha, que começou naquela arte com a idade de dez anos. São miniaturas feitas à escala própria, fiéis aos originais. Aviões de guerra, como calculam, desde os primeiros, dos irmãos Wright e de Santos Dumont, aos que participaram na Guerra Colonial, passando pelas duas Grandes Guerras Mundiais. Um encanto! Depois, ao longo das salas, podemos ver vários objectos usados pelos combatentes, inclusive utensílios pessoais, como os cantis e talheres, cartas que escreviam, baralhos de cartas, etc. Tudo devidamente identificado e com fotografias contemporâneas aos conflitos. Gostei realmente muito da última sala deste primeiro pavilhão, digamos assim, que dá amplo destaque à Guerra Colonial, tão presente ainda no imaginário português. A propósito, e a visita é livre, podem e devem ir à capela mortuária em honra dos caídos na Guerra Colonial. Encontra-se ao lado do museu, junto à fonte memorial. Não obstante estar bem visível uma placa para que se faça silêncio, as pessoas passeiam-se indiferentes aos nomes, inscritos em pedra, daqueles homens, bravíssimos, que deram o seu sangue por Portugal. Fiquem com algumas fotos.

O tristemente célebre "Enola Gay", que a 6 de Agosto de 1945 lançou a "Little Boy" sobre Hiroshima




   Como vos disse, o museu está dividido em pequenos blocos ao longo de todo o recinto. Convém que explorem o espaço com cuidado, para que nada vos escape à vista. Num piso inferior, descendo-se umas escadas de pedra, têm as exposições temporárias. Adorei uma delas, aquela na qual se recria uma trincheira com maquetes em tamanho real. Percorre-se um labirinto, bem sinalizado, e vão-nos dando indicações de cenas do quotidiano dos nossos militares.
  Os ditos pequenos blocos estão dedicados aos ramos das Forças Armadas (Exército, Marinha, Força Aérea), mais um à GNR, que é uma polícia militar, e até à PSP que, não sendo militar, nem por isso desempenhou um papel menos importante, nomeadamente no início da guerra em Angola, em 1961.


   Saindo do museu, tinha outros planos. O plano inicial não era o de ficar em Belém. Iria, a priori, a outro museu, um que ainda não conheço, relativamente distante dali. Ficará para outro momento. Com um dia tão convidativo, e apercebendo-me eu de que a fila para a Torre de Belém nem era tão extensa assim, decidi-me pela revisita àquele monumento. Quando estive no Mosteiro dos Jerónimos, em Fevereiro, quis aproveitar para rever a torre também. Dada a afluência desmesurada, acabei por desistir da ideia. Ao domingo, a entrada é gratuita até às 14h, o que aumenta o número de curiosos. Ontem, paguei, e fi-lo sem hesitar. Já mal me recordava do seu interior. A última vez havia sido em 2009, com o pai.


   Mandada edificar como fortificação militar, por Dom Manuel I, recaiu em Francisco de Arruda o dever de concretizar o plano do rei. Ao longo dos séculos, a torre foi perdendo importância. Com Filipe II de Espanha, I de Portugal, serviu de prisão política, o que se manteve no reinado seguinte, já com O Restaurador Dom João IV. Aliás, desta vez, e tenho absoluta certeza de que nunca antes havia por lá estado, desci aos paióis, já submersos, abaixo da linha do rio, transformados em calabouços por Filipe I. Imagino as condições degradantes em que os detentos eram por lá mantidos.


   Subir aos pisos superiores também se revela tarefa complicada. A longa escada, estreita e íngreme, não permite duplo sentido. Há uma sinalização luminosa e sonora que orienta as direcções, alternando entre subir - descer. Com tantos e tantos turistas, e só são permitidas cento e vinte pessoas na torre, à vez, podem imaginar o caricato que é subir-se e descer-se aquele lance de noventa degraus em espiral. Vale bem a pena, pelo monumento que é, pela história que tem e, porque não se dizer, pelas fotos, belíssimas, que poderão tirar, de Belém, do Tejo, do Restelo…
   O custo do bilhete desanima um pouco. Ultrapassa o razoável. Têm de fazer negócio, não é... Senti-me um entre os estrangeiros. Pelos idiomas que ouvi, julgo que era o único nacional na minha leva de cento e vinte visitantes. 


   Porque já se fazia tarde, muito tarde para almoçar, fui de imediato à baixa, confortar o estômago.

   Neste sábado, sairei, finalmente, assim espero, da cidade. Nas semanas seguintes, e em virtude de começar o Mundial de 2018, competição que adoro e que pretendo acompanhar, é provável que faça um interregno. Não é provável; fá-lo-ei. Restam-me, então, dois finais de semana ainda. Neste que vem, sei por onde estarei. No seguinte, tenho uma vaga ideia, que se foi formando durante o dia de hoje. Terá de ser maturada ainda, pensada com calma. Irei, se tudo correr bem, a uma cidade que não conheço, visitar um monumento que nunca vi, só em fotos. Vamos lá ver, com calma, sem obrigação nenhuma. A seu tempo, tudo saberão, as usual.

Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. Uso sob permissão.

21 de maio de 2018

Cultural Sunday... on Saturday [take 19].


   Este sábado, para variar, aproveitando um sol glorioso, visitei um museu e revisitei outro. Museu do Desporto, de manhã, e Museu da Electricidade - com consoante não-articulada, sempre - à tarde.

   O Museu do Desporto está situado na Praça dos Restauradores, no lindíssimo Palácio Foz (e não da Foz). É um espaço singelo, que vale mais conhecer quase pelo monumento. No piso inferior, tem, bem explorado, o circuito da Volta a Portugal em bicicleta, das suas origens à actualidade. No piso superior, há alguns objectos expostos, de atletas portugueses, nas mais diversas modalidades. Não deixem, também, de visitar a exposição sobre a vida de Moniz Pereira (1921 - 2016), homem de longeva existência e imprescindível contributo para o desporto nacional. O museu é relativamente pobre. Para mais, paga-se. Exigia-se algo mais composto. Deixo-vos algumas fotos.




E aqui, o palácio, rosa, numa cor lindíssima.






   Apanhei o autocarro na Rua do Arsenal. Cheio, como imaginam. A parte menos boa destes dias, vá, é a da afluência desmedida de turistas. Belém, por estar junto ao Tejo, não beneficia de sistema de metropolitano. E a julgar pelos anos - cerca de doze - em que as obras da extensão do metro para o Terreiro do Paço e para Santa Apolónia estiveram embargadas por inundações, hei-de morrer sem ver o metro a circular na zona ocidental da cidade.

   O Museu da Electricidade, como referi acima, tratou-se de uma revisita. Já por lá havia estado em 2015. O edifício que o acolhe é o da antiga Central Tejo, que durante décadas a fio, em condições degradantes para os trabalhadores, abasteceu energia eléctrica a Lisboa. Encerrou em 1972, e definitivamente em 1975, passando, o seu conjunto arquitectónico e recheio, a ser um testemunho daqueles tempos. O museu abriria mais tarde. Gosto deste museu porque temos a oportunidade de visitar as antigas caldeiras e as salas das máquinas. Têm toda a informação disponível e bem explicada, inclusive com recurso a vídeos e a painéis interactivos. Vale bem a pena. O bilhete é caro. À entrada, terão ainda acesso a exposições contemporâneas de artistas internacionais.




   E aqui, a central, vista do exterior.




   Foi tudo por sábado. Passeei um pouco junto ao Tejo, em frente ao MAAT, desfrutando da sombra que a arquitectura do museu nos proporciona. A Ponte 25 de Abril, ex-libris da cidade, nunca entedia. Neste sábado que se aproxima, como vos disse, é bem provável que saia de Lisboa. Aliás, venho pensando nisso. Agora que está praticamente tudo visto na cidade, é natural que cobice as belezas que temos, e tantas são!, fora dela. Implica mais gastos, daí as dúvidas que se me vêm colocando. É uma questão de vontade e de fazer cálculos acertados. Há locais que gostaria de conhecer, outros de rever. Veremos o que o futuro nos reserva. Até lá!

Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. Uso sob permissão.

15 de maio de 2018

Cultural Sunday... on Saturday [take 18].


   Sábado, dia de Eurovisão. Receei, em determinada medida, que a afluência de pessoas prejudicasse a minha mobilidade na cidade. Arrisquei, assim mesmo, e pus os pés a caminho. Decidi-me pelo Museu Geológico de Lisboa, da parte da manhã, e pelo Museu da Carris, de tarde. A meio, fui à descoberta de uma capela fantástica, quinhentista, em Alcântara, que passa despercebida, mas que convém conhecer. O interior, discreto, nem por isso deveria merecer menos atenção da nossa parte. Falo-vos da Capela de Santo Amaro.

   O Museu Geológico de Lisboa reúne uma importante colecção de exemplares. Fiquei impressionado com as ossadas de dinossauros em alguma profusão. Mas não só. Os minerais e as rochas, uma das quais com 3.800 milhões de anos, compõem o vastíssimo espólio. Também encontrarão vários fósseis de amonites, do Jurássico e do Cretácio, sobretudo. Foi precisamente no final do Cretácio que se deu a extinção em massa - uma delas, a mais conhecida - que levou ao desaparecimento destes animais e de muitos outros. Dos dinossauros, nomeadamente. O museu está dividido por três salas, duas delas extensas, em comprimento, ladeadas por vestígios geológicos e arqueológicos. Uma ocupa-se da presença humana pré-histórica. Fiquem com algumas fotos.


Na segunda foto, uma tíbia de Braquiossauro datada em 150 milhões de anos.
  
   Fazia-se cedo para o Museu da Carris. Entretanto, e porque não sabia como seria com os transportes (suspeitava que lotados...), não perdi tempo a chegar a Alcântara. A pequena capela, edificada em 1549, recebeu a minha curiosa visita. Não esperem o deslumbramento. É uma capela simples. Está lá, sobrevivendo ao tempo e às catástrofes que atingiram Lisboa.



Lindíssima, não acham?



   Museu da Carris, finalmente, às 14h em ponto. Logo à entrada, ficarão a saber que a companhia foi criada no Rio de Janeiro, em 1872, e que só depois foi transferida para Lisboa. Dado curioso, se considerarmos que o Brasil já era independente há cinquenta anos. Na fase inicial de transporte de passageiros, o mesmo era efectuado com recurso à tracção animal, aos chamados "americanos". Só depois, com a electrificação, é que foram introduzidos os eléctricos ("bondes", no Brasil), seguidos pelos autocarros ("ônibus", no Brasil). Embora o museu seja dedicado à Carris, encontrarão informação diversificada sobre o Metropolitano de Lisboa, afinal, veio revolucionar as deslocações na capital. A parte mais engraçada, quanto a mim, está no núcleo III (o museu está dividido por núcleos, em blocos, sendo que o percurso entre cada um deles é efectuado por elétrico; um monitor do museu leva-nos até ao núcleo seguinte, e assim sucessivamente). E o que há no núcleo III? Os veículos em si, eléctricos e autocarros, que nos serviram ao longo de tantas e tantas décadas.



   Um museu interessantíssimo, que adorei conhecer. Bem como o museu anterior, não é gratuito. Poderão, legitimamente, indagar-se: "Que interesse terá um Museu da Carris?" Todo. Se forem saudosistas e quiserem recordar parcelas do vosso passado - e todo o lisboeta tem um passado ligado à Carris e ao Metro - considerarão a visita como extremamente oportuna.


   Mais fotos, já sabem, através das minhas demais redes sociais.
   Para o sábado seguinte, as visitas estão devidamente programadas. No sábado que se seguirá ao próximo, é provável que me aventure para lá dos limites da cidade. Talvez sim, talvez não. Esperem para ver, que sei que há quem o faça e me acompanhe tão atentamente.

Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. Uso sob permissão.



7 de maio de 2018

Cultural Sunday... on Saturday [take 17].



   Este fim-de-semana começou cedo, com um sol radioso, num dia bastante quente. Estes dias têm um efeito extremamente benéfico no meu astral. No de todos, presumo eu. A mim, ajuda sobejamente, até porque andar por aí, à chuva, não é nada agradável. A Casa-Museu Medeiros e Almeida e o Museu da Fundação Portuguesa das Comunicações foram as opções escolhidas.

   Comecemos pela Casa Museu Medeiros e Almeida, numa transversal à Avenida da Liberdade. A Casa Museu, como o nome indica, é uma casa que, pela morte do seu proprietário, António de Medeiros Almeida, foi adaptada para museu. Já havia sido criada uma fundação, ostentando o seu nome, nos anos 70. Medeiros e Almeida foi um importante mecenas português, riquíssimo, cujo espólio só foi superado pelo de Calouste Gulbenkian. A sua impressionante colecção particular pode ser observada e apreciada na Casa Museu. Por forma a preservar o seu legado, e em virtude de não ter deixado descendência, Medeiros e Almeida foi perspicaz ao permitir que o público dela pudesse desfrutar. Deixo-vos algumas fotos.



Na primeira foto, a sala de jantar da casa, onde, em 1964, o senhor Medeiros e Almeida deu um jantar de recepção aos príncipes do Mónaco, Rainier e Grace Kelly.

   De seguida, e porque ainda se fazia cedo, dirigi-me à Fundação Portuguesa das Comunicações, ali para os lados das Janelas Verdes, um bocadinho antes. Como só abria às 14h, dei uma volta por aquela zona. Descobri a lindíssima Igreja de São Francisco de Paula, nos Prazeres, da qual vos deixo a sua fantástica torre do sino.


   A Fundação Portuguesa das Comunicações alberga o Museu das Comunicações, inaugurado em 1997. Recordo-me de por lá ter estado, através do colégio, e posteriormente. A museu permite que acompanhemos a evolução que se deu, no nosso país, no que concerne às comunicações, desde os tempos em que era o monarca quem incumbia alguém da distribuição da correspondência até ao advento dos correios modernos. É curioso acompanhar esse longo caminho de séculos. No piso 0 há uma exposição muito curiosa sobre os cabos submarinos que ligam todos os continentes da Terra. Soube que Portugal é o único país do mundo ligado directamente por cabos submarinos a todos os continentes, honrando a nossa tradição marítima. Tudo se deve à importante posição estratégica que temos na Europa.


Na foto, uma "mala-posta", que levava a correspondência já no século XIX, antes da entrada em circulação das locomotivas movidas a vapor.

   Nem só dos correios de ocupa o museu. No piso 1 temos a evolução das comunicações também quanto aos inventos tecnológicos que foram surgindo pelo século XIX, ou aperfeiçoados, dos quais a telégrafo, o telefone, a telefonia móvel, etc., são exemplos. Portugal foi pioneiro também no telégrafo. Durante o Fontismo, foi lançado o primeiro cabo submarino entre Lisboa e os Açores, em 1855. Cinco anos depois, já estávamos ligados a cidades como Londres ou Nova Iorque. No século XX, a televisão e a telefonia móvel revolucionaram completamente o modo como nos comunicamos e como temos conhecimento do que acontece no mundo.


Na primeira foto, modelos de telefones antigos; na segunda, um computador portátil de 1986.

   A parte mais interessante da visita, contudo, estaria reservada pata as 16h. A essa hora, no piso 2, houve uma conferência subordinada ao tema "Casa do Futuro na Cloud - viver numa smart city". Por lá, um monitor do museu, da área das tecnologias, demonstrou-nos, numa casa em tamanho real, como tudo podemos controlar com recurso a tecnologia já existente, ou seja, não falamos de uma casa realmente projectada para daqui a dezenas de anos, irreal, e nada vi num filme projectado. Entrei numa casa e vi o monitor a ordenar, pelo telemóvel ou inclusive pela voz, ao robot Alexa, que erguesse os estores, pusesse o fogão a trabalhar, ligasse e desligasse as luzes, abrisse a porta de entrada, etc., podendo desenvolver várias actividades em simultâneo. Só lá estava eu e umas três famílias. Poucos, o que ajudou, de facto, porque pudemos ver tudo com mais calma e atenção. Não imaginava que já houvesse tanta tecnologia à nossa disposição. Efectivamente à nossa disposição, porque é uma empresa neerlandesa, implantada em Portugal, que a desenvolve. Não me recordo do nome. O robot, a Alexa, ainda só responde a comandos em inglês, porque a tecnologia é norte-americana.


   A entrada no Museu das Comunicações têm um preço associado.
   Já sabem que terão acesso a mais fotos nas minhas redes sociais. Foi um dia produtivo.

   Uma boa semana a todos.

Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. Uso sob permissão.


30 de abril de 2018

Cultural Sunday... on Saturday [take 16].


   Este fim-de-semana, por dois motivos - porque o meu aniversário seria no domingo e porque os locais que queria visitar estão fechados aos domingos - decidi-me por programar o meu dia cultural para sábado. Um sábado extraordinário, com aguaceiros só da parte da tarde, quando já estava tudo visitado. E por onde andei? Aqueduto das Águas Livres, logo pela manhã, seguido do Museu da GNR (revisita) e do Museu Arqueológico do Carmo, ambos no Largo do Carmo. De salientar que revisitei o Museu da GNR apenas porque teria, inevitavelmente, de lhe passar à porta.

   A visita ao Aqueduto das Águas Livres encerra, por assim dizer, o meu ciclo dedicado a visitas a todo o património associado à EPAL, que este ano comemora os seus 150 anos. Fui ao Museu da Água, ao Reservatório da Mãe de Água das Amoreiras e ainda ao Reservatório da Patriarcal. O Aqueduto situa-se em Campolide. Não tem nada de especial, a par de percorrermos o troço de 1 km permitido, podendo desfrutar de uma vista privilegiada sobre Lisboa. Tem interesse. Mandado construir por Dom João V para resolver os problemas de abastecimento de água na capital, resistiu incólume ao terramoto de 1755, constituindo, portanto, um dos monumentos mais antigos de Lisboa.




   Tudo visto por aquelas bandas, fui ao célebre Largo do Carmo, onde ocorreram momentos decisivos no golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, que assinalámos há poucos dias. Inicialmente, o meu plano era o de ir, de imediato, ao Museu Arqueológico do Carmo, que visitara pela primeira e última vez em 2001. Ao passar pelo Museu da GNR, que fica no Quartel do Carmo, pensei « Porque não? » E decidi bem. Da vez em que lá estive, algures no início de 2017, havia uma parte, que desconhecia, fechada ao público, parte essa de salutar importância no contexto histórico que se viveu na Revolução de Abril: a sala em que Marcello Caetano, após catorze horas de incerteza, se rendeu, e entregou o poder, ao General Spínola. Na sala, ainda há marcas da rajada disparada pelo MFA contra o quartel, por forma a pressionar o então Presidente do Conselho à demissão. No museu propriamente dito, disponibilizam-nos informações sobre a Guarda Nacional Republicana, dos seus primórdios à actualidade. Não tirei fotos ao acervo do museu uma vez que o fiz no ano passado.










Icónicos momentos, com o retirar da foto de Salazar da parede. Ao lado, a sala que viu expirar o regime.

   Rigorosamente ao lado, temos o Convento do Carmo, ou melhor, as suas ruínas. Se o Aqueduto resistiu ao terramoto, menos sorte teve o Convento do Carmo. Podemos, entretanto, apreciar o que resta dele. Pombal ainda teve planos de o reconstruir, adiados sucessivamente, até que julgámos pertinente preservar o que restava, tornando o núcleo num museu ao ar livre. Nem só de despojos do sismo vive o Museu Arqueológico do Carmo. No seu interior, e numa área coberta, encontramos o iconográfico e altamente histórico túmulo de Dom Fernando I, uma das principais atracções do museu. Numa sala paralela, há uma exposição bastante interessante sobre os primeiros complexos populacionais em território nacional, da Idade do Bronze, com vestígios arqueológicos recolhidos da zona da Azambuja, no Ribatejo.




   Deslumbrante. A entrada não é gratuita. Os turistas atrapalham um pouco, devo dizer, contudo é compreensível que uma cidade como Lisboa lhes exerça todo o fascínio.


   Começou a pingar à saída. Vi tudo com a calma que o museu exige. Sentimo-nos entre a História. Aquelas ruínas são um testemunho da catástrofe que arrasou uma Lisboa, permitindo, porém, que outra nascesse, mais moderna - efectivamente, a primeira cidade moderna da Europa, preparada para o mundo, para os novos tempos. No meu Instagram, terão mais fotos, que não as poupei.


    Neste próximo sábado - porque terá de ser no sábado - já sei por onde andarei. E sei que vocês estão aí, desse lado, expectantes. Até lá!

Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. Uso sob permissão.

22 de abril de 2018

Cultural Sunday... on Saturday [take 15].


   Chuva, muita, pela manhã, a ponto de, a determinado momento, me ter arrependido da façanha. Depressa deu lugar a um dia cultural que, para mim, não teve tanto interesse quanto outros, mas que, ainda assim, me deu a conhecer universos que fogem à minha curiosidade e ao meu interesse habituais. Museu do Dinheiro, de manhã, e Museu da Música, de tarde.

    O Museu do Dinheiro fica situado na baixa da cidade, em pleno coração de Lisboa. Não esperava tanta obsessão securitária à entrada, o que não seria totalmente inesperado, é facto, mas desanima sobremodo. Tive de deixar os pertences todos num cesto, o guarda-chuva, tirar o conteúdo dos bolsos... Dá vontade de virar costas e mandá-los bugiar.

    O edifício está muitíssimo bem preservado, no interior e no exterior. Por lá encontrarão, como é evidente, uma coleccção numismática relevante, bem como terão um percurso histórico, lá está, pelos primórdios da moeda de troca peninsular até ao advento da moeda única europeia. Há uma parte interactiva com interesse para quem gosta. Gostei da sala dedicada às notas de todo o mundo, bem como gostei da tal excursão histórica que atravessa a ocupação romana do território português até à actualidade. O ouro brasileiro, pelo século XVIII, proporcionou-nos uma folga relevante nas crises financeiras sistemáticas. Emitimos moedas de ouro. O ouro que extraímos do Brasil chegou a representar metade das reservas disponíveis no mundo. Como li em Boxer, há muitos anos, Dom João V era o monarca mais rico do seu tempo. Deixo-vos algumas fotos.




   Após abandonar a baixa, dirigi-me à estação de metropolitano do Alto dos Moinhos. Sim, leram bem. O Museu da Música situa-se no interior da estação. Basta subir-se às cancelas que logo o verão. É um espaço um tanto ou quanto limitado, no que respeita à dimensão, mas com um recheio rico. A entrada não é gratuita. Encontrarão instrumentos musicais com história, de todo o tipo, predominando os de corda.
   Creio, na minha modestíssima opinião, que um museu da música merecia um espaço melhor do que uma estação de metropolitano. A sua dignidade também exige um maior cuidado. O museu não está bem estimado. Fiquem com uma ideia.







Pela tarde, o sol despontaria, já perto do seu final. Estava cansado. Havia dormido mal. Não me aventurei numa terceira visita. Sabem que terão, no meu Instagram, todos os registos do dia de ontem.
    Espero, sinceramente, que este período de chuvas acabe o quanto antes. É extremamente incomodativo passear-se na iminência de uma tempestade se abater sobre a nossa cabeça, muito embora tenha apanhado fins de semana solarengos e agradáveis desde Janeiro. Nesse sentido, e aguardando por um sábado soalheiro, já delineei o plano da próxima visita. Veremos se o tempo colabora. Até lá.

Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. Uso sob permissão.

16 de abril de 2018

Cultural Sunday [take 14].


   Visita molhada, visita abençoada. Não, que nem choveu. Chuviscou. Lisboa consegue ser encantadora nos dias cinzentos, como o de ontem. Fundação Ricardo Espírito Santo - Palácio Azurara pela manhã, com a tarde dedicada ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência (e Jardim Botânico de Lisboa) e ao Reservatório da Patriarcal

   O Palácio Azurara situa-se em Santa Maria Maior, nas Portas do Sol. É um edifício do século XVII, que Ricardo Espírito Santo comprou para aí depositar a sua colecção particular. A entrada não é gratuita. Apreciadores de História, sobretudo daquele período, não o levarão, ao preço, em consideração. Gostei particularmente dos óleos de personagens da nossa história, como os de Dom João V, Isabel Farnésio ou Catarina de Bragança. De igual modo, adorei os exemplares da mais bela faiança que temos, assim como da prataria. O mobiliário, que decora o interior, é também ele riquíssimo. Um dos tesouros, por assim dizer, mais curiosos diz respeito ao estudo de um quadro maior, oferecido a Dom João VI, que se terá perdido no Brasil na sequência da saída da corte. Deixo-vos algumas fotos.




   Quando saí, chuviscava. Entretanto, não podia perder a oportunidade de ir ao miradouro das Portas do Sol e ao miradouro de Santa Luzia, a uns metros abaixo. A chuva afugenta alguns turistas. Alguns. Outros, por sua vez, passeiam-se literalmente sob ela, sem guarda-chuva.



   O tempo melhorou no decorrer do dia. Dirigi-me, de seguida, ao Príncipe Real. O Museu Nacional de História Natural e da Ciência encontra-se na Rua da Escola Politécnica. O edifício, antigo, albergou a faculdade de ciências até 1985. Antes disso, funcionou até como Real Colégio dos Nobres, até à sua extinção pelos liberais, no século XIX.
   O museu está dividido em várias salas, por dois pisos, cada uma delas com uma exposição. Não as contei, se bem que fiquei com a ideia de que são realmente muitas, a ponto de - julgo que terão a mesma sensação - se sentirem perdidos entre os corredores. Gostei muito da exposição sobre o surgimento do planeta e da vida, desde os seres unicelulares aos hominídeos, no contexto do sistema solar e do universo. Gostei de praticamente todas, em suma. Dos fósseis, dos minerais. Áreas completamente distintas da minha, ou das minhas. Eis algumas fotos.

               


   O Jardim Botânico de Lisboa, nas traseiras do museu, reabriu os seus portões ao público. Não iria, à partida, revisitá-lo, no entanto, uma vez que ainda tinha tempo, decidi fazê-lo. É lindíssimo, e encerra espécies únicas. É conhecida a minha predilecção por jardins. Recentemente, estive no Jardim Tropical de Belém, como sabem.


   
   O dia não terminaria sem uma passagem pelo Reservatório da Patriarcal. O reservatório, inutilizado nos anos 40 do século passado, foi projectado para resolver os problemas de abastecimento de água nas zonas mais baixas da cidade. Contempla passagens subterrâneas, algumas das quais com percursos que podem ser efectuados mediante inscrição prévia. O reservatório fica a meio do jardim do Príncipe Real, no subsolo.


   Um dia em cheio, com três visitas. Tenho imensos registos fotográficos, que irei partilhando convosco, sobretudo através do Instagram (isto para quem me segue - sabem que, aqui, apenas vos abro o apetite). Como é expectável, já tenho ideias para o próximo domingo. Ou sábado. Até lá!

Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. Uso sob permissão.