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9 de julho de 2019

O fim... do ano lectivo, com c.


   Com o início do título, até se assustaram, não? O fim. Será que é agora que ele vai encerrar de vez o blogue? Não, ainda não é desta, embora ande ligeiramente afastado destas lides. 

  O que é que tenho feito, perguntar-se-ão. Algumas coisas; umas que gosto mais, outras que gosto menos. Na última semana, fiz uma oral de Contencioso Administrativo, na quarta. Uma oral de passagem. Gosh, o raio da cadeira deu-me imenso trabalho a fazer. A regente pôs a mão na massa, como um assistente disse, e corrigiu alguns testes e exames. Como sou um tipo cheio de sorte, foi ela quem corrigiu o meu teste e o meu exame. Não será difícil imaginar que a nota não foi um espanto, obrigando-me a ir à oral. Sim, uma oral, com um júri. Eu, de fatinho e gravata, perante dois professores até acessíveis e simpáticos - rezei para que não fosse a regente. Passei. A algum custo, mas passei. Fiz todas as cadeiras a que me comprometi, seis. Parabéns a mim.

  Antes disso, na segunda-feira, fui a Lisboa com a minha mãe. Ela teve de tratar de uns assuntos e pediu-me para que a acompanhasse. E eu lá fui, claro. Adoro andar com a minha mãe. Da parte da tarde, passámos pela baixa, onde almoçámos numa hamburgueria de decoração retro-chic, comprei um polo na Springfield e um livro na Bertrand. O polo é muito giro, vermelho, e é para estrear quando o tempo melhorar, ou eventualmente no Algarve, se for para lá neste Verão, que ainda não sei. O livro, pois, não era  para o ter comprado, porque, como bem se lembram, comprei imensos livros na edição deste ano da Feira do Livro. Acontece que tinha um montante a caducar no meu cartão da Bertrand. Um montante não desprezível, por assim dizer. Com o remanescente, trouxe um clássico, outro que ainda me faltava. Deixo-lhes as fotos.






    Tem sido assim, um começo de Verão tímido. Tão tímido quanto a temperatura, que ainda não é de Verão, mas que agradeço: continue. Ah, acompanhei a Copa América e a Gold Cup, competições que terminaram ontem. Parabéns aos vencedores, o Brasil e o México, respectivamente.

29 de abril de 2019

April 29.


   Pensei se faria sentido assinalar o meu aniversário aqui. A bem ver, talvez não. Não falo muito de mim. Falo de actividades que desenvolvo, o que é diferente. O blogue, há muito tempo que deixou de ser um espaço onde me exponha. Creio já nem ter idade para isso, embora saiba que há gente mais velha que se expõe, e que bom que assim é.

   Os aniversários perderam o encanto, também já o disse. Já não há presentes, já não há almoços em família. Já não há família, sequer. Já não há nada. Há um amontado de situações desorganizadas que me levam ao desespero e ao desencanto. Este dia é apenas aquele dia em que ainda corto o bolo porque sim, como que cumprindo um ritual. Não há absolutamente nada que o torne diferente, pelo contrário: a passagem dos anos começa a amedrontar-me. Os votos de feliz dia sucedem-se, sim, estimulados pelas redes sociais. É evidente que há sempre uma energia de quem se predispõe a deixar uma mensagem, um comentário, e isso eu agradeço e até gosto.

  A publicação também tem outro objectivo: há pessoas que só me acompanham por aqui e que sei que gostariam de ser lembradas desta data, porque não é exigível que dela se lembrem. Ocorrem-me duas, com quem só tenho contacto pelo blogue.

   É tudo.

27 de abril de 2019

25 de Abril [parte 2].


   No feriado, aproveitei que o Palácio de São Bento esteve aberto e decidi passar por lá. Por incrível que pareça, nunca antes havia estado no interior de São Bento, palácio novecentista (embora o espaço seja bastante anterior, remontando a um mosteiro), que sediou as Cortes constitucionais, o Congresso da I República, a Assembleia Nacional do Estado Novo e, desde 1976, a Assembleia da República - de 75 a 76, como sabem, esteve reunida por lá a Assembleia Constituinte, que elaborou a nossa actual Lei Fundamental. É um palácio em estilo neoclássico. Aceita visitas com marcação prévia. Em verdade, quero ver se lá volto, porque a afluência foi tanta que não pude ver tudo quanto queria com o tempo e a atenção devidos.



   Estive mais de uma hora na fila, que por acaso até andou bem. Dava literalmente a volta ao palácio, contornando-o. Faz-me lembrar a que apanhei quando fui ao Palácio de Belém, assim que Marcelo tomou posse.



  A par do hemiciclo propriamente dito, foi-nos mostrada a sala de visitas da presidência, a sala do arquivo histórico e a sala da comissão parlamentar. Acredito que houvesse mais para ver, mas era tanta gente… Não consegui visitar a Residência Oficial do Primeiro-Ministro, que estava encerrada, havendo gente que, contudo, não hesitou em violar as demarcações que impediam a passagem, nas barbas dos seguranças e dos agentes da polícia. Arriscam-se por pouco.



   Embora não concorde com a revolução, não deixei de colher alguns cravos. Até me tiraram umas fotos com eles. Já sabem que poderão ter acesso a elas através das minhas redes sociais, isto para quem me segue. Deixo-lhes, porém, algumas aqui.



    Porque as flores e os dias têm os significados que lhes queremos atribuir.


Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. Uso sob permissão.

23 de dezembro de 2018

Jantar de Natal - Lisboa 2018


  Comecemos pelo Jantar de Natal, o evento por que todos esperávamos. O encontro havia sido combinado para 19h:20m. Fui o primeiro a chegar. Aos poucos e poucos, foram-se juntando os demais convivas, um por um, ao local acordado: a Cervejaria Portugália, na Almirante Reis, a clássica.

   Tivemos uma noite com céu limpo, não excessivamente fria, sem aguaceiros. Não poderia ser melhor.



    Veio uma pessoa que ninguém conhecia, nem eu. Este jantar teve, portanto, ao contrário de outros, esse factor surpresa. Uma pessoa que animou a mesa com os seus pontos de vista, que colidiram com outros, apimentando-se o convívio. Foi, talvez, o jantar mais dinâmico, com conversas soltas. Tratou-se vários assuntos, abrangentes, e ninguém se ficou apenas pelas costumeiras conversas da época. A interacção entre os presentes foi o ponto alto.



    No que respeita à comida, a maioria optou pelo fantástico bife com molho à Portugália, a grande especialidade, mas rodaram gambas também. Ainda antes, devorámos as fantásticas entradas que nos disponibilizaram: recheio de sapateira, salada de polvo e, claro, as manteigas da praxe. Nunca vi tão poucos comerem tanto pão. Quatro cestas. Mais, só rogando a Deus para que os multiplicasse - bem a propósito. De sobremesa, não tenho palavras para descrever o delicioso bolo de chocolate quente acompanhado de uma bola de gelado de baunilha, no contraste quente / frio. Que maravilha!



   Após o jantar, jogámos ao tradicional Amigo Secreto. O trato tinha sido cada um trazer um presente simbólico, algo que não fosse caro para não termos uma disparidade entre o que se recebe e o que se oferece. Em todo o caso, houve quem não o cumprisse. Tive sorte, e arrecadei um livro sobre o Eça de Queiroz - felizmente, não era um livro do Eça, que considero um aborrecimento.



   Ainda que pareça um lugar-comum, foi um dos melhores jantares em que participei, e que tive a honra de organizar. O grupo era simpático, pequeno, o que permitiu que todos pudessem conversar uns com os outros. Houve inclusão. Como referi acima, foi um jantar dinâmico. Teve poucos momentos (terá tido algum?) de acalmia. Conversou-se muito, e com qualidade, o mais importante.

   Quero agradecer aos que estiveram presentes. Ano após ano, cada vez mais sinto o apelo para organizar estes jantares de confraternização. O Natal é uma época que me é mui especial. Partilhar o espírito da quadra com outras pessoas é do melhor que há. Tive um verdadeiro presente antecipado: a vossa companhia. Obrigado!

10 de dezembro de 2018

Concerto de Natal.


   Há já uns dias que não vinha ao blogue. Tenho andado assoberbado com avaliações. Tive duas, na semana passada, com um intervalo de dois dias entre cada uma. É manifestamente pouco. Quando não estou em aulas, estou a estudar. Os dias têm sido passados assim. Aguardo ansiosamente pelas férias do Natal, que serão curtas. Em Janeiro, o mais provável é que tenha exames - digo provável porque há sempre a hipótese, remota, de os dispensar.

   Como só terei uma avaliação na semana que antecede o Natal, aproveitei e fui ao concerto da Universidade de Lisboa. Um concerto com a orquestra e o coro próprios da universidade. Teve lugar na Aula Magna, e foi lindíssimo.

   Gosto de música clássica e, como é sabido, do Natal. Conjuguem-nos. O auditório estava lotado. Tinha um convite a mais. Lembrei-me e convidei um amigo. No final, jantámos e fomos observar de perto a iluminação natalícia do Chiado, que ainda não havíamos visitado. A zona d'A Brasileira está giríssima, cheia de enfeites coloridos. Um enorme Pai Natal ornamenta a Praça Luís de Camões. Não que a Câmara negligencie a iluminação, se bem que este ano se esmerou. A cidade está um encanto, que dá gosto calcorreá-la.

    Deixo-lhes algumas fotos.

O concerto foi sublime

Bem decorado, o átrio da reitoria
" Oh, Oh, Oh! "


26 de novembro de 2018

Christmas time is in the air... again.

 
  Estamos a um mês do Natal, e a cidade, Lisboa, já está a postos para o receber. No sábado passado, dia 24, com alguma chuva, as luzes natalícias acenderam-se pela primeira vez neste ano, mostrando-nos a magia dos enfeites que pelas próximas semanas irão ornamentar as principais artérias e praças da capital.

A Avenida da Liberdade, com os seus pendentes brilhantes

   Eu, claro está, interrompi o estudo e, munido de guarda-chuva, fui espreitá-las. Gostei imenso, como vem sendo habitual. Adoro o Natal, que para mim é este período que agora começa. Mais do que a véspera e o próprio dia 25, o que tem encanto é a quadra, as músicas, o espírito, os doces... Continuo a gostar infantilmente do Natal, sem ter vergonha de o assumir. Quando nos tornamos adultos, parece que, para muitos, gostar do Natal se torna ridículo ou despropositado. De todo, quanto a mim. Ontem mesmo, domingo, fui comprar uma nova árvore de Natal, que a que tinha, de quase nove anos, atingiu o limite. Esta é surpreendentemente alta. Tem 2,10 cm. Não vejo a hora de a montar. Costumo fazê-lo no dia 8 de Dezembro, que, como sabem, é o dia consagrado à Imaculada Conceição de Maria, cuja festa litúrgica assinalamos. Diz-nos a tradição que a árvore deve ser erguida nesse dia, quedando-se até aos Reis.

A bolinha onde todos querem entrar

   E, por falar em Natal, não se esqueçam do jantar de Natal que irei organizar no dia 22 de Dezembro. Quem ainda não confirmou a presença, poderá fazê-lo até ao dia 8, relembro. Para tudo saberem, cliquem no widget que encontrarão no canto superior direito do blogue.

Encantador, o antigo Palácio dos Estaus, hoje Teatro Dona Maria II

   Deixo-vos algumas das fotos que tirei com o meu iPhone. Quem me segue por outras plataformas, terá acesso às restantes e a tantas outras que ainda quero tirar. Não explorei todas as ruas.

Laços e mais laços que iremos tirar dos embrulhos




7 de outubro de 2018

Aulas.


   Devem estranhar não ter notícias minhas há uma semana, não? Talvez não, talvez sim. Em todo o caso, eu avisei que seria assim. Como tenho andado? Bem. Numa azáfama. Apanho os transportes, corro para as aulas, compro os livros, os códigos, vou para a sala de estudo, resolvo casos. O expectável. Os dias têm sido passados na faculdade, literalmente, cuja sala de estudo está aberta 24h sobre 24h, 7 dias por semanas. Uma reivindicação antiga, que se viria a concretizar algures durante estes três anos de ausência. Como me sinto? Bem! O que é difícil, tratando-se de alguém que raramente está bem. Sinto-me… normal. Poucas vezes me tenho sentido normal, pelo que sou, pelas vivências que tive, enfim, por um manancial de factores. Sem me querer repetir, mas já o fazendo, tenho um dever, um compromisso. O que me faltava. O que já tive e que perdera, e tê-los perdido fez-me dar-lhes outro valor.

  Voltar à faculdade fez-me ver o que realmente importa. O meu futuro está por lá, e em alguém como eu, com tantos anticorpos e com tanta gente a querer mal, não há nada melhor do que me focar no essencial. Acreditem, não é mania da perseguição. Há quem a tenha, de facto. Gero muitas antipatias, por motivos que nem eu compreendo bem. Não costumo ser mal-educado ou desrespeitoso. Afrontarei, e nisso acredito, com as minhas posturas, atitudes e convicções. Não estamos preparados, não num país comezinho como Portugal, para lidar com quem nos faz frente ou discorda de nós. Temos um deficit democrático gigante.  A parte boa disto tudo é que não preciso dos meus caros inimigos para nada. Quando muito para poder dizer, de peito cheio, que os tenho. Só tem inimigos quem alguma importância tem. E, acreditem, os meus já se contam pelos dedos das duas mãos.

  O blogue continua a merecer-me a maior das atenções. Prova é que já me sentia mal por remeter-me a uma ausência que, ainda que curta, me incomodava. É bem provável que, nos próximos dias, regresse em cheio com um enquadramento jurídico inspirado num caso recente - aliás, mais do que recente: do dia -  que tem ocupado páginas e páginas de jornais. Até lá!

29 de setembro de 2018

O Retorno.


   As aulas começaram há quinze dias. Estive três anos fora. Sim, três anos, por motivos alheios à minha vontade. Regressei, por fim, e julgo ser oportuno escrever um pouco sobre estes momentos iniciais.

   Emocionei-me da primeira vez em que entrei num dos anfiteatros, após os mil dias. Foi emotivo para mim. Depois, estranhei não conhecer ninguém. Sim, há caras que reconheço, mas de pessoas com quem nunca tive qualquer contacto.

   A faculdade conheceu obras nestes três anos. Está diferente. É quase uma experiência nova. Já não escrevo à mão; levo o meu Surface. Já sou mais disciplinado, presumo eu. Ganhei outro sentido de responsabilidade.

   Estou ainda a acostumar-me às dinâmicas. Como sempre, sento-me na fila da frente dos anfiteatros ou das salas. É algo que me caracteriza.

   Entretanto, ontem, soube do falecimento de um professor que também foi meu docente numa das disciplinas, o Professor Doutor Eduardo dos Santos Júnior. Faleceu em 2016, com 59 anos, e eu soube-o ontem, imprevisivelmente, quando comentava com um colega - um colega antigo que ainda por lá anda - sobre a cadeira de Direito das Obrigações, justamente aquela em que fui seu aluno. Recordo - e não são palavras de circunstância - um homem bom, amável, de trato fácil. Sorria frequentemente para os alunos. Explicava bem as matérias. Uma pena, uma pena. Sentava-me sempre defronte de si, a meio do anfiteatro. Não raras vezes olhava para mim enquanto falava. Eu limitava-me a admirá-lo, anuindo. Foi consigo, também, que fiz uma oral, uma saudosa oral, que me correu bem. Ajudou-me bastante, mesmo nos momentos em que me atrapalhava. Ao contrário de alguns professores que por lá andam, cujo intuito é massacrar, passo a expressão, os alunos, o Professor Santos Júnior estava ali para ajudar. Fiquei realmente consternado.

   Têm sido dias bons. Sinto-me útil, válido. Estes três anos, de certo modo, estupidificaram-me. E isso também se notou no blogue. Nós somos uma engrenagem: quando não exercitamos o corpo, perdemos a massa corporal; quando não exercitamos o cérebro, emburrecemos. Creio que ainda vou a tempo.

12 de setembro de 2018

Vários em um.


    Pretendo tratar vários assuntos, e nada mais fácil do que compilá-los aqui. Começarei pelo Motel X - Festival de Cinema de Terror de Lisboa. Fui a duas sessões, sendo que a última coincidiu com a de encerramento do certame. Apreciação global: não gostei muito, devo dizer. Tudo muito desorganizado - como de costume neste país - e poucas sessões para a procura. Fizeram uma gala de entrega de prémios que empurrou o último filme para horas tardias, desrespeitando-se o horário. As pessoas que pagaram os seus bilhetes, que nem todas o fizeram, não compraram sessões de encerramento, infindáveis discursos e outros que tais. Não pretendo repetir, a menos que saiba de um filme extraordinário em cartaz.



  Netflix. Criei conta recentemente. Estou a adorar. Tem poucos títulos, sobretudo em filmes, comparando-a com a brasileira e com a norte-americana, todavia dá imenso jeito, e afasta-me das redes sociais. Estou a usufruir do primeiro mês gratuito e ainda a decidir se fico ou se cancelo. Como adoro terror, tenho-me deleitado com alguns filmes bastante bons do género.

   E por falar em terror, fui ver, ontem, o The Nun. Péssimo, péssimo. Sim, realmente é muito mau. Uma sucessão de clichés. Tanta propaganda para um filme fraquinho, fraquinho. O final assemelha-se à agua da minha banheira a descer pelo ralo - se se decidirem a vê-lo, entenderão. A narrativa é desinspirada, e os efeitos são em demasia. Os clichés, esses sim, abundam, tornando a história banal, corriqueira, vulgar mesmo. Humor (sim, tiveram essa pretensão) mal conseguido e interpretações para lá de ruins.



   Aulas e compras. Tenho comprado imensas coisas para a rentrée. Roupa, muita, um guarda-chuva giríssimo, um relógio, um perfume, enfim, que se juntam a tanto e tanto que comprei a pensar no tal regresso. Sinto um nervoso miudinho, como se estivesse a entrar, agora, pela primeira vez no ensino superior. Fi-lo há oito anos, e eventualmente poderão procurar pelas publicações de Setembro de 2010. O voltar, a rotina, o estudo. Sentir-me válido. Útil.
   É natural que - mas não quero com isto dizer que suceda obrigatoriamente - o blogue se ressinta, isto ao nível da periodicidade de publicações, que a bem ver nunca estabeleci nenhuma. Eu quero mesmo terminar aquilo. Quando digo mesmo, é realmente mesmo. Quero dar tudo o que não dei e que devia ter dado. Tive oportunidades e não as aproveitei. Fui leviano. Não quero que se repita. Muita merda - deve ser a primeira asneira em quase onze anos de blogue.

29 de agosto de 2018

Slender Man & Holidays.


   Antes das férias, ainda fui ao cinema ver um filme de terror, o Slender Man. Não sei que descoordenação é esta que me leva a gostar de filmes que são arrasados pela crítica, ao passo que outros, aclamados, tendo a considerar lixo. Pelo menos tenho opiniões próprias. Longe de ser um filme excelente, este Slender Man, em terror, é do melhorzinho que se fez nos últimos tempos. Falo-vos a sério. A personagem enigmática, que surgiu pela internet e que ganha aqui corpo, ainda que disforme e aterrador, perturba um pouco. Vai da sensibilidade de cada um. Eu não sou facilmente impressionável (com os filmes de terror).

   Sucintamente, Slender Man é um ser que se evade dos bosques e que tem como alvos crianças e adolescentes. Invocado através de um vídeo, não convém mirá-lo de frente, caso contrário persegue as suas vítimas até as enlouquecer ou aniquilar, começando por as atormentar, desde logo, com um quadro de alucinações. É neste novelo que se vê envolvido um grupo de quatro raparigas amigas.

   Os filmes de terror não conseguem fugir de certos clichés: os planos de suspense, a penumbra, os pesadelos, por aí. Fora isso, num meio já bastante esgotado, creio que conseguiram criar uma atmosfera potencialmente assustadora. As interpretações, que não são nada de extraordinário, estão ao nível de um filminho de terror teenager. O final desilude, é fraco.


   Irei rumar ao sul por uns dias. Estarei, como de costume, na província mais meridional de Portugal Continental. Exactamente de hoje a quinze dias, inauguro uma nova fase da minha vida. Não sei se nova será o melhor adjectivo; sê-lo-á, sim, se considerarmos os anos recentes. 

See you soon,
Mark

15 de agosto de 2018

Jardim do Torel & The Bookshop


   De entre os jardins de Lisboa, o pequeno Jardim do Torel é um dos que me é mais encantador. Pelo tamanho diminuto, pela inacessibilidade e pela vista. Situado perto do Campo dos Mártires da Pátria, chegamos lá através do Elevador do Lavra ou subindo a encosta, o que só aconselho à tardinha.

  Tem sido o meu refúgio pelas tarde. Sento-me num dos seus bancos a ler. Só os lisboetas sabem como é difícil encontrar um lugar que seja calmo para pôr a leitura em dia. O Torel, a menos que surjam uns quantos desordeiros, é calmo. A fonte de baixo estava seca da última vez que lá estive. Alguns turistas aproveitam a sombra e estendem-se confortavelmente na pouca área relvada que está disponível. Por estar situado ao alto da encosta, proporciona-nos aragens frescas. As noites também têm estado particularmente frias para a época.

  O Jardim do Torel surgiu de uma quinta do desembargador Cunha Thorel, rico homem. Já no século XX, o espaço foi cedido à Câmara Municipal de Lisboa, que se decidiu pela sua requalificação em jardim e miradouro, simultaneamente.

Captada por mim, há dois dias.
 
   Ontem, fui ao cinema. Vi o The Bookshop, inspirado num romance de Penelope Fitzgerald. É quase uma alegoria à determinação de uma mulher comum, normal, em abrir uma livraria num vilarejo pejado de pessoas estranhas. O autorrecluso enigmático, sobre o qual circulam todo o tipo de estórias, a megera requintada, o dandy esquisito e inescrupuloso. Creio que só encontramos semelhanças com a nossa realidade nos comentários toscos e quadrilheiros das vizinhas.

   Lição de moral: nem sempre, por melhor intencionados que sejamos, conseguimos vencer forças maiores, sobretudo quando elas têm tentáculos e se conjugam para nos destruir. Ficamos sem saber qual o interesse de todos naquela Casa Velha, o que ela terá, a par da antiguidade, de tão extraordinário que mereça tantos golpes baixos para minar uma livraria que só traria bons hábitos de leitura a um aglomerado populacional que certamente deles precisaria.

  Gostei das interpretações dos actores, nomeadamente de Emily Mortimer e Billy Nighy. Há uma cena em particular, enquanto ambos tomam chá, em que senti tamanha emotividade no discurso e na expressão facial de Billy, aqui no charmoso e galante Edmund Brundish. De igual modo, a fotografia surpreendeu-me pela positiva. Paisagens magníficas, embora escuras e cinzentas, da Irlanda do Norte. Inexcedível.

12 de agosto de 2018

Shopping day.


   Há muito tempo que não relato nenhum episódio de compras no blogue. Fazia-o amiúde em miúdo, bem a propósito que até rima. A silly season também é propensa a devaneios destes, na falta de melhor assunto. A completar, como terão reparado, suspendi, a tempo indeterminado, os meus passeios culturais. Pelo calor, pela apatia e porque, entretanto, novos desafios virão, e desta vez é que vêm mesmo. Saberão de tudo muito em breve. Passemos, então, às compras!

   Não posso dizer que seja um rapaz dos saldos. Quando posso, aproveito-os. Se vir algo de que goste e tenha dinheiro comigo, compro, independentemente de estar ou não em época de descontos. Sempre fui extraordinariamente consumista. Comprar anima-me, faz-me sentir melhor, mais alegre. Tem sido assim. É evidente que é uma forma quase inconsciente de suprir outras carências, também o sei, e não de agora, mas as coisas são como são. Se não os podes vencer, junta-te a eles. Compro, assumo que o faço. E, se o faço, é porque algum dinheiro terei. Não irei explorar aqui a minha vida, podendo dizer-vos que, desde há quatro anos, perdi poder de compra. Vicissitudes. Não fiquei pobrezinho, mas também não nado em dinheiro. O que não sou, isso não, jamais, é dissimulado, como uns e outros que andam por aí, que compram este mundo e o outro, e eu nada tenho com isso, mas que adoram pôr a máscara de carenciados quando lhes convém, enganando incautos e ingénuos. Como de parvo, graças a Deus e aos bons genes, não tenho nada, não me deixei cair no conto do vigário. Lá nos diz o velho ditado: « Podemos enganar algumas pessoas o tempo todo, ou todas as pessoas durante algum tempo, mas jamais todas as pessoas por todo o tempo ».

   No mês passado, na Pull&Bear, comprei uma jaqueta castanha e uma t-shirt com riscas azúis, Combinam, as peças, na perfeição. Já depois disso, comprei uns calções também em tons de azul (claro) e uma t-shirt em amarelo-torrado, ambos na Springfield, que fará pendant com uns ténis novos da Element, de cor mui parecida. Ontem, fui ao El Corte Inglés e deixei lá umas notas. Como, a priori, irei rumar a sul por uns dias, comprei uns calções de banho novos, da Nike, giríssimos, uma toalha de praia da Lightning Bolt, caríssima, um boné da mesma marca e uns chinelos da Calvin Klein. Odeio chinelos, começando pelo substantivo, que é horrível, mas realmente não há melhor para a praia. Precisava de uma boa toalha de praia, que a minha da Adidas, que tem uns vinte anos, está desgastada do sol. Quanto aos calções, tenho alguns pares; queria uns vermelhos, e estes que encontrei, da Nike, vão ao encontro do que procurava. Perguntar-se-ão: "Mas ele só ligará a marcas?" Não ligava, é verdade, todavia, de há uns tempos para cá, venho-me interessando mais pela marca. A marca dá estatuto. Não vale a pena andarmos aqui a negar o que todos sabemos. Uma peça de roupa de marca, a par da qualidade, impressiona, torna-nos mais vistosos. Assim como um bom perfume (estou a precisar de um!). Já me esquecia, comprei também uma carteira da Eastpak, para combinar com a minha mochila nova, da mesma cor, a estrear.

   Comprei tudo em saldos. Não falarei em preços porque é do mais deselegante que há. Posso adiantar-vos que, mesmo assim, não compensou muito. Descontos na ordem dos 30 %, 40 %. Pagamos o selo Corte Inglés, que se soma às marcas. 
   Gosto de coisas boas. O tecido da toalha, por exemplo, não se compara ao de outras. O bom, paga-se. Por enquanto, está tudo comprado. Para as férias, arrumei o assunto, e são sempre artigos que ficam para anos seguintes.

   Para a faculdade (sim, era a novidade!), adquiri de tudo no ano passado (e acabei por não ir…), não havendo material a comprar (excepto códigos e livros). Encerrado. De roupa, perdi a conta a tudo quanto tenho por estrear. E não desfalquei as minhas economias. Preciso de um relógio castanho, de um perfume, de um cinto e de uns sapatos castanhos. Tenho milhentos pares de sapatos, inclusive castanhos, mas não os que quero. E talvez compre um fato, que já não aprecio os que tenho. É tudo.

   Há novidades, há-as. Descortinei um bom pedaço, ou quase tudo. Na rentrée, adiantarei o resto, com as compras na mão, claro. Já ganhava era uma comissão por tanta publicidades. (risos)

22 de julho de 2018

A good Saturday.

   Combinámos previamente à saída da estação da Praça de Espanha, em frente ao Palácio de Palhavã. A propósito, têm reparado em como este Verão está a ser atípico? O programa seria o de passear um pouco pelos jardins da Gulbenkian antes de jantar. Os jardins da fundação são um clássico lisboeta. Para namorar, caminhar ou simplesmente desanuviar, quem não passou por lá que atire a primeira pedra. São óptimos para ler, também. Fazia-o amiúde, há uns anos. Têm mais tartarugas nos lagos do que da última vez que por lá havia estado, salvo erro em Dezembro (e não me lembro se terei calcorreado os jardins ou se fui directamente ao museu).


   De seguida, a Hamburgueria do Bairro, que adoro, ali pelos lados do Príncipe Real. Não sei se da carne, se do molho que acompanha as batatas (aposto nisto…) ou se da confecção, são os meus hambúrgueres favoritos, e a um preço extraordinário. Querem uma foto, não querem? Só para vos deixar com água na boca

   
   Um agradecimento especial a quem me acompanhou pela tarde. Estas horas da madrugada levam-me a algumas reflexões. Para começar, e creio já o ter dito - é bem provável, que ando nestas lides há dez anos: eu não sou pessoa, nunca fui, de grandes socializações. Sou maniento, complicado, solitário. Quando gosto das pessoas, gosto; quando não gosto ou passei a não gostar, vem-se a sabê-lo. É inevitável. A ficha cai-me logo, porque não me esforço minimamente para ser simpático ou para agradar. Para terem uma ideia, não o faço nem com aqueles de que preciso.

   Estou acostumado a ficar sozinho, a andar sozinho. Em miúdo, era sempre o que dizia o que pensava, não me importando se arranjava ou não inimizades. Sei que as tenho e, sinceramente, em bom vernáculo, é para o lado que durmo melhor. Tenho milhentos defeitos, imensos, mas há dois de que me orgulho não ter: cinismo e falsidade, daí não conseguir conviver muito tempo com pessoas que, porventura, nem serão piores do que eu, ou melhores. São diferentes. E já tentei ser cínico e falso. Dá imenso jeito, em inúmeras situações. Como diz a minha mãe, " é preciso uma pitadinha de hipocrisia para manter a dignidade das relações humanas ". Não memorizei a lição.

   Sei que gero anticorpos. Oh meus amigos, tem sido assim desde sempre. É mais fácil odiar-me a amar-me, e querem a verdade? É-me indiferente. Há sempre alguém que engraça comigo, que não desiste de mim e que, no limite, até gosta do meu feitio. Como costumo dizer, para se gostar de mim é preciso realmente querê-lo muito. Ainda há quem o queira, e só esses me merecem atenção. Os outros, são pessoas com quem me cruzei algures pelos dias e que vão ficando para trás. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém. A minha personalidade acarreta-me prejuízos? Sei que sim. Ao menos, um dia mais tarde vejo que nunca ficou nada por dizer.

   Vamos sempre deixando pessoas pelo caminho. Ficam as que importam e as que se importam connosco. É uma lei que não caduca, acreditem. Vocês, os mais velhos, até o saberão melhor do que eu.

    Terminámos a apreciar o espectáculo que é Lisboa quando a noite a envolve.


29 de abril de 2018

April 29.


   Provavelmente, já o terei contado: em miúdo, adorava fazer anos. Não ia às aulas. Acabava sempre a almoçar com os pais num restaurante giríssimo, chiquíssimo, com todos os íssimos que possam imaginar. Recordo-me particularmente de um, o almoço dos meus dez anos. A mãe comprou-me um conjunto de roupa da marca Cenoura (pois é, estou a ficar velho), e depois fomos todos almoçar - isto é, a mãe, o pai e eu - à Adega da Tia Matilde, sempre muito bem frequentada. Não raras vezes víamos, por lá, personalidades ligadas ao mundo do futebol. Agora que penso nisso, lembro-me de que eu próprio tenho um familiar que é dirigente desportivo. Outros quinhentos.

   Os anos foram passando e o ânimo foi cedendo. Fazer anos... É mais um dia. Não, não. Não é isso que estarão a pensar. Não me incomoda envelhecer. Pelo contrário. Envelhecer dá-nos experiência, maturidade (na maior parte dos casos). Dá-nos mais capacidade de saber lidar com as adversidades da vida, com os problemas que se nos deparam. E se eu preciso dessa maturidade. Quando leio e ouço a queixarem-se da idade, geralmente aludem mais à saúde, aos problemas que lhe são uma consequência. Saúde, nunca esbanjei. Embora seja bem constituído, uma constipação manda-me abaixo em três tempo. A minha estrutura nunca foi a de um rapaz saudável. Felizmente, até à data, e embora continue a achar que irei morrer jovem - que conversa num dia de aniversário, não é? - as maleitas que me afligem vêm tendo remédio.

   De igual modo, comemorar-se aniversários faz sentido quando temos uma família unida, coesa, e a minha há muito que soçobrou a desavenças, a mortes e a separações. Como em várias famílias, de resto. São rigorosamente poucas as pessoas que me são próximas, com tendência para que sejam menos e menos.

   Continua a fazer sentido cortar o bolo, responder às simpáticas mensagens que me chegam, atender alguns telefonemas. Escrever sobre o dia. Porque sim. Porque nasci, já há alguns aninhos.

27 de abril de 2018

A Noite do Jogo.


    Na quarta, fui de novo ao cinema. É bem provável, digo eu, que dê uma pausa nas sessões cinematográficas, uma vez que já esgotei quase todas as opções disponíveis em cartaz, de modo a que me engano a mim próprio. Este filme, de que vos falarei em seguida, foi aquilo a que vulgarmente chamamos um barrete. Enfiaram-mo, literalmente.

     Não sou muito dado a comédias. As peripécias da vida já me dão para rir (ou para chorar, como queiram). Para me divertir, a comédia tem de ser verdadeiramente interessante, divertida. É muito fácil uma comédia cair no lugar-comum. O argumento deste filme até consegue ser minimamente original: casais que se juntam para jogar um jogo. Vai-se a ver e o jogo não é tão jogo assim, sendo que depois o é e torna a não o ser. Confusos? Assim é o filme. Depois, é uma sucessão de disparates sem par. Nem as partes cómicas têm grande piada. Sacam-nos umas gargalhadas, mas nada de muito prazeroso. Quase que rimos para dar o filme por bem escolhido. Ou rimo-nos dos disparates. Eu adivinhei, por três ou quatro vezes, o que viria a acontecer na cena seguinte. Imprevisibilidade, zero. Se tivesse, em notas escolares, de lhe atribuir uma classificação, dar-lhe-ia um suficiente menos.


    Neste exacto momento, escrevo-vos do Marquês (de Pombal). Vim lanchar, deixar aqui o meu testemunho do filme a que assisti e ultimar os detalhes do dia de amanhã. Um bom fim-de-semana!


6 de fevereiro de 2018

Weekend.


   Já me cansa falar sobre mim e sobre o que faço. Não foi isso que quis para o blogue, mas é isso que tenho feito ultimamente. Blogues "versão diário" e outros com o ego inflamado andam por aí aos montes: eles falam sobre cada passinho que dão, cada livrinho que lêem, cada tragédia que lhes sucede, levando-me a crer que as suas vidas, tais como a minha, são do mais desinteressante possível, e são-no, efectivamente, ou não andasse a fazer o mesmo desde há semanas.

   Começo pelo jantar de sábado. Foi giro, não tão giro quanto outros. Tive de sair mais cedo, as usual, sujaram-me as calças e as botas no buffet e deprimi a meio da confraternização. Entretanto, conheci um blogger que sigo, e que me segue, aos anos, e essa parte foi gira. Como a minha mãe disse, tendo-a desmentido para não parecer mal, « chamam-lhe jantar da amizade, mas são uma cambada de cínicos que dizem mal nas costas uns dos outros ». Tem certa razão, com a autoridade das suas seis décadas de vida, a completar já nesta sexta, sendo que uma boa parte dos cínicos ficou pelo caminho, graças a Deus, que estava a perder a paciência para os aturar. Eu não sou cínico. Quando não gosto, volta e meia vêm a sabê-lo, daí gerar anticorpos em torno. Querem que seja sincero? É para o lado que durmo melhor e, frequentemente, até me diverte.


   No domingo, acabei por sair. Fui, pela enésima vez, ao MNAA, ao museu de arte antiga. Não vou publicar fotos, como calculam, que o museu é conhecidíssimo. Revisitei a colecção permanente, já que por lá andava. Destacaria a exposição temporária sobre a Madeira (sim, o arquipélago), no piso zero, gratuita para os clientes da CGD - e foi precisamente o que me levou a optar pelo MNAA. Gostei muito. Soube que Portugal empreendeu na Madeira o que viria a fazer no Brasil. O arquipélago foi meio que um experimento para aventuras de outra envergadura. Também não julguei que a Madeira tivesse um acervo tão rico, seja na pintura, na escultura. Foi, realmente, uma surpresa boa, que me consumiu três excelentes horas.

   Para terminar, uma leiturazinha. Terminei um livro muito interessante do Prof. Freitas do Amaral, História das Ideias Políticas, que se lê bem, passando já para o Call Me By Your Name, ainda só disponível em Inglês, e último exemplar que havia na FNAC. É um livrito que se lê numa tarde, pouco denso, suponho, que mal lhe peguei. Sinto-me outro por falar naquilo que leio.

   Peço desculpa pelo tom acutilante. Foi um desabafo, como tenho muitos, com a diferença de que os outros, geralmente, apago depois de os escrever e antes de clicar em Publicar. Desta vez, e fi-lo deliberadamente, não fui tão sensato.

24 de janeiro de 2018

Cultural Sunday [take 3].


   Este domingo, como se espera, também resolvi sair de casa, ainda que as nuvens ameaçassem acinzentar-me o dia. Deixemo-nos de rodeios: querem saber aonde fui. Pois bem, a escolha recaiu no Panteão Nacional, de manhã, e no Museu Nacional de Arqueologia, à tarde. Lados opostos da cidade. O primeiro, no Campo de Santa Clara; o segundo, em Belém.

   Não conhecia o panteão, ou melhor, a Igreja de Santa Engrácia, que partilha o estatuto de panteão com o Mosteiro da Batalha e o Mosteiro dos Jerónimos, com este último desde há pouco tempo. A Igreja de Santa Engrácia, pelos quinhentos anos que mediaram o início e o fim da sua construção, entrou para a cultura popular através da famosa expressão "as obras de Santa Engrácia", ou seja, quando se demora muito tempo a terminar o que se começou. A sua mentora, a infanta Dona Maria (1521 - 1577), filha de Dom Manuel I, não poderia imaginar que a igreja teria de esperar por Oliveira Salazar para ver concluídos os trabalhos.


   A igreja é imponente, e o interior não desilude de modo algum. Visitei os túmulos e os cenotáfios - o adro polémico que causou, e compreensivelmente, tanto burburinho pelos jantares. Subi as íngremes escadinhas até aos pisos superiores, que têm várias varandinhas. Ao cimo, como se sabe, temos a cúpula e o magnífico terraço, cuja vista é deliciosa. Pelo meio, encontramos ainda uma salinha com maquetes do monumento, pedras tumulares e fragmentos da igreja primitiva.

    Já perto da cúpula, temos acesso ao terraço. A vista sobre Lisboa é deslumbrante.




   Pela tarde, mas antes das 14h, fui ao museu de arqueologia, que estava em falta. É extraordinário. Embora tivesse conhecimento da riqueza do nosso solo no que respeita a registos arqueológicos, não julguei que o espólio fosse tão significativo.
    O museu está dividido em salas. Em duas delas, não nos permitem tirar fotos de todo, nem sem flash. A sala do Egipto é a minha favorita, e justamente uma dessas.




    Na primeira foto, temos a sala que fica imediatamente à nossa esquerda, no sentido da porta principal. É dedicada às idades do bronze e do ferro, com painéis interactivos, e também aos artefactos romanos e árabes, peninsulares. Na segunda foto, temos a ala romana. A escultura retrata Apolo, deus da beleza romano. Visitem-no, porque é interessantíssimo.

    Tive ainda tempo, concluindo, para passear pelos jardins de Belém, que são sempre agradáveis. Deparei-me com esta feirinha. Vendiam de tudo.



   E foi assim que se passou mais um domingo. O blogue não tem conhecido mais do que estes relatos, porque, a bem dizer, os passeios que tenho dado vêm ocupando os meus pensamentos, a par das leituras. Já tenho, nesse sentido, planos para o domingo que vem, que vocês saberão no devido momento.



Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. São minhas e de minha autoria. Uso sob permissão.







20 de janeiro de 2018

Os Jesuítas em Portugal: um projecto do tamanho do mundo.


   Ontem, a convite do meu caro RPB, da Nova Portugalidade, fui convidado a estar presente numa conferência, no Palácio da Independência, subordinada ao tema que consta no título da crónica. A Nova Portugalidade é um projecto de índole cultural, que já deu as caras pela imprensa portuguesa, e que conta com o apoio de várias entidades e individualidades do nosso meio público, nomeadamente de Dom Duarte Pio de Bragança, que era para ter estado presente na conferência de ontem, mas que não pôde por motivos de força maior.

   Foi uma honra para mim ser convidado para a palestra, em primeiro lugar porque sou seguidor, e admirador, da Nova Portugalidade. Aliás, e permitam-me a inconfidência, fui convidado a participar no projecto, que envolve pessoas creditadas e versadas em história, direito e ciência política, sobretudo. O meu medo de arriscar, talvez, e a minha aversão a compromissos terão pesado no adiamento da decisão, que não declinei o convite. Gostaria imenso de participar activamente, todavia, e embora saiba estar à altura do desafio, só aceitaria, sem hesitar, sabendo que poderia entregar-me de corpo e alma a um projecto que nos consome tempo e empenho a mil por cento.


   A conferência teve lugar no salão nobre do palácio, com a visualização de slides à medida em que a oradora nos convidava a conhecer a missão dos jesuítas portugueses, e não só, no Oriente. Falou-se nos sacrifícios, na apostasia, na dificuldade que o cristianismo teve para se impor na China e no Japão. E falou-se, também, em Martin Scorsese e no filme Silêncio, que presumo ter assistido há exactamente um ano por este dia, mas cuja review é apenas do dia 22. Podem consultá-la aqui.


   Demorou uma hora, razoavelmente, e foi esclarecedora. Claro que, a incautos, alguns anacronismos poderão passar despercebidos. A oradora falou em Espanha e em Itália no século XVI, quando nem uma, nem outra existiam. O Reino de Espanha remonta ao século XVIII, com os Borbón, e Itália foi reunificada só no século XIX. Entre outras imprecisões.

    Não posso dizer que tenha ficado a saber muito mais sobre a actividade missionária da Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola no século XVI, e extinta pelo crescente de poder e riqueza, já no século XVIII, até ter sido recuperada no início do século XIX. A Companhia de Jesus constituía um contrapoder ao poder, rivalizando, com a coroa, em prestígio e influência. Não se limitava a deter o monopólio do ensino; comercializava, avolumando-se os negócios. No zénite do absolutismo, do centralismo régio, não havia lugar a uma ordem que podia influenciar os vassalos contra a coroa. Pombal tratou de expulsar os religiosos, num gesto em que foi seguido por outras cortes europeias, pressionando a Santa Sé à sua extinção, o que se verificaria décadas depois.

   Após o término da conferência, explorei um pouco o Palácio da Independência, que merecia estar melhor preservado. A tinta está a lascar e os indícios de deterioração são visíveis. Ainda assim, não esconde a sua... portugalidade.



Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. São minhas e de minha autoria. Uso sob permissão.

15 de janeiro de 2018

Cultural Sunday [Take 2].


   O prometido é devido. Ontem, mantendo-me fiel ao que delimitei para este início de ano, fui ao encontro de mais um dos inúmeros monumentos que Lisboa tem para nos oferecer, o Palácio Nacional da Ajuda. Quanto ao percurso, nada há a enganar: o 28 até Belém, seguindo-se o 29, para quem não quer subir a calçada da Ajuda, até ao palácio. Quando chegamos ao alto da calçada, deparamo-nos com as traseiras do palácio, que como se sabe, está inacabado. Contornamo-lo pela direita e rapidamente chegamos à entrada principal, imponente. Poderão verificar.


Sumptuoso, é o adjectivo possível

   O Palácio Nacional da Ajuda é uma obra novecentista. Importa fazer certa contextualização histórica, mui sucinta. Nos terrenos em que se situa o palácio, erguia-se a Real Barraca da Ajuda, surgida com a fobia de Dom José a recintos fechados, na sequência do sismo. A Real Barraca ardeu em 1794, e Dom João VI, príncipe regente, ordenou que se lançasse a primeira pedra do futuro paço da Ajuda, construído ao longo de várias dezenas de anos - até à actualidade. A consolidação do liberalismo retirou peso político à coroa e transferiu-a para o governo constitucional, daí que o palácio mantenha fachadas por concluir até aos nossos dias. Por lá ocorreram alguns dos episódios mais significativos da nossa história, desde a comunicação aos portugueses dos motivos que levavam a corte para o Brasil, passando pela aclamação de Dom Miguel e pelo juramento de Dom Pedro IV à Carta Constitucional de 1826. Todavia, o casal régio Dom Luís e Dona Maria Pia, que o tomaram por residência, deram, ao palácio, a configuração, inclusive no seu rico recheio, que lhe conhecemos. Na Ajuda, nasceram os infantes Dom Afonso e o futuro Dom Carlos, penúltima cabeça a reinar em Portugal, de desditoso destino. Ainda hoje, para cerimónias solenes, o palácio é utilizado pela Presidência da República. Deixo-vos algumas fotos das setenta - sim, contabilizei-as - que tirei.




Na primeira foto, um óleo do século XIX, contemporâneo dos retratados. Surgem Dona Maria Pia de Saboia, os infantes Dom Carlos e Dom Afonso e Dom Luís. Na segunda, umas das salas mais bonitas do Palácio Nacional da Ajuda: a Sala Rosa.



Na primeira foto, a sala de jantar, onde a família real se deleitava com cozinhados que tão mal faziam à saúde, muito à base de carnes de porco e fumados. Assuntos políticos e coscuvilhices ficavam de fora. Na segunda, o grande salão de banquetes, ainda hoje usado pela Presidência da República em alguns eventos.


   Quem me segue através de outras plataformas, vai tendo acesso ao acervo. Não quero saturar a publicação com fotos, e o Blogger não tem um mecanismo muito fácil, do ponto de vista do utilizador, para publicar várias num único post com um efeito final agradável à vista. Ando a pensar em criar uma conta de Tumblr para o blogue, que na verdade já existe. Aí colocaria as fotos. Bom, ficam com uma ideia geral.
   O palácio é encantador. Tem a sala do trono, várias antecâmaras, os aposentos reais. Um mimo! No final da visita, pelo menos passou-se comigo, ficamos com a sensação de tudo visto. Subimos e descemos escadarias até perder a conta. Claro está que há divisões fechadas ao público, mas compensa, sim. Não poderei dizer o mesmo de Queluz e da Pena, maravilhosos, seguramente, e valem muito a pena, mas parece que nos reservam umas salinhas para dar a ligeira impressão de que ficamos a conhecer os palácios.


  Uma palavrinha para sábado. Estive na gala de entrega dos Prémios Arco-Íris, da ILGA Portugal. Tive de sair mais cedo, mas gostei do que vi, da organização, do espaço, que conhecia, e da atmosfera. A vibe era boa. Aqui fica o testemunho em imagem. :)



   E assim termina mais um relato de domingo. O palácio consumiu-me a manhã toda. Não vi mais nada. Passeei à beira-rio. Também convém, para ir tendo sempre o que ver. E por falar em ver, já sei o que farei no próximo domingo, e onde irei, mas vocês saberão no devido momento. :)


Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. São minhas e de minha autoria. Uso sob permissão.






9 de janeiro de 2018

Cultural Sunday.


   Primeiro domingo do mês, primeiro domingo do ano. A decisão já estava tomada. Iria aproveitar o dia para visitar alguns museus grátis apenas ao primeiro domingo. A maioria dos museus está aberta, gratuitamente, a todos os domingos. Entretanto, alguns há que só admitem entradas gratuitas ao primeiro de cada mês. Passos Coelho, na altura, alterou a regra. Todos os museus só admitiriam, a partir de então, entradas gratuitas ao primeiro domingo. António Costa, e bem, repristinou a medida anterior, devolvendo os museus aos domingos.

   Sendo sincero, levantar cedo, ao fim-de-semana, não me custa. E nem o frio ou a chuva me desmotivam. No domingo, esteve um dia maravilhoso, com um sol cheio. Frio, sim, mas estamos em Janeiro. Nada que um bom casaco, quentinho, não resolva. Depressa me meti no 28 e cheguei ao meu destino: Belém.

    Belém é um bairro que adoro. Por razões familiares. Em pequeno, todos os sábados ia, com os pais, aos pastéis de Belém. Eu não me recordo, mas eles assim mo contam. É um bairro agradável, muito histórico. Estive lá, pela última vez, em Dezembro, com o M., quando andámos a passear pelos Jerónimos, pela Torre e pelo Museu dos Coches. Eu conheço grande parte dos museus da cidade. Repito alguns amiudadas vezes. Há outros que, todavia, não conheço. É, ou era, o caso do Museu da Marinha. Grande lacuna, que colmatei.

    O Museu da Marinha figura, até ver, como o meu favorito. É lindíssimo. Histórico, muito, como se adivinha, pelo nosso papel ligado ao mar e aos descobrimentos. Está bem coordenado, bem documentado, com toda a informação bem colocada. É extenso, com um piso superior apreciável. Começamos logo com as primeiras embarcações portuguesas para terminarmos com os paquetes do século XX. Tem centenas de maquetes de embarcações, das primeiras naus ao navios recentes. Encontramos, também, quadros e utensílios ligados à actividade piscatória, numa das salas do museu, bem como dados relativos às missões em que participa a marinha portuguesa, na actualidade. Temos acesso, ainda, a informação histórica sobre a nossa participação na I Guerra Mundial, sempre na óptica da marinha. Vale muito a pena visitar o museu. Fica situado no encantador conjunto arquitectónico dos Jerónimos. Deixo-vos algumas das (muitas) fotos que tirei.







   Na primeira foto, uma caravela portuguesa quatrocentista.
   Na segunda foto, uma das salas do museu, no piso intermédio, com maquetes.
   Na terceira foto, uma escultura indiana de D. Isabel de Aragão, também conhecida como Rainha Santa Isabel, do século XVII.
   Na quarta e última foto, um óleo retratando uma embarcação portuguesa enfrentando um mar alvoroçado.
  

   Demorei-me cerca de duas horas. Quis ver tudo com calma e atenção. À saída, e como não encontrei nenhum estabelecimento calmo para almoçar, fui ao MAAT, o mais recente museu da capital. Foi a minha segunda vez no MAAT. Fui à inauguração. Compreendo o conceito do museu, mas não é, de longe, o que me enche o olho. Aproveitei a gratuitidade do primeiro domingo também. Tem umas exposições curiosas. Destaco esta, de Bill Fontana: Shadow Soundings, na qual se reproduzem os sons do tráfego na ponte 25 de Abril.



    Antes que anoitecesse, e como estava com fome, apanhei o autocarro em direcção à Praça do Comércio. Almocei na Portugália, seguindo para casa.
    Foi um domingo diferente, que repetirei, na minha exclusiva companhia. Passeei pela avenida junto ao rio, em frente ao MAAT, tirando mais fotos para o meu acervo pessoal. Gosto imenso de sair sozinho, de ir para onde quero, como quero e à hora que quero. Sabe tão bem.

     No próximo domingo, e nos que virão, tenho outros museus e monumentos para visitar. Ficam comigo, com a certeza de que os partilharei, e aos meus passeios, convosco.


Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. São minhas e de minha autoria. Uso sob permissão.