11 de agosto de 2019

The Professor (Richard Says Goodbye).


   Pela primeira vez, estive no Oeiras Parque. Fui com um amigo, que me convidou para assistirmos ao The Professor, com Johnny Depp no papel principal.

  The Professor é uma tragicomédia, repleta de mensagens subliminares. Johnny Depp tem, a meu ver, um desempenho fora de série. O modo como ele conjuga, em Richard, o desespero e a aparente alienação face ao seu estado de saúde é notável. Quer-se dizer, o desespero e a conformação, paradoxalmente misturadas, que acompanham aquele homem em dias terrivelmente difíceis. Richard, contextualizando, é um professor que vem a saber, através de uma consulta, ter um cancro do pulmão em estágio 4, terminal. Vive um casamento curioso, atribulado, meio relação aberta, em que ambos têm conhecimento dos casos do outro, ou Richard dos casos da mulher.

   O que mais nos conquista, neste filme, é a aparente leveza e descontracção com que os assuntos são explorados, com raros momentos em que a seriedade toma definitivamente conta das personagens. A fotografia é requintada, e o mesmo se diga dos cenários e dos figurinos. O filme respira a classe, a mesma classe média-alta daqueles docentes de um instituto de ensino norte-americano.


   O que faríamos se soubéssemos que teríamos de seis meses a ano e meio de vida? Levaríamos o resto dos dias a chorar ou, pelo contrário, procuraríamos aproveitar ao máximo, jogando para trás das costas o politicamente correcto, sem medo do que os outros pudessem pensar? Estou em crer que o grande mérito do filme é o de deixar a questão a pairar sobre nós: como seria? 

   No que se prende às relações, outra questão se retira da longa: importaria mais a fidelidade do leito ou a lealdade da vida em comum, da partilha? Porque o amor não precisa do sexo, e nem devemos reduzir uma relação à cama e ao cumprimento dos deveres conjugais (que não o são). O companheirismo, que existia no caso de Richard e da esposa, prevaleceu até ao final, com mútuas declarações de amor na hora da derradeira despedida.

   É provável que saiam da sala meio desconfortáveis, até pelos sintomas da doença de Richard, que se vai agravando à medida em que os capítulos - o filme está dividido em capítulos - se sucedem, mas na certeza de que aquele homem escolheu morrer à sua maneira.

4 comentários:

Um pouco da vossa magia... :)