6 de abril de 2017

A Bela e o Monstro.


     Um clássico do renascimento da Disney. De entre eles, talvez aquele cuja mensagem, a dita lição de moral, ganha um significado acrescido: a beleza reside no interior, e nem sempre quem é mau, é-o irremediavelmente.

     Temo sempre estas adaptações. A maioria delas rouba a magia dos filmes de animação. Em primeiro lugar, porque o desenho animado permite uma liberdade de movimentos e uma fantasia que nós, humanos, representando com o corpo, não temos. Em segundo lugar, o desejo de inovar, de trazer algo de inédito, frequentemente descaracteriza a história. Foi o que aconteceu com o Maleficent, de 2014, que seria o prelúdio de A Bela Adormecida. Era um novíssimo argumento, muito válido, sim, mas quem compra o bilhete, na maior parte dos casos, quer mergulhar no universo Disney das suas memórias, sem perder o fio à meada e sem sentir que não há uma correspondência lógica com o filme que dá o mote à sequência.

      O objectivo foi alcançado, no meu entender. O filme manteve todo o encanto do original, superando-o em realismo, e mal seria se assim não fosse. As características de cada uma daquelas personagens reportaram-me de imediato à Bela, ao Monstro, ao Gastón e aos artefactos vivos. Os efeitos especiais, dignos de nota, num filme que é todo ele circundado de encantos, primaram pela qualidade. As poucas discrepâncias face ao original conjugaram-se bem no todo, foram-lhe um bom complemento.

      O Le Fou, o amigo e companheiro do Gastón, conheceu uma curiosa transformação. Se bem me recordo, tratava-se de um idiota, fraco de espírito, que acompanhava o vilão nas suas façanhas e crueldades. Nesta versão, tornou-se na primeira personagem homossexual de um filme da Disney. Embora caricaturado, é divertido. Nutre pelo violento Gastón um amor mal dissimulado, mas eu diria que são os trejeitos que o actor lhe imprimiu que melhor denunciam, por assim dizer, a sua orientação. A derradeira cena de Le Fou, no baile final, é deliciosamente provocadora.

      Gostei do desempenho pessoal da Emma Watson. A Bela era uma miúda doce, frágil, transfigurando-se numa heroína corajosa quando assim tinha de ser, e a actriz soube encarná-la sem descurar qualquer das facetas da Bela do filme de animação. Fisicamente, entretanto, presumia que a Bela fosse mais bela, com mais presença. A Emma ficou aquém desse protótipo físico que construí da Bela, ainda que nada mais lhe tenha a apontar, e cada um tem o corpo que Deus lhe deu.

      Se me colocassem na inevitabilidade de escolher entre o original e a adaptação, ficaria com o primeiro. Os motivos, entretanto, enunciei-os logo no parágrafo segundo. Perdeu-se, neste caminho tecnológico, uma simplicidade qualquer, insuprível por 3Ds. Ou a idade é outra e o problema está em mim.

      A quem gostou do original de 1991, esta versão é-lhe fiel na banda sonora, na caracterização, na narrativa e na densidade das personagens (na última, tanto quanto possível). Vale a pena ver.

14 comentários:

  1. Ainda não assisti. Curioso principalmente pela polêmica que se instalou sobre o filme ...

    Vejamos ...

    Beijão Mark

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  2. Vou o ver em casa, mas gostei da versão original :)

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    1. São ambas boas, cada uma à sua maneira. :)

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  3. Por muita pena minha ainda nao o consegui ir ver ;(

    Grande abraço amigo

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    1. Ainda vais a tempo. :)

      um abraço grande.

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  4. Olá.
    Adorei a Maléfica, onde não é (de todo!) com narrativa da Bela Adormecida.
    Sobre preferires o original em relação a este filme: é natural, é o que está na nossa época. Aposto que os miúdos de hoje irão preferir esta versão. Estamos a ficar velhos ó Mark! =)
    Beijinhos e porta-te mal!! ;)

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    1. Adolescente, eu não disse que era uma continuação da Bela Adormecida; pelo contrário, disse que foi o prelúdio e que teve um argumento novíssimo. Entretanto, volta e meia eu deixei de sentir qualquer correspondência lógica com 'A Bela Adormecida', e seria suposto haver.

      Hmm, não sei. Os DVDs estão aí, com as versões originais. :)

      um abraço.

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  5. eu pessoalmente acho que se fazer um filme para se REFAZER OUTRO um desperdicio, existem tanto jeitos de contar a historia da BELA E DA FERA que eles não precisam copiar quadro a quadro um desenho animado, acho uma certa preguiça e como vc, ficam copiando com outras bases, não da certo! como fazer teatro na televisão, ou cinema na novela, nção da certo, lingaugens e tempos diferentes! abs

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    1. Quanto a mim, gostei do facto desta adaptação manter-se fiel ao original. Se não o fosse, provavelmente não teria ido vê-la.

      Perde-se algum encanto, sim. Mas esse encanto também advirá da idade, estou em crer. Nada tem o mesmo.

      um abraço.

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  6. Nunca vi o original nem agora a versão moderna... ainda!
    Mas fiquei curioso quando soube que o Dan Stevens entrava no filme.
    Adoro-o como actor! E é giro.. lol (Devorei a série Legion também por causa dele).

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    1. Nunca viste o original de animação, de 1991? :o Mas de que geração és tu? :)

      Heheh, entra pouco. Só mesmo no início e no final (é o príncipe humano).

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  7. Ainda não vi o filme, mas já o tenho agendado para não esquecer! :D

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Um pouco da vossa magia... :)