12 de janeiro de 2017

Obama.


   A dias de findar o mandato à frente dos destinos da nação mais poderosa da Terra, julgo ser oportuno fazer um balanço destes oito anos de presidência do Partido Democrata.
   Quando Obama chegou à Casa Branca, em Novembro de 2008, escrevi sobre isso. Era um adolescente encantado com a vitória do primeiro afro-americano, ludibriado pelo capital de esperanças que configurava eleger um homem com um historial de confluência religiosa na família, o que seguramente facilitaria o diálogo ecuménico, de extrema importância no Médio Oriente (os Estados Unidos viam-se em mãos com o conflito no Iraque). Bush foi um dos piores chefes de Estado. Interessava-lhe estimular conflitos, invocar pretensos eixos do mal. Obama herdou o pior dos legados. Urgia reformar a administração, retirar no Iraque, apaziguar os ânimos e melhorar a imagem do país junto dos seus aliados e até dos seus inimigos.

    Obama foi um sonho que não se concretizou. Fez justiça na revogação de políticas discriminatórias; conseguiu reduzir os impostos, primeiramente, e impulsionar a economia (meio na crise despoletada em 2008); tentou universalizar o acesso dos cidadãos mais carenciados aos cuidados básicos de saúde; protegeu os imigrantes, mas no essencial não lhe conhecemos uma medida que o perpetue na história. Se compararmos as expectativas depositadas com a obra feita, veremos que Obama passou pela presidência tal qual muitos dos seus antecessores, sem nenhum feito de registo. Na política externa, não refreou o ímpeto belicoso dos EUA. Deu o seu aval a uma intervenção armada na Líbia, enquanto retirava do Iraque e do Afeganistão, que cedo mergulharam no caos. Nem a morte de Bin Laden trouxe maior tranquilidade e paz. Pelo contrário. Regressaram ao Iraque e envolveram-se na Síria, controlados em parte pelo Daesh. De igual modo, não encerrou Guantánamo, ainda que o quisesse.

     Entretanto, aproximou os EUA de Cuba, reatando as relações bilaterais com a ilha. No Irão, conseguiu negociar o fim do programa nuclear de Teerão. Em simultâneo, a Rússia procura expandir-se na Europa de leste. Nem o fato de "polícia do mundo" lhes assenta adequadamente, uma vez que fica demonstrado que a ingerência suscita o descontentamento em potências rivais e o desejo de afrontar esse papel de que se investiram, à margem das Nações Unidas.

     Teremos uns EUA mais justos e solidários? Diria que sim. Convivem melhor negros e brancos, heterossexuais e homossexuais, nacionais e estrangeiros. Obama foi o rosto da tolerância. A igualdade é-lhe cara. Está-lhe na massa do sangue. Quis e idealizou um país em que todos pudessem viver pese embora as suas diferenças raciais, sexuais e socioeconómicas.

      É o fardo do intervencionismo e do espírito beligerante que carregará nas costas, bem como os seus sucessores. As décadas de interferência produziram estes frutos, situação que Trump soube interpretar, prometendo que fará de tudo para diminuir a presença dos EUA nos conflitos internacionais. Caricato, porque os EUA começam a sentir-se reféns, quando têm sido carrascos.

8 comentários:

  1. Belas palavras como sempre!
    Abraço!

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  2. Penso que fez um trabalho excelente e organizou a casa.

    Grande abraço amigo

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    1. Respeito, mas não concordo. Quanto à política externa, falhou rotundamente. Não passou de um "wannabe". Nas medidas mais caseiras, sim, não foi dos piores.

      um grande abraço, amigo.

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  3. Infelizmente sei pouco da política interna nos EUA, mas a questão económica foi mesmo muito complicada.

    Quanto à política externa não acho que teve maus resultados, o mundo é que muda muito rápido e nem sempre existem olhos suficientes para controlar tudo o que se passa.

    Veremos o que acontecerá nos próximos 4 anos, mas à partida a coisa parece feia.

    Abraço

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    1. Eu tenho uma tia-avó a morar nos EUA há perto de setenta anos.

      Não diria que teve maus resultados, mas ficou aquém do que se esperava. Nem Guantánamo fechou.

      um abraço.

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  4. Guantánamo é um assunto delicado. Não se trata apenas de fechar uma prisão, acho eu.

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    1. Trata-se de vontade política. Simples. A prisão de Guantánamo não respeita as convenções internacionais no que respeita ao tratamento dos detidos. Obama quis encerrá-la, mas, pelo que sei, continua lá, com a CIA a proceder a interrogatórios que não se sabe bem em que moldes são efectuados.

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