7 de setembro de 2016

Rentrée.


   A parcos dias, entraremos no ritmo normal de trabalho, de estudos. Devo admitir que me cansa todo este aparato em torno das férias e das estâncias balneares. Gosto, desfruto, mas a determinado momento vejo-me a clamar por frio, por aulas, por livros e monografias. Este ano, tenho um problema adicional: mantenho-me na procura por uma casa. O prazo começa a apertar. Juntarei as aulas às mudanças, e já me vejo mergulhado num espesso manto de stress. A agravar, a minha asma tem demonstrado que está presente. Abrandei o ritmo, na medida em que me tenho desdobrado em telefonemas e visitas a imóveis. Não surge nada em que me sinta bem, aquele amor à primeira vista. Como tenho tendência para ser infeliz em determinados lugares, não posso correr o risco de me comprometer a morar, conquanto possa mudar posteriormente, num apartamento no qual fique por sentir uma boa vibração.

    Tornarei à faculdade. Julgo que tenho espírito de académico. Ultrapassei os deveres de estudante e posso agora dedicar-me a investigar por conta e risco. Ficar mais do que dois meses sem exercitar o meu intelecto, sem procurar saber mais e sem cultivar o meu espírito curioso é um sacrifício que a pesadas penas consigo suportar. Sou inquieto.

    Simultaneamente, vejo que a blogosfera se ressente. Soçobrou a outras redes sociais mais imediatas, que cumprem quase a mesma função e que exigem menos disponibilidade. Da minha parte, como cada uma desempenha um papel que não pode ser atribuído a outra, o blogue, por ora, está seguro. Não será um apêndice do meu perfil pessoal. Pelo contrário, é a rede social que mantenho há mais anos e é aquela a que ainda dou primazia. Com ou sem reciprocidade. Soube fazer a transição de um blogue de cariz mais pessoal para um blogue genérico, em que eu sou apenas mero artífice. Libertou-me de certa responsabilidade e relegou-me para quinto plano. Tanto melhor que assim seja.

      Ah, Setembro, o temível mês que tanto detestava. Nos dias que correm, sinto-o como uma benesse. Traz o Outono, o fresco, os dias progressivamente menores. Um quadro pejado de encantos.

16 comentários:

  1. Que Setembro te saiba bem, que os encantos desse quadro Outonal te façam dia a dia mais feliz, que encontres a casa - a do amor à primeira vista- e que continues a presentear-nos com as tuas prosas deliciosas. Um abraço do P.

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    1. Olá, P. Como estás?

      Que me traga tudo isso. E que leve estas temperaturas ridiculamente elevadas.

      um abraço, e obrigado.

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  2. Gosto da forma como transcreve suas emoções e sentimentos em palavras. Eu por mim, ao contrário, estou meio que enfarado das redes sociais. Vai entender né? Cada um é, definitivamente, cada um.

    Beijão

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    1. Eu também, caro amigo. Começo a perder a paciência, sabe? Excepto quanto ao blogue.

      um abraço grande.

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  3. Eu tenho que acalmar o ritmo de trabalho, senão ainda entro numa depressão qualquer. Vejo o tempo a passar demasiado rápido, com pouco tempo para fazer outras coisas, e só tenho vontade de dormir...

    Só gosto do Outono por causa de voltar a poder usar cachecol :)

    Abraço amigo

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    1. Como diz um amigo, na sociedade capitalista passamos a vida a estudar e a trabalhar para conseguirmos ser "alguém"; esquecemo-nos de que já somos "alguém" desde que nascemos. (risos) Mas abranda. Nada merece que coloquemos a saúde em risco.

      Oh, amigo, até ao cachecol terás de esperar muito...

      um abraço.

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  4. Eu ando em um ritmo oposto, meio atropelado! Minha investigação anda a me "assombrar" e acabei "engasgado" como brinco... isso afetou-me o bloguinho também, reluto em abandoná-lo. Há nele um pedaço de mim que não tenho coragem de apenas abandonar, por outro lado, sinto-me repetitivo e "chato"! Nem eu ando querendo me ler... kkkk

    Na verdade ando sem saber o que escrever, ou talvez não ande conseguindo ter o distanciamento que gosto de ter para escrever... enfim... vamos ver.

    Mas que tenhas um bom regresso aos teus afazeres! E tenho certeza que logo encontras teu canto, tudo com tempo tem tempo! (diria minha Avó)

    Abração.

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    1. Olha, amigo, quando não tenho nada para escrever, não escrevo. Sem preocupações. Só faço quando sinto o apelo.

      Muito obrigado. :)

      um abração.

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  5. Ai, eu tenho sempre a angústia do final do verão. Faz-me falta calor, devo ser arraçado de pecilotérmico (o palavrão significa "de sangue frio") ... sim, eu sei, é algo que ninguém compreende a não ser eu mesmo :-)
    Mas com o calor desenvolvo atividades, saio, viajo, visto-me de cores quentes, mudo de visual, começo a trautear (para mim mesmo, claro, que não quero incomodar!) enfim, aproximo-me da felicidade, sinto-me renovado, como se crisálida a sair da pupa.
    Agora começo a construir o casulo, as roupas escuras já estão em lista de espera, já não combino e dou por mim a tirar do roupeiro ao acaso ... mau sinal!
    Tiro as minhas tarefas das noites longas. Sei que, o que para os outros é um prazer, para mim é recolher a uma longa noite de "limitar-me a sobreviver" até que o calor me tire novamente da letargia (só não hiberno porque ... não dá!).
    Sempre avisei as pessoas que fazem o favor de se preocupar comigo que, se não me encontrarem, não valerá mesmo a pena procurar muito a norte, seguramente me encontrarão na região do "Mare Nostrum".

    Espero que rápido encontre o seu canto, não para hibernar, mas para encontrar a satisfação de ter um local só seu, e que poderá, ou não, partilhar com quem lhe der a felicidade de aceitar.
    Manel

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    1. Não é exclusivo seu, Manel. :) Conheço pessoas para as quais o Inverno representa um penoso sacríficio: frio, chuva, dias escuros, noites longas. Eu sou equilibrado: gosto muito do Inverno (em criança detestava), mas a determinado momento sinto falta da luz e das temperaturas amenas da Primavera. Provavelmente lerá um texto meu, algures por Fevereiro, a lastimar-me do frio e dos dias cinzentos. :)

      Tenho dois apartamentos em vista, pequenos (será apenas para mim) e acolhedores. Jamais imaginei que fosse tão complicado encontrar uma casa.

      Cumprimentos.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Obrigado, Tiago. :)

      Desculpe pelo atraso na resposta, mas não recebi qualquer notificação no email dando conhecimento da recepção do seu comentário.

      um abraço, amigo.

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  7. O Outono para mim é das estações do ano que mais gosto e apesar de não suportar muito bem o verão, de ano para ano custa-me mais ver o tempo mais quente a ser trocado por tapetes de folhas nas ruas. De qualquer forma, há um momento em que precisamos de uma mudança e para mim é +/- nesta altura do ano!

    Continua com essa tua inquietude! Faz-te bem :-)

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    1. Eu não tolero o calor. Ponto. Gosto bastante do Outono. Aliás, Lisboa já começa a ficar coberta por folhas. Ainda hoje passei na Avenida da Liberdade e reparei nuns montes de plátanos secos. :)

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  8. Gostei muito de todo o desabafo, mas em particular da última parte, a qual subscrevo inteiramente! E pensares em vir morar no Porto, pedindo transferência de universidade, não? Talvez aqui encontres um lar à tua medida! :P

    Abração grande :3

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    1. Provavelmente dar-me-ia mal pela asma. Estive aí numa temporada, em bebé, e a "coisa" não correu muito bem. E sentir-me-ia muito deslocado.

      um grande abraço. :)

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