21 de abril de 2016

Prince (1958 - 2016).


     Fui surpreendido, como a imensa maioria, com a morte de Prince. Para um amante da onda dos anos setenta e oitenta do século passado, Prince é um dos nomes incontornáveis. Não é possível percorrer os grandes sons daqueles tempos sem esbarrar em Purple Rain, Cream, Kiss, ou a minha favorita de todo o seu vasto e profícuo repertório - When Doves Cry.

    Prince estava doente; eu não sabia. Prince, dizem, passava por um período de menor criatividade; desconhecia. Na senda do entendimento de Manuel Moura dos Santos, vultos maiores, como Prince, deixam a sua marca de forma tão indelével que é desnecessário aludir a alguma quebra na produtividade. Prince era a referência em si. Um homem ímpar, original, que escandalizou a moralista indústria americana com os seus outfits exóticos e andróginos, com a sua maquilhagem exuberante, com a postura irreverente em palco.

      Perdemos progressivamente todas as nossas referências. Poucos meses após a partida de Bowie, Prince deixa-nos numa cada vez mais sentida solidão. Génios não nascem todos os dias. Só alguém pouco atento à sua carreira poderá duvidar do muito que ainda estaria por vir. Nos seus cinquenta e sete anos, Prince certamente teria sucessos a somar. 
      Quando sentimos que quase tudo está inventado, tendemos a recorrer aos nossos bastiões. Prince, por mim falo, era um deles.

10 comentários:

  1. Deixo-te um abraço de amizade neste dia...

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    1. Obrigado, amigo, mas não dramatizes. Não foi uma perda pessoal. Claro que me deixou consternado.

      um abraço.

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  2. Lembro-me de que, em 1997, aquando da morte de Jeff Buckley, me ter sentido como se tivesse perdido um amigo. Não um amigo que decorre da simples pronúncia da palavra, mas um amigo - e esses são tão escassos!... - que transforma a amizade num conceito que vai para além do soletrar das sílabas.

    Com Prince isso não aconteceu, mas, na realidade, o mundo, hoje, não é exactamente o mesmo.

    Ah!... Deixo-te com um link. Talvez já tenhas dado por ele. É muito simples e. se calhar por isso, a música adquire outra sonoridade.

    https://www.youtube.com/watch?v=hMlLd3sVhjg

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    1. Também uma morte bastante prematura.

      Este semestre está a ser particularmente difícil. Perdemos dois homens que alteraram para sempre o nosso conceito de música pop/rock (sem esquecer as influências do blues e do jazz, nomeadamente).

      Fiquei muito perturbado com a morte de Prince. Mais até do que com o falecimento de David Bowie. Só me recordo de ter ficado assim com a partida inesperada de Michael Jackson, em 2009.

      Não conhecia. Obrigado, driftin'. Gostei imenso. A Purple Rain é mítica.

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  3. Uma perda lastimável mesmo. Memórias de bons tempos ...

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  4. É com pena com soube da partida de Prince mas com o avançar da idade, eu também lá chegarei como todos nós, e o que é certo é que quando isso acontecer não me ouvirão nas rádios a cantar nem no facebook em mil e um posts...o ser humano é assim, de ondas e de vagas de memórias, e o que é certo é que ele marcou o panorama musical e isso sim é uma grande perda.

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    1. Ele partiu precocemente. Tinha cinquenta e sete anos. Se fosse trinta anos mais velho, admitiria que fosse da idade. Bom, não sei como será nos EUA, mas presumo que o corpo seja obrigatoriamente autopsiado (até em virtude da morte misteriosa e em casa), apurando-se, assim, o que terá levado ao óbito.

      Perdemos um grande artista.

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  5. A morte inesperada de Prince deixou toda a gente surpreendida, no míimo. Creio que os comuns mortais tendem a imaginar que estas estrelas estarão sempre vivas. De certo modo, nós assim os eternizamos, à nossa maneira. Curiosamente este ano está a ser um ano em cheio no que diz respeito a partidas de personalidades célebres e que mereciam a fama que criaram. Partem cada vez mais cedo, deixando para trás um mundo cada vez mais injust, cinzento e triste. Resta-nos a consolação de podermos continuar a revivê-los através dos seus intemporais legados.

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    1. Graças aos suportes físicos e digitais. Enquanto houver um DVD, Prince não morrerá. :)

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Um pouco da vossa magia... :)