21 de dezembro de 2015

Christmas Time Is In The Air Again.


   Acordei bem cedo. Lá fora, a névoa tão característica da quadra. Podemos dizer, com firmeza, que estamos na semana do Natal. 
     Saí à rua. A mãe, despertando com os meus passos, perguntou-me o que iria fazer tão cedo. Sabe que os presentes estão todos comprados e adequadamente arrumados, incluindo o seu e os dos avós. Inquietou-me a ideia de deixar de apreciar a neblina por uma preguiça em saltar para fora da cama.

    Falei com o pai, ontem. Perguntei pela avó. Está triste. Será o primeiro Natal sem o avô em perto de setenta anos, contando o tempo em que estiveram casados e os anos de namoro. Acredito que a data não lhe traga mais do que dolorosas recordações. Quando chegamos a certa idade, pouco sobra do nosso ser vivente, porquanto fomos perdendo pedaços com quem vimos partir. Será o seu caso.

     A minha Consoada e respectivo Dia de Natal serão passados com a mãe e os avós, num jantar e num almoço intimistas. Não há grandes famílias, crianças correndo, embrulhos coloridos aos pés da árvore. Tudo muito sóbrio.
      Peguei na Bíblia. Quero ler passagens do Novo Testamento. Sublinhá-las. É tão humano socorrermo-nos de Deus quando nos sentimos fracos ou incapazes. Li-a em adolescente, naquelas leituras que fazemos por vontade incontrolável em aprender e por curiosidade, mas em que não possuímos, pela natural inexperiência, a capacidade para extrair devidamente os ensinamentos. Acredito que todos os livros religiosos têm as suas verdades, perfilhemos qual religião, ou nenhuma. Deus ter-se-á manifestado em cada um deles, inspirando os homens que os escreveram. Talvez a religião não seja o ópio do povo, como defendeu Marx. Talvez o homem seja o seu próprio ópio. Quando lemos escritos considerados sagrados, não devemos iniciar a empreitada esperando encontrar passagens que mereçam a nossa reprovação; devemos fazê-lo com um espírito crítico, sim, contudo numa leitura honesta, despojando-nos do nosso preconceito. Nada é intrinsecamente bom ou mau. Tudo tem a sua coerência. A Bíblia é um livro lindíssimo. Alguma passagem do Levítico, escrita há milénios, por mais injusta que nos pareça, desmerecerá uma obra de inestimável valor.

     Faltam três dias. O pai comemora o seu aniversário na noite de Natal. Tenciono vê-lo antes. Entretanto, façamos um balanço, pensemos nas nossas prioridades, e estejamos serenos. Para uns, estes próximos dias simbolizarão saudade, remorso; para outros, júbilo, confraternização, esperança. Que venham os doces e os papéis-fantasia espalhados pela carpete da sala de estar.

16 comentários:

  1. Prós e contras de uma celebração. Todos os têm.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Com tudo o que me faz lembrar, ainda me decido pela comemoração.

      Eliminar
  2. Creio que sempre devemos comemorar, por mais adversa que a situação possa parecer a princípio, é um momento em que mesmo que por poucas horas nos permitimos parar e estar entre os nossos...

    "Apesar de...", também prefiro a comemoração!

    Abraço grande!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sim, e é uma época bonita. Confesso que as luzes, o colorido, os doces e os presentes (heheheh), o frio, enfim, tudo ainda me encanta.

      Nem tanto pela reunião familiar. A família é pequena e filho de pais separados dificilmente junta os familiares que gostaria a uma mesa.

      abraço enorme, meu amigo.

      Eliminar
  3. Mark eu só espero que tenha sorrisos ao pé de mim, e boa disposição mas não podemos controlar as emoções alheias. Que as tuas sejam festivas, ao ponto que daqui a um ano penses "aiii o Natal de 2015, que saudades".

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Terás, certamente. :) O Natal, quando em famílias unidas, pode ser uma quadra deliciosa.

      Veremos, veremos. Espero que o próximo seja melhor, se bem que não sinto falta de algazarra. Com a mãe e os avós estou bem. :)

      Eliminar
  4. Tanto frio e nevoeiro em Lisboa. Começou o Inverno, e nada do que encontrar algo que nos possa aquecer o coração e dar-nos um sentido/caminho nas palavras que lemos, independentemente de ser um Livro Sagrado ou uns apontamentos que nos façam sentido

    Abraço amigo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito frio. Chegou num rompante. Pensei que a névoa se dissiparia durante o dia, mas não. Manteve-se. Um pouco menos densa, é certo.

      A Bíblia tem parábolas sublimes. :)

      abraço, amigo.

      Eliminar
  5. Deve ser lindo o Natal na Europa. Aqui temos calor todo o ano, é meio chato. Eu queria frio, neve e olha que essa primavera tá abusada. Mais de 30 graus.
    O Natal com seus avós, sua mãe. É ótimo. Quantas pessoas nesse mundo não tem nem mãe, nem avó. Já pensou? :)

    Abraços!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nem sempre está assim. Recordo-me de natais chuvosos, soalheiros... :)

      Não gosto lá muito de calor. Adoro este tempo.

      Já pensei, sim. E tens toda a razão. Aliás, estou satisfeito com o Natal que terei. :)

      um abraço.

      Eliminar
  6. Ja só penso no tronco de chocolate :D

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A mãe encomendou torta de laranja e lampreia de ovos. :)

      Eliminar
  7. Mark

    Está na hora de pensares em aumentar a família... "crianças a correr"... rsrsrs

    Abraço e boas festas!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Hm, não. Não serei pai.

      Boas Festas, Ribatejano. Obrigado, e um abraço.

      Eliminar
  8. O teu Natal parece-me muito parecido com o meu, Mark. Mas gostava tanto de ter um Natal cheio de gente :) Talvez um dia ;)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Haja esperança, Namorado. Tenho aprendido a ter esperança. Por quantas vezes é o pouco que resta. :)

      Eliminar

Um pouco da vossa magia... :)