10 de junho de 2015

Sintra.


      Domingo passado, aproveitando o bom tempo e o muito que desejava revisitar a pacata vila, fui com o amigo até Sintra. Sintra nem parece pertencer ao distrito de Lisboa. Uma localidade tão convidativa, tranquila, não fosse a imensidão de turistas que por lá se passeiam.

    Em criança, nos meses de férias, frequentava uma colónia balnear através do colégio. Cheguei a mencioná-la por aqui. De manhã, levavam-nos até à piscina da Praia das Maçãs e, pela tarde, almoçávamos num parque de merendas, brincando de seguida, até à hora de regressar, num jardim municipal logo à entrada da vila. Regressar àqueles lugares, recheados de memórias, foi triste. Senti um vazio enorme, seguido de uma vontade de chorar. Não fosse o amigo, que estava ali, que me divertia, fazia rir com as suas brincadeiras, teria passado por momentos complicados de controlar.


         Assumidamente, e não o escondo sob peneira alguma, os anos que tive de sossego e paz já lá estão. Esse período engloba todas as recordações boas que trago em mim. Pisar de novo os mesmos trilhos, fechar os olhos e conseguir ver-me, de cantil na mão, pequeno, andando despreocupadamente, rindo com os coleguinhas, e depois constatar-me adulto, de barba feita, com um turbilhão de problemas, perturba-me. Como se tivesse manchado o passado perfeito com a mácula deste presente tão ingrato.

      Evitámos os tradicionais pontos turísticos, andando calmamente pela vila, provando os deliciosos travesseiros, deleitando-nos com o fresco de pequenos oásis, quedas d'água, no meio daquelas estradinhas sinuosas. O que me surpreendeu, e há muito que não ia até tais paragens, foi o manto verde que se eleva sobre a vila. Vagamente lembrava o clima característico, podendo ver a neblina a envolver os montes, um dos quais coroado com um belíssimo castelo lá no alto, roçando o mágico.


           O amigo, pacientemente, soube compreender e respeitar algumas limitações físicas, custoso que me é subir os caminhos mais íngremes. Os meus brônquios ressentem-se do esforço e a humidade, ainda que em Junho, dificulta a tarefa. Complicado foi termos decidido fazer o piquenique no mesmo parque onde, há tantos anos, almoçava diariamente por esta altura do ano. Sentar-me naquele banco de madeira, corrido, poeirento, tocando na pedra desgastada pelo tempo. A velha árvore, bem em frente, contemplando-nos. O portão enferrujado, envolto em trepadeiras. A fonte que secou, onde cheguei a ver água e pequenos peixinhos. Talvez tivesse sido melhor agendar a visita para uma data mais oportuna, em que não estivesse tão frágil. Proporcionou-se assim.


                Regressámos a Lisboa já ao final da tarde. Gostei bastante do passeio.

28 comentários:

  1. Que Domingo Magnifico :)

    Grande abraço

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    1. Foi muito bom.

      um abraço grande, amigo.

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    1. Aos anos que não punha lá os pés! :)

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  3. Não conheço Sintra. preciso colocar na minha lista de viagem!

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  4. Eu adoro Sintra! Sempre que vou de férias ao Continente, dou lá um saltinho :)

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  5. Só fui a Sintra uma vez há uns anos e adorei o pouco que vi. Fez-me lembrar o verde da minha ilha, aquele ar "carregado" um cheiro a natureza e tudo tão bonito. Nesse dia fomos comer um bolo, o nome não me recordo a um café tão pequenino e uma das coisas que me ficou na memória foram as velhotas que tinham ido lá tomar chá e comer um bolinho. É um sitio encantador, e muito romântico para quem se sentir apaixonado :-)

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    1. É, sim. Nós estivemos numa casa muito conhecida, de que não me ocorre o nome por ora. Tenho de perguntar ao amigo. :)

      Provámos os típicos travesseiros. São tão bons!

      Sintra é maravilhosa. Meio húmida para a minha asma, mas enfim.

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  6. Oh ^^ Amo Sintra. Eu e a minha irmã somos fascinados por ela. Já fomos tão felizes lá e na praia das maçãs. Olha, onde se arranja um amigo desses que trazes?! Envias-me o catálogo? x) muy precioso

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    1. Assim como eu já fui tão feliz por aqueles lados, Alex. :')

      É um rapaz muito bom para mim. Com efeito, uma raridade. Sei disso.

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  7. Caraca! o lugar parece ser bem tranquilo..
    eu curto muito natureza!

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    1. Quando vier a Portugal, não deixe de visitar Sintra. :)

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  8. fui poucas vezes a Sintra, mas gosto muito. a poucos quilómetros de Lisboa e dos locais-dormitório, é realmente um paraíso.
    eu sinto nostalgia de lugares onde fui feliz em criança e passar por lá em adulta aperta-se-me o coração, porque não é a mesma coisa. havia uma inocência, uma paz, um olhar diferente do que tenho agora, se lá voltar. de todo, não é a mesma coisa. por isso, nunca mais fui à casa da minha avó (agora já não existe, ficou em ruínas e foi comprada por um vizinho, para alargar a sua casa). seria uma grande desilusão e prefiro, neste caso, recordar como era há 30 anos.
    bjs e bom fim-de-semana e bom santo antónio, se for o caso :)

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    1. Acredito, Margarida. Regressar ao local onde se situava a casa da senhora tua avó deve ser muito complicado, sobretudo acabando assim, em ruínas, tendo sido recuperada apenas para que alguém estendesse a sua. Ficas com as boas memórias de menina, de quando brincavas por lá. Compreendo-te perfeitamente.

      um grande beijinho e boa noite de Santo António, também.

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  9. Morro de desejos de visitar Sintra!

    Bjxxx

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    1. Vai gostar, certamente. :)

      um beijinho.

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    2. Acredito que sim, ando com vários passeios prometidos, mas viver no Porto e ter amigos com folgas diferentes é complicado quando se quer marcar um dia parecido com esse que descreve!

      Bjxxx e bom fim-de-semana

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    3. É complicado viajar quando se mora longe. E o preço dos transportes e do próprio combustível não é nada apelativo.

      Talvez numas férias. :)

      um beijinho e, igualmente: bom fim-de-semana. :)

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  10. Sintra tem o problema de ser a subir e a descer... de resto, sendo também outro clima à parte, é efectivamente um local histórico e mágico de onde em determinadas zonas parecem sair fadas e duendes...

    Passar pela Quinta da Regaleira e pelo palácio de Montserrat e pelo CVhalet condessa d'Edla, é imperativo.

    Sobre as memórias pessoais que te acometeram, até eu fiquei algo emocionado ao te ler...

    Hugs :)

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    1. Daniel, como referi, quisemos propositadamente evitar os pontos turísticos. Ficará para uma outra visita especialmente dedicada a esse efeito. :)

      É... uma vila de relevo instável, muito agreste para a minha asma. Com paciência e ao meu passo, chego lá. Curioso, agora que fala, sim, é verdade, certas zonas aludem a fadas e duendes. Tudo muito mágico.

      Tempos que já não voltam...

      um abraço.

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  11. Tenho um amiga que esteve em Lisboa ano passado e por indicação de um amigo "dai", foi visitar Sintra, adorou!!!

    Que bom que pode revistar esses lugares, para além das memórias, espero que também tenha reencontrado um pouco do garoto de cantil na mão que corria e ria com os coleguinhas! Quem sabe assim ele possa ensinar o lutador que ele veio a se transformar que apesar de tudo, sempre temos que brigar para ter espaço para um pouco daquela leveza! :)

    Abração meu amigo!

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    1. Reencontrei bem pouco do menino de cantil na mão. Talvez o mesmo menino, mas sofrido, magoado. Parece que foi isso.

      Sintra merece todas as visitas. :)

      um grande abraço, Latinha.

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  12. Conheço super-mal, e tenho de ir conhecer melhor! (é Sintra e o Porto).
    Parece-me que tiveste um passeio muito romântico... e olha que com amigos desses, ninguém precisa de namorados ;)

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    1. Conheço mal o Porto. O pai morou lá, mas passava todo o tempo no seu apartamento quando o visitava. Nunca me aventurei muito só. Receava perder-me, sei lá. Não me sentia "em casa". :)

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  13. Eu sou suspeito :) Adoro Sintra :) Mas gostei do que li e parece-me que gostaste ainda assim, estando melancólico.

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    1. Gostei muito, e adorei revisitar locais que me reportam à infância. :')

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Um pouco da vossa magia... :)