11 de maio de 2015

Sétima Arte.


    O cinema tem sido, desde sempre, o meu ponto fraco. Nunca me interessei pelas estreias, pelos eventos relacionados, bem como nunca dominei esse universo infinito de actores, realizadores, produtores, fruto também de uma necessidade de estímulo que me impede de estar horas a fio preso a um ecrã, ou numa sala de cinema, assistindo com entusiasmo do início ao fim da película. Depressa sou tomado por um desconforto que surge repentinamente, daí que evite ao máximo ver qualquer filme fora de casa, a menos que a companhia seja agradável. Estando só, nem pensar.

    Este fim-de-semana, contudo, e em virtude de ser um dos melhores programas de sexta ou sábado em casa, o meu amigo pesquisou uns filmes, fez os respectivos downloads e por ali ficámos, munidos de alguns snacks. Ele lá se ajeita a "sacar", como diz, os filmes.


   Se já percorri clássicos da literatura em imberbe idade, o mesmo não se aplica às grandes obras cinematográficas, onde as minhas fragilidades se acentuam. Parece inacreditável que alguém que gosta de terror - mas não do terror vulgar, corriqueiro - nunca tenha visto O Silêncio dos Inocentes, que consta como um filme de terror, embora eu assim não o considere. Lacuna preenchida este sábado. O epíteto de clássico assenta-lhe como uma luva. É um thriller fascinante, com as interpretações magistrais de Jodie Foster e de Anthony Hopkins. Equiparo-o, salvas as devidas diferenças, até no enredo e núcleo, à trama psicológica (mal) conseguida com O Exorcista II - O Herege, considerado um dos piores filmes de todos os tempos, ainda que procurasse, e essa foi a intenção do realizador, criar todo o ambiente que Jonathan Demme conseguiu. Os galardões e o reconhecimento que o filme alcançou foram mais do que merecidos.

    Entretanto, e já no domingo, vimos A Culpa é das Estrelas, igualmente elogiado e um êxito de bilheteira. Com um enredo antagónico em relação ao filme de sábado à noite, provou ser um drama que sabe prender-nos durante aquela hora e meia. Temi que tivesse sido arrasado pela crítica, em parte porque a história versa sobre uma doença grave e o envolvimento entre dois jovens que dela padecem em circunstâncias distintas. É meio cliché. Primando pela surpresa, tem desenvolvimentos inesperados e momentos de alguma ternura, que senti forçada, não sendo este o entendimento da crítica especializada. Quem sou eu? A verdade é que entre dramas e thrillers / terror, a minha preferência recai totalmente nos últimos. 
      O amigo choramingou com as cenas comoventes, para o final. Eu, como já pouco me emociona, limitei-me a assistir tentando disfarçar o incómodo. É frustrante constatar-se que nem uma história bonita nos provoca qualquer reacção. Vida, vida, o que tens feito!...

       A noite passada, começámos n' A Dama de Ferro, que incrivelmente ainda não vi. O sono derrotou-nos, por fim, obrigando-nos a desligar a televisão. Pelo pouco que pude ver, Meryl Streep saiu-se estrondosamente bem. Até o característico sotaque britânico daquela que foi a mulher mais poderosa do mundo (e odiada, diga-se...) não foi esquecido. Pretendemos terminá-lo nesta sexta-feira, restando-me aguardar mais uns dias.

    E assim tenho procurado cultivar os meus conhecimentos cinematográficos, esperando ser mais proficiente quanto a este ramo da arte, a sétima, dizem. Talvez a mais acessível e óbvia e, não por isso, seguramente, a que pretendo estimular.

24 comentários:

  1. Quando ré adolescente até o começo da faculdade gostava muito de ver filmes e ir aos cinemas. Sabia de todas as estréias e lembro até hoje como era frustrante não entrar em filmes acima de 14 ou 16 anos. Hoje em dia, tanto por falta de tempo quanto por falta de interesse não vou muito ao cinema não, umas três vezes por ano. E filmes são raros também, a não ser quando estou disposto em algum tema. Ah, e apesar de filmes de terror terem sido os meus preferidos de adolescente, hoje morro de medo. Vai entender. Rs

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    1. Eu vou raras vezes ao cinema. E mesmo em casa é raríssimo ver filmes. Televisão, aliás. Enfado-me (canso-me) rapidamente.

      Há filmes de terror que me assustam, como O Exorcista. O primeiro. Outros só me perturbam, como o Carrie. :)

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  2. Para mim, a maior das artes é a literatura, mas jamais consideraria o cinema como uma arte óbvia. Penso que baseias a tua opinião num circuito muito comercial. Mas deixo o João Roque opinar melhor, que é pessoa de direito (por gosto e consumo) para isso. É a sétima, a última, e a única capaz de conjugar todas (música, literatura, teatro, fotografia (pintura e escultura), ...), e daí o seu valor especial.

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    1. Alex, baseio-me no que se diz, que o cinema é a "sétima arte". Se é, se não é, não sei. Como disse pelo texto, é-me indiferente. :)

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  3. Parece-me que tiveste um fim-de-semana em cheio rapaz! "A culpa é das estrelas" ainda não vi... mas já sei que vou chorar "baba e ranho" e por isso ando a evitar lol

    Os meus filmes favoritos são o "crash" e o "fabuloso destino de Amélie"!

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    1. Foi um fim-de-semana muito bom. :)

      Não vi nenhum desses. :s

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  4. MArk, parece-me um programa muito romântico esse teu. :D
    Parte do teu primeiro paragrafo podia ter sido escrito por mim. Não sei nome de atores, produtores, muitas vezes até o nome dos filmes tenho dificuldade em fixar. Contudo, gosto muito de ir ao cinema...

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    1. De Horatius Manuel, passarás a Horatius casamenteiro. :D

      Pois é, coincidimos. Entendo bem pouco de cinema.

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    2. Horatius Casamenteiro Manuel. Não sei porque tenho de mudar de nome, se posso aglutinar os dois xD

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    3. Se forem nomes próprios, só podes ter dois. Casamenteiro passa a apelido. :D

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    4. Vocês os advogados são terríveis. Dão sempre a volta às leis, a favor do vosso intento xD

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    5. Não sou advogado, Horatius. Sou jurista. :D Pode ser que ainda venha a ser. :)

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    6. Um mero pormenor técnico. A verdade é que dás a volta ao texto, como se advogado fosses xD

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    7. Um pormenor técnico de seu nome "exame de admissão à Ordem" e vontade de ser advogado. :)

      Dar a volta às questões intrincadas é o nosso papel. :D

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  5. Eu praticamente deixei de ir ao cinema. Detesto aquela "cena" das pipocas e etc...e com a compra de uma televisão a sério, que é raro abrir para ver mesmo TV, inaugurei o home cinema, muito mais cómodo e prático.
    Tenho uma enorme colecção de filmes (longas e curtas) de temática LGBT, que guardo em "drives" de grande capacidade, e vou sacando aqui e ali, e tenho quase sempre à mão os grandes filmes.
    Simplesmente uma coisa é tê-los para ver (e guardar os LGBT) e outra é vê-los...
    Assim, depois do "monte" de livros para ler, acresce o "monte" dos filmes a ver - para não falar das séries.
    Mas vou vendo, dois a três por semana e aparecem-me na sequência devidamente ,estabelecida filmes fabulosos que perdi nas salas na altura da estreia.
    Só para dar um exemplo, os últimos dois são duas obras primas: "O Grande Hotel Budapeste", de Wes Anderson (este realizador já é considerado de culto), e ontem "As Serviçais", um filme maravilhoso muito falado e justamente quando da sua estreia.
    E o próximo já sei qual é: a nova versão de "O Grande Gatsby", com o De Caprio...
    O cinema fascina-me, desde sempre, mas não mais que o teatro, esse sim um espectáculo para ver ao vivo, com os actores ali a darem-nos em directo a sua Arte.

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    1. Estar no cinema com pipocas é do mais desagradável. Aquele barulhinho, "nhoc-nhoc", é de um horror e de uma falta de chá inqualificáveis.

      Eu tenho uma televisão panorâmica na sala de estar, mas não ligo nada. Nem a mãe. Ultimamente acompanho uma novela, o que lhe tem dado algum uso.
      Não vejo séries. Não tenho paciência.

      Oh, o teatro! Completamente distinto. Valorizo bem mais. Gostaria de ser mais assíduo. Adoro.

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  6. Não tarda e ficas viciado como eu ;)

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    1. Muhahahahah, se calhar, se calhar. :D

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  7. Mark eu adoro cinema, não vejo tantos como gostaria pois facilmente fico com sono :-s daí ver mais séries. Só não vou mais ao cinema porque é caro, sábado irei ver Mad Max, que me parece ser muito bom.

    Os gostos não se discutem, mas vou-te sugerir alguns filmes (escusado dizer mas são os que fazem parte dos meus favoritos):

    Amélie
    Crash
    Magnolia (a banda sonora é excelente)
    Requiem of a Dream (em português "A vida não é um sonho")

    Qualquer um deles já vi mais que uma vez e todos eles têm uma coisa em comum, falam de pessoas, das suas vidas e a ligações que todos nós temos uns com os outros. O mais chocante é mesmo Requiem of a Dream. Se tiveres curiosidade vê!

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    1. Obrigado pelas sugestões, No Limite. :) Já tinha ouvido falar da maioria, mas ainda não vi nenhum.

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  8. Uhmmmmmmmmmmmmm

    K dia tão bem passado?! Quem foi o sortudo da companhia?! ;)

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    1. Um amigo, Francisco.

      Um dia de cinema, vá. :)

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  9. eu gosto de ir ao cinema, mas não tenho tanto tempo agora, além de ser caro. por outro lado, não tenho interesse pela maioria dos filmes que agora passam. como entretenimento de massas, evito os filmes comerciais, os grandes centros comerciais, as horas nocturnas.
    ontem fui, gostei, éramos 8 numa sala pequena do alvaláxia. não havia pipocas, embora as vendessem lá.
    quando a companhia é boa, até prefiro ver filmes em casa, à vontade.
    nunca me habituei a sacar filmes, mas saco livros :p
    bjs.

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    1. Excepto o El Corte Inglés e o Amoreiras, evito os demais centros comerciais da cidade. E mesmo esses já não frequento tanto.
      Há filmes que me suscitam interesse e curiosidade, mas nem sempre tenho companhia, acabando por adiar e adiar até que deixam de constar em cartaz. Como também não me ajeito a "sacar", perco histórias do meu interesse. A Dama de Ferro é uma delas.

      um beijinho.

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Um pouco da vossa magia... :)