15 de abril de 2015

Ordinary.


      Apostando em conseguir abstrair-me da rotina, procuro fazer o que nunca fiz, distrair-me, sair, viver sem me deter nisso. Não temos por que dificultar o que de si mesmo já é complicado. Nesse sentido, tenho passado pouco tempo em casa. Noites há que durmo fora, ora em casa da avó, ora em casa de um amigo.

    No domingo fui à FIL, a uma feira de turismo. Participei em alguns passatempos sem qualquer intenção. Num deles ganhei um peluche. Um disparate: construir um avião em papel e tentar fazê-lo passar por um orifício de cartão. Logrando na tarefa, preencher um formulário e inventar uma frase com determinadas palavras. O prémio é uma viagem. Ainda aguardo a resposta. A minha frase não será a mais original. Obrigatório seria incluir "Países Baixos", "França" e o nome da transportadora. Com algo como "moinhos" "Torre Eiffel", elaborei o que me surgiu estando sob pressão. Não pude pedir ajuda, embora obtivesse umas sugestões através de sms, escapando ao controlo rígido de quem por lá estava.

     Tirei fotos, brinquei, foi engraçado. À noite, comprámos algo para jantar e ainda me aventurei em frente a um fogão (?). Os meus dotes culinários são inexistentes, mas não morremos à fome. Verdade seja dita, pouco fiz na cozinha. Ajudei como soube e os livros de receitas têm a sua utilidade. A juntar aos demais ingredientes, uma pequena dose de boa vontade e ânimo dão o toque final. E ficou bom!

      Na medida em que estou tranquilo, o estudo torna-se menos penoso. Flui melhor. E tiro sobre mim uma certa responsabilidade exagerada. Não tenho muito mais a provar, tampouco a mim. Passo o tempo estritamente necessário na faculdade, elaborando os relatórios e as apresentações com a dedicação e o zelo que não descuro. Apenas deixo ir.

         É caricato o modo como retiro algum encanto, ingénuo até, eu diria, de momentos triviais. Há quem diga que a felicidade está na simplicidade. Eu, que nela não acredito, começo a desconfiar do fundo de veracidade dessa afirmação. Não é descabida.

       Não obstante desconfiar dessa felicidade, podemos alcançar a tranquilidade possível. É o objectivo. Tudo o mais são caminhos, relativamente sinuosos, dependendo de nós escolher os certeiros. Ou os que nos levarão à meta com a menor dor. Assim o alcancemos.
          Um exercício para o qual não há códigos ou doutrina. Por isso complicado. E essencial.

24 comentários:

  1. Mark eu sou das pessoas que vê e sente a felicidade na simplicidade que a vida tem, nas pequenas coisas, e nos gestos altruístas. Pode ser que a vejas (a felicidade) não é uma fórmula que aplica-se a todos nós, há quem viva feliz com pouco e há quem nunca esteja satisfeito com o que tem.

    Já me disseram para aceitar o que tenho, será sempre mais fácil de viver procurando ser feliz. :-)

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    1. Eu estou a aprender a ver a dita "felicidade" no lado simples da vida. Fui materialista, em muito fomentado pelos pais. O conceito de criança feliz, para eles, assenta num ser caprichoso, mimado, facilmente seduzível com bens materiais.

      Estão errados. A serenidade (que prefiro a felicidade) encontra-se no que de mais simples há. É aquilo em que acredito.

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  2. De facto parece que "temos" um Mark diferente :) Mais solto sim e espero que melhor :P

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    1. Mais sereno. :) E que se mantenha!!

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  3. Amigo! Acho que o único comentário que posso fazer é, aproveita!!! Permitir-se aproveitar momentos como esse, aprender a dosar as coisas da vida: estudo, família, diversão é um desafio que não é lá muito fácil...

    Então, se estás tendo a chance de vivenciar novos momentos, ter novas experiências, o melhor que faz é aproveitar!!! Fico feliz em vê-lo assim...

    Grande abraço.

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    1. Olá, amigo Latinha.

      Sim, estou a vivenciar novos momentos. Passo menos tempo envolto na rotina habitual. Temo chegar a certa idade e perceber que pouco vivi.
      Evidentemente, o estudo mantém-se como prioridade.

      abraço enorme!!

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  4. serenidade, fazer as pequenas coisas que não estamos habituados, passar para o outro lado do passeio, olhar a vida com outros olhos :)
    cozinhar é aos poucos. por prazer, consegue-se sempre provar algo bom, sabe melhor dadas as circunstâncias. um dia de cada vez, saboreando devagar e sem pressões. isto é a felicidade.
    bjs.

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    1. Pois é, Margarida. O meu amigo pouco sabe fazer na cozinha, como eu. Então, lá temos de nos arranjar com pratos simples. :) Alguns pequenos ajustes no tempero, sim, mas vai lá com mais tentativas.

      um beijinho.

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  5. Mark que bom que está se divertindo mais, saindo (sempre achei que você estudava "demais"). Não me interprete errado. :) Bom te ver mais feliz! E olha que eu acredito na felicidade. :D

    Abraços!

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  6. Que bom que está fazendo outras coisas e se arriscando nelas, como cozinhar. Depois de mais de seis meses sem ligar o fogão também me aventurei semana passada, fiz, na verdade, uma mistureba, mas valeu a pena. Rs

    Abraço!

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    1. Hahahah, pois é, vale mais pela companhia e pelas risadas. :D

      um abraço, amigo!

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  7. Muito bem Mark! :D
    "É caricato o modo como retiro algum encanto, ingénuo até, eu diria, de momentos triviais." - aí tens aquilo que eu te fui dizendo inúmeras vezes, ahahahah! :P
    Ainda bem que começaste a descobrir essa serenidade! Agora é continuar a descobrir mais momentos e a "saboreá-los"! ^^

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  8. Dormir fora?!
    Estou escandalizado.
    A partir daqui é sempre a descer.
    Mark, há uma linha que separa... ( :P )

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    1. Leste bem, dormir fora. :D

      Hahahah, mas sei os limites. Nada de aventuras loucas. Apenas me permito viver um pouco mais. O casulo já sufocava. :)

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  9. Vou ser muito breve: que bom!!!!!!
    P.S. - quero conhecer esse amigo...

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    1. É um bom amigo. :)

      Claro que sim!

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  10. Mark, que fizeste tu em frente ao fogão? Conta-me tudo!
    Estou a ver que o namoro te está a fazer muito bem.

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    1. Bolognesa, e estava muito boa. :D

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    2. Dizem que o segredo está no tempero... Não sei se é ou não.
      Mas olha, a necessidade aguça o engenho. com o tempo, podes vir a tomar verdadeiramente o gosto por cozinhar. Eu adoro cozinhar, para outras pessoas. Se for só para mim abomino...

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    3. É assim, é giro cozinhar com amigos. Por obrigação deve ser uma chatice. :s

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    4. Eu não gosto de cozinhar "com" amigos. Muita gente a mandar na panela não deve dar bom resultado xD
      Eu gosto de cozinhar "para" amigos, família, namorado :)

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    5. "Com amigos", ou seja, não estando só. :)

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