22 de dezembro de 2014

Christmas.


    As aulas terminaram na sexta, não sem a entrega de um relatório a ser corrigido durante a época festiva. Já saí da faculdade tardíssimo, dado que estive a conversar com um professor. Descobri que a faculdade está sempre aberta, de noite, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas, de portas fechadas para o exterior. Há professores que ficam lá dentro... Há quatro anos que lá estou e só agora o soube. Curioso.

    O Natal será com a mãe e o meu irmão. Apenas os três. À semelhança do ano passado, a mãe atendeu ao meu pedido de não nos juntarmos com qualquer outro familiar, a não ser a minha irmã, que por sua vez passará com a família do marido.
    Lá tive de lhes comprar uns presentes. Não que desgoste presentear os que me são mais próximos. Nada disso. Apenas pelo simples facto de querer, este ano, e pela primeiríssima vez, evitar centros comerciais.

     Passei pelo El Corte Inglés. Para o meu irmão, comprei um perfume. À mãe, um relógio. Ela gosta e tem imensos. Animou-me andar por lá, sentir a azáfama, a alegria das pessoas. Ouvir, inevitavelmente, as suas conversas nos elevadores, nos corredores. Muito embora me sentisse só. Por momentos, tinha setenta anos. Já não era jovem, agradável à vista, não suscitava qualquer reacção nos outros, preparando-me para uma consoada vazia. Recordava-me de amigos falecidos, alguns da blogosfera, e era tolhido por uma dor e uma solidão devastadoras. Parecia um pesadelo desperto. Tive de molhar o rosto e acalmar-me um pouco.

  Um livro é sempre um bom amigo. Nada queria comprar para mim. Entretanto, vi um livrito historiográfico, A Vida na Corte Portuguesa, de José Barata, que me interessou.
     O balcão dos embrulhos, este ano, ficou no piso térreo, por fora. Uma moça fez-me os embrulhos e reparou que não estava muito bem. Perguntou-me, num assomo de atrevimento/compaixão: "Que cara é essa?". Apenas consegui sorrir. Achei despropositado dizer algo. Não faria sentido.

      Lanchei no piso superior e depressa voltei para casa. Depositei os presentinhos aos pés da árvore.
      Será um Natal no recato do lar.

22 comentários:

  1. Que o passes bem e que passe rapido ;)

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    1. Sabes, amigo Shiver, eu ainda gosto do Natal, de ver as luzinhas, os enfeites. Eu gosto da época, sinceramente. Só lamento ser o oposto do que eu queria.

      Os dias são longos e cansativos.

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  2. Com família é sempre bom amigo :)

    Laços de sangue e sempre te distrais por momentos

    Mera opinião, de alguém que tem a mania de dizer coisas e não ficar calado

    sorry

    abraço amigo

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    1. Eu não ligo muito a essa teoria dos "laços de sangue". Mas nem se trata disso. Trata-se de querer sossego. Sou introspectivo. Estou melhor com poucas pessoas.

      Não te intrometes em nada, ora essa. Que disparate. :)

      um abração!

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    1. Bom Natal, João, na medida do possível. Sei das tuas perdas nesta altura do ano, o que atinge a quadra, evidentemente.

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  4. O meu também será a sós com os pais. E chega. Também não gosto de confusões. Apesar de aproveitar para visitar a minha família nesta altura, não dou nada a ninguém. Apenas vou ver como estão e apreciar uma filhós que se faz em cada casa, que nada deixa as pessoas mais felizes que apreciarmos o seu trabalho...

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    1. A mãe compra os doces já feitos. Encomenda-os numa pastelaria. Claro que caseiros serão muito melhores.

      É... não há nada como o recato. Prefiro assim. Afinal, e o gostar da quadra não a torna imune a críticas, há uma hipocrisia tal... Vejamos, a família reúne-se. Não seria suposto reunir-se várias vezes ao ano? Há pessoas que guerreiam todo o ano, estabelecendo umas tréguas pelo Natal, retomando as hostilidades em Janeiro.

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  5. Qualquer evento de final de ano passo a véspera sempre com minha família. Nunca passei em uma festa com amigos e confesso que não tenho tanta vontade assim, talvez, apenas este ano eu mude de ideia porque passarei o Ano Novo longe da minha família pela primeira vez.
    É engraçado ler os seus textos, dá vontade de sentar do seu lado e ir te acompanhando nas trajetórias... Rs

    Abraço! Feliz Natal!

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    1. Eu costumava, "quando tinha uma família unida", passar o réveillon fora, em hóteis, sobretudo, que geralmente organizam festas interessantes. Desde aí, só em alguns anos. O Natal, tendencialmente, sempre foi em família, mais ou menos alargada.

      Muito obrigado, Eros.

      um abraço! Feliz Natal!

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  6. eu também passo com a família mais chegada e aqueles que eu mais amo. e não somos muitos. os suficientes para um natal tranquilo.
    eu este ano pensei em dar menos presentes, mas depois comprei uns livros e adorei oferecê-los. a minha colega abriu-o na sala e já o leu e gostou. e também ofereci à minha chefe. ela não estava à espera, já que foi a primeira vez nestes anos todos. gostou do gesto. isso é importante. eu gosto dela, como pessoa e como dirigente.
    feliz natal, Mark, com amor e sossego e saúde :)

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    1. Só ofertei mesmo a mãe e o meu irmão. E mesmo assim saiu caro no meu "orçamento". É mais pelo valor simbólico, muito embora quisesse presenteá-los com algo que fosse do seu agrado. Creio que escolhi bem.

      Feliz Natal, Margarida.

      um grande beijinho.

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  7. Bolas Mark. Só me apetece bater-te. Não te imaginava assim tão soturno mas acredito que tens as tuas razões. Vá, anima-te um bocadinho. Um Feliz Natal amigo. Abraços

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    1. São fases. Sou assim por natureza, mas tenho fases. :)

      Estou bem. :D

      um abraço grande e votos de um Feliz Natal!!

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    2. Mark, me gustaría hablar contigo acerca de iberismo.
      A que firección te podría escribir?

      Me ha gustado mucho algunos comentarios que has escrito.
      Saludos, amigo.

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    3. Olá!!

      Claro, com todo o gosto. Poderá escrever-me para o seguinte endereço: asaventurasdemark@hotmail.com

      Cumprimentos!

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  8. Eu sei que o natal dá para deprimir um pouco, por isso toca de ir ver uma comédia romântica para alegrar um pouco :) abraço !

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    1. Hehe, que esta época é propícia a filminhos romântico-cómicos. :)

      um abraço!!

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  9. A solidão é fantástica pois permite-nos enlouquecer de tal maneira que começamos a compreender o porquê daquelas crueldades que não percebíamos quando sentíamo-nos bem, nestas alturas apelidávamos de «loucos/psicopatas» sem saber esse significado, mas com a solidão começamos a perceber tudo. Entramos numa nova dimensão.
    Fernando

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    1. Ainda não terei chegado a essa dimensão, mas percebo o que quer dizer.

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  10. Eu em 2014 tive de ir fazer compras tanto no dia 24 como no dia 31 ao Norteshopping e digo-te: jurei que nunca mais! xD
    Nunca me tinha dado para ir fazer compras de Natal e de fim de ano tão tarde, mas com tudo o que tive para fazer enstes últimos meses, a verdade é que só agora tive tempo para tal. Assim, levei com aquelas "catrefadas" de gente aos empurrões, filas intermináveis, agrupamentos de pessoas - pareciam "cordeiros", a andar de lado para outro - insultos, discussões, enfim, um horror. Só fiquei bem quando por fim cheguei a casa e me libertei daquele barulho e daquela confusão. :P

    Abraço :3

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    1. Pois, discussões, empurrões e mais desses "ões" dispenso, mas até que gosto da azáfama natalícia dos últimos dias. Gosto da movimentação, de ver e sentir a alegria das pessoas, ou simplesmente o quotidiano corriqueiro... :) Daí que guarde as compras para a recta final.

      um abraço.

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