18 de junho de 2014

Confrontos.


   O quotidiano actual do país, da Europa e do mundo é favorável aos governos. Por lá e por cá, os desafios desportivos preenchem as páginas dos jornais, as telas dos noticiários, as conversas banais de café. Nada melhor para os executivos que roubam à margem da lei e nas costas do seu povo, como tão bem um cartoon brasileiro, que vi por estes dias, patenteou. Demagogias à parte, a participação de Portugal neste campeonato mundial tem afastado as pessoas da realidade política com a qual se defrontam ainda que não dêem conta dela.

    Enquanto o Governo prepara novos cortes e medidas para amenizar os chumbos do Tribunal Constitucional, o maior partido da oposição diverte-se com guerrinhas internas que só o descredibilizam aos olhos da opinião pública. Os Antónios disputam entre si o lugar de líder do partido, de secretário-geral, e os portugueses, os poucos que estão atentos, certamente dirão para si: como é que esta gente pretende governar se sequer se entende. E são questões muito pertinentes. No momento em que o partido tinha obrigatoriamente de mostrar coesão, pelo contrário, desfragmenta-se a cada instante. Ontem, soube-se a última novidade nesta infindável novela cor-de-rosa: Ferro Rodrigues está ao lado de António Costa. Seguro, que perde o apoio dos seus camaradas diariamente. Ele, cujo maior erro foi clamar por uma vitória nas europeias que não se viu.

    O povo mostrou um indubitável cartão amarelo a Passos Coelho e Portas. Ficou por dar a luz verde ao PS. A insegurança mantém-se. E o problema, claro, reside no líder. Seguro deveria assumir a derrota pessoal nas supracitadas eleições. Ganhou o PS, por um voto se ganha e por outro se perde, e só. Não se compreende o resultado fraco diante de um governo desgastado pela impopularidade. Qualquer um com o mínimo de dignidade colocaria o lugar à disposição. Seguro, não. Já está preso a um poder que não tem e o povo sabe julgar isso: afinal, move-se pelo desejo indisfarçável de ser Primeiro-Ministro ou pela vontade de ajudar o país? E sabe, como nós, que só o PS poderá fazê-lo. Mas não este PS, que perde credibilidade a cada dia. Não quero imaginar no que sucederá até às ditas eleições primárias de 28 de Setembro, já contando com o Verão e com o resto do Mundial, em que todos andarão mais distraídos.

    Pergunta-se, e bem, pelos históricos do partido. Onde estão? Vão surgindo alguns, percebendo, como o mais vulgar dos cidadãos, eu, que esta situação é incomportável. Se já temo que a coligação saia vitoriosa nas próximas eleições legislativas, o que poderá passar por um resultado inesperado, a crise socialista ajudará ao mote, estimulando a descrença, favorecendo os votos na esquerda radical que não tem como objectivo governar e sim fazer oposição a quanto obrigas.
     O PS tem, com urgência, de definir as regras da escolha do seu líder. Outras, que não estas.

     Tempo é dinheiro, como se diz. Neste caso, é mais do que isso: é votos.

29 comentários:

  1. pois e com isto quem ganha é o governo!

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  2. ||||
    Diria: Portugal, um país de brandos costumes...
    De resto todo o teu texto exprime o que se faz nesses brandos costumes (infelizmente)
    ...

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    1. Eu diria mais: é um país em que falta alguém que pense na colectividade e não nos seus interesses. Seguro é um falhado, já se sabe, mas Costa também avança porque sente que o "poleiro" está mais perto que nunca, nem que isso seja à custa da cabeça de Seguro, que está prestes a rolar.

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    2. VIVA SALAZAR!

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    3. Bom, é um blogue livre, sem censura. Se gosta de fantasmas, faça bom proveito!

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    4. Claro que esse comentário aí atrás só poderia vir de um anónimo. A falta de "tomates" para se tomarem posições assumindo quem se é, só revela a mediocridade de quem se esconde sob a capa do anonimato.
      Desgraçado...

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    5. Bem, a pessoa tem o direito de gostar de Salazar, até aí tudo bem. :) Eu sou muito tolerante nestas situações. Como disse, se gosta dele, divirta-se. :)

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  3. Depois de ler este teu post, fez-se um clique na minha cabeça e percebi António Costa. Ele é um homem, politicamente falando, experiente. Conhece bem os perfis de Seguro e PPC. Tanto um como o outro estão agarrados ao poder como uma lapa, e são muito iguais. AC tirou partido disso: deixou Seguro ir a um combate, e em que tivesse um péssimo resultado (autárquicas não contam, porque são eleições diferentes, pela sua característica mais local). O que aconteceu. Agora, consegue simplesmente captar todas as forças internas para si (ou a maioria delas). E com Costa, acredito que o PS irá subir bastante, contrariamente a que se fosse Seguro. Contudo, com este governo ainda com um ano de mandato, tenho medo do que quem vier a seguir irá encontrar. E com um PR como esta coisa que está nesse lugar, que não tem tomates para fazer o que devia fazer (demitir o governo), quanto mais não fosse pela verdadeira afronta quem têm feito ao TC, o país será rapidamente destruído!

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    1. É... António Costa sabe movimentar-se nestes meandros obscuros. A política é isto: jogos de bastidores, golpes baixos, maquiavelismo... Daí que em Direito, por exemplo, separemos as águas: a César o que é de César; política para um lado, Direito para o outro, ainda que dali saiam muitos políticos.

      Sinto um certo nojo destes "esquemas". Põem os interesses pessoais acima da ética, dos valores sociais e, ainda, acima do bem-estar nacional. É o vale tudo... e vale mesmo tudo. A política é repugnante e corrompe.

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  4. r. lamento desiludir-te, mas é mesmo a sério, se ainda não o foi é porque quero dar tempo a todos de lerem :/

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    1. Tu voltas. Não apostes, porque sei que perdes. :) E ainda bem! Fazes falta por cá, acredita, ninguém é substituível.

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    2. voltarei, certamente, mas de uma forma que poucos estarão à espera e "irreconhecível", ou até mesmo, mais "conhecível" :) veremos!
      Um até já!

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    3. Okay, aguardo, então. Até já. :)

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  5. Este país é mesmo um circo ao ar livre.

    Tudo vale, deixa-se queimar quando a coisa esta mal. Depois aparece sempre alguém com ares de D. Sebastião...

    Pena! Ser tudo areia da mesma saca

    lololololololol

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    1. É... tudo farinha do mesmo saco, como se diz vulgarmente. Infelizmente, têm razão. :)

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  6. A politica anda caótica no mundo todo.
    Infelizmente não há como confiar nestes corruptos.
    Abraços

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    1. A degradação é geral, sim.

      um abraço.

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  7. Eu creio que há muito que o PS tem andado a levar o governo actual ao colo. Apesar de ser muito "esquecido", recordo-me dos primeiros tempos de governação do actual governo, com uma "salutar" troca de galhardetes entre eles e a oposição de António Seguro. Nunca gostei do homem, salvo seja. É daquelas pessoas que pelo menos eu olho para ele e desconfio que seja outra pessoa, que aquela que mostra não é a verdadeira. Pode ser birrice minha, mas já do António Costa sempre gostei. Olho para ele e vejo um homem com perfil de líder, que dá confiança às pessoas, que tem garra. Até posso estar errado, mas creio que este é bem melhor e fará muito mais oposição a Passos Coelho que António Seguro. E é bom que os partidos aprendam de uma vez por todas que política não é reviver e repisar o passado. Que não ganhamos nada com discursos e argumentos do arco da velha. De nada adianta aos portugueses que eles andem às turras a discutir a culpa de erros do passado. Precisamos de homens e mulheres com visão, que queiram lutar por um Portugal melhor, mais justo e livre. Talvez eu esteja a pedir demasiado, mas gosto de acreditar que tal é possível. ^^

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    1. É, estas divisões no seio do partido só favorecem o governo. Eu defendo, como sempre defendi, uma oposição esclarecida e útil. Há partidos que se limitam a a fazer oposição porque sim, porque lhes dá jeito, porque, no fundo, não têm ambições governativas, por vários motivos (incompetência e realismo - sabem que jamais obterão os votos necessários para lá chegar, a menos que seja numa inédita e surpreendente coligação).

      Seguro não tem perfil para dirigente do PS. Terá para outro partido. E não tem perfil, a meu ver, porque lida mal com a "chafurdice", passo a expressão, própria da política. Não tem aquela astúcia e "rodagem" de António Costa. Ainda bem para ele, de facto, que a política é e sempre foi suja. Contudo, é com o que lidamos e Costa estará melhor preparado - aprendeu com Sócrates. É manifestamente um líder mais apto, apesar de não o ver como Primeiro-Ministro. Não lhe reconheço essas capacidades. É a alternativa que o PS tem, de momento. Há que aproveitá-la.

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  8. Este era o cenário previsível, e só não aconteceu ainda antes das europeias porque António Costa, astutamente, esperou mais um pouco para que o AJS se espalhasse à grande, como aconteceu no discurso "Vitória! Vitória!".

    Tive alguma pena que AJS tenha perdido as internas. Será eventualmente, um líder fraco (quem o conhece pessoalmente diz que não), mas seguramente mais honesto que AC.

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    1. Costa é um rato, hábil, sabe movimentar-se naqueles meandros.

      Concordo contigo a cem por cento. Confio mais no Seguro do que neste. E os debates, posteriores a este texto, ajudaram. Seguro parece-me honesto e Costa não me suscita o mesmo.
      Pode ser que Seguro ressurja das cinzas, um dia, qual fénix... Pelo menos não está "queimado" politicamente. Nem oportunidade lhe deram para provar o que sabe fazer.

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    2. Não creio, há demasiados poderes instalados. Nenhum dos 'notáveis' se posicionou ao lado do AJS. João Proença? Deixa-me rir... (ou chorar...)

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    3. Sim, mas eu acredito que ele ainda volte, um dia. Ou não. Não tem perfil de político. É uma qualidade pessoal. LOL

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    4. Seguro honesto? Seguro não é honesto com ele próprio, quanto mais com um pais... lol

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    5. O nome dele está envolvido em algum escândalo?

      Ai, ai, essa difamação, Horatius. :)

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    6. Em algum escândalo nao sei. Contudo, seguro é mais de direita que o próprio PSD...

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  9. Não sei se já sabes, mas ganhou o António (lololololol). Costa.

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    1. Sim, sei, mas quando escrevi isto ainda não se sabia. :D

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Um pouco da vossa magia... :)