7 de março de 2014

Finalistas.


   Aproximando-se o final do ano lectivo, e da licenciatura, começam a ficar impacientes. À entrada da faculdade, pela porta traseira, publicitam ostensivamente o tão aguardado baile de finalistas e, imagine-se!, viagem. Tinha conhecimento da prática costumeira do primeiro; desconhecia, de todo, a segunda. Para alguém que nem trajou, a indiferença ao baile não poderia ser maior. Recordo-me de um evento semelhante pelo final do secundário, e detestei. Tive de fazer bocas e sorrisos quando o que me apetecia era fugir. Não sendo hipócrita, só consigo chegar ao final do dia com uma revolta enorme. A mais, pegando nas palavras de uma colega: "Já basta aturá-los o ano todo!". Faço minhas.

   Devido às cadeiras optativas, mudámos de subturma. No meu caso, fiquei na mesma, mas houve quem saísse, e outros que entraram, dos quais um casal de namorados (?) deveras irritante. Basicamente, falo-vos de duas pessoas aborrecidíssimas, convencidas e prepotentes. Gostam de sobrepor as suas respostas às dos colegas, rivalizando na participação oral das aulas. Imagino nos testes... Eu intervenho pouco, como já disse anteriormente a propósito de um assistente chato. Falo quando devo falar. Por curiosidade, ando mais interventivo, não sei se pelo aproximar do fim ou se por um súbito interesse, que vem tarde. Acontece que já choquei com o casalinho nas minhas participações, ora com ele, ora com ela. Desde o primeiro ano que não me acontecia algo semelhante! A desconfiança é mútua. Para piorar, sempre houve o péssimo hábito de catalogar os alunos, isto é, comenta-se por portas e travessas quem são os melhores e a minha subturma ganhou a fama de ser a melhor do ano. Vim a saber, por terceiros, que falam acerca de o casalinho ter ficado comigo e com mais um aluno, porventura bom, mas bastante mais humilde do que os três, assumo. 

   Não gosto de guerrinhas e já tenho ficado calado para evitar confrontos, que não houve nenhum. Não gosto deles, simples. Evidentemente, não deixarei de intervir, prejudicando-me. Quando achar que o deva fazer, fá-lo-ei. Só não tento mudar de subturma porque pagaria uma taxa e considero absurdo despender quase três dígitos à faculdade apenas por capricho ou mero mal-estar. Eu aguento. Preferia dar o dinheiro. A fama de 'turma dos marrões' é que não me agrada nada. Maio, chega rápido! O regulamento de avaliação foi alterado, como referi por aqui, abolindo-se os testes ao longo do semestre. Graças! Assim, temos um teste a cada disciplina, em Maio. Faço-os, recebo as notas e vou à minha vida. Com estas criaturas seria insuportável. Comparariam as décimas!

   A viagem de finalistas será, ao que sei, em Cabo Verde ou na Tunísia. Não vou. E aplico, uma vez mais, as palavras da colega. Poderia considerar caso se tratasse de outros destinos. Salvo o devido respeito que cada terra me merece, não fiquei empolgado. Se a mãe pudesse viajar comigo é que seria!... Sem bailes toscos, pejados de álcool e tabaco, engates, na modalidade hetero, e bebedeiras de cair ao chão. Estou fora. Penso antes no futuro e nos passos seguintes. 

    Nada terminará no início do Verão. Só um ciclo. Iniciar-se-á outro, que espero mais interessante.

28 comentários:

  1. A única cerimónia que me interessou foi mesmo a Benção dos Finalistas, com a pasta das fitas. (cerimónia que acredito que tenhas na mesma consideração das duas que mencionaste).

    A minha turma era conhecida por ser a primeira turma do meu curso em anos que não ia lá passear. A um determinado problema (matemático), o prof. disse "o ano passado, em trinta respostas, tive trinta resultados diferentes". No meu ano, quase toda a turma acertou o dito problema. ficamos conhecidos como "os crânios". Mas acho que marrões nunca nos chamaram...

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    1. Creio que também haverá essa. E sim, na mesmíssima consideração. x)

      A nós chamam 'marrões, 'crânios', tudo. Porque se aglomerou, digamos assim, os pretensos melhores alunos. Trágico!

      Eu limito-me a estudar na medida que considero a ideal, nem mais, nem menos. São alcunhas 'simpáticas'. Não faço por ser bom; já que lá ando, tento é ter notas boas para não terminar com uma média, vá, fraquinha.

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  2. Abstraindo-me dos outros aspectos focados, apenas comento o que respeita à viagem.
    A viagem de final de curso é muito diferente das viagens do final do secundário, não só pelos destinos, mas principalmente pela idade e pelo "aproveitamento que os alunos fazem desses dias.
    No final de curso, claro que haverá boa animação e alegria, mas também mais interesse cultural e mais vontade de relaxe.
    De qualquer forma dou-te razão no que respeita aos destinos da viagem do teu curso; nem Cabo Verde nem a Tunísia serão grandes expectativas; apenas indicações da crise que se vive, já que são destinos relativamente baratos.

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    1. São baratos? Como não viajo, não estou a par. Pois, então foi por isso que escolheram esses destinos! Não gosto porque são países não me suscitam qualquer tipo de interesse. :s

      Não me sentiria incluído e à vontade, João. Conviver dias com pessoas que apenas vejo na faculdade, dividindo quarto, sei lá mais o quê. Não!

      Interesse cultural, não sei. Creio que o interesse da maioria recairá na bebida, nas festas e, eventualmente, no sexo. :s

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  3. o menino dá-me licença que seja ordinário? mande-os à merda xDD ahah e fazes bem em não ir se não te sentes bem!

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    1. LOL

      Não chega a tanto. :)

      Sim, não vou, é facto assente.

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  4. Lembro-me de na minha atribulada viagem pela universidade ter encontrado um ou dois casos assim. Não eram de todo namorados, mas eram irritantes ao máximo. Parece que querem compensar a insegurança com recurso a comparações de notas e assim.
    Ainda me lembro do baile de finalistas no secundário. Eu e o meu pequeno grupo de amigos fomos as unicas almas na escola toda que resolveram não ir - provavelmente por culpa minha que os convenci - e ainda nem havia facebook para se tirarem fotos cínicas e o caraças.
    Viagem de finalistas, nunca tive nenhuma. Acho que fomos uns grandes inconformados na altura. Agora queria era pegar na mochila e ir numa viagem, não de finalista, mais de iniciante, que a vida ainda agora começou. Bom dim de semana.

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    1. Eu 'tive' viagem de finalistas no secundário (não fui) e esta agora (não vou). E fui ao malfadado baile de finalistas do secundário. Arrependi-me logo!

      Sim, tenho vontade de viajar, mas não com eles.

      Bom fim de semana. :)

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  5. oh you should have some fun :) mas pronto, cada um tem a sua forma de se divertir!
    És tu a acabar e eu a começar :P

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    1. You're so right. :D

      Oh, eu preciso de me divertir, eu sei, só me falta saber como. Por mais estranho que seja, não sinto falta de conviver com os colegas. (:

      Não acabei! Quero continuar os estudos! :)

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    2. e vais continuar a quem? :P

      r. fui ouvir a música do Hérman, não conhecia haha, tem piada. Não conheço o rapaz do gif :( tens que comer francesinhas no Porto!!! Quanto a dietas só conhecia isto: http://www.youtube.com/watch?v=Wf69gV4lXJE

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    3. Provavelmente seguirei mestrado. :)

      Já comi francesinhas no Porto! :D São as melhores.

      Essa música não conhecia. :)

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  6. Passei por uma situação parecida, mas diferente. O meu grupo de final de curso, era o melhor da turma e isso causou algum mal estar. E como nos juntámos com outras colegas e fazíamos um grupo distinto, passámos a ser odiados por algumas pessoas da turma, que tentaram inclusive boicotar o nosso trabalho. Fomos o melhor grupo e tivemos a melhor nota. Individualmente acabei prejudicado por causa dessas intrigas com o Regente e só tive 17, enquanto que outro colega do mesmo grupo teve 19. Enfim. Só fui à bênção das fitas. Nada de bailes, festas, nem viagens. A viagem fiz só em Outubro até ao Algarve com alguns colegas (o dinheiro não dava para mais) e foi uma das melhores que fiz :)

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    1. No primeiro ano passei por uma situação caricata: uma colega foi a chorar ao assistente dizendo que merecia ter a mesma nota que eu. LOL Sim, leste bem, a chorar. Pronto, não chorava copiosamente, mas garanto que choramingava. Ridículo! Por isso referi ali em cima de que desde o primeiro ano que não passava por algo semelhante!

      Eu duvido que vá à Bênção.

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  7. às vezes pode ser uma boa surpresa :D

    Abraço amigo

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    1. A viagem... Pois, acho que não seria, ao menos a mim. :s

      um abraço, Francisco. :)

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  8. Tens mais é de fazer o que te faz sentir bem. :-)
    Eu fui ao dito baile do secundário lol xD confesso que estava à espera de bem pior e até foi divertidito. Mas pronto: já lá vai e parece que foi noutra vida. À viagem não fui nem queria ir, que me faltava a paciência.
    No fim da licenciatura eu e alguns amigos fizemos a nossa própria viagem de finalistas lol. Foi a minha primeira internacionalização a sério, digamos assim, e ainda hoje guardo as melhores memórias desses dias. Tenho aqui perto de mim uma fotografia desse grupo e arranca-me um sorriso sempre que a vejo. lolol *modo nostálgico: off*
    E falando nisso... Já tenho saudades de me pôr num avião e ir para nenhures!

    Abraço, querido Mark! :-)

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    1. A viagem do secundário foi a uma estância balnear espanhola, ainda por cima! Lol

      Não tenho assim 'amigos' na faculdade que me permita combinar uma viagem de finalistas 'reservada'. :(

      Own, é nornal, guardas boas recordações. :)

      Eu devia pôr-me num avião com destino a nenhures...

      um abraço, querido Ine.

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    2. Sim, aquela a que não fui também foi nesse sítio inenarrável. xD

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    3. Eles escolheram algo no sul de Espanha, na Andaluzia, salvo erro.

      Oh, também não caem nas tuas boas graças. xDD

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  9. r. no Porto somos os melhores em quase tudo haha

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  10. eu não fui ao baile, não fui à viagem, não ajudei a fazer bolos nem vendas, mas comi bolos para outras viagens (a do ano atrás do meu).
    o que quis, principalmente, foi licenciar-me. a diversão viria depois, quando tivesse mais tempo, ainda mais quando não havia muito dinheiro aos vinte anos e se trabalhava ao mesmo tempo e se vivia por conta própria,
    na verdade, a minha turma não era nada unida. em quatro anos, eu limitei-me a sair à noite com uns e com outros, poucas vezes, cinemas e viagens e até trabalhos de campo em conjunto, mas depois do curso, cada um foi à sua vida e nunca mais nos vimos.
    não digo que não gostei de estar na faculdade, sim, foram tempos bons, trabalhosos, mas os quatro anos foram num outro tempo, num outro século. agora passo pela fcsh e dá-me arrepios. a verdade é que não gosto nada de ver aqueles ferros.
    bjs.

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    1. Acredito que quando acabar também não voltarei a ver a grande maioria, para não dizer todos. A isto ajuda a minha personalidade, bastante esguia.

      É assim que penso: quero licenciar-me. Enquanto lá ando, quero ainda aplicar-me para poder assegurar o meu futuro da única forma que sei e posso. A diversão virá depois, se vier.

      Na minha faculdade é tudo muito instável. Somos imensos. Há duas turmas de dia e uma de noite, que por sua vez estão divididas em variadíssimas subturmas. Subturmas essas que são semestrais. Os alunos movimentam-se conforme as disciplinas optativas. Praticamente mal dá para criar uma amizade. São relacionamentos de circunstância.

      um beijinho.

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  11. Parafraseando o Ine, "Tens mais é de fazer o que te faz feliz". Eu fui a viagem de finalistas de secundário, de faculdade, benção, baile e tudo mais. Mas tinha uma relação com a faculdade e com os colegas de turma que tu não tens, e por isso não acredito que forçar esse contacto de uma forma apressada e quase coagida (sem hipótese de fuga, porque se tiveres na Tunísia não dá para dizer "ah, afinal vou voltar mais cedo para Lisboa") seja grande ideia.
    Fazer uma viagem de finalistas à parte seria uma boa ideia, mas também parece que não se aplica... oportunidades hão de aparecer, e da minha experiência, depois de viagens de finalistas, com amigos, de copos, de despedidas de solteiro... não há nada como viajar com a pessoa que se ama. :D

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    1. Duas coisas:

      1. Acho um amor quando me chamam Ine. xD
      2. Gosto sempre de ser parafraseado. xD

      E 'tá dito!

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    2. Coelhito: Pois, viagem de finalistas à parte não se aplica, de todo. Não mantenho relações de confiança com os meus colegas.

      Ine: Chamo-te Ine (creio que fui o primeiro a abreviar) porque é menos impessoal. "Oh Inefável!" LOL Não... :)

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  12. Sabes agora no mestrado também tinha um casalinho assim que aparecia para algumas disciplinas e que me irritavam solenemente. Nunca entrei em conflito com eles, mas eles estavam sempre prontos para uma guerra, fosse com quem fosse...

    Nisto lembro-me sempre de uma ideia que um professor de marketing, que havia estudado nas melhores escolas inglesas, dizia: As pessoas que são boas no fazem e são realmente inteligentes adoptam sempre um low profile, porque não precisam de se fazer notar. Ou outros que querem sempre mostrar-se é porque apenas tentam vender-se.

    E, esta ideia sempre me ficou... e já pude comprovar que é verdadeira...

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    1. Esse professor está correctíssimo.

      No meu caso, nunca gostei de ostentar conhecimentos. Sei o que sei. Gosto de ficar "na minha", como se diz vulgarmente. Eles, não. Estão sempre dispostos a fazer-se notar. Quando um professor-assistente pergunta quem é que quer resolver determinado caso prático, colocam o dedo no ar de imediato. Tanto ele como ela. Mal dão hipótese de outra pessoa se voluntariar.

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Um pouco da vossa magia... :)