12 de fevereiro de 2014

Epopeia das Línguas.


    O El País é um dos jornais de maior prestígio em Espanha. Com vista à sua internacionalização no mercado brasileiro, decidiram há bem pouco tempo criar uma versão, em língua portuguesa, de forma a chegar a milhões de falantes lusófonos, sobretudo brasileiros, mas também portugueses, que diariamente buscam informações no periódico.

    A versão em português conta com um sem-número de colaboradores brasileiros, possuindo o que também existe por cá e que já se verificava na versão em castelhano: crónicas e artigos de opinião. Num deles, e em resposta a um texto de Juan Arias, cronista espanhol que até foi relativamente imparcial e justo na apreciação que fez desta convivência entre a língua portuguesa e o castelhano, antevendo o futuro, o ex-Presidente da República brasileiro, José Sarney, escreve uma pérola que registei e que considero inadmissível. Aliás, a meu ver, compromete a seriedade e a credibilidade do El País.

     José Sarney. O seu nome não deixa boas lembranças entre os brasileiros. Tendo sido presidente do seu país entre 1985 e 1990, Sarney é especialmente apegado à política. Dizem, amigos brasileiros, que já no tempo da ditadura militar a apoiava com veemência (por cá temos um Cavaco Silva que até teve ficha na PIDE, não como opositor...). A sua reforma do activo parece não chegar e muitos o chamam de dinossauro pelas terras de Vera-Cruz...

     Na sua crónica, José Sarney começa por referir que o português e o espanhol são línguas irmãs. Certíssimo. De facto, ambas vindas de uma raiz latina, podemos considerá-as irmãs, uma vez que nasceram e cresceram no mesmo espaço geográfico circunscrito, a península ibérica, passando pelos mesmos períodos de romanização, assimilação pelos povos pré-romanos ao latim, que o transformariam em vulgar, embriões das várias línguas que hoje compõem Portugal e Espanha. O substrato árabe enriquecê-las-ia. Passaram pela Diáspora por terras longínquas. 

    Seguiu-se um início de frase com um curioso 'Me encanta', que muitos poderiam considerar normal, tratando-se de um falante do dialecto brasileiro da língua portuguesa, tão válido como o português, ou o angolano, mas que efectivamente é proibido pelas gramáticas do Brasil. Num início de frase, e não estando presente o pronome pessoal, como foi o caso, mesmo no Brasil a solução adoptada é a da colocação do pronome oblíquo átono depois do verbo. O correcto seria 'Encanta-me'. Não. Não sou um purista da língua, tampouco um crítico de quem se engana a escrever, todavia esta observação é importante para percebermos da ilegitimidade de Sarney em opinar sobre assuntos nos quais revela uma ignorância gritante.

  No segundo parágrafo, José Sarney começa por dizer que a língua portuguesa teve uma aventura impressionante e que, transcrevo, "embora Camões diga ser a última flor do Lácio, na verdade era um dialeto do espanhol". Fim de citação. Sim, meus senhores, isto dito por um ex-presidente da República brasileiro e, pior, membro da Academia Brasileira de Letras (congénere da nossa Academia de Ciências de Lisboa, órgãos especializados em matérias linguísticas).

   O senhor Sarney, pese embora queira à força tornar o Brasil num país bilíngue, objectivo que perfilha, esquece-se, e é com pesar que o digo (custa-me ver uma pessoa com um currículo tão vasto a patinar em algo tão primitivo), que a língua portuguesa não é, nem nunca foi, um dialecto do castelhano. Vejamos, eu não teria quaisquer problemas em assumi-lo caso se tratasse de uma verdade inequívoca. Se há algo que aprendi com bons mestres, no colégio e na faculdade, é que a história não se apaga e somos o que fomos. O português é uma língua originária do latim e se acredito que o senhor Sarney não teve más intenções com o que escreveu, deveria informar-se melhor. Qualquer leigo, não sendo preciso ascender-se a uma Presidência da República, sabe que o português não deriva do castelhano. O próprio catalão, o galego!, não têm qualquer relação com o castelhano. Em jeito de curiosidade, quem afirmou que a língua portuguesa era a última flor do Lácio, inculta e bela, foi Olavo Bilac, um poeta brasileiro, e não Luís de Camões. Lamento que José Sarney conheça tão mal a literatura do seu país.

    No terceiro e último parágrafo, Sarney utiliza metáforas muito (pouco) interessantes que só servem para esconder a falta de rigor técnico e científico do seu artigo. Que o português só parou "nos Andes", depois de matar as línguas dos índios e a língua geral. Desnecessário. A História é o que é. E, chegada ao final do continente sul-americano, aí encontrou o "espanhol" de onde "se tinha separado". Sem palavras. Estas considerações falam por si mesmas.

    Não sei se algum dia o senhor José Sarney terá acesso à minha contra-crítica. Provavelmente, não. Há que manter a esperança. Se já fui lido por uma reconhecida escritora e por um político portugueses, que saiba, tudo é possível. Seria importante dizer a esse senhor que as peculiaridades do Brasil são aliciantes e que elas são as responsáveis pelo interesse e fascínio que o país suscita. O Brasil é o único país lusófono da América, rodeado que está, na sua maioria, por países hispânicos. A colonização portuguesa fê-lo "gigante pela própria natureza", como tão bem o hino brasileiro evoca. A língua portuguesa, no Brasil, país de imigração fortíssima pelos séculos XIX e XX, é símbolo de unidade entre a amálgama de nacionalidades que encontraram o seu porto de abrigo por lá. Mais do que a religião, do que cultura marcadamente influenciada por Portugal, a língua uniu o que muitos não conseguiram com federações forjadas. Querer que o Brasil passe a ser bilíngue é um atentado contra a singularidade e a génese do povo brasileiro e nem todos os interesses económicos, que são muitos, deveriam se sobrepor à manutenção da identidade nacional brasileira. Portugal, ei-lo aqui tão pequenino e indefeso, dá uma bela lição de força e carisma. Por cá, o castelhano não é sequer língua estrangeira obrigatória. E estamos rodeados por uma Espanha enorme, sedenta, e sempre feroz, olhando para a sua esquerda com cobiça, como um pedaço que lhe pertence. Sendo o Brasil o quinto maior país do mundo, por que motivo há que sujeitá-lo ao domínio implacável do castelhano, havendo tanto que fazer quanto ao ensino da língua portuguesa?

   Não é horrível caminharmos para o portunhol, como Sarney argumenta na sua crónica. As línguas são organismos vivos. As gramáticas ajudam a ensiná-las e a compreendê-las. Nada podem fazer no sentido de travar a sua natural evolução. Não sei se caminharemos para o portunhol, esse "monstro" para José Sarney. Se assim tiver de ser, sê-lo-á. A História a isso proverá. As línguas românicas vêm do latim vulgar, mal falado, que os soldados romanos fizeram questão de levar por todos os meandros do Império. Nem por isso são menos belas e válidas. As línguas são do povo, não dos governantes. Pela Europa, duvido que esse portunhol se concretize. Tem pouca expressão e a identidade portuguesa é demasiado forte para se deixar levar. Se tanto, na fronteira. Porque num cenário de portunhol, a língua portuguesa estaria condenada à extinção. Na América, vingando, é de lamentar. Há movimentos emancipacionistas no sul do Brasil. Tornando-se bilíngue, não poderei adivinhar o que espera ao país-irmão. E isso sim é uma monstruosidade.

Quem quiser ler o texto de José Sarney, no El País, pode fazê-lo aqui.

28 comentários:

  1. Sarney é inútil! Ele escreveu isso? Como pode? Quanta ignorância. De fato o espanhol aqui é língua optativa com o inglês. O aluno pode escolher uma ou outra. Compreende-se pelo peso do espanhol aqui na América mas falar algo assim é incorreto e inadmissível. E esse jornal espanhol deixou passar? Nem falo nada...
    Adorei seu artigo Mark! Grandão né, rsrsrs, costume seu e assim que é bom! Meus parabéns!

    Abraços!!

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    1. Aqui o castelhano creio que é língua optativa, sim, no secundário, não sendo obrigatória. Jamais a estudaria. Podendo pecar, não a acho minimamente interessante. Poderei aqui ser parcial, mas considero-a pobre do ponto de vista gramatical quando comparada com a língua portuguesa. Bom, eu sou suspeito. Não gosto de Espanha. :)

      Neste artigo, limitei-me a corrigir o dito senhor. Há pouco de opinião e muito de factos.

      Obrigado, Ty!

      um abraço. :)

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  2. Muito oportuno o teu texto e mais que justa a tua indignação.

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    1. Mais do que indignação, João, quis repor a verdade. Lamento que o El País tenha deixado passar um artigo pejado de erros científicos e técnicos. É que não se trata de opiniões. Espanha é um país democrático e todos os pareceres têm o mesmo valor. Opinião é, por exemplo, o que acho da língua castelhana e que transmiti ali ao Ty; pobre do ponto de vista gramatical. Feia. Não gosto. Vale o que vale. Há quem concorde e há quem discorde.

      Quem lê e não sabe, como nós, tomará por certo o que este senhor, manifestamente ignorante, escreveu. Isso sim é perigoso e injusto.

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    2. xiii ! puseste o dedos nos pontos.
      Oportuno o teu reflexo de um texto que merece um comentário tão profundo como o teu. Fico a pensar que por vezes devem existir interesses por detrás, não só no Brasil mas também nesse nosso vizinho chamado Espanha. Basta ver o estado a que chegou o acordo ortográfico (sem comentários).
      Sarney, já teve o seu tempo, não sei porque acordou agora dos mortos. Mas parece que é assim mesmo, põe-se uns quantos "burros" a falar para desviar a atenção do que é essencial.

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    3. Sem dúvida, João. Espanha ainda olha, como sempre olhou, para Portugal como o reduto que falta. Veja-se a questão de Olivença, que abordei há alguns meses. 'Matam-se', passo a expressão, por um punhado de terra. Que não é deles, nem à luz do direito internacional, mas, como diria Teresa Guilherme, 'isso agora não interessa nada'.

      Já tenho lido pela net comentários muito desagradáveis acerca da língua portuguesa, de espanhóis, claro. Não dou relevância. Pessoas como eu, como tu, que têm espaços virtuais e todo o direito à livre opinião. Dizer que o português vem do castelhano, sendo falso, é que não tolero. Vindo de um brasileiro, ex-presidente da nação e actual membro da Academia Brasileira de Letras, é sublime!

      Sarney provou a sua ignorância.

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  3. Esse dinossauro só fala besteira mesmo. É um politiqueiro que entrou pra política e lá ficou,e,pelo visto, só sairá quando morrer. É um feudalista que mantém o estado do Maranhão nas mãos de sua família há décadas, que derruba todos os seus adversários políticos para mantê-la no poder. Apoiou descaradamente a ditadura civil-militar que deixou o Brasil 21 anos submersos em violações de direitos humanos e falta de liberdades civis. Em suma, é um verme que muito nos desonra como povo. Pior que tem pleno apoio do PT de Dilma e Lula, já que o partido do Sarney apoia o PT na chapa presidencial e no Congresso,a base da troca de favores, claro. Enfim, problemas com o nosso presidencialismo de coalização com seus 32 partidos, a maioria de aluguel. Sobre a questão da bilinguismo,isto aqui não tem vez,dado que sempre tivemos a língua portuguesa como língua-mãe desde o século 18 e o espanhol aqui é tratado como língua estrangeira nas escolas assim como o inglês. O espanhol é língua obrigatória no ensino médio,não é optativa,dado que há uma lei que regulamenta isto desde 2009, se eu não me engano. Aprender espanhol aqui tem lá a sua importância porque o Brasil tem boas relações com os hispano-americanos, mas repito, é tratada como língua estrangeira aqui.

    O Sarney não tem nada que se meter em assuntos que não lhe diz respeito. Eu mesmo nem sabia que este verme era membro da ABL,tô sabendo agora. srsrs Que descredito para a entidade...


    Hoje ele é senador da República pelo Amapá.Que merda! O povo brasileiro ainda não aprendeu a votar. srs

    Enfim, é isso. Abraço Mark. Gostei do post esculachando o canalha. srsr

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    1. Olá Tiago! Obrigado pelo teu comentário. É sempre bom ter a perspectiva de um brasileiro sobre os assuntos relativos ao Brasil. :)

      Não tenho nada contra Sarney. Nada pessoal. O seu artigo é que me deixou perplexo.

      um abraço. :)

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  4. Curiosamente estou a ler de momento um livro de chamado "O Reino" onde os diálogos são escritos em galego (um pesadelo LOL) de forma a mostrar como falavam os portugueses de então (reinado de D. Afonso Henriques) e é curioso como são bastante semelhantes entre eles (galego e português), mas bastante diferentes do castelhano. Mas a verdade é que há, por parte de alguns brasileiros, um trauma por ter tido os portugueses como "colonizadores", preferiam eventualmente os espanhóis. Embora a história mostre que a colonização espanhola matava tudo o que aparecia à frente, suportada numa metodologia bastante diferente da portuguesa.

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    1. Sim, Namorado. A língua portuguesa tem uma origem comum com a galega. Ambas derivam do galaico-português. O português foi se afastando à medida em que Portugal se consolidava como reino. Pelo contrário, o galego foi sendo reprimido e proibido ao longo da História, bem como o catalão, o basco, o euskera, etc, principalmente durante os negros anos do regime franquista. Ainda hoje é profundamente influenciado pelo castelhano. Já se sabe: sendo uma língua minoritária e sem o prestígio do catalão, por exemplo... A Galiza é pobre; a Catalunha é rica e nem precisaria de 'Espanha'.

      Sim, há brasileiros que preferiam ter sido colonizados por ingleses, holandeses, franceses, enfim, já ouvi e li de tudo. Por espanhóis, curiosamente, nem tanto. Todos, cá e lá, sabem das atrocidades dos espanhóis do Novo Mundo, além de que as ex-colónias espanholas na América não deram propriamente origem a países prósperos.

      Quanto à colonização portuguesa e espanhola, há que fazer alguma justiça: não preconizámos o genocídio de indígenas, como eles, fomos mais brandos, mas assim mesmo não deixámos de cometer inúmeras atrocidades. Claro que não tivemos o requinte de introduzir doenças europeias com o único propósito de exterminar índios, como eles...

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  5. De facto Espanha sempre considerou Portugal uma parte do seu Reino. Por outro lado, os portugueses e os brasileiros sempre deram mais importâncias aos nomes Castelhanos. Falar portunhol era benzoca ;)

    Já quando o Corte Ingles abriu em Lisboa, os espanhóis aprendiam Brasileiro para entender o português, porque comemos as silabas lolololololol

    Gostei muito :D

    Abraço amigo Mark

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    1. Eu não ligo, tipo, naaaaaaaada, 'tá a ver, ao castelhano. Acho do mais deprimente, ahah. :D

      Ai, Francisco, querido, não chames 'brasileiro' ao dialecto brasileiro da língua portuguesa, por favor. Fico tão triste. É das coisas que mais mexem comigo. Como és tu, só fico deprimido. :| LOL Diz 'português do Brasil', 'português brasileiro', 'pt br', como queiras, mas NUNCA 'brasileiro' (até porque nem é).

      Eu sei, eu sei, é um mau vício que os portugueses têm devido ao sotaque diferente, mas, sabes de uma coisa? Isso é comentado lá fora. Muitos estrangeiros sabem desse nosso hábito, então, eles próprios começam a considerar o português falado no Brasil como uma língua diferente...

      Obrigado! :)

      um abraço grande.

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  6. o facto de comentares um artigo de um jornal tem alguma mensagem subliminar? :)
    sim, é um bom texto, como nos tens habituado.
    não costumo ler o El País, por vezes caio lá de link em link.
    bem, teres o Sarney aqui a responder-te seria interessante de ler. :)
    bjs.

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    1. Olá Margarida! :)

      Não, nenhuma mensagem subliminar, isso posso assegurar. ;) Creio que não é a primeira vez que 'comento' uma notícia de um jornal. Fi-lo para repor a verdade, não deixando de envolver um pouco de História, como gosto.

      Nunca tive um estilo definido. O meu blogue poderá ser tudo o que quiser e sentir no momento. Este é o meu estilo, um 'não estilo'. Claro que ser-me-ia muito mais fácil falar de sexo, posições sexuais, muita temática gay e coisinhas do género. Dar-me-ia bem menos trabalho. Mas, fazer o quê? Sou assim e não vou mudar. :) Há que agradecer a quem se dá ao trabalho, como tu, de me acompanhar.

      Se o Sarney aparecer, será muito bem-vindo (adoraria!).

      um grande beijinho.

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    2. gosto muito de te ler, Mark, e aprendo imensa coisa. quanto ao 'não estilo' do teu blogue, tem estilo, o teu :)
      não equacionaste enviar este texto ao el país 'brasileiro'? o artigo do S. é de novembro passado, mas ainda devem aceitar um direito de resposta.

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    3. Ahah, sim. Curiosamente, lembro-me de algo que me disseste há tempos: de que mesmo sem a assinatura, saberias que um texto me pertencia. :) Isso é bom!

      Não equacionei. Como não sou colaborador, provavelmente não publicariam. E depois, o senhor tem um currículo vastíssimo: foi Presidente do Brasil, é senador, blá, blá, blá, e eu ainda nem tive o meu primeiro emprego. Claro que currículo não significa sapiência. Coitadinho do senhor, é cada linha, cada tiro no pé, mas enfim. :)

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    4. Se todos tivessem um blogue igual e falassem todos da mesma coisa e da mesma maneira, acho que desistiria de ter um blogue e de acompanhar os outros. Gosto da diferença e vivo muito melhor com ela... talvez por isso consiga ter (grandes) amigos militantes do CDS e do PCP, do SLB, do SCP ou FCP, gays, bis e heteros, azuis, verdes e amarelos. Não vale a pena ser iguais aos outros só porque sim. Basta ser como nos sentimos que devemos ser :) E não me incomoda nada o teu "estilo" Mark, caso contrário não vinha aqui (ok?) :P

      Desculpem ter metido a colher na vossa conversa :P Porque como diz o povo (e numa versão já muito alterada lolol) não se a mete (a colher) entre homem e mulher :P

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    5. Namorado, claro que sim. Eu mesmo acompanho e sigo uma série de blogues absolutamente distintos entre eles. Tenho tomado até determinadas posições muito concretas sobre a liberdade de cada um em transformar o seu espaço naquilo que quer. :) Sou um acérrimo defensor disso. E precisamente por nunca ter querido ser igual a ninguém é que escrevi o que escrevi. Tenho consciência de que sou relativamente diferente e convivo muito bem com isso. :)

      Mete a colher sempre que quiseres. Este espaço é democrático e quem vem por bem é sempre e incondicionalmente bem-vindo. :)

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  7. Gostei Mark!
    A Espanha está marcada por uma serie de idiomas, e o espanhol não existe. Existem quatro idiomas em Espanha que São o Galego, Castelhano, Catalão e Basco ( ou Euskadi).

    Bem, já todos sabemos que o facto de se ser Presidente da República não é sinal de se ser uma pessoa inteligente.veja se o nosso Cavaco ou o Mário Soares....

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    1. Obrigado, Horatius. :)

      Sim, Espanha tem vários idiomas, todos eles distintos. Claro, o 'espanhol' não existe e sempre me refiro à língua predominante em Espanha como 'castelhano'. Quem usou o termo 'espanhol' foi Sarney; termo esse mais utilizado em alguns países hispanoamericanos, bem mais do que 'castelhano'. No México, por exemplo, usa-se 'espanhol' e não 'castelhano'. Quem diz o México, diz mais países. E internacionalmente usa-se 'spanish'.

      Espanha tem ainda mais línguas. Essas são apenas as mais conhecidas. Há o asturiano, o aragonês, etc, etc. :)

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  8. Tu escreves muitíssimo bem e é sempre um prazer ler-te. Gostei do post e, tal como a Margarida, acho que o devias mandar para o 'El pa'is brasileiro', não tens nada a perder e temos todos a ganhar. Se calhar publicam numa rubrica tipo 'Opinião', nunca se sabe. :)

    Eu adoro Espanha mas nem por isso queria ser espanhol. Como dizia o Pessoa, 'A minha pátria é a língua portuguesa'

    Abraço, Mark.

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    1. Muito obrigado pelas tuas palavras, Arrakis. :)

      um abraço sentido.

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  9. Português que é português fica ofendido por de alguma forma o compararem com os Espanhóis, e de Espanha nem bom vento nem bom casamento! E como eu me considero um português de gema fico bastante chateado por este Senhor sequer pensar que o português é um dialecto Espanhol.

    Quanto a falta de conhecimentos do senhor, devia ter alguma vergonha na cara!

    Abraço Mark! ;-)

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    1. Pegando nas palavras de Herman José, há alguma culpa nossa enquanto povo. Deveríamos ser um nadinha mais arrogantes, chauvinistas, como os espanhóis são. Somos demasiado permissivos. Isso vê-se em relação à língua. Enquanto que em Espanha, em França, no Reino Unido, etc, quem não fala as respectivas línguas nacionais tem de as aprender, até turistas, nós não. Esforçamo-nos por falar a língua do nosso interlocutor. :)

      abraço, Rúben.

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  10. Mark
    não tem nada a ver com o teu texto, mas já que se fala da língua portuguesa, não posso deixar de me indignar com os erros grosseiros que leio em certos blogs de gente nova. Como se pode escrever tão mal...não é só o problema do "há" ou do "à", mas muitos outros.
    Há um blog que eu leio e quase nunca comento, mas que me diverte e o puto até parece ser bom moço na forma como expõe as suas questões pessoais, que é um horror de construção de frases - não acerta uma.
    Não lhe quero chamar a atenção, pois ele poderá levar a mal, mas é uma dor de alma ver a nossa língua tão maltratada...

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    1. Sim, João. O rigor linguístico está em vias de extinção. Vejo pela net inúmeros atentados à língua portuguesa. Entre miúdos, então, é uma desgraça. Reporto-me a adolescentes. Felizmente, perdeu-se aquele hábito inominável de substituir o 'que' por 'k' e semelhantes. :s

      Eu nunca corrijo. Vulgarmente as pessoas ficam ofendidas. Não vale a pena. :)

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  11. Quando li esta descontrução das barbaridades de José Sarney, fiquei verdadeiramente impressionado com os teus dotes. Não é a toa que os que te comentam tecem os mais rasgados elogios à tua escrita. Sem dúvida, não teria ficado nada mal ter lido este texto num "direito de resposta" do El País.

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Um pouco da vossa magia... :)