15 de setembro de 2013

Aulas.


    Amanhã recomeçam as aulas. Contrariamente ao que muitos possam pensar, não gosto particularmente de ir para a faculdade. Gosto de estudar; não gosto de passar horas trancado em anfiteatros / salas. Pudesse ser avaliado em qualquer outro lugar e certamente optaria por esse método.

  As matrículas arrancaram mais tarde devido a sucessivos atrasos no cumprimento. Um número significativo de alunos. Por essa mora, dividiram oficialmente as três prestações trimestrais em nove mensais, uma despesa a mais no encargo de muitos estudantes. Compreendo ambos os lados. A faculdade necessita das propinas para se auto financiar. Estando centenas de milhares de euros por receber, não é difícil deduzir que fiquem numa situação delicada, remetendo-me apenas aos salários. Contudo, não posso deixar de observar que em vários países europeus, recordando-me de momento da Noruega, o ensino superior é totalmente gratuito, incumbência do Estado norueguês e, por cá, do nosso.

    O P. só inicia as suas aulas no final do mês, princípios de Outubro. Este ano, felizmente, conseguiu entrar num instituto politécnico, depois de não ter obtido bons resultados nos exames nacionais do ano passado. Escolheu algo relacionado com... produção agrícola. Não me vejo a plantar batatas e a ordenhar vaquinhas... Enfim, o importante é que goste. Custa-me que tenha de sair de Lisboa. Não percebi bem os motivos, mas disse-me que aqui não há bem o que ele quer. Acho estranho... Num país totalmente centralizado na capital... Ele mora na região metropolitana, todavia, sairá mesmo do distrito, ficando num sensivelmente próximo. Que sorte! A maioria dos estudantes, de variadíssimas partes do país, vem para Lisboa; ele, lisboeta, sai! Assumo que me incomoda que fique longe. Temo que nos afastemos aos poucos. Conheço bem o ditado 'longe da vista, longe do coração' e é bem mais correcto do que à partida possamos imaginar. Além de que o facto de ser carinhoso, educado e gentil torna-o especialmente apetecível a essa cambada de esfomeados que anda por aí. Ele não é dado; é fechado, tímido, à primeira vista antipático, o que me conforta.
    Sair de casa é um desafio. Anda felicíssimo. Saberá se ficou, efectivamente, no dia dezoito. Quero que fique, apesar de tudo. Não estaria bem se tal não ocorresse. Ele tem a sua vida e eu a minha. Uma vez que não temos compromisso algum, o medo que me invade é o de que conheça alguém que se torne tão especial para si quanto eu, ou mais até. São ideias que surgem. Não que pense nelas a todo o instante... Sinto-me bem ao seu lado, realizado; é natural que receie perdê-lo.

    Sexta, à tarde, comprei o material. Velhas manias... Ano lectivo novo, pasta nova, estojo novo, tudo por estrear. Excitação, zero. Já cansa ser estudante, cumprir o que terceiros querem. Creio que ultrapassei esse patamar. Não tenho urgência em acrescentar o drº ao nome; quero, sim, pôr de lado a vida de universitário, etapa que está a ser bem mais monótona do que julgava. Antes descobrisse prazer numas cervejinhas... Vale o estojo que é da O'Neill, preto, com mistura de amarelo, verde e laranja, em riscas, lindo. Lindo e caríssimo. Combina com a pasta verde.

    Só irei na terça. Não tenho paciência para pinguins a humilhar miuditos que acabam de entrar cheios de sonhos. Aquilo deve estar um nojo, como de costume no primeiro dia. Se algum professor leccionar, paciência. Não há crise.

       É... sou um veterano diferente. E ainda bem.

31 comentários:

  1. ai, Mark, não sei se hei-de colocar um pouco da minha magia, como pedes. ordenhar vaquinhas, plantar batatas... há muito mais que isso, se o P. quiser e souber aproveitar as oportunidades. agricultura biológica, vinho, enfim. sei que é muito difícil e é trabalho de sol a sol, mas a agricultura está a renascer, depois de anos de política comunitária que, basicamente, a destruiu.
    de resto, bem, desejo-te um bom início de aulas, apesar desse teu tom cinzento. e aqui vai um cliché: aproveita, daqui a um ano acabas e depois é que começa a doer. :)
    bjs.

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    1. Comunitária e não só. O Prof. Aníbal Cavaco Silva tem grandes responsabilidades.

      Sim, claro, ele tem várias saídas. O importante é que goste. Todas as licenciaturas são válidas.

      Obrigado. :) Não acabo: pretendo continuar. Mestrado, doutoramento... Pois é! Comecei, é até ao fim.

      beijinhos.

      p.s.: Estás gira na foto. :)

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    2. XD foi ontem, o sobrinho fez 2 anos. puro acaso a foto ficar boazinha. o original está no fb. obrigada.
      sim, o senhor silva tem muitas culpas, mas muito por causa da política europeia de então.
      bjs.

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    3. Vou já ver em tamanho e cor reais. :)

      União Europeia, senhor Silva = LIXO!

      beijinhos.

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  2. Mon p'tit ami (permite-me o ami lol),

    Afasta essas pequenas nuvens que nada fazem no céu cerúleo (olha o bem que estive agora!). É terrível viver com uma dúvida, por mínima que seja, ou incertezas...
    Quanto às aulas, vai passar num instante. Quando deres por ti estás a matricular-te no mestrado. :) Dura vita, sed vita... :)

    Abraço!

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    1. Permito, claro. :)

      Oh, 'cerúleo', que bem estiveste! LOL :D

      Dúvidas, dúvidas... tenho dúvidas a cada momento. Vê lá ainda hoje ponho em causa o curso.

      Passa depressa e passa por cima de mim, salvo seja. Aquilo dá imensas dores de cabeça. Melhor fora plantar batatas! LOL

      Ahah, boa adaptação. xD

      abraço.

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  3. Ai... Produção agrícola *.*
    Eu já disse que curto buéés o teu namorado?

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    1. Se conhecesses 'o meu namorado', pessoalmente, ainda gostarias mais. É um doce de pessoa, por acaso. :)

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  4. Ele escolheu o que gosta e só isso já é bom; se todos gostasem do mesmo seria uma desgraça e mais vale ser feliz a plantar batatas e tratar de animais do que agarrado a um canudo que te faz ir para o desemprego ou emigrar.
    Quanto ao teu receio de que as coisas esfriem com a distância, olha para o meu exemplo, Mark...
    Olha que até podem solidificar e essa pontinha de ciúme que reflectes no teu texto é sinal inequívoco de que algo mais que uma simples amizade está a nascer entre vós.
    Quanto ao teu pouco entusiasmo com o novo ano lectivo, é normal; estás a finalizar o curso, não há grandes novidades e quer tu queiras quer não um certo afastamento apenas real do P. também ajuda a esse pouco entusiasmo.
    Quanto às praxes, abomino essa coisa.

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    1. Ai, credo, espero não ir para o desemprego. Emigrar, enfim, tendo em conta o país que me tocou em sorte, seria (será?) uma bênção! LOL Claro, João, fui acutilante na observação. Nada contra o curso que ele escolheu. :)

      Bom, não gostaria especialmente de o ver agarrado a outro...

      O teu exemplo é um caso diferente, amigo. Vocês são dois homens adultos, têm uma relação estável, sabem o que querem... Nós ainda nos andamos a descobrir.

      Praxes... deveriam ser proibidas em qualquer estabelecimento de ensino. Na rua, faz quem quer. Os maiores de idade que se entendam. Eu fui 'caloiro' e não me deixei praxar. Jamais. Assisti, como relatei, em Setembro de 2010, aqui no blogue. Hoje, nem isso.

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  5. A possível saída de Lisboa, num futuro, pode não acontecer. Não penses nisso. Eu tirei um curso ligado à Produção agrícola e trabalho na grande Lisboa para uma das maiores empresas nacionais. Relaxa.

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    1. Não me referia ao futuro. Isso nem me passou pela cabeça. Refiro-me a estes anos em que estará a estudar fora de Lisboa. :|

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  6. Bem, um post com tantas coisas para comentar... Cá vai:

    1. Aconteceu-me no segundo ano de faculdade chegar ao final do segundo semestre sem termos as matriculas validadas. Conclusão: os profs. não conseguiam lançar notas... Já quanto às propinas, no meu tempo ja se pagavam tranches de 100€ mensais.

    2. Quanto à escolha dele por "produção agrícola", como disse o João Roque, o importante é que ele faça algo que goste. Seriamos um país de menos "mal-dizentes" se fossemos felizes a fazer o que gostamos...

    3. No comentáriodo alexandre já aceitas-te, ainda que "entre aspas" o termo namorado. E como referiu, e bem, o João Roque, parece que há aí algo mais que uma amizade. Mas como já disse muitas vezes, o que importa é o que sentes por ele, e não o nome que dás a esse sentimento.

    4. Quanto às praxes, eu sou "o homem da praxe". Mas há limites, e há quem abuse. Creio que não faz mal nenhum incentivar e incrementar a defesa do curso/ escola, e fazer uma rivalidade saudável com os outros cursos/escolas, nomeadamente com músicas e palavras de ordem. Tudo o que mete outras coisas, nomeadamente com a exploração de certos limites dos caloiros, já não concordo...

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    1. Horatius, na minha faculdade é novidade. As propinas eram pagas em três vezes, de três em três meses, até quase ao final do ano lectivo. Esta modalidade mensal foi imposta agora. Não por mim, como calculas. Sei que dificultará a vida de muitos alunos.

      Claro, ele faz muito bem em seguir o que gosta. Eu não faço o que gosto, por acaso. Talvez por isso diga mal do país. LOL

      Eu aceitei a brincar o que o Alex disse. Daí as aspas. Podemos parecer e, admito, agir como tal em certas ocasiões, mas não somos. :) Se me perguntares se gosto dele, dir-te-ei sinceramente que não sei. Não sei se é amor. É carinho e vontade de estar junto, muito sinceramente.

      Não tenho nada contra a rivalidade entre escolas, nem contra os cânticos. Não gosto; respeito. Há abusos. Todos o sabem. E mesmo que não houvesse: não vejo a piada em dar ordens a quem entra na faculdade pela primeira vez. Não vejo qualquer tipo de integração em espetar com ovos e farinha no rosto / corpo de alguém, pedindo para fazer de touro, de burro, com plaquinhas ridículas ao pescoço. É rude, é arcaico, é meio selvagem. Estamos no patamar do 'soft'. Há 'hard', há, e muito 'hard'!

      abraço.

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  7. um bom ano :) as vezes faz bem passar por essa experiencia sair de casa.. tenho pena de nao o ter feito.. so terei a oportunidade daqui a 4 meses e só será por 2 meses em principio

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    1. Obrigado. :)

      Sim, dizem que viver sozinho ajuda a crescer.

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  8. Art. 1º - Comentários

    a) Eu também não gosto muito de estar fechado. Um dia começarás a trabalhar e recordarás os bons momentos que passaste fechado num anfiteatro. Pelo menos no momento sabes que sais ao fim de 50 minutos.
    b) As 9 prestações são mais fáceis de pagar do que em três vezes. A não ser que a soma seja superior.
    c) Produção agrícola não se limita à plantação de batatas e ordenha de vacas. É uma área muito interessante e confesso que deveria ter seguido nessa área quando escolhi o futuro (como se fosse possível escolher o futuro aos 15 anos).
    d) Acho que faz bem a um lisboeta sair da metrópole para se aventurar pelo Portugal profundo que é o resto do país. Se foi para o Alentejo melhor ainda. Ainda irás visitar a Ovibeja e apreciar aqueles cãezinhos peludos (ovelhas).
    e) A distância é uma boa prova de fogo para o coração. Vê o caso do nosso amigo João Roque. Tudo o que for realmente verdadeiro ficará.
    f) Esse estojo Arco-Íris... ui.
    g) Eu gostei de ser "pinguim" mas confesso que me diverti muito mais no meu primeiro ano. A partir do segundo as regras são tantas que os mais praxados são mesmo os "pinguins".

    Art. 2º - Resumo

    Adorei este texto. Notam-se grandes diferenças escritas nas entrelinhas.

    Art. 3º - Entrada em vigor

    Este comentário entra em vigor com a aprovação do administrador do blogue.

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    1. Estás quase um especialista em redacção de leis...

      Pois é, mas não penses tu que estou contemplativamente no anfiteatro. Não se trata de trabalho físico, é certo, mas é desgastante, tanto ou mais do que passar o dia a 'trabalhar'.

      Não é bem assim. Podes ter trezentos euros em Novembro e não ter cem em Outubro. E agora?

      Eu sei que 'produção agrícola' não é ordenhar vaquinhas e plantar batatas. Pela MILÉSIMA VEZ, eu sei! LOL Fui acutilante, brincalhão. Please...

      Ele não vai para o 'Portugal profundo'. Vai para um distrito limítrofe a Lisboa.

      Concordo com essa alínea e).

      O traje é uma mera indumentária. É bonito? Sim, é. Também gosto. :)


      Já entrou em vigor. Lol

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    2. Ah, esqueci-me de acrescentar: o estojo NÃO É 'arco-íris'. É preto por inteiro, com um pouco de amarelo, verde e laranja. ^^

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    3. Referi-me às cores das canetas. :D

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  9. Senti muito desânimo nas tuas palavras :/
    Não há longe nem distante. Se vocês nestas semanas ou meses, desde que se conheceram, já consolidaram alguma coisa, e se há vontade dos dois lados, não será esse distanciamento que vos irá afastar.
    E é natural que o P. tenha escolhido um curso que gosta, numa área que tinha mais facilidade de aceso, e que esteja fora de Lisboa o curso que ele achou melhor. Meu amigo Mark, Portugal já não é só Lisboa, e até me ocorrem duas ou três cidades perto da capital que tenham bons cursos na área que ele escolheu.
    Pensa na sorte que tiveram em se encontrar e que o que se avizinha é um desafio que vais superar :)
    Abraço

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    1. Um bocadinho, sad, admito. Temo, sobretudo, pela nossa inexperiência e imaturidade. :|

      Sim, para a área que pretende, o estabelecimento de ensino escolhido adequa-se, segundo ele, aos seus anseios. Acho que ele faz muito bem em correr atrás da sua concretização profissional. :) Provavelmente uma dessas cidades que te ocorrem é a que ele escolheu. :D

      E que desafio...

      abraço. :)

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  10. Bom regresso às aulas, e tudo irá correr bem :)

    Abraço amigo

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  11. r: acredita que agora a minha vontade de o espancar é bem maior que outra coisa qualquer.

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  12. A distância umas vezes afasta, outras aproxima. Espero que no vosso caso, vos aproxime ainda mais. Adoro a ideia da 'produção agrícola', é muito trabalhosa mas também um desafio muito interessante e pertinente nos dias que correm. E romântico também XD
    Espero que vos corra tudo bem aos dois. :)
    Bom regresso à faculdade Mark.
    Abraço.

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    1. Vendo bem por esse prima, de facto tem o seu 'quê' de romantismo, além de ser interessante nos nossos dias, como tão bem disseste... :)

      Obrigado pelos votos, Arrakis, e um abraço! :)

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  13. Não te preocupes com a distância. A verdadeira amizade é mais forte do que ela, por maior que seja!
    Abraço

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    1. Tens imensa razão. :) Insegurança minha...

      abraço.

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Um pouco da vossa magia... :)