6 de abril de 2013

Noites Polinésias.


     A mãe e o pai sempre tiveram uma vida social dinâmica, antes de se conhecerem e após. Não raras vezes ficava com os avós ou com uma ou outra amiga da mãe que também tinha filhos pequenos, brincando com eles até à hora de dormir. Em algumas dessas situações, quando a saudade apertava, os pais ainda passavam de carro pela madrugada para me irem buscar. Ensonado, recolhiam-me no seu colo. Quando acordava, podia ver a mãe, de mini-saia e saltos pretos, altíssimos, elegantemente vestida. Ao sentir-me desperto, afagava-me o cabelo, afastando a franja dos olhos.




    Quando cresci mais um pouco, aos sábados, depois do jantar, a mãe e o pai levavam-me a dois bares simpáticos onde deixavam entrar crianças, na Avenida Almirante Reis, o Tangaroa Bar e o Bora-Bora. São bares decorados com artigos que nos remetem à Polinésia e ao Hawaii. As paredes tinham máscaras tribais expostas, engraçadas, e a luz criava uma atmosfera intensa. Adorava a fonte, à entrada de um deles, e as bebidas fumegantes, servidas em recipientes exóticos e de nomes curiosos, que sempre me deixavam intrigado. Vendo agora à distância dos anos, era a única criança lá dentro, mas esse detalhe ainda tornava tudo mais interessante. Tratando-se de bares, o ambiente era intimista, propício ao namoro, e muito sossegado. Eu andava para trás e para a frente, subindo e descendo a escadaria e recolhendo as bases dos copos das bebidas. Claro que também tinha direito à minha "bebida fumegante" sem álcool. Era a parte mais divertida.




     Aquelas saídas, totalmente inusitadas em crianças de sete, oito anos, fazem-me ter a noção de que fui das pessoas mais precoces no que toca à vida nocturna, aquela que hoje tanto me é indiferente. Confesso que tenho saudades daquelas noites que se deixaram perder com os anos. Tampouco sei se aqueles bares se mantêm abertos, contudo, creio que sim pelo que pesquisei. Terei de passar por lá num destes dias para reavivar as memórias.

33 comentários:

  1. ui, Mark, que bares tão kitsch, tão demodé, têm tantos anos, sempre os mesmos, pronto, eu tinha que dizer isto, fui lá muitas vezes, tanto a um como a outro, também gostava, claro, ainda mais porque ficavam relativamente perto de casa (eu morei na mouraria alguns anos). eu preferi sempre os bares mais intimistas e calmos às discotecas, porque tenho um bocado aversão a multidões a pular à minha volta e a fumos e música a altos berros.
    a rua da madalena, apesar de alguns pédios feios, está a remodelar-se e a ter mais gente a viver por lá. isso é muito bom.
    bjs.
    ps. estão abertos.

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    1. Ahahah :D Sabes, eu era pequeno e gostava imenso de ir lá. Não tinha a menor noção de que eram muito antigos (segundo li, o Bora-Bora é de 1982!). Aquilo eram as saídas à noite e eu sentia-me um homenzinho. :P

      Eu gosto imenso de ambientes sossegados. Tenho fobia a barulho, a movimentações e a tudo o que referiste, daí ter fugido sempre dos lugares que os meus amigos e colegas frequentam (quando ia era um suplício!).

      Estão abertos? Óptimo! Um dia vamos lá os dois reviver o passado. :D

      beijinhos, querida.

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    2. -prédios.
      aditamento: já lá não vou há uns anos, prefiro os bares desta banda. a última vez fui ao boa-bora da almirante reis, saímos às 2 da matina e de seguida fomos comer bolas de berlim a uma padaria aí perto aberta toda a noite com bolos sempre frescos :)
      quando quiseres reavivar as memórias, apita ;)

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    3. Que programa maravilhoso: Bora-Bora até às duas da manhã e depois bolas de berlim fresquinhas! *.*

      Temos de combinar! :)

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  2. Desconhecia completamente a existência desses dois bares.
    Eu gostava muito de frequentar o "Procópio", ali perto do Jardim das Amoreiras". Era e suponho que ainda é, lindo!

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    1. Não conheço esse. :)

      Estes são giros e, pelos vistos, marcaram várias gerações. :)

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  3. Conheço perfeitamente, foram dois bares que eu frequentei quando era novo lololololololol

    Nostálgia pura

    Abraço amigo

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    1. Ahahah :D Ainda és um homem novo. :)

      abraço.

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  4. eu acho que isso também me aconteceu em parte, quando era mais novo a minha irmã adorava levar-me para bares, mas eu nunca gostava... e ainda hoje é assim, só vou de quando em quando, mas não é vida para mim x)

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  5. o que interessa é que são boas recordações e de certa forma te permitiram crescer mais precocemente. Um abração grande
    Miguel

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    1. Eu sou muito imaturo ainda. :P ahah

      abraço grande.

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  6. Mark, da mesma forma, eu também cresci acompanhano meus pais nas suas agitadas vidas sociais. Acho que identificaste um ponto muito interessante, isso nos deixa precoces de alguma forma. Acho que nossa mente começa a funcionar diferente em alguns aspectos. Não acha?
    Talvez por isso eu tenha me tornado uma pessoa mais observadora, pois acho que capto muita coisa no ar no que tange comportamento das pessoas. Acho que pode ser herança dessas noitadas de infância... hehe

    Grande abraço!

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    1. É provável, Chico. Eu sou perspicaz desde pequenino, irrequieto sem ser desordeiro e agitado. Sempre fui muito, digamos, "espertinho". Andava pelo bar, no meu mundo, falando sozinho com os meus amigos imaginários. Tenho saudades sobretudo do "véu de inocência" que me cobria, ao qual já aludi aqui no blogue...

      abraço grande.

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  7. Os meus pais tiveram uma atitude completamente diferente da dos teus. E o resultado foi curiosamente o mesmo.

    A primeira vez que saí à noite foi aos 18 anos, quando fui para a faculdade. Eles nunca me tinham deixado sair à noite. Acho que criei uma expectativa de tal modo alta, que as minhas perspectivas saíram completamente furadas. Consequência: na faculdade saía pouquíssimo,e pós-faculdade praticamente não saio à noite. Sinceramente, aquilo n me diz nada...

    Grande Abraço :)

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    1. As saída universitárias, nocturnas, também não me dizem nada. São ambientes nada interessantes, pelo menos para mim. Por exemplo, há uma festa na minha faculdade chamada "festa da cerveja" que, segundo soube, é bebedeiras de cair, cerveja entornada por todo o lado, etc. No dia seguinte, o cheiro que paira no ar é insuportável, de facto. :s

      Os pais sempre foram muito liberais. São pessoas abertas para o mundo. Tenho mais sorte do que aquela que poderia julgar. :)

      abraço grande.

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  8. É uma experiência absolutamente diversa da minha.
    Muito interessante. Gostei de ler.

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    1. É o que digo, comecei precocemente. :D

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  9. Não conhecia a existência, nunca ouvi falar... mas adorei o relato.
    Como sempre deixei-me transportar e 'vi' o que escreveste.
    Abraço

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    1. Pelos vistos são bares muito conhecidos na capital. :)

      abraço.

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  10. Curioso... tb minha infância teve episódios semelhantes. E de bares/cafés continuo a gostar, desde que calmos e intimistas.
    Abraço

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    1. Eu também gosto imenso de bares calmos onde se possa estar tranquilamente, sem sobressaltos. :D

      abraço.

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  11. nota-se que és alguém da capital. a tua família já gostava de saídas e tal.
    as minhas saídas com os meus pais era para ir à tasca, a minha mãe ficava no paleio com amigas e o meu pai a jogar à sueca.
    eu sei, inveja-me!! :P

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    1. Bom, na realidade eu creio que depende mais das pessoas do que propriamente das suas origens. Os meus pais sempre foram muito liberais, abertos para o mundo e, sobretudo, diferentes para melhor. :)

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    2. mas as origens não é tudo mas influenciam no que as pessoas são. Caso os meus pais crescessem em lisboa, certamente também teriam gostos diferentes dos que têm por terem crescido e vivido sempre em terrinhas pequenas. :)

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    3. Certamente, mas mantenho o que disse: tudo depende das pessoas. Claro que nascer e viver em Lisboa dá uma outra experiência de vida, o que não é necessariamente bom.

      :)

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  12. A minha mãe também me levou a sair à noite bastante cedo, mas não tanto, devia ter 13 anos ou coisa assim. Lembro-me que me senti importantíssimo lol XD
    Conheço o Bora Bora, fui lá uma vez e tem uma decoração arrepiante XD mas para um puto admito que possa ser fascinante :)
    Abraço Mark

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    1. Bem, a tua mãe também era bastante avançada para a época. :D Acredito que no teu tempo ainda fosse mais invulgar. :)

      Pois, deve ser uma decoração dos anos 80. xD

      abraço.

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  13. Já ouvi falar e amigos meus já foram e adoraram. Uma falha no meu percurso nocturno! :P

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Um pouco da vossa magia... :)