23 de fevereiro de 2013

Segundo semestre.


   As aulas recomeçaram na segunda-feira, embora tivesse faltado nos dois primeiros dias. Assumi que os merecia, depois da complicada e cansativa época de frequências e orais. Relativizei a matéria que poderia ser leccionada - e foi - e baldei-me, situação inédita, sem culpas nem remorsos. Aos poucos, a faculdade vai deixando o lugar de segunda casa para rivalizar com a primeira, ocupando cada segundo da vida de muitas almas por ali, sobretudo agora em que se antevê o fim, relativamente.

   Terei alguns professores-assistentes novos, no seguimento, também, de algumas disciplinas diferentes. A vontade e a garra presentes no primeiro ano deram lugar ao marasmo. Assistir a determinadas aulas plenárias chega a ser um castigo, culpa de professores que tornam aquelas horas demasiadamente enfadonhas e pouco estimulantes. Alguns limitam-se, como sucedeu no semestre passado, a ler em voz alta os parágrafos dos seus manuais académicos, retirando qualquer utilidade às aulas em si, que deveriam ser dinâmicas. Se compramos os livros e se, à partida, sabemos ler, é um convite explícito à quebra da assiduidade. Faltar torna-se a única solução.

   Uma colega convidou-me para uma festa que a faculdade irá organizar, provavelmente regada a álcool e devaneios. Pondero aceitar - e o insólito não deixa de me surpreender. Como sou abstémio e não me sinto bem naqueles ambientes, tenho evitado frequentar as inúmeras actividades estudantis que por lá se realizam, mas desta vez estou convicto em ir. A companhia até é agradável.

    Tenho aprendido que só há lugar a arrependimentos quando deixamos algo por fazer. Se o fizermos e não tiver sido do nosso agrado, resta-nos o lamento cru. A curiosidade fica preenchida e revelamos alguma astúcia. Em todo o caso, mantemos a nossa personalidade em qualquer ocasião ou lugar, assim a tenhamos.

      Urge viver.

26 comentários:

  1. Adorei esse convite para uma festa.

    Ai que eu saiba que não foste, haverá "sermão e missa cantada".

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    1. LOL

      Ainda não decidi, mas em princípio irei. :)

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  2. belo texto Mark!
    Aproveita a vida (:

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    1. Tenho aproveitado pouco, comparativamente a amigos & colegas. Não os invejo, apesar de sentir a necessidade de viver algo novo. :)

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  3. Nem mais, e se gostares... Amanhã poderás repetir :)

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  4. gostei muito do último parágrafo. não és obrigado a beber, se bem que a força dos pares é difícil de ultrapassar. todavia, não é impossível e tens a cabeça no lugar.
    céus, como me lembro da faculdade. eu tinha um professor que podia dar a aula de uma maneira tão boa, que o tema prestava-se, mas era tão monocórdico, sentava-se e olhava para os acetatos e debitava.
    nem toda a gente tem queda para ser professor, ainda mais na faculdade. tenho colegas de trabalho que dão umas aulas na faculdade, uma ainda me tentou convencer, mas nunca aceitei. não tenho bases pedagógicas para tal e basicamente, uns cursos não habilitam ninguém a dar aulas no superior, por muito que digam o contrário.
    bjs e diverte-te.

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    1. O beber álcool está completamente fora de questão. Isso nem me preocupa. Jamais me deixei influenciar em qualquer circunstância. :) Apenas receio não gostar nada do ambiente, conhecidos que são os excessos nas "festas" universitárias... :s

      Os professores fazem as aulas, é um facto. E, acredita, um bom professor é decisivo no desempenho dos alunos. Tenho uma disciplina que é considerada o "cadeirão", mas que é das mais acessíveis neste ano lectivo devido à professora que a dá. Em contrapartida, noutra cadeira, à priori fácil, a equipa de professores torna-a num suplício. E etc, etc, etc.

      Engraçado, ultimamente têm me sugerido dar explicações a alunos do Ensino Secundário. Lol Sempre que o ouço, rio-me. As intenções são boas, contudo, eu considero que não tenho a menor vocação para explicar, ajudar ou ensinar seja quem for, situação que duvide que se altere quando estiver licenciado. São aptidões: ou as temos, ou não. :D


      beijinho e obrigado.

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  5. Mark, é isso aí! Antes se arrepender de ter feito algo do que se arrepender de não ter tentado.
    Bonitas palavras. Urge viver. Sempre.

    Grande abraço!

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  6. Bem Mark, nos meus tempos de faculdade dizia-se uma coisa (e desculpa a brejeirice!): "Quem nunca bebeu, vai beber; quem nunca fumou, vai fumar; quem nunca f****, vai f****; e quem não o fizer durante a faculdade, nunca o fará pelo resto da vida."

    Bem, eu fiz as três durante esse período... lol
    E é o tempo das maiores "loucuras", posso dizer que fumei ao longo de toda a minha vida académica uns 10 cigarros. Foi algo que fiz e ficou nesse período. Foi a minha "loucura".
    Por acaso nunca me baldei, por uma questão de princípio apenas. Mas compreendo que o faças em determinadas aulas... Eu as vezes também tinha vontade, mas consegui sempre resistir... LOL

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    1. LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL, adorei! xD Maravilhoso! :'D

      A vida de estudante universitário é um tempo de descobertas, de pequenas, digamos, "revoluções pessoais". Mas eu não sinto esse apelo de fazer loucuras, de ousar por aí além, de experimentar coisas que me fariam mal, inclusivamente. Eu sei que não seria mais feliz fumando, bebendo álcool, entregando-me ao primeiro que aparecesse. Há muitos/as que o fazem por lá, sem dúvida, mas essa personagem não seria Eu.

      O "baldar" nem chegou a ser um verdadeiro absentismo. Praticamente não saí da faculdade devido às orais, enquanto há pessoas que terminam as frequências e só põem novamente os pés lá quando as aulas recomeçam. Foram dois diazitos merecidos, hein! :p

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  7. Faltar às aulas, ir às festas universitários... Quanta mudança, Mark.
    Ás vezes é bom sairmos da nossa zona de conforto e ter novas experiências, mesmo que te mantenhas fiel aos teus valores.

    Como dizia o outro, "Carpe Diem".

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    1. É verdade, tenho mudado. O curioso é que a mudança também é perceptível desse lado. :) Creio que esgotei o que me rodeia, procurando a novidade.

      Obrigado, Lobo.

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  8. A tua "evolução" encanta-me e ao mesmo tempo deixa-me muito feliz, fruto daquilo que considero ser uma boa Amizade, mesmo que apenas virtual.
    A transgressão (faltar às aulas), quando não prejudicial, como é o caso e o início de "actividades extra-curricalares", são sinais de uma maturidade em crescimento e de uma aproximação a comportamentos humanos muito comuns, que são absolutamente fundamentais para enfrentares o futuro.

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    1. Obrigado pelas tuas palavras, João. Também te estimo, é absolutamente recíproco.

      Ainda estou a desvendar o mundo, talvez tardiamente, quem sabe... Está a ser interessante. Que me lembre, nunca havia "transgredido" nada. :D

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  9. O segredo está no equilíbrio. Tudo tem o seu lugar e o divertimento também. Em doses certas, dá saúde e faz crescer. :)
    Abraço.

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  10. Infelizmente cria-se a ideia errada que temos que fazer todos o mesmo. Mas não temos. Podes ir às festas e não beber ou beber à tua medida. Mas será bom saíres com os teus colegas de faculdade e divertires-te. Faz parte da vida :)
    Abraço

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    1. Não somos cópias. Cada um de nós é distinto e único, irrepetível. :)

      Eu já saí com colegas, várias vezes, mas nunca para festas. É a novidade total. :)

      abraço.

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  11. Boa sorte! Espero que tire excelentes notas no segundo semestre! :)

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Um pouco da vossa magia... :)