19 de dezembro de 2012

Dear Santa Claus.


Lisboa, 19 de Dezembro de 2012


Querido Pai Natal,


Em primeiro lugar, como estás desde o ano passado? Redimo-me da falta de atenção, pois geralmente, a esta altura, a carta com os pedidos e os desabafos já foi enviada há muito. Contudo, tenho motivos aos quais, de certeza, não ficarás indiferente.
Em primeiro lugar, a faculdade tem me ocupado o tempo "quase" todo, deixando-me totalmente absorto com as expectativas que depositam em mim. Não lastimo o trabalho, as horas mal dormidas, o cansaço; pelo contrário, sinto-me gratificado quando ouço os elogios por parte dos professores. No que à faculdade concerne, sinto-me totalmente realizado. Em todo o caso, visto que estás em permanente contacto com Deus, agradece-Lhe a inspiração que me deu.
Depois, por vezes temo que me tomes como um jovem-adulto imaturo que nada mais tem a fazer. Quando os homens crescem e perdem os sonhos, deixam os velhos hábitos para trás. São tomados por uma necessidade quase imperativa de manter a seriedade a todo o custo. Ora, essa postura rectilínea e madura é incompatível até com as pequenas brincadeiras de crianças, onde se inclui a crença em ti. Comigo ocorreu o inverso. Negligenciava a tua existência em pequeno - sabendo de antemão que era a mãe e o pai que me compravam os presentes - passando a escrever-te já numa idade considerável. Assim, após a divertida tarde em que erguia e decorava a árvore, pegava numa pequena folha e materializava o impulso nervoso que seguia a ordem das minhas emoções.

A rotina substituiu a ingenuidade e os pedidos deram lugar a uma carta em tom de psicanálise. Uma catarse de sentimentos mistos. O instinto de rever o ano que passou, desejando implicitamente algo de bom para o que se avizinha, mas sempre mantendo o discernimento. Se todas as cartas de amor são ridículas, o que será uma carta ao Pai Natal na minha idade?

Nada mais quero que não seja uma Consoada de paz. Posso, em todo o caso, olhar para a chaminé esperando que desças e me tragas algo que não espere, infringindo as regras do jogo. Não disponho meias pela lareira da avó e, provavelmente, não teriam o tamanho suficiente para o que, porventura, deixasses por lá. Se passares pelo meu quarto, abrires a porta e sentires os batimentos cardíacos acelerados, não me faças sentir a tua presença. As noites têm o dom de tornar as dores mais insuportáveis e as ausências de um presente que não se admite podem ser fatais. Aguarda que o amanhecer seja a tua carícia sobre o meu rosto. Prometo não ficar zangado contigo.


lots of love,

                                                                                              Mark

16 comentários:

  1. Bem ao teu estilo.
    As cartas dos adultos ao Pai Natal não são ridículas; por vezes são imperiosas, como tu dizes para fazermos uma introspecção à nossa vida.
    O "Menino Jesus" decerto te dará em breve o presente que anseias.
    Um Bom Natal para ti e para os que te são queridos.

    ResponderEliminar
  2. Muito bom texto. Gostei muito.

    ResponderEliminar
  3. Cartas de amor e ao pai natal, quem não as escreveu?!

    Abraço :3

    ResponderEliminar
  4. feliz natal, querido Mark, que os teus desejos se realizem, se não a curto prazo, ao longo da vida, e que sejas sempre agradavelmente surpreendido.
    bjs.

    ResponderEliminar
  5. Obrigado a todos pelas palavras e um feliz Natal. :)


    lots of love :3

    ResponderEliminar
  6. Presentes "desses" não vêm pela chaminé. Entram pela porta de casa, após abrirem as portas do coração.

    Eu que nunca escrevi a essa personagem do capitalismo americano, às vezes sinto um pouco de vontade de o fazer. Talvez porque assim me obrigue a treinar a minha feia escrita manual.

    Abraço e Bom Natal.


    PS: não te esqueças de embrulhar presentes (para mim é uma das actividades mais instrutivas da época).

    ResponderEliminar
  7. Pois bem, escreve-lhe. Ao contrário do que se pensa, não escuta apenas as crianças. :)

    Bom Natal e abraço :3


    p.s.: Oh, no El Corte Inglés embrulham-nos os presentes! xD E têm embrulhos muito interessantes e esteticamente aprazíveis. :)

    ResponderEliminar
  8. As cartas de amor são ridículas mas não deixam de ser maravilhosas.
    Cá por casa ainda se escrevem cartas ao Pai Natal, e ainda bem que há crianças para manter a magia do Natal (e muito pouco materialista).
    Abc

    ResponderEliminar
  9. sad: Sim... ao menos que se mantenha essa magia desinteressada. :) Eu também vejo isso nos primos pequeninos.

    abraço :3

    ResponderEliminar
  10. “When I became a man I put away childish things, including the fear of childishness and the desire to be very grown up.” C.S. Lewis

    É bom crescer e, no entanto, não perder nunca a criança que existe em nós.

    Abraço Mark e Bom Natal!

    ResponderEliminar
  11. Arrakis: Grande afirmação / constatação... :|

    Eu tento sempre manter um pouco daquela ingenuidade!

    Feliz Natal para ti também - e para o sad - e abraço :3

    ResponderEliminar
  12. Lindo texto,Mark. É bonito você mantar essa ingenuidade de criança em si mesmo. Acho fofo!

    Nunca mude o seu jeito de ser, as pessoas gostam de gente assim. Melhor do que adultos chatos e negativos que só veem cinzas por onde passam.Você gosta de colorir. Isso é muito bacana.

    ResponderEliminar
  13. Citizen: Obrigado! :')


    lots of love :3

    ResponderEliminar
  14. Espero que te tornes um homem crescido, mas que não percas os sonhos!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sabes, eu cresci, mas, apesar disso, mantenho muita ingenuidade. :)

      Eliminar

Um pouco da vossa magia... :)