27 de dezembro de 2012

Ao cair do pano.


   Aguardando por um afago na madrugada, olhando insistentemente para o relógio-despertador antigo, visível pelo luar. Os ponteiros correspondem à ansiedade e movimentam-se com pesar. Discernir entre o amor e a dependência não é fácil, apesar disso, exige-se que os sentidos mantenham o alerta. Quem diria que aqui terminaria mais um dia, quente, contrariando a norma?

   Observando de longe, olhar baixo, vontade que impele e força a cabeça a erguer-se de novo. Impossível encontrar uma palavra que defina com exactidão o que se sente.
   De certa forma, aconteceu. A incredulidade precedeu as sensações outrora boas, ocas, que ficam, quando os minutos se extinguem e ele vai. Aprendera a viver degustando as migalhas que alguns deixaram para trás. Com elas, alimentou-se um coração sedento de amar, conformado, vive assim.

   Irónico como a chuva que cai depois de um anúncio formal do céu límpido, o encontro dos corpos que se repelem, investidos pela vergonha e pelo asco, o prazer inebria.
  A verdade, clara, diante de ambos, enjeitada. A coragem que cai perante um sussurro, exalado, palavras que se dizem ao desbarato.

   A esperança que vive de sobras, deixá-la fraquejar por entre o desejo e o sonho.
   Enquanto houver noite, a janela manter-se-á aberta. A peça ainda não terminou.





12 comentários:

  1. Será alguma analogia?! Adorei este teu texto

    :3

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    1. Um pouco de ambos. Na verdade, alguém que vive numa ilusão, bastando-lhe pouco.

      Obrigado. :3

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  2. tb eu, a música é maravilhosa e é uma bela, embora triste, história de amor esta que escreveste.
    bjs, Mark, e um bom ano de 2013.

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    1. Obrigado, querida!

      Não conhecia a música até há algum tempo. Descobri-a num álbum da mãe, antigo. Uma colectânea. Parece que foi um sucesso no início dos 90.

      Votos de um excelente 2013 para ti e beijinho :3

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  3. A peça só terminará, quando quisermos. Porque as migalhas não irão servir para sempre. Tudo o que é ilusório acaba. Mais tarde ou mais cedo.

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    1. Por a peça não ter terminado é que se mantém a esperança. Ela, que vive de pouco...


      :3

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  4. Sintonia perfeita entre a música que escolheu e sua história. Gostei muito, saiba disso!

    Abraços

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  5. Essa música é linda! e você refletiu bem o que ela quer dizer através dos seus escritos. Parabéns!

    Se cuida,Mark! :)

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Um pouco da vossa magia... :)