19 de outubro de 2012

A rainy day.


   Sempre que digo a alguém que a chuva me incomoda, sobretudo quando estou carregado de livros, sou confrontado com os argumentos óbvios de que a chuva é necessária para a agricultura, para o equilíbrio do nosso ambiente, dos nossos ecossistemas... Acabo por anuir e por explicar, enfim, que até aprecio a chuva quando estou de férias, em casa, ou nos finais de semana, nos quais a posso observar sem sofrer os seus efeitos lógicos: molhar-me e, mal dos males, molhar os meus livros.

   Contudo, o que me aconteceu há uns dias irritou-me solenemente. A mãe não me pôde levar e estava suficientemente atrasado para não pegar nas chaves do carro. Resolvi sair de casa e assumir o perigo de transportar três códigos, a pasta com as folhas dos apontamentos, o estojo, e demais pertences pessoais. Cinco minutos a caminhar depois, um código resvala e a restante tralha resolve acompanhá-lo na súbita queda. O detalhe da sorte: caiu tudo a uns escassos centímetros de uma poça enlameada.

    Como detesto guarda-chuvas, e aproveitando o facto de não estar a chover no momento, saí de casa desprotegido. Começa a chover. Sou obrigado a andar em passo acelerado, ainda mal recomposto do incidente minutos antes, e sem ter verificado se algum objecto estava estragado. Cheguei ao metro ligeiramente molhado. Inexplicavelmente, não levei nenhum dos meus casacos com capuz. --'
   Pude ajeitar o cabelo e a roupa no meu reflexo exposto nos painéis de publicidade. Finalmente encontrei uma utilidade prática para aquelas enormidades inestéticas que nos bombardeiam com produtos, artigos e serviços a que ninguém presta atenção.


   Creio que nunca abordei uma das minhas manias: preservar ao máximo as coisas, sejam quais forem. Um livro, uma peça de roupa, um electrodoméstico. Não consigo ver riscos e até os sinais próprios da deterioração natural imposta pelo uso me perturbam. Facilmente se conclui de que estava bastante incomodado com a hipótese credível de ver a pasta inutilizada (pelo menos à luz dos meus critérios) e os livros molhados, com páginas rasgadas e manchadas de terra humedecida. Exceptuando umas marcas pontuais, o resultado final não foi dos piores cenários que conjecturei.

   Rezei para que à saída não caísse a menor gota do céu. Fizeram-me a vontade.

19 comentários:

  1. Isso é chato, Mark :s Mas pensa o seguinte: tem muita gente que daria tudo por uma chuvinha por esse mundo. Olha aqui na minha região está tudo seco. Estamos rezando por chuva, rs :)

    Abraços!

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  2. Compreendo-te perfeitamente, também detesto andar com guarda-chuva.

    Que sorte que caíram a uns centímetros de uma poça de lama, se acertassem no "alvo"... terias códigos com capas novas. lol

    Se bem que alguns códigos andam mesmo pela lama...

    PS: sol na eira e chuva no nabal ainda é coisa rara.

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  3. Como diria alguém e bem:

    "Cada um com a sua pancada" e ainda bem.. Felizmente São Pedro ouviu as tuas preces ;)

    Abraço amigo

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  4. Ty: Sendo assim, e mesmo não sabendo qual é a tua região, espero que chova rapidamente. :)


    Ribatejano: Disseste tudo. Alguns códigos andam mesmo na lama... Se tivessem caído na poça, teria de comprar outros. :s


    Francisco: A minha "pancada" é levezinha. :) Felizmente!, não estava disposto a molhar-me no regresso. :s


    abraço x3

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  5. A chuva pode ter os seus encantos.
    Eu sei.
    Um abraço com todo o carinho :3

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  6. Pedro: Digamos que se estivesse de mãos livres, nem me importaria que ela caísse sobre mim. :)


    abraço carinhoso :3

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  7. Detesto chapéus de chuva e como sou algo impaciente, tal facto já me originou algumas "boas molhas".

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  8. João: No meu caso, começa sempre a chover quando estou prestes a sair de casa... --'

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  9. Da próxima vez, vê se leva um guarda-chuva. O tempo é traiçoeiro, num momento tá estiado, num outro tá chuvoso. haha.

    Se bem que carregar um monte de livros num braço e no outro o guarda-chuva, não é nada agradável. Teria sido melhor você ter ido de carro. Sorte que não aconteceu nada com os seus materiais.

    Abraços,Mark.

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  10. Citizen: Se eu fosse de carro, provavelmente não chegaria à faculdade a tempo. Lisboa não é igual ao Rio de Janeiro, mas tem trânsito suficiente para que cheguemos atrasados.

    E, sim, carregar livros numa mão e um guarda-chuva noutra não é nada prático. :)


    abraço :3

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  11. não usas mochila, Mark? é impensável não teres uma, com as carradas de livros que tens. e há umas muito giras.
    adoro mochilas e prefiro-as às malas de ombro. fico com as mãos livres para usar...o guarda-chuva :D
    bjs.

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  12. Margarida: Nem me digas nada, tenho sim! E várias. :) Da Eastpak, sobretudo. Gostava imenso. Bom, não quero com isto dizer que já não goste, apesar de ter mudado um pouco de estilo quando entrei para a faculdade. Mesmo quando estava no colégio, às vezes levava mochila, outras vezes nem tanto. Sou muito indefinível.

    Com o guarda-chuva é que mantenho uma relação distante. :D


    beijinhos, querida, e continuação de uma boa recuperação :3

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  13. lol Adoro chuva mas padeço desse teu sentir para com os pertences. Então, quando de livros se trata...
    Abraço

    http://desilusao.weebly.com

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  14. Paulo: É realmente chato.

    abraço :3

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  15. Querido Mark, como eu te compreendo! ^^

    Achei curioso o facto de nesse dia estares tão distraído que nem te lembraste de levar um casaco com capuz, nem parece teu! :P

    Enfim, há dias assim, em que tudo parece correr-nos mal. Também sou assim no que diz respeito a preservar ao máximo as coisas, a mim também me incomoda. ^^

    Beijinho e abraço caloroso neste dia chuvoso,

    Com saudades,
    Jo & Vappy ^w^

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  16. Eu tenho um daqueles guarda-chuvas que encolhem que funciona lindamente. Cabe o bolso de um casaco e já me safou de muitas molhas.

    Abraço.

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  17. Hórus: Vesti um casaco maravilhoso que tenho, "tweed", e nem me lembrei que poderia chover sobre mim. :s

    Awwwwn, abraço e beijinho para ti e para o Vappy :3



    Arrakis: Tenho de ir a uma loja à procura desse guarda-chuva mini. :)

    abraço :3

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  18. Acho que já referiste por aqui o esmero que tens pelos teus pertences, por isso deduzo que usaste a ironia no início do penúltimo parágrafo.

    No início da faculdade também não usava mochila, era muito mais cool ir com os livros, cadernos e estojo debaixo do braço. Depois, deixei-me disso. São fases...

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  19. Coelhinho: O início do penúltimo parágrafo foi uma espécie de justificação pelo esmero. :)

    Ah, mas eu não uso mochila porque realmente já não combina muito comigo, até porque nos rapazes creio que nunca deixará de ser "cool". ^^


    abraço :3

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Um pouco da vossa magia... :)