27 de junho de 2012

Da minha janela.



Mar alto! Ondas quebradas e vencidas
Num soluçar aflito e murmurado...
Voo de gaivotas, leve, imaculado,
Como neves nos píncaros nascidas!

Sol! Ave a tombar, asas já feridas,
Batendo ainda num arfar pausado...
Ó meu doce poente torturado
Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!

Meu verso de Samain cheio de graça,
Inda não és clarão já és luar
Com branco lilás que se desfaça!

Amor! Teu coração trago-o no peito...
Pulsa dentro de mim como este mar
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...

Florbela Espanca
 

7 comentários:

  1. Florbela!
    Realmente, sem comentários...

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  2. Nem mais, Mark. Depois da labuta, um merecido repouso estival em forma poética e se possível de entrega, se nao particular, pelo menos universal, a fim que se cumpram as palavras "pulsa dentro de mim"...

    Go... Be...

    Hugs

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  3. Gosto muito,

    Mas, Florbela Espanca tenho que estar em dia sim, para poder absorver tanta informação :)

    Abraço amigo

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  4. É um bálsamo para a alma chegar ao teu reino e deparar-me com um poema da "nossa" Florbela! ^^

    Horas profundas, lentas e caladas,
    Feitas de beijos sensuais e ardentes,
    De noites de volúpia, noites quentes,
    Onde há risos de virgens desmaiadas...

    Oiço as olaias rindo desgrenhadas...
    Tombam astros em fogo, astros dementes,
    E do luar os beijos languescentes
    São pedaços de prata plas estradas...

    Os meus lábios são brancos como lagos...
    Os meus braços são leves como afagos.
    Vestiu-os o luar de sedas puras...

    Sou chama e neve branca e misteriosa...
    E sou, talvez, na noite voluptuosa,
    Ó meu Poeta, o beijo que procuras!

    Hughie ^w^

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  5. Realmente a Florbela era única e especial, bem como os demais exímios poetas.


    Obrigado a todos. <3

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Um pouco da vossa magia... :)