16 de fevereiro de 2012

Encontros inesperados.


 Ultimamente, tenho sido assolado por situações estranhas. Não o direi porque sejam totalmente inusitadas, embora sejam verdadeiramente inesperadas.
 Há uns dias atrás, pesquisando no facebook pelos nomes de alguns colegas do Básico que saíram pelo meio, já lá vão uns aninhos, dei, finalmente, com o nome de uma das minhas melhores amigas daquele tempo. Sempre valorizei demasiado o passado e sempre perdi algum tempo pensando em pessoas com as quais perdi o contacto. Graças à minha boa memória, fixei o nome de quase todos os meus coleguinhas e, por isso, procurá-los e talvez encontrá-los não seja difícil. Por várias vezes coloquei o nome desta coleguinha no Google ou no facebook e obtinha as mesmas respostas: "Não foram encontrados resultados para o teu pedido. Verifica a ortografia ou experimenta outro termo."
 Desta vez, a minha tentativa deu frutos e encontrei-a. Adicionei-a de imediato (algo que não costumo fazer) e, para minha admiração, ela aceitou, reconhecendo-me. Éramos tão amigos. Ela saiu no 9º ano e, desde aí, os nossos destinos não voltaram a cruzar-se... até agora.

 Mas, as surpresas não ficariam por aí...
 Hoje, depois das aulas, quando me preparava para entrar no metro, resolvi não entrar no primeiro que chegou e aguardar pelo seguinte. Saíram dois polícias do metro que acabara de chegar. Dois PSP. Um deles olhou para mim e eu correspondi o olhar, reconhecendo algo naquele rosto, mas não conseguindo desvendar de onde. Colocaram-se atrás de mim. Fiquei meio constrangido. Passados uns minutos, um deles, alto, moreno, com uns olhos azuis intensos, aborda-me. Assustei-me um pouco, mas senti que iria interpelar-me, já que também sabia que o conhecia de algum lugar.
 Aproximou-se, sorrindo, e perguntou-me se eu tinha frequentado o colégio X, dizendo o meu nome, acertando em vários pormenores. Imediatamente, lembrei-me de que o conhecia do colégio, anos atrás, sendo ele um pouco mais velho do que eu. Perguntou-me que curso frequentava e disse que tinha gostado de me ver. Despediu-se, desejando-me felicidades, ao que correspondi, e afastou-se. Ao subir a escadaria do metro, olhou para trás.

 Fiquei perturbado por alguns momentos. Surgiram-me memórias na cabeça, como pequenas cenas de um filme que, lentamente, começa a passar. Recordei-me dele, de nós, em pequenos. Lembro-me - e à medida em que escrevo, vejo a cena - de estar debruçado junto a um muro e de ele surgir atrás, encostando-se a mim e insinuando-se. Fazia-o quando mais ninguém via. Era simpático, gentil. Não posso dizer que não gostava. Éramos adolescentes, na altura em que, provavelmente, as suas hormonas estavam efusivamente a serem produzidas pelo seu organismo.
 Fui tomado de uma estranha nostalgia, um desejo de regressar a esses tempos em que tudo era espontâneo. Certamente, ele lembrar-se-á desses momentos.
 Agi de uma forma fria, talvez devido à surpresa. Não me recordo do seu nome, não olhei para a sua identificação na roupa, apenas fixei um nome que me disse no momento em que me dava pistas, tentando que eu o reconhecesse. Um nome de uma terceira pessoa, na altura o seu melhor amigo no colégio.

 Comentei o sucedido com uma amiga. Disse-me que deveria ter sido mais «explícito e acessível».
 Explícito e acessível com uma pessoa que não vejo há anos? Não se trata de timidez; tratam-se de memórias. Apenas memórias. E as memórias devem ser tratadas como tal: guardadas e relembradas, quando possível, mas nunca renascidas.


9 comentários:

  1. já tive algumas dessas experiências de reencontro ao fim de uns anos. são curiosas.

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  2. Eu aqui a torcer para que ele tivesse arranjado um qualquer meio de te dar o número de telefone e tu terminas o post com "(...) as memórias devem ser tratadas como tal: guardadas e relembradas, quando possível, mas nunca renascidas." Que grande turn off. ;-)

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  3. :) Nem ele me deu o número de telemóvel, nem eu olhei para a sua identificação na roupa (creio que os polícias têm!?). Talvez tenha sido melhor assim. Mas, a verdade é que ainda não parei de pensar nele (shame on me!).

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  4. E eu concordo com a tua amiga!!!
    Em frente, Mark (please). Mereces ser feliz.

    Abraço grande.

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  5. E eu concordo com o coelho: foi um autêntico balde de água fria, o teu final...
    Agora perdoa-me um desvario: se isto me tivesse acontecido a mim, eu que tenho assim uma coisa especial por polícias, nem te digo nada...

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  6. Eu gostaria de o encontrar de novo, é verdade... :) Puxa-me àqueles tempos. No entanto, não remexeria no passado.

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  7. Ao contrário do Coelho e do Pinguim, acho que fizeste a coisa certa Mark. Não sou nada a favor de segundas oportunidades ou de regressar a passados felizes.

    Mas verdade que era um policia de olhos azuis ihihihi.

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  8. O Mark corou. hehehe

    E pensava eu que era o único que o conseguia fazer nas nossas conversas esporádicas. hahaha

    Abraço Mark... com que então fardas... ui ui ui

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  9. Tens de tentar rebuscar o nome dele na gaveta das memórias...e depois verificar se ele tem Facebook! ^^ Foi simpático da parte dele até porque ainda te reconheceu ao fim de tanto tempo! ^^

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Um pouco da vossa magia... :)