6 de junho de 2011

Das Eleições


Considero o quadro político português do mais desinteressante que pode haver. A política pressupõe renovação dos rostos, das ideias e não esta monotonia partidária a que assistimos em todos os atos eleitorais. Os discursos são ultrapassados e vazios de alguma novidade, mínima que fosse, que trouxesse um novo fôlego. Acredito que eles bem tentem, todavia, iludem os mais incautos.
Fui votar e fi-lo contra a minha vontade. Detesto o discurso de dever cívico quando o próprio dever de quem governa é simplesmente preterido após a vitória nas eleições.
Não vi os programas televisivos, típicos e enfadonhos, da noite eleitoral. Não ouvi o paleio de vencedores e vencidos e muito menos dos comentadores de bolso que aqui e ali povoam as estações de televisão, salvo raras exceções que merecem que percamos uma noite de estudo ou lazer, conforme os casos. Hoje de manhã, enquanto preparava a tonelada de livros, apontamentos e sebentas, liguei a televisão e ouvi umas coisitas aqui e ali suficientes para deduzir o resto. Foi demais, até.
Perdeu José Sócrates e ganhou (terá ganho?...) Pedro Passos Coelho. Que novidade!, alguém duvidava? Mérito do vencedor? Desmérito do derrotado? Não. Profundo desgaste político após seis anos de governação atravessados pela pior crise económica desde o crash de 1929. As alternativas são sempre as mesmas. O tempo vai e vem, os cargos vão e vêm, mas as pessoas são sempre as mesmas. Esta verdadeira dança das cadeiras dá-me uma comichão cerebral de salutar. Acho divertido, que querem?
A mãe regozijou, quase que teve um orgasmo político quando soube que o seu Pedrinho tinha alcançado aquela magnífica cadeira do poder. A avó ainda pensou que o seu Paulinho poderia, finalmente, ser o Primeiro-Ministro da bela Pátria Lusitana.
«Oh, avó, ele vai ficar com um belo ministério, não tenha pena!»
Pensamentos ao acaso que ficam sempre presos na garganta.
Lamento tanto que tenhamos um governo marioneta do Triunvirato que governa o país (sim, triunvirato, como diz o tio Paulo Portas, que o nome Troika é feio e é estrangeiro, 'tá a ver?). Sabia-lhes tão bem mandarem um bocadinho...
Cá estaremos nós a pagar impostos e os salários desta gente toda. E cá estaremos também para nos queixarmos muito da governação PSD / CDS-PP daqui a algum tempo, não muito, tenham calma.
Já agora, cá estaremos também para dar a vitória ao PS quando nos cansarmos destes.

7 comentários:

  1. Um amigo virtual06/06/2011, 23:09:00

    É o primeiro texto profundamente irónico que leio da tua parte e como o fazes bem... Tens muito jeito para todos os géneros de escrita.
    Não podia estar mais de acordo contigo, mas dá o benefício da dúvida a Pedro Passos Coelho, pelo menos a Pedro Passos Coelho, percebeste? ;)

    Abraço do Amigo Virtual.

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  2. Tens toda a razão, meu amigo.

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  3. «Orgasmo político»: divinal! :P:P
    Mark a presidente!

    Abraço!

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  4. Não podia ter lido melhor comentário político!

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  5. O teu texto é tão irónico quanto verdadeiro, infelizmente.

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  6. Enfim, muda a mosca e a m**** é a mesma...

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  7. Vou partilhar contigo o facto de votado em branco nestas eleições. Não deposito confiança ou melhor, a política dos candidatos não me seduziu o suficiente para fazer uma opção. Foi um (ligeiro) escândalo cá em casa, quando contei. Contudo não me arrependo, pois partilho a 100% a tua opinião (vês, não sou assim tão do conta ;)

    Até já

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Um pouco da vossa magia... :)