20 de maio de 2011

O Fantasma (2000)


O Fantasma, de João Pedro Rodrigues, é um dos filmes mais profundos que já vi. Não o digo apenas por ser um filme que aborda a temática gay; digo-o porque se trata de um filme que explora as fragilidades inerentes à condição humana. Desde os nossos instintos mais primitivos até a uma possível sexualidade reprimida que quando revelada expõe o que de mais verdadeiro existe dentro de nós, O Fantasma tem essa capacidade, ao menos a mim, de me prender desde o primeiro minuto.
Não se trata de um filme consensual. Há quem goste e há, evidentemente, quem não se identifique com o estilo. É um filme um pouco alternativo, com pouca ação (como todos os filmes portugueses) e com diálogos manifestamente incipientes. No entanto, pergunto-me, será que o filme manteria toda essa misticidade caso se tornasse mais comercial, mais acessível a uma mensagem rápida e facilmente absorvível? A minha resposta é não. Todo o ambiente que o caracteriza é absolutamente essencial para que tenhamos uma atmosfera tensa, mas, ao mesmo tempo, real, sentida. Uma realidade quase palpável. O negro da solidão das noites de Lisboa, destacado, tratando-se de um rapaz de vinte anos, coletor de lixo a viver sozinho numa pensão da capital,  revela a fragilidade da vida humana. Uma fragilidade sentimental, uma instabilidade apoiada num sobre outro dia e sobre ainda outro dia... Conquistas diárias, um pouco de nada, amor em falta e desejos reprimidos. É essa a fórmula mágica, permitam-me, de O Fantasma.
Abstraindo-me de considerações sobre o aspecto físico do ator, muito apreciadas pela comunidade gay, detive-me no que me pareceu o essencial.
Vi o O Fantasma há uns anos, meio criança, meio adolescente. Vi as cenas sexuais explícitas e vi o que é o carácter podre, fugaz e execrável do mundo gay. O sexo fácil, desprotegido, qual penetração fortuita num qualquer descampado ou beco. Mas, também vi a beleza noturna de Lisboa. E vi mais: vi um rapaz, que interpretava, certamente, mas cuja vida poderia ser real.
Ontem revi o filme. E captei todas as mensagens subliminares e implícitas que a idade teimava em não deixar revelar. Vi que a vida é assim, mais ou menos fantasiada.
Quantos fantasmas sairão ao abrigo da escuridão noturna?

12 comentários:

  1. Provavelmente muitos...
    Ainda não vi o filme mas fiquei curioso com a tua descrição, pelo que irei ver =)
    Abr

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  2. Miguel, é um ótimo filme. Recomendo. ;) Depois diz se gostaste.
    Abraço. ^^

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  3. nunca vi mas agora que referiste também queria ver. deve ser bom e os filmes "gays" em Portugal não são assim tantos...
    abc xD

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  4. Tomás: Não acho o filme "bom" por ser "gay"; gosto do filme porque aborda problemas transversais às diversas orientações sexuais. Desejos reprimidos e fragilidades humanas estão presentes em todos, independentemente de tudo.
    Abraço. ^^

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  5. Olá amigo!
    Meu blog está comemorando 1 ano de existência nessa segunda-feira, 23 de maio de 2011, e por isso pensei em fazer algo especial para homenagear essa data tão importante para mim. Por isso, quero saber o que representa para você a frase “SER FELIZ É SER LIVRE” que encabeça o meu blog. Pode ser um pequeno texto, uma simples frase, uma mensagem, um verso, uma palavra ou qualquer coisa que lhe venha à cabeça.
    Por favor, não deixe de participar, pois a sua opinião é MUITO importante para mim.

    Bjoxxxxxxxxxxxxxxxx no coração!

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  6. Diogo: Amanhã deixarei um comentário com o que me pediu. Farei com o maior prazer. Só não o faço hoje porque é amanhã o dia do aniversário do seu blogue. (:
    Abraço. ^^

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  7. Já não tenho presente quando vi o filme, mas faz já uns anos!
    Vi-o duas vezes, porque não consegui captar toda a mensagem na primeira visualização (culpa do bom aspecto do actor principal...já agora, que é feito dele?). Devo dizer que, para mim, é um filme bom, apesar de estar longe de ser genial. E, provavelmente, representa alguns (muitos?) fantasmas em Lisboa!

    Lembro-me que no DVD tinha um extra que gostei muito (para além da entrevista ao actor, onde, já agora, ele afirmava já ter tido sexo homossexual na juventude!) que era uma "curta" de nome "Parabéns" (penso não estar enganado no nome!). Se tiveres oportunidade de a conseguir, essa sim representa muito do que existe por Lisboa (digo eu!). Mas não tem a "profundidade" dramática do filme, é mais superficial na história.

    Abraço!

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  8. Ikki: Eu também não captei as mensagens do filme na primeira vez que o vi, mas por outros motivos: a idade e a inexperiência. (:
    Não faço a mínima ideia do que é feito do ator. Concordo contigo, não é um filme genial, porém, tem algo que me "prende" desde o primeiro minuto... Aborda uma realidade cruel.
    Não fazia a mínima ideia de que o ator tinha tido experiências homossexuais na juventude. :O Talvez seja por isso que estava tão "à vontade" nas cenas mais explícitas...

    Abraço. ^^

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  9. Não se pode concordar em tudo, e eu por acaso nem gostei nada deste filme. Achei-o deprimente e desfazado da realidade. Mas o actor era muito engraçadinho, sim!

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  10. Coelhinho: Eu, por acaso, gostei muito da atmosfera do filme. (:

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  11. tem o link pra assistir online? Queria muito poder assistir esse filme online. :)

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  12. Infelizmente, não conheço nenhum link, ou site, onde dê para assistir online.. :|

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