28 de maio de 2011

Fim de Um Capítulo


As aulas terminaram hoje. Como vos disse há uns dias, combinei sair com o R. nesta tarde. Quando cheguei à faculdade mandei-lhe uma sms, uma vez que não o via e tínhamos combinado previamente que nos encontraríamos à porta da mesma. Não me respondeu. Fiquei preocupado até porque senti que talvez o que desconfiasse se tivesse verificado... Ontem houve uma festa ridícula na faculdade. Uma festa cheia de álcool e onde o que interessa é encher a cara sem qualquer controlo, sabem? Detesto isso. Que mania que têm de que a juventude é irreverente por ser banal e desprovida de quaisquer interesses lógicos; a verdadeira diferença está em sermos nós próprios. Isso sim marca a nossa personalidade.
As minhas suspeitas confirmaram-se. Ele chegou à faculdade para a terceira aula, com uma enorme ressaca, um cheiro pavoroso a cerveja barata, a camisa toda aberta e o cabelo super estranho. Um cenário dantesco... Não estava embriagado por completo, é verdade, mas ainda trocava a voz e dizia palavras sem sentido algum. Ainda se desequilibrava. Vi-o casualmente sentado no jardim enquanto passava com uma amiga, pedi-lhe que não comentasse com ninguém acerca  do que vira e levei-o para um dos banheiros mais próximos. Ele conseguia, embora devagar, caminhar sem ajuda, mas mesmo assim achei por bem ampará-lo. Já no banheiro, passei-lhe água no rosto no momento em que ele começa a querer agarrar-me. Colocou-me as mãos na cintura e puxou-me contra o seu corpo à medida que proferia umas palavras meio imperceptíveis, acompanhadas de um hálito horrível. Afastei-o, embora quisesse muito que ele continuasse. Todavia, nada seria verdadeiro, nada seria real. Provavelmente ele nada faria caso estivesse sóbrio.
Depois de sairmos do banheiro, e já com os botões da camisa abotoados e o cabelo penteado com a escova portátil que trago sempre na minha mala, levei-o ao bar da faculdade e pedi um café bem forte para ele. Bebeu-o e, com o passar do tempo, começou a despertar...
Longa história. Não queria ter ido, mas uns tipos desafiaram-no (pessoas, diga-se, com as quais não me relaciono) e ele acabou por ir. Disse-me que não me convidou porque «sabia que não aceitavas». Revoltei-me, não por não me ter convidado, porque, de facto, não aceitaria; fiquei profundamente chateado por ele ter comprometido a nossa tarde e por estar naquele estado deplorável, pese embora não o tenha feito deliberadamente. Quando dei pela hora, apercebi-me de que perdera os dois últimos tempos, uma aula de revisões e a despedida dos meus amigos. Achei que era melhor levá-lo a casa ou pelo menos até à estação dos comboios, mas ele, qual homem de palavra, disse que a nossa tarde «estava de pé». Tentei recusar, porém, ele não deixou.
A nossa tarde foi fenomenal (irónico)... Almoçámos no McDonald's do Saldanha e depois, tal como o prometido, fui comprar o Born This Way da Gaga. Por momentos, nem quis acreditar que eu - sim, eu - estava com um rapaz completamente ressacado na minha frente. Depois de uma noitada daquelas ainda se aguentou de pé para estarmos juntos. Eu tenho isso em consideração, mas fiquei sentido. Planeei algo diferente, sei lá. Não consigo, contudo, deixar de considerar todos os momentos com ele como bons momentos. Foi diferente. E ele, diga-se de passagem, com uns cafés fica "quase" como se estivesse no seu estado normal.
Levei-o até à estação dos comboios e fiz-lhe a derradeira pergunta que me atormentava desde manhã: se tinha estado com mulheres, nomeadamente com a loura oxigenada de serviço. O estado em que ele se encontrava fez-me perder qualquer pudor e perguntei-lhe decididamente. Da resposta é que não estava à espera.
"Não, não 'tive, mas apeteceu-me. Só não o fiz porque pensei que queria 'tar contigo."
Não tive coragem de lhe dizer fosse o que fosse. Não me quis comprometer e não o quis comprometer.
Voltei para casa a ouvir o meu novo álbum.

15 comentários:

  1. Olha que parece-me mais o início de um capítulo.... finalmente (malgré tout)!

    Fico a fazer força por que assim seja!

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  2. epa as coisas parecem avançar mesmo que devagarinho. em relação ao ele estar bêbado, olha que às vezes as pessoas dizem as verdades debaixo de grandes e boas bebedeiras (eu incluo-me no grupo) xDD
    dá-lhe tempo que pode ser que as coisas fiquem esclarecidas :)
    abc

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  3. O João tem razão; só não "ouves"se não quiseres ouvir...

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  4. ahhhhh que raiva que vocês me metem. Parece uma novela daquelas intermináveis, cujos episódios acabam na pior altura. Apetece-me apanhar nos dois e fechar-vos em algum sitio até que digam o que realmente vos vai na alma.

    E sim, se fosse comigo ele não teria seguido naquele comboio sem "se comprometer".

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  5. Mark,

    Parece que a coisa está (finalmente) a evoluir! Não deixes escapar a oportunidade... como gostas de ser conquistado, insinua-te;)

    Abraço

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  6. E estão mesmo a evoluir no bom sentido!!!
    Permite-te e ouve.

    Todos os teus amigos, aqui no blogue apontaram no mesmo sentido! Força rapaz. Não deixes que o tempo voe e com ele arrependimentos nasçam.

    Abraço.

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  7. ...não sei bem o que diga, eu não bebo, pelo que uma situação dessas nunca aconteceria... no entanto, de acordo com o que descreveste acho que ele te deseja, a verdadeira questão é: e depois? depois de te ter o que é que ele irá fazer?
    Quando te entregares, situações como essa magoar-te-ão muito mais do que agora. É preciso que ele saiba bem o que quer...

    Abraço =)

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  8. Mark,
    Divirto-me muito com suas histórias e seus pudores.
    Somos tão diferentemente iguais...
    Desejo boa sorte com o R. porque pelo que vejo, esse verão (aqui no Brasil está um frio louco!) será decisivo para vocês.
    Abraços.
    Marcelo B. Pires.

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  9. João: Obrigado. (:

    Tomás: Tem todo o tempo do mundo. LOL Quanto às bebedeiras, prefiro nem saber. (:
    Abraço.

    Pinguim: Sim, mas não quero entregar-me sem ter a certeza de que depois não serei preterido...

    Speedy: Talvez só assim, mas já nem sei... Eu não me quis comprometer, nem comprometê-lo, mas, se queres que te diga, arrependo-me...

    Horatius: Insinuar-me ainda mais? LOL :)
    Abraço.

    Paulo: Obrigado pelas palavras sempre afáveis. (:
    Abraço.

    Miguel: És abstémio como eu? Que bom! (:
    Tens toda a razão. Tenho medo de me entregar e depois magoar-me com o que pode vir no futuro... Mas, não pretendo entregar-me assim. Se o quisesse fazer, tê-lo-ia feito no banheiro, naquela manhã. Ele avançou sobre mim de forma inequívoca. Era só deixar-me levar.
    Abraço.

    Marcelo: Obrigado pelas palavras. (:
    Aqui em Portugal faz calor, mas tem andado a chover. :S
    Abraço. ^^

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  10. hmm, isso vai dar sexo em breve...eu acho bem. O encantamento mútuo depois pode arrefecer. Mas o relacionamento fica mais sereno e transparente.

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  11. joseph: "hmm, isso vai dar sexo em breve..." LOL :D Não pude evitar uma risada. Não sei se vai. Como já disse várias vezes, tenho de saber as suas reais intenções. (:

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  12. Li este texto poucas horas depois de o teres escrito, mas só agora comentei. Mas, à data, pareceu-me que foi um dos teus posts mais sentidos...

    A frase final é um pouco ambígua. Mas ninguém melhor que tu, que esteve lá, a pode interpretar. Mas por muito álcool e café que o R. tivesse em cima, essas coisas só se dizem se forem sentidas...

    Abraço!

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  13. Blog Liker: Interessante a tua reflexão. (: Sabes, nos meus textos nada acontece por acaso. Pretendi essa ambiguidade de que falas e surpreende-me que te tenhas apercebido dela. Quis mostrar quase uma indiferença ao que se tinha passado. No fundo, resultou nessa ambiguidade.

    Sabes - e vou agora quase que "abrir" a alma" - adorei que ele me desejasse daquela forma, mas senti um impulso que me fez afastá-lo. Não fui forte o suficiente para ultrapassar a barreira que se constrói e que tememos perder...

    Abraço e parabéns por essa sensibilidade latente que demonstras. ^^

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  14. O R deu um grande passo. Só é pena que tenha sido patrocinado pelo álcool ou pela ressaca. Loucuras todos fazemos, com álcool ou sem ele. Provavelmente já falaste com ele posteriormente, ele referiu-se a alguma coisa do que te disse?

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  15. Coelhinho: Ainda não toquei no assunto com ele... :S

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Um pouco da vossa magia... :)